Maldito Prozac
1 Capítulo 1 - Fim de mundo
Era cedo, havia ido para os fundos da escola onde ficava o estacionamento, no canto direito ficávamos fora de vista, lá tinha grama e sempre havia sombra, era o lugar mais privado da escola toda. O pátio da frente inteiro ficava á vista dos professores e demais funcionários do prédio. Em outras palavras era arriscado, ficávamos sendo observados o tempo todo, ainda mais eu, a garota problema. Eu e mais adolescentes problemáticos ficávamos o mais longe possível da vista de qualquer um que trabalhasse ali, ou perto da escola.
Assim que passei pelo estacionamento e virei a direita vi Nancy sentada no chão fumando um cigarro Black, sentei-me no chão ao seu lado, Nancy tragava de olhos fechados a maquiagem forte como sempre.
—Bom dia girl – Sorri e joguei à bolsa de canto, ao lado da dela. Ela olhou pra mim, um sorriso morto no canto dos lábios.
—Oi, não precisa gritar... – e Sorriu novamente enquanto baixava a cabeça
—Que ressaca foi essa? – ri alto
—Fale mais baixo – ela sorriu e baixou novamente sua cabeça — Eu passei a noite ocupada, ocupada demais para ter tempo pra dormir.
—Ui – rimos mais ainda.
—Oi garotas. – Sorriu Amy caminhando até Nancy e eu. Jogando sua mochila no chão perto das nossas.
—Olá Bitch. – Nancy se levantou do chão para beijar-lhe a face.
—OI! – toquei em sua mão um toque combinado. Um soco pra cima pra baixo no meio e depois uma explosão, rimos.
—Tenho boas noticias. – Sorriu Nancy um sorriso que mal coube em seus lábios.
Eu olhei ao redor, não havia mais ninguém, por ter muita grama e ser de difícil acesso poucas pessoas costumavam ir lá. Sempre tinha sombra naquele lugar, me dava calafrios no inicio. E se tornou meu cantinho minha fortaleza solitária, entre aspas já que Nancy e Amy e uns garotos que tragavam escondidos depois, ou antes, das aulas iam pra lá. Eu entendia como era um porre ir pra escola sóbria.
Nancy continuou de pé enquanto Amy se sentou perto de mim.
—Temos um role pra sábado agora.
—Mas, já? Nem temos dinheiro pra nada. – olhei para Nancy
—Eu dou um jeito. Contanto que consiga dinheiro pra condução o resto lá aposto que vai ter.
—Tá dizendo que é bebida grátis? Tipo assim um Open Bar?
—Não só isso. Acho melhor não termos hora pra voltar.
—Sim e como vamos driblar nossos pais e conhecidos? Teremos que voltar alguma hora. – Disse eu.
—Vamos dizer que estamos indo pra uma festa do pijama na casa da Morgana já que é a única que mora longe.
—Quem diabos é Morgana?
—Minha amiga imaginaria ninguém precisava saber desse detalhe — Todas riram alto.
—Então está combinado! Quero todas vocês as 14h na minha casa, quero aproveitar ao máximo essa festa, então teremos que chegar cedo, também levaremos umas 2h pra nos arrumarmos e mais 1h30 pra chegar lá. É um pouco longe.
Encontramo-nos como de costume na casa de Nancy e começamos a passar maquiagem arrumamos a bolsa com um kit emergência, com comida e remédios caso fossem necessários, o dinheiro para condução e nossos celulares “esquecemos” eles na cama de Nancy. Pegamos a mochila com as poucas coisas e saímos em direção á rodoviária. Pegamos o trem rindo alto, contando piadas, mandando olhares maldosos as outras pessoas que nos encaravam. Caminhamos um pouco por algumas ruas até que Nancy se pronunciou. Era fim de tarde ainda estava claro, e quente, o vento soprava forte acariciando nossos rostos.
—É por aqui – Nancy apontou para uma rua que estava ao longe, havia um garoto nos olhando.
