Malditas Mentiras
5 Em desacordo!
«Não acredito!» exclamou a Beatriz com os olhos esbugalhados de surpresa.
«Acredita Beatriz. É tal como te contei» fingi que estava muito interessada no anel que estava no meu dedo anelar. «Ele voltou. E o que parece-me é para ficar. Acreditas nisso?»
«Não! Se alguém que não fosses tu me contasse, eu não acreditaria»
«Ainda bem que sou eu a contar-te»
«Há pois amiga.» Ela apontou o dedo indicador para o tecto da sala confiante do que estava a dizer «Acho que alguém lá em cima está desejoso para te ver com o Victor.»
Esperei dez segundos antes de responder.
«Espero bem que não!» Era só o que me faltava. Estás a ver-me a voltar para aquele…
«Para aquele homem lindíssimo que também é teu marido!?» interrompeu-me «Sim. Estou.»
«Não, obrigada!»
«Querida, tu estiveste estes três anos a espera do Victor.»
«Bea não inventes!»
Beatriz apontou-me acusatoriamente com o dedo indicador. Os seus olhos estavam franzidos e raiados de uma fúria pouco contida. E o seu rosto apresentava uma expressão sarcástica.
«Tu!» gritou «Não tentes fazer-me de parva. Eu te conheço muito bem, Paolla. Sou a tua melhor amiga e considero-te como a minha irmã. Para mim és e sempre serás a minha querida irmãzinha que eu tanto pedi a Deus. Não somos irmãs de sangue, mas somos por afinidade. Além disso, sou muito mais velha do que tu. Não tentes fazer-me de parva, porque não o sou. Por isso, deixa de te armar numa cabra comigo. Está bem?»
Olhei para o rosto corado de raiva da minha amiga e senti-me culpada. A quem é que eu penso que estou a enganar! Pensei para comigo mesma. Só engano a mim mesma. É obvio que estive estes três anos a espera do Victor. Ele é meu marido e o homem que eu sempre amei. O meu mais querido companheiro. E o mais fiel amigo. Embora, ele poderá não ser o mais fiel dos maridos. É muito provável que ele me tenha traído com outras mulheres. Não sou nenhuma parva. Nunca esperei que ele se mantivesse fiel durante três anos. Mas, mesmo assim, eu gosto dele. Ainda sinto algo muito forte por ele.
«Desculpa Bea! Mas como podes ter tanta certeza do que estás a dizer?»
«Qualquer pessoa que te conhece o suficiente, como eu, sabe reconhecer os sinais que deixaste, ao longo do tempo, no teu apartamento desde que o Victor se foi embora.»
«Quais sinais?» repliquei «O apartamento está exactamente como sempre foi»
«Pois é amiga. É exactamente por isso.»
«O que queres dizer com isso» semicerrei os olhos e fixei o meu olhar nos da Beatriz. Como se a procura de um segredo escondido no seu olhar.
«A tua casa continua exactamente como o Victor o deixou. Não tentaste apagar os vestígios da sua presença na casa que partilharam, como eu faria. Em vez disso, guardaste tudo o que ele deixou para trás.» Beatriz arqueou uma sobrancelha intrigada com o seu relatório da minha vida» Sempre tiveste a esperança que ele voltaria para ti, não é Paolla?»
Olhei a minha amiga longamente.
«Na verdade amiga, eu sempre soube que ele ia voltar. O que fiz foi apenas esperar.»
«Mas, como?» perguntou ela «Como podias ter tanta certeza que ele ia voltar?»
«Porque eu sou a única família que ele tem, Beatriz.»
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