Maldito vampiro.
38 Baba Yaga!Baba Yaga!Baba Yaga!
Edward
— O que você está fazendo? — Edward franziu a testa, altamente confuso com o que diabos fosse o que Eric estava fazendo.
Ele estava com as mangas da blusa negra dobradas até o meio de seus braços fortes, seu rosto com uma expressão impassível, e uma concentração admirável. Edward estava nervoso com a possibilidade de rever Isabella. Eric não estava ajudando em nada para seu nervosismo, ficando em silencio.
— Por Deus homem, se você não me falar logo o que está fazendo, penso que irei enlouquecer.
— Não se preocupe, traremos Isabella com isso. — disse apenas isso, logo voltou a fazer fosse lá o que era aquilo.
Eles haviam ido para uma parte da floresta afastada de onde Isabella havia sido levada. Haviam passado três meses. Três malditos meses em que ela não estava em seus braços. Ela estava no final da gestação, poderia ter a criança a qualquer momento e ele não estaria lá por ela. Ele tentara manter-se ocupado, enquanto eles viajavam em torno da Europa, buscando tudo que precisariam para chamar a bruxa. E alguns vampiros se juntaram a eles.
— Você está tão tenso, Edward, tem certeza que não quer ajuda para relaxar? — Marianne sussurrou em seu ouvido.
A loira bonita de olhos azuis era um dos vampiros que se juntaram a eles, diferente de Jacques e Lílian, ambos transformados por Eric há séculos atrás, Marianne, fora agregada ao grupo, quando Eric matara o cruel mestre dela. Ele a libertara, mas ela insistiu em ser sua serva. Ela dissera que estava há muito tempo com um mestre e agora não saberia viver sem um para comandá-la.
Ele não gostava dela. Tão pouco Jacques e Lílian a apreciavam. A harpia sabia jogar um veneno como ninguém, estava desenvolvendo um maldito interesse por ele, mesmo ela sabendo que o intuito dele era trazer Isabella de volta.
— Preciso de sua ajuda tanto quanto preciso do sol. — Edward respondeu secamente.
— Ora, mas eu poderia fazer coisas com minha boca que realmente o relaxariam...
— Marianne, deixe-o em paz. — Eric ordenou. — Edward não será seu novo brinquedo, então pare com sua infantilidade.
— Mas...
— Por Deus, mulher, cale essa maldita boca. — Jacques passou os braços em volta da cintura de Lílian. — Eric, vamos caçar algo para comer.
— É, antes que eu perca meu apetite com essa aí. — Lílian, completou.
— Você deveria perder o apetite, quando olha no espelho e vê essa horrenda cicatriz em seu rosto. — a loira respondeu.
Um brilho de dor passou pelos olhos escuros de Lílian, ao mesmo tempo em que o rosnado de Jacques retumbou pela floresta. Ela tentava esconder ao máximo sua cicatriz com seu longo cabelo escuro.
A pele azeitonada dela deixava a cicatriz, que ela adquirira quando ainda era humana, com um tom arroxeado; mas isso não a impedia de ser uma mulher bonita. E Jacques não a amava menos por causa disso. Ela era a única que não se via com bons olhos, achava uma incrível sorte que um homem tão bonito como Jacques a escolhera como sua companheira. Os dois tinham características semelhantes, pois vieram do mesmo povoado do oriente médio. Mas o cabelo dele era um pouco loiro, pois durante anos trabalhara no sol quando ainda era humano. O sol havia queimado seus cabelos e eles ficaram mais claros. Eles formavam um belo e amoroso casal.
Eric a agarrou pelo pescoço.
— Vá embora! — Eric a empurrou. — Agüentamos o suficiente de você por esses dois meses que você se juntou a nós. Não a quero mais entre nós.
— Mas foram eles que começaram, Eric. — ela se ajoelhou a seus pés. — Por favor, eu não tenho ninguém para tomar conta de mim. Você sabe que outro mestre miserável pode me tomar se eu não tiver uma proteção.
— Bem você deveria ter pensado nisso antes de agir como uma cadela. — Eric cruzou os braços, ele estava resoluto em sua decisão. — Não a quero entre nós. Sua falta de paciência e de companheirismo é um mal que deve ser cortado pela raiz antes que você cause algum dano.
— Eu prometo que irei me comportar...
— Não a quero mais. — Eric vociferou, sua voz viajou pela floresta silenciosa, como se um laço invisível entre eles tivesse sido cortado. Ela era uma desgarrada agora.
Marianne levantou do chão e limpou as falsas lagrimas que escorriam por seu rosto. Ela não iria mais se humilhar. Ela poderia não ser tão velha quanto Eric, mas era mais velha que os outros, ela quase poderia andar no sol, só faltava mais um século.