—Que lugarzinho meia boca hein Nancy – Amy riu
—Vai por mim garotas, teremos uma overdose essa noite. – Ela correu em direção á um cara que estava esperando na esquina. Parecia ser uns 5 anos mais velho que ela, mas isso não era importante. Ela Passou seus braços ao redor dele e o beijou intensamente enquanto eu e Amy a acompanhávamos com os olhos ao longe.
—Parece que a festa dela já começou. – Amy me encarou profundamente com um olhar de maldade. Sim já sabíamos no que aquilo iria dar.
—Esse parece ser o marco zero. Um lugar no meio do nada onde iremos começar alguma coisa. – Sorri. – Que a noite comece... Ainda que fossem 18h da tarde, estávamos prontas pra fritar nossos cérebros.
Ao entrar na rua vimos garotos e garotas cada um diferente dos outros uns rostos desconhecidos e outros familiares deveriam frequentar as mesmas festas quem sabe.
Todos os olhares vieram em nossa direção. O garoto que estava apalpando Nancy passou seu braço direito ao redor da cintura dela e os dois caminharão em nossa direção.
—Eu sou o Andy- ele sorriu – Dono do paraíso. Venham vou apresentar vocês á umas pessoas e mostram onde estão as bebidas.
—Prazer, eu sou Amy e ela é a Cass – Amy deu um beijo em seu rosto. Eu apenas acenei com a cabeça e com um sorriso no canto dos lábios.
—Fascinante Nancy me disse que traria garotas bonitas, mas não imaginei que fossem tão lindas assim. Cuidado garotas, aqui á muitos cães que mordem sem antes rosnarem — ele então riu.
—Nós sabemos como adestra-los – Disse eu com um olhar cruel. Ele percebeu no meu tom de voz que não estava brincando.
—Então vamos? Faz tempo que não venho aqui até tinha me esquecido como era o lugar, tive sorte de lembrar onde sua casa ficava. – Nancy o olhou fundo em seus olhos, então ela o beijou.
Ele olhou novamente em meus olhos e nos de Amy e virou-se junto com Nancy, passamos pela entrada onde já havia pessoas bebendo vinho, fumando cigarros, erva, e narguilé. Na sala havia dois sofás grandes e quatro pufes nos dois cantos da sala, As pessoas conversavam riam, no canto direito se encontrava o DJ da festa, tocando músicas de reggae.
Cumprimentamos ele, seu nome era Lucas, continuamos caminhando enquanto ele apontava para algumas pessoas e dizia seus nomes, mostrou quem tinha o que iriamos querer. E que éramos Vips não iriam nos cobrar para ter nada, Nancy conseguiu um bom capacho dessa vez. Quando cheguei à cozinha eu respirei fundo, ele abriu a geladeira e disse pra ficarmos a vontade. E saiu com Nancy. Amy me encarrou, e rimos, pegamos duas garrafas de vinho, eu peguei uma de vodca de sabor maracujá. Voltamos pra sala onde eu peguei um Puff e Amy outro, ficamos perto da porta bebendo e conversando nos acostumando com o ambiente até que Amy resolveu se socializar me deixando sozinha com aquelas garrafas quase todas vazias. As garrafas de vinho nós duas detonamos já a de vodca ela não curtia e eu havia bebido ela quase toda, ainda não estava sentindo efeito nenhum, voltei na cozinha para pegar mais bebida, eu tentava não lembrar que estava mesmo naquele lugar, no geral, minha cabeça continuava confusa, apensar de ter comido hoje ainda me sentia fraca... Peguei outra garrafa de vodca, essa era azul, Blue Berry, estava escrito, voltei para o mesmo lugar, onde uns caras começaram a me encarrar, resolvi sair de lá, fui para á frente da casa, estava escurecendo, e as músicas começaram a ficar agitadas, agora tocava Eletro-punk, onde todos estavam pulando dançando e ficando cada vez mais fora de controle... Descansei meus pensamentos, estava tonta, mas não embriagada o bastante, estava na hora de dançar. Abri a porta e entrei, senti o mormaço que estava pairando no ar. Apenas quis dançar.
