As trovoadas e relâmpagos soavam ao longe. Os uivos, rugidos e grunhidos de monstros também vinham atrás dela. Ofegava, tentando manter o ritmo, mas o arco em suas costas pesava feito chumbo de repente. Sua força já não era a mesma e ela sabia o porquê.

Suas companheiras agora sabiam de tudo. E Sasha. Meus deuses, o que aconteceria a ela quando fosse levada a julgamento? A chuva começou a cair com força. Estava feito! Aquela era a prova de que havia irritado todos os deuses.

Danna rezou. Rezou para que Sasha fosse poupada; rezou para que conseguisse fugir. Como ela pôde pensar que poderia esconder tudo aquilo? Os uivos pareciam ficar cada vez mais perto.

“Ah meus deuses”. Danna segurou a barriga, com a esperança de que sua prece chegasse ao seu filho. Maldita hora que aquele sonho lhe foi dado. Maldita hora que ela se deixou fraquejar por um homem. Prometera a si mesma que nunca se deixaria, pois sabia que não teria forças para se desprender de algo que fazia parte dela.

Um grito preencheu os arredores, cortando a névoa que envolvia aquela densa floresta. Era o grito de Danna. Dentro de si, seu útero se contraiu pela primeira vez e seu filho começava a ser empurrado para fora de si.

“Não, por favor...” Danna sufocou. Não iria se entregar a dor agora. Seria suicido. Deuses, monstros, o conselho e as mais extremistas das amazonas vinham atrás dela. Infelizmente, as outras, as menos extremistas, também estavam no mesmo patamar de Danna. Não podiam revidar ou ajudar. Seriam dadas como traidoras e poderiam ser mortas. Na melhor das hipóteses, seriam exiladas, condenadas a uma vida de solidão, onde muitas já haviam se curvado a loucura.

As lágrimas escorriam pelo rosto naturalmente pálido da Amazona. Seus olhos dourados verteram em uma cor desbotada e mortiça. Era a cor da dor e desespero.

Um barulho de galho sendo quebrado soou atrás, assombrando-a. Ela se escondeu atrás de um tronco, se apavorando com o líquido que escorria por suas pernas. A névoa se dissipou, revelando alguém que a fez perder o fôlego de um jeito bom:

Sasha.

Danna caiu em prantos, enquanto Sasha corria a seu encontro.

— Como? Haviam te pegado.

— Sou mais forte do que qualquer um ali e você sabe disso...

Danna engoliu em seco. Sabia que, de uma forma extraordinária, era.

Um uivo foi ouvido ao longe ao mesmo tempo em que Danna soltava um gemido de dor.

— Segure-se em mim.

Sem muito esforço, a jovem loira ergueu a companheira em seus braços e correu. A partir dali, a floresta ficava cada vez mais negra. Nem mesmo o sol alcançava aquela parte da floresta. Nesta parte mais sombria, uma caverna, escondida em rochas tão fúnebres quando o restante daquele lugar obscuro. E lá estava seu refúgio.

Lá, já acomodada, foi que a dor já se tornou insuportável. Sasha segurava sua mão enquanto ela sentia suas entranhas estourarem dentro de si. A outra — Sasha — sabia que sua força não poderia ultrapassar o poder da morte, mas daria reservas o suficiente para que a criança viesse ao mundo.

O choro preencheu a caverna e, talvez, toda aquela escuridão. Como seu sonho dissera:

Um menino.

— Sabe o que vai acontecer se...

— Sei — A mãe sentia suas reservas esgotando — Ajude-o, por favor.

A loira pegou uma urna e sussurrou:

— Por favor, acompanhe-o. Senão, mesmo do outro mundo, eu irei saber e virei atrás de você.

Um urro soou ainda mais perto e o pequeno embrulho ainda chorava no colo da mãe.

A caverna começou a ruir. Danna lutava, mas, a cada suspiro, sua força diminuía.

Um brilho de esperança surgiu nos olhos de Sasha quando ela ouviu aquela voz irritante. Nunca pensou que ficaria tão feliz com isso.

A caverna ruiu de vez.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.