— Você vai pagar por isso. — ela prometeu.
O clima se tornou mais frio. Todos os vampiros além de Jacques e Lílian, que estavam entre as arvores, deram um passo na direção dela. Edward também se aproximou.
Ela olhou em volta assustada, mesmo sendo forte ela não poderia contra todos eles. Ela não deveria ter dito em voz alta seu desejo de vingança. Todos ali eram devotos a Eric.
— Não! — Eric estendeu as mãos. — Deixe-a ir.
— Mas Eric... — Lílian sussurrou.
— Deixe-a ir. — Marianne correu, ela não ficaria ali para ser morta, mas seu objetivo de vingança ainda a movia. Ela procuraria o tal mestre da vampira que eles buscavam então se vingaria ao unir-se a ele. — Ela não é um perigo real para nós, ela é só uma vampira sozinha. Ela muito em breve descobrirá o preço de não se ter amigos, ou pessoas que realmente se importem com ela.
— Mas se ela realmente tentar se vingar? — Edward perguntou.
— Nós estaremos esperando. Não duvido nada que ela procure a ajuda do mestre de Isabella. Por isso temos que andar de pressa. Vocês podem ir se alimentar. Apenas eu e Edward ficaremos aqui.
Ele voltou a seus afazeres, os outros vampiros se dispersaram ao seu comando.
— Mas ele poderá vir atrás de nós. — Edward disse quando todos se foram.
— E estaremos esperando. Eu o quero aqui na floresta, onde podemos montar armadilhas e os enganar. Agora se mantenha em silencio e não me desconcentre.
Depois que eles haviam se unido aos outros vampiros e haviam buscado todos os objetos necessários, eles haviam se alojado em uma taberna que ficava há alguns quilômetros da entrada da floresta, onde eles se esconderam durante os dias enquanto o sol estava no céu. Edward não tinha como ficar ali de tocaia na floresta, como Eric fez questão lembrar. Mas a vontade dele era ficar o mais próximo de Isabella que pudesse, mesmo que isso significasse dormir ali no chão duro e gelado da floresta, mas o maldito sol não permitiria. Não se ele quisesse vê-la novamente.
Ele olhou enquanto Eric colocou um grande espelho em pé no centro de um circulo feito de sal. Ele prendeu o espelho na terra, para que ficasse em pé; ele disse que teria que fazer um ritual o mais próximo à natureza que conseguissem, a floresta era um ótimo lugar obviamente. Eric então pegou a bolsa que trazia e lhe estendeu uma taça de ouro cravejada de jóias.
— Vá até o rio, naquela direção. — ele apontou para o leste. — Encha a taça com água limpa. É importante que você pegue a água do rio, não de uma poça próxima, entendeu?
Edward assentiu ainda confuso no que consistia tudo aquilo. Tão logo ele voltou com a água e a entregou para Eric, ele voltou a sentar na pedra grande que estava antes. A floresta estava praticamente escura, a não ser pela luz da lua que infiltrava as folhas das arvores, seus olhos enxergaram muito bem no escuro ainda sim.
Ele olhou como Eric preparava o que parecia ser um altar. Ele arrumou objetos ao redor do circulo de sal, em volta do espelho. No norte ele pôs uma moeda de ouro velha; o cálice com a água ele pôs ao oeste; no leste ele acendeu um incenso de aroma delicioso e suave; e por fim ao sul ele pôs uma vela acesa, que estranhamente o vento não balançava a chama.
— Está pronto. — ele disse ao se levantar do chão onde estava de joelhos. — Agora é a parte perigosa, espero que você entenda isso. Vou invocar o espírito de uma velha bruxa, ela lhe conceberá um desejo, mas pedirá algo importante em troca. — ele disse sem nenhum pingo de humor, Edward nunca o havia visto tão sério.
— Apenas o faça. — ele disse sem hesitar.
Eric assentiu pesaroso.
— Venha aqui. — quando Edward estava próximo dele, ele estendeu um punhal e pegou a mão de Edward. — Precisamos de uma oferenda e como será você a fazer o pacto... bom, será mais forte se você der seu sangue por isso.
— Não me importo. Como já disse: apenas faça o que tem que fazer.
Eric cortou a palma da mão de Edward e a sacudiu sobre o espelho e a terra dentro do circulo, fazendo com que pequenas gotas se espalhassem sujando o a terra e o espelho.
— Agora é a parte da invocação. Afaste-se do espelho. — quando Edward o fez, Eric se posicionou em frente ao espelho e repetiu. — Baba Yaga! Baba Yaga...
— Você está invocando Baba Yaga? — Edward o interrompeu com os olhos arregalados. — Baba Yaga? Ela é um demônio, tive medo dela até completar meus 15 anos. Acho que toda criança russa teve medo dela. Não pensei que ela existisse realmente.