E então um garoto que não conhecia, veio até mim e ergueu uma garrafa sem rotulo; olhei fundo em seus olhos e nada pude notar, ele sorriu. Estava tão dopado... Quanto eu queria estar naquele momento. Peguei e dei um gole profundo que me fez tossir, o que diabos tinha ali dentro?
—Apenas sinta a briza mina – seus olhos focavam em mim, castanhos e diziam apenas sinta.
E eu apenas quis sentir...
Minhas pernas que antes estavam tremulas agora não sentiam o chão embaixo de meus pés; Minha visão embasada e duplicada passava em câmera lenta por meus olhos, eu já não sentia mais nada. A não ser a música, a vibração, uma onda de prazer por enfim estar livre, poder respirar fundo sem ter medo das constantes paranoias que me rondavam todo dia. Apenas esquecendo meu corpo físico e sentindo como se eu fosse fumaça. Era êxtase absoluto. Os sons altos da festa já estavam distantes. Eu não sentia mais medo. Ele me entregou uma pequena garrafa de vidro cabia na palma da minha mão, o liquido era avermelhado e expeço como sangue, um licor com uma cereja no rótulo. Disse que iria me ajudar a não passar mal, pois o gole que dei na garrafa sem rotulo poderia me derrubar depois de algumas horas. Ele ergue seu braço e sua mão esquerda bagunçou meu cabelo, sorriu e me deu as costas, sumiu na multidão de pessoas ao meu redor.
Passei por pessoas estranhas, ignorei-as, queria sentir apenas a música, as batidas. Eu parecia estar sozinha enquanto dançava, dançando de olhos fechados, o mundo era apenas meu. Ninguém vai me machucar...
Senti alguém passar a mão por minha cintura, e chegar cada vez mais perto, colou uma mão em meu pescoço e me roubou um beijo, o mesmo gosto de cigarro e vodca barata de sempre. Eu não me importava, apenas queria dançar, e beber cada vez mais aquele licor de sabor adocicado e ardente ao descer pela garganta. Seja lá quem fosse tomou a bebida de mim, ainda lerda, abri meus olhos que mal conseguiam focar em algum rosto. Mas por intuição segui mesmo assim seja lá quem fosse.
—ME DEVOLVA! — gritei, mas fui abafada pelo som.
Passei cambaleando esbarrando nas pessoas, usando as paredes como apoio pra não cair, estava indo em direção ao corredor cheguei à cozinha novamente, e nela me esqueci do que procurava estar numa cozinha quando se é o ultimo lugar na terra em que quer pisar é difícil, senti um tipo de choque ao dar mais uns passos dentro dela, e o medo de furar a dieta estava berrando em meu cérebro. Fui mandada á um tipo de reabilitação pra voltar a comer, e infelizmente engordei uns quilos. O que será de mim se não voltar a me controlar? As pessoas só irão notar que emagreci se me verem sem roupa então dessa vez tenho que saber disfarçar. Não vou engolir nenhuma comida nojeta. Pude notar a fruteira com frutas de plástico na mesa, o fogão sem nenhuma panela tampada, havia comida por todo lugar, e estava uma bagunça, o cheiro do chão era realmente forte e me deixou muito enjoada, comida pisoteada, bebida derramada e cinzas de cigarro, não é um cheiro agradável. Eu quis arrumar as coisas, mas ficar perto de tanta comida apenas me faria vomitar, abri a geladeira, tinha mais garrafas de bebida, cerveja, havia uns doces. Sim, aqueles doces. Peguei uma garrafa de cerveja e escondi em meu sobretudo, o bolso era fundo, no outro lado coloquei uma garrafa de vinho branco “Jurupinga” estava escrito, Nome confuso pra um vinho... Sai de lá o mais rápido que pude o cheiro estava me deixando mais tonta do que as coisas que tomei.
