Notas iniciais
Hey!!!!! Esse capítulo veio rápido, uma inspiração surgiu do Tártaro essa semana!!! Vocês já escutaram ou gostam de Little Mix? Completamente viciada em DNA e Salute!!! Beijos da Cryss...

–Srta. Wilde? –Escutou, mas não moveu um músculo.

Aquela voz era extremamente vaga e Melina realmente acreditava que estava sonhando. O som se repetiu e ela sentiu algo em suas costelas, mas o sono era tanto que ela mal conseguia levantar a cabeça.

–Srta. Wilde! –A voz se sobressaltou e Melina ergueu a cabeça assustada e com os olhos arregalados.

Ela viu o sorriso sarcástico da professora de Biologia do outro lado da sala.

Seu corpo não estava mais acostumado com tanto álcool e por isso uma ressaca atingiu a garota logo que acordou pela manhã após a festa. Ela estava se amaldiçoando por ter bebido tanto. Sua cabeça latejava sempre que abria os olhos e a única coisa que fazia isso parar era dormir. E não havia hora mais entediante do que a aula de Biologia.

“Vaca maldita” Ela pensou.

Seu olhar pousou em Sophia, que tinha um olhar indecifrável. A ruiva deu de ombros e voltou a olhar para frente.

Passou a mão pelo rosto inchado. Olheiras escuras se encontravam abaixo de seus olhos e estava extremamente pálida, pois havia vomitado antes do primeiro horário.

Sentiu mais olhares sobre si e percebeu que a pessoa que havia a cutucado antes a olhava de forma repreensiva naquele momento. Alex. Apesar de saber do estado da namorada ele ainda preferia que ela não se metesse em problemas por tirar um cochilo no meio da aula.

Endireitou-se na cadeira e arrumou os cabelos esperando que a “vaca maldita” começasse seu discurso sobre o quanto sua situação era crítica e que dormir na aula não era exatamente apropriado.

Mas nada veio, na verdade, a mulher apenas caminhou até a porta e a abriu.

–Tenho certeza que existem lugares mais confortáveis para dormir, concorda?

A morena pegou suas coisas e saiu de sala em passadas largas sem olhar para o rosto de ninguém e sem lançar o olhar de ódio a Sra. Lesson, pois, obviamente, não esperava encontrar seu monitor em frente à porta.

A dor de cabeça voltou e ela mordeu o lábio reprimindo um gemido.

–Ótimo! –Ela murmurou e encostou-se a parede.

–Dormindo em sala de aula? Que coisa feia. –Ele disse com ironia e estendeu o braço para a garota que fez uma careta. Ele esperou, mas ela não o acompanhou, então andou lentamente pelo corredor antes de dizer: – Me acompanhe.

Lina revirou os olhos e o seguiu, mas a imagem que viu a fez estancar no meio do caminho para a sala da diretora.

Marshall Wilde sorria para a filha e esperava que ela se aproximasse, mas ela não o fez. Continuou parada ali, sem dizer uma palavra com os olhos cheios de apreensão. Seus dedos apertaram os cadernos que segurava, demonstrando ansiedade.

“Oh Deus, ele não!”

A cabeça da morena latejou com a exclamação de Trace por conta da noite anterior e ela desejou mais que nunca que ela não existisse.

“Por favor, Trace, fique calada...”.

–Lina, cadê o abraço do papai? –Ele deu alguns passos.

Ela queria sair correndo, mas obviamente não era uma boa ideia, apesar de ter certeza que Marshall não a espancaria no meio do corredor, mas poderia esperar tudo daquele homem que chamava de pai.

–O que está fazendo aqui? –Tentou manter a voz firme, porém uma pequena falha se fez no final da frase.

–Eu disse que vinha te ver, não disse? –O sorriso diminui, mas ainda estava presente.

–Achei que só viesse na próxima visita. –Ela espremeu os dedos contra os cadernos novamente, sentido aquela dor de cabeça tomar mais força.

–Eu dei um jeito de vir mais cedo. –Ele disse e estendeu os braços envolvendo-a em um abraço, mas que fez seu estomago revirar, se tivesse algo nele talvez vomitasse.

Uma ruiva vestida com uma roupa casual saiu de dentro da sala da diretora. Mãe. Ela sorriu e se aproximou, fazendo Marshall soltar a filha que após largar tudo no chão correu para ruiva dando-lhe um abraço que, diferente do anterior, foi calmante.

–Melina... –Ela passou a mão carinhosamente pelo cabelo da filha que sorriu. –Quando foi que te dei a permissão para cortar o cabelo?! Você não perdeu tempo, não é? –A morena revirou os olhos e riu voltando a abraçar a ruiva.

–Senti sua falta, mãe.

–Eu também, meu amor.