— Ao que parece, você ainda tem medo.
— Eu não tenho. Só... — Edward estava envegonhado.
— Você é um vampiro e as pessoas pensam que nós não existimos, por que criaturas como ela, não existiria? Apenas faça silencio, sim? Você quer ou não Isabella de volta?
— Quero. É claro que quero.
— Ótimo, então se cale! — ele se virou novamente para o espelho. — Baba Yaga! Baba Yaga! Baba Yaga!
Então houve o silencio.
— Então, onde está ela?
— Shiuuu! — ele pôs o dedo na ponta dos lábios. — Ela está aqui.
Tão logo Eric terminou dizer isso a vela se apagou. Um riso suave começou a soar pela floresta e aos poucos foi se tornando um som estridente que lembrava a dor e a morte. A vela acendeu sozinha com uma força impressionante que iluminou tudo em sua volta. Edward tampou os olhos e quando conseguiu olhar de novo ele viu...
Uma velha bruxa estava ali no espelho lhe sorrindo com os dentes podres, onde eram nítidos os buracos de onde alguns dentes faltavam. Seus olhos eram manchados de azuis característicos da catarata. A pele estava muito enrugada, a criatura era medonha. Edward se viu criança quando tinha tanto medo dessa bruxa.
— Príncipe Edward Romanov. Não posso acreditar. — ela pareceu farejar o ar sentindo o cheiro de Edward, mas não o vendo realmente. — Pensei que nunca iria ter coragem de me invocar. Não pode ser você aquele menininho assustado que corria toda vez que passava em frente a um espelho. — Baba Yaga riu com maldade e arrastou sua língua nojenta pelos dentes e logo pelos lábios enrugados, parecendo uma cobra pronta para dar o bote.
— Não tenho mais medo de você. — ele gritou.
— Não? Posso sentir seu cheiro, sabe rapazinho?
— Não temos tempo para isso Baba Yaga? Queremos fazer um acordo. — Eric chamou sua atenção para ele.
Ela se aproximou mais na borda do espelho e sua cabeça passou pelo vidro, seu corpo ainda no espelho e sua cabeça no mundo real. Seu rosto muito próximo ao rosto de Eric. Ela podia passar pelo espelho. Os pelos do corpo de Edward se arrepiaram.
— Estou ouvindo. O que vocês poderiam ter que me interessasse?
— O que você quiser. — Edward disse impulsivamente.
— Edward... — Eric chamou sua atenção.
— Ora, então é você que deseja fazer o acordo. Vejamos primeiro o que vocês querem. — ela disse e voltou sua cabeça para dentro do espelho.
— Quero que traga minha mulher de volta.
— E onde ela está agora? No limbo? No inferno?
— Ela não está morta. — Eric disse.
Baba Yaga riu novamente.
— Ela te abandonou? — então ela sorriu maliciosamente. — É aquela bonita vampira ruiva que estava na frente do espelho com um vestido azul... Sim eu lembro dela. Vocês estavam juntos na frente do espelho e você sorria como um bobo apaixonado. Eu vi os olhos dela naquela noite... eles escondiam algo, um segredo...
— Basta. — Edward rangeu os dentes. — Você poderá nos ajudar ou não?
— Eu posso fazer qualquer coisa, jovem príncipe.
— Ela está em uma aldeia próxima daqui. O líder da matilha a levou. — Eric disse.
— E por que ele a levou exatamente?
— Ele... — Edward hesitou.
— Ele a escolheu como fêmea dele. — Eric completou. — Queremos que você a traga de volta para nós.
— Eu posso fazer isso, mas terá um preço alto a pagar. Um preço que não terá volta.
— O que você quer? — Edward grunhiu.
— Aproxime-se. — ela lambeu os lábios novamente e ele se ajoelhou em frente ao espelho, muito próximo. — Vou tirar de você aquilo que você mais prezar em sua vida.
— Não me importo, apenas a traga para mim. — Edward implorou.
— Edward, não sabemos o que ela quer... — Eric tentou avisá-lo.
Edward não prestou atenção nele, nada o impediria de pegar sua mulher de volta.
— Considere seu desejo concebido. Agora irei tirar o que você mais preza em sua vida... O seu amor por ela.
Baba Yaga estendeu a mão pelo espelho e antes que Edward ou Eric pudessem impedir, sua mão perfurou o peito de Edward, como se atravessasse a pele dele a mão de um fantasma e sugou dali todo o amor que Edward sentia por Isabella. Eric tentou puxá-lo, mas era impossível arrancá-lo dali.
— Não! — Edward gritou sentido como se uma parte dele estivesse sendo arrancada. Ele lutou para se afastar, mas a mão dela parecia uma ancora o segurando.