Eu não queria voltar a sala principal muita gente pulando ao som de the black eyed peas, o cheiro ainda vibrava na minha cabeça. Vou vomitar!
Corri para a porta de saída da cozinha, empurrei-a com tanta força que ela bateu na parede e voltou, usei minha mão esquerda para absorver o impacto , com a mão direita tirei meu cabelo bagunçado do rosto e vomitei tanto que meu estomago parecia q iria sair junto ao liquido meio acido, limpei a boca com a mão livre, dei uns passos adiante desviando do lixo, deixei meu corpo ereto e respirei fundo, precisava de ar fresco, apoiei minhas mãos nos joelhos pra respirar profundamente. Virei á esquerda olhei para o fundo da casa, havia um jardim pequeno e cheio de lixo. Fui tateando a parede e indo naquela direção, aquela pequena passagem levava á entrada principal da casa. A casa ficava no final de uma rua, estava escuro, talvez amanhecendo, há quantas horas estava naquele lugar?
Sentei-me no chão e observei o céu, as luzes dos postes, amareladas, não me deixavam ver as estrelas, um gato que estava em um muro miando, um cachorro que passava por aquela rua em busca de alimento, pessoas se beijando no escuro. Alguém sentou ao meu lado eu estava de olhos fechados. Não queria saber quem era depois que a festa acabasse não iria importar mesmo.
—Porque está aqui sozinha?
—E quem disse que estou sozinha?
—É o que parece. – senti um sorriso vindo em minha direção, ele estava perto, pude sentir o cheiro de vinho emanando de sua boca, e seu ar quente preenchia o ar ao meu redor de certa forma era reconfortante.
Abri um de meus olhos. Mas a escuridão e a embriaguez me fez enchergar três dele balançando em camera lenta com aquele sorriso presunçoso nos lábios grossos. Enfiei uma de minhas mãos no bolso do sobretudo e peguei a jurupinga, abri e dei um gole, ofereci mas o garoto não aceitou, tirei a cerveja do outro bolso e entreguei, pude notar um sorriso, ele então a pegou de minha mão, seu toque era quente. ele estremeceu com minha frieza.
—Você está bem?
—Se procura lugares como esse pra se divertir, eu diria que ninguém aqui está bem, não acha?
—Só vai rebater minhas perguntas com mais perguntas?
—Quem sabe?
Risos
—Vou em uma lanchonete que tem aqui perto, estou faminto, quer vir comigo?
—Eu quero andar, Vou contigo. Ah se for um sociopata me mate rápido sem dor, e nao danifique meu rosto.
—Tudo bem, este é o trato então.
Ele se levantou e me estendeu sua mão direita, com pouca força ele me puxou, me desequilibrei e apoiei meu peso em seu corpo. Tudo voltou a girar, Ele deve ter notado. Apenas quando levantei pude ver realmente como era sua aparência, Era uns centímetros mais alto do que eu; olhos solitarios e escuros, pele mel, cabelos castanhos escuros encaracolados e não muito curtos, jaqueta rasgada, calça rasgada, tênis furado, seria um punk?
Gostava de pessoas assim. Senti-me aliviada ele não parecia ser um serial killer.
Mas mesmo que fosse e me matasse. Quem ali sentiria minha falta? Nancy deveria estar dando pra algum idiota apenas pra conseguir mais coca. E a Amy deveria estar fumando erva junto de uns caras de rastafári que estavam se escondendo no quarto acendendo e tragando sua erva cantando suas músicas sobre Jah, natureza e paz. É engraçado que estejamos sempre no mesmo lugar, mas não as considero minhas amigas, amizade é algo diferente disto. Nossos nomes verdadeiros temos o prazer de esquecer. Não aceitamos os nomes que temos quando podemos ser nós mesmas, Nancy na verdade se chama Julia. E Amy se chama Carol. Escolhemos os nomes de acordo com nossos vícios. Nancy namorada de Sid Vicious que dependentes da droga, sumiram. Amy a cantora perdida. E eu gostava que me chamassem de Lisa, Igual a louca apaixonante do filme "Garota interrompida" ela destruia tudo ao seu alçance.