(...)

Melina não sabia se chorava ou sorria. Ter Marshall ali a deixava em alerta e ela não parava de se assustar cada vez que ele se aproximava. Por outro lado, sua mãe estava sendo extremamente carinhosa e era bom sentir esse carinho materno novamente.

–Então, agora que consegui me livrar do seu pai... Quem é Alexander? –Melina arregalou os olhos e olhou para Jacqueline.

–James me contou, querida. E ele realmente parece ser um bom garoto. Eu gostaria de conhecê-lo. –A morena mordeu o lábio pensando na possibilidade de seu pai saber sobre Alex.

–Mãe, eu não acho que...

Marshall voltou à mesa do refeitório onde parte da família Miller-Wilde se reunia. Trazia consigo dois copos de café e outro com suco de laranja.

–Do que as duas falavam?

–Nada, Marsh... –Jacqueline sorriu marotamente e pegou sua xícara de café.

–Muito bem. –Ele debruçou-se sobre a mesa fitando a filha pronto para dizer algo. –Como estão suas notas?

–Não corro risco de repetir o ano como da última vez. –Ela rodeou a borda do copo com o dedo, sem levantar a cabeça. A dor ainda martelava em sua cabeça.

–Não teria corrido esse risco se não fosse expulsa a cada... –Ele dizia, entretanto foi interrompido pela esposa.

–Marshall, não fale sobre isso agora. –Jacqueline segurou a mão do marido, tentando manter a calma.

O corpo do homem tornou-se rígido e sua postura mais séria. Lançou um olhar falsamente afetuoso a morena, que franziu o cenho e tomou um gole do suco.

O sinal tocou, e Melina sabia que aquilo estava anunciando o horário livre de Alex, pelo menos daquele dia. Suas mãos começaram a suar e seus olhos assumiram uma tonalidade mais escura. Medo talvez.

Medo de que algo pudesse acontecer com seu loiro. Medo de que aquele homem a sua frente fizesse algo ao primeiro namorado em quem ela realmente confiava. E também medo de que o próprio Alex fizesse algo com Marshall. Mesmo não o conhecendo o loiro nutria um ódio profundo por tudo que havia feito com a morena.

–Não voltarei no dia da visita, Melina. Pelo que eu soube... –Os olhos castanhos de Marshall se encheram de fúria. –Pelo que eu soube alguém iniciou um processo contra mim. Por agressão, danos morais... E assédio sexual. –Outra pausa. –Tem algo a me dizer sobre isso, querida?

Melina sentiu o sangue sumir de seu rosto e o estomago embrulhar. Ela não sabia como haviam descoberto sobre este último fato nebuloso de seu passado. A morena não havia contado para ninguém. Afinal, nada havia grave acontecido.

O brilho de seus olhos sumiu, e o verde escureceu mais ainda. Sua íris se tornou opaca.

–É... Eu realmente pensei que não. –Jacqueline se encolheu em seu assento.

Após está frase, um loiro de olhos acinzentados entrou no local. Tinha o cenho franzido e observava cada mesa com atenção. Procurando os cabelos negros e olhos verdes. Quando finalmente a encontrou um pequeno sorriso surgiu, mas logo sumiu.

Ela o olhou suplicante. Pedindo silenciosamente que não se aproximasse. Não foi isso que ele fez.

Alex andou rapidamente até aquela mesa e os pais da adolescente observaram seus movimentos. Colocou seu caderno sobre a mesa, sentou-se ao lado da garota e sorriu, apesar de seus olhos não transmitirem o mesmo.

–Lina...? –O pai começou.

–Esse é o Alex, ele...

–Sou o namorado dela. –Ele disse marotamente.

“Agora a coisa vai ficar feia.”

Marshall estava chocado.

–Escute rapaz... Não me lembro de deixar minha filha namorar criminosos. –Ele disse com os olhos semicerrados e as mãos cruzadas sobre a mesa.

–Não me leve a mal, Sr. Wilde... Mas a justiça nem sempre faz o que deveria. –Alex sorriu.

–Alex... –Melina o repreendeu, o medo havia voltado aos seus olhos.

–Não sei quem você pensa que é garoto, mas...

–Mas o que seu grande imbecil? –Alex não gritou, mas a frieza sua voz fez Lina se arrepiar.

Um soco passou pelo ar. E as conversas do refeitório cessaram.

Alex estava no chão e seu nariz sangrava.

Jacqueline segurava o marido e Melina deslizava de seu assento para o chão ao lado do loiro, que tinha um sorriso sarcástico no rosto e ela não entendia o motivo. Havia acabado de levar um soco, estava com o nariz sangrando e seu sogro queria o enterrar vivo. Porque o sorriso então?

–Alex, levanta e vai embora