— Você se lembrará do seu amor por ela, mas não poderá senti-lo... nunca mais. — a mão dela saiu do peito dele e ela voltou para dentro do espelho, quando o corpo inconsciente de Edward caiu ao chão. — Trarei a vampira aqui apenas esperem.
Então ela sumiu, enquanto Eric se perguntava como podia ter deixado às coisas chegarem a esse ponto.
continua...
*Baba Yaga é uma figura do folclore do leste europeu. É uma mulher velha e ossuda que viaja pelos céus montada em um almofariz. Os rastros que deixa, apaga com uma vassoura. Mora em uma casa móvel, com patas de galinha, cuja fechadura é uma boca cheia de dentes. Isaac Bashevis Singer descreveu Baba Yaga com um nariz vermelho arrebitado (apesar de alguns escritores comentarem um nariz azul), com narinas largas e ardentes, olhos em chama como carvão em brasa e com cardos a sair do crânio em vez de cabelos. Singer referiu também a existência de babas menores e de pequenos demônios chamados dziads.
Ajuda os puros de coração e devora os impuros.
Originalmente concebida como uma entidade benfazeja, ao longo do tempo foram lhe atribuindo um caráter sinistro.
Conta a história que Baba Yaga possuia uma irmã, também bruxa, muito parecida com ela. Ela por sua vez casou-se com um poderoso comerciante da época dos czar. Ele por ser viúvo tinha uma filha então a irmã de Baba Yaga logo pediu a menina: "Vá a casa de minha irmã e peça linha e agulha para costurar uma camisa.", a menina já sabendo que a irmã de sua madrasta era bruxa visitou antes a tia, irmã de seu pai, e esta contou-lhe a história, sua tia apenas disse: "Quando uma árvore quiser arranhar-lhe o rosto, amarre seus galhos com uma fita, quando uma maçaneta não a deixar sair, unte-a com óleo, quando os cachorros raivosos correrem atrás de você, jogue um pouco de pão e quando um gato tentar arrancar-lhe um olho dê-lhe um pouco de presunto". Assim a menina buscou uma fita, um pouco de óleo, um pão e um pouco de presunto. Chegando a casa de Baba Yaga a garota disse que sua irmã pedira linha e agulha. "Entre" disse Baba Yaga "E começe a tecer", enquanto a menina tecia pode ouvi-la dizer a sua criada a preparar a banheira e lavar a menina pois hoje teriam janta, virou-se, viu que a menina tecia e saiu do recinto, a menina o vê-la sair foi até a criada, estendeu-lhe um lenço e disse: "Não a obedeça", virou-se ao gato, jogou-lhe o presunto e perguntou como poderia escapar, o gato satisfeito respondeu: "Pegue o pente e o pano em cima da mesa, fuja e de vez em quando cole o ouvido ao chão, quando ouvir que ela está perto jogue o pano que se transformará num rio largo e fundo, se por acaso ela conseguir passar jogue o pente e se transformará num imenso bosque, que não vai poder atravessar". Ela pergou o pente e o pano e correu em direção a porta mas esta não lhe deixava passar, então untou-a com óleo, jogou pão os cães que a perseguiam e amarrou com fita os galhos da árvore que lhe tentara arranhar-lhe. Quando Baba Yaga viu que quem tecia era o gato e não a menina enfurecida perguntou: "Seu velho guloso! Porque a deixou escapar?" calmamente o gato respondeu: "Há muito tempo que estou contigo e não ganhei nada, a garota, por sua vez, me deu um pedaço de presunto". Batendo em todos os outros que havia, assim como o gato recebido[necessário esclarecer] presentes, embarcou em um almofariz e apagou seus rastros com uma vassoura. A garota ouvindo Baba Yaga chegar jogou o pano que imediatamente se transformou em um rio, Baba Yaga vendo-o buscou seus bois para que bebessem toda a água do rio, a menina vendo de novo que ela se aproximava jogou o pente e um bosque apareceu, apesar de toda sua determinação em roer as árvores Baba Yaga teve de voltar a sua choupana em cima de patas de frango sem a menina e com fome.A menina retornando contou ao pai sobre o que sua esposa havia tentado fazer com sua adorável filhinha, este expulsou sua atual mulher de casa e após isso nunca mais se ouviu falar aonde estaria Baba Yaga.
Notas finais
Ahhh E não me odeiem pelo que fiz com o Edward. Ele a Bella Sofrem, mas teram seu final feliz é só esperarem.
Vocês Sabem como sou Apaixonada pela Rússia né?
Estou trazendo mais uma novidades para vocês, dessa vez sobre o folclore da Rússia
Xoxo, gossip girl.
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