Caminhamos calados até chegarmos à lanchonete. Ainda estava fechada. Eram 4h da madrugada.
—MAS QUE PORRA, TO COM FOME NESSA MERDA.
—Gritar não resolve.
—Guardar minhas frustrações também não. — sorriso.
—Para de usar essa mascara feliz de idiota.
—Não sei do que ta falando.
—vem cá, tu usou muita droga?
— ele realmente levou ao pé da letra e ficou na minha frente, a alguns centrimetros do meu rosto. o calor que ele tinha era inebriante. -
—Eu que pergunto garota perdida, não se drogou o bastante ainda?
— O que te faz pensar que pode falar assim de mim? o que sabe sobre mim? nem o meu nome você deve saber, e mantém essa pose, se vestindo como um punk ou um mendigo e me vem, me vem, por que você veio até mim hein? EU NÃO TRANSO POR DROGAS OU BEBIDAS, eu valho mais do que isto.
Ele apenas me encarava, droga de olhos profundos.
—Tô caindo fora esquisitão — dei as costas pra ele por um breve instante, depois voltei a caminhar na direção que viemos, vi o movimento de carros estacionando na frente da lanchonete, a placa de bem vindo gigantesca piscante acendeu. e alguém lá dentro girou para "ABERTO".
—Ah finalmente.
Me virei e ele estava ao meu lado.
—Vamos magricela, até você precisa ter forças se quiser me bater depois disso.
—Disso o q-AAAAAHHH O QUE QUE HÃ??? — Ele me ergueu como um saco de batata pesado e colocou no ombro. — ME COLOCA NO CHÃO SEU BABACA, MALDITO EU SOU O QUE ? UMA PRINCESA QUE PRECISA SER RESGATADA SEU MALDITO ME LARGA QUE PORRA SAI DAQUI ME SOLTA — gritei e me debati, mas realmente estava sem energias pra isso. ele me levou pra dentro da lanchonete. sentamos no fundo, e ele pediu um 2 hamburgues e duas latas de coca cola, batatas fritas e ganhamos um brinde. Ele podia escolher entre um carro e uma boneca. Escolheu a boneca.
— Que foi não vai comer?
—Tô sem fome.
—A quanto tempo esta sem fome? eu vi você na cozinha que nem uma louca arrumado as coisas.
—...
—Sabe, você ficou toda de canto esperando alguém falar com você, e agora eu estou aqui, não vem com essa de princesa que precisa ser salva, tá longe de você parecer algo assim. Essa marca embaixo da sua gargantilha diz isso, agora morde essa merda de hamburguer logo.
—Okay...
Me surpreendi, era realmente saboroso, nojento e repulsivo, mas deus como aquilo era gostoso.
—Bom né? Sempre venho aqui quando passo por perto.
—Sempre as 4h da madrugada?
—Sempre. Gosto de ver eles abrindo, é como se o mundo começasse a acordar junto deles. E aquele showzinho, ah não esperava algo melhor da amiga da Nancy.
— ..., não somos amigas. Temos objetivos em comum, só isso.
—Duas suicidas drogadas, com problemas sociais com os pais e com a familia.
—Todas nós somos assim. Sorri.
—Olha a ogra sorri também. Ele riu e joguei batata frita nele que acertou dentro de seu bolso. Então rimos mais.
—Te conheci na festa do ano passado, você estava sozinha com frio, vomitando.
— Ai você cuidou de mim e agora quer ser meu amigo?
—Na verdade eu fui o cara que avisou suas amigas que você estava passando mal, ouvi um vai se foder, e então deixei você vomitar ate adormecer e depois eu tentei fazer algo, eu não ia arriscar ficar todo vomitado também.
—Nossa que cavalheiro. Tanto faz, já estive pior, porém deve ser por isso que não me lembro de você.
—Acabei de inventar essa estoria.
—Oq... Quando vc vai parar de brincar comigo? obrigada pelo hamburguer, mas eu vou miar ele mais tarde.- eu comi ele inteiro, credo —
—Quer ver algo realmente nojento?
Observei, ele tirou a jaqueta de couro rasgada, e levantou a camiseta, por debaixo tinha uma marca de queimadura tão horrivel, desde a lateral do pescoço descendo pelo ombro direito, nos braços até o ante braço, no peito, descendo por toda a linha do seu abdomêm até sabe se la onde. Era agonizante olhar aquilo, mas eu queria tocar.
—desculpe eu posso olhar de perto? como fez essa queimadura, o que aconteceu?
—Eu estava triste então taquei fogo em mim mesmo. Logo em seguida me arrependi então o resultado foi esse.
—Se tá brincando né?
—Você viu com os proprios olhos. Quer mesmo tocar?
—Eu nunca vi uma pele assim de perto, nem toquei nela claro. Posso?
—Claro. Não me importo.
A garçonete voltou a mesa e interrompeu.
—Gostariam de mais alguma coisa?
Ele educadamente sorriu e disse:"_Seus seios em uma bandeja." Ela corou de imediato e saiu. Eu ri, e ri muito. Ele foi até o caixa e pagou o chefe no balcão olhava feio pra ele, mas me comia com os olhos.
—Quer alguma coisa com a minha garota ?
—O qu-
—Ela não está a venda, nem nunca se deitaria com um porco imundo como você. Olha denovo pra alguma mulher assim, e eu castro você.
Ele violentamente puxou a gravata vermelha manchada daquele porco e sussurou algo no ouvido dele. Saindo de lá eu quis perguntar o que ele tinha dito, pois fez o gerente tremer e suar frio. Como se ele tivesse lido minha mente ele disse.
—Eu apenas disse, que sabia que ele pagava a garçonete pra fazer oral nele todos os dias. E que eu enviei uma gravação pra mulher dele.
—E você enviou?
—Não. Mas vou fazer ela encontrar com ele no dia certo na hora certa, a esposa é uns 10 anos mais nova, tem uma filha pequena, vai pegar a filha o carro, assinar o divorcio, colocar cilicone e quem sabe morar no centro da cidade. O cara tem dinheiro, deve isso a ela.
—Porque se importa?
—Porque eu já me apaixonei por uma mulher como ela, ela me rejeitou por causa do marido que a traia com mulheres mais novas. E eu não posso suportar assistir isso. Um dia eu levo um tiro.
—Me chama pra assistir.
—Chamo sim.
Estavamos caminhando, em silencio agora. ele era bem diferente. do que eu pnsava sabe.
—Tenho de ir buscar a Amy e a Nancy. Se eu deixa-las aqui, elas não terão pressa de voltar pro mundo real. E mentir pros pais delas é complicado. Eles culpam a mim. Então tenho que voltar.
Caminhei até a entrada, pude ouvir o som baixo, e algumas palavras ao vento alguém conversando mais distante se gabando da garota de olhos azuis que pode traçar naquela noite, girei a maçaneta da porta lentamente, respirei fundo e abri a porta, sabia a imagem que veria do outro lado, um caos.
—Um tremendo caos. – disse para mim mesma enquanto suspirava.
Continuei caminhando entre as pessoas caídas apoiando seus corpos um perto do outro pra manter o calor, jogados no tapete, nos sofás, no corredor, alguns até encima uns dos outros, me lembro da primeira vez que vi isso. Foi impactante.
Abri a porta do quarto onde Amy deveria estar. Ela estava dormindo como uma garotinha indefesa. Nancy estava dormindo ao seu lado. A maquiagem de ambas borradas, roupa suja e amarrotada, o quarto cheirava a uma mistura de vomito, cinzas e sexo como todos os outros cômodos da casa.
Continua…..
Fale com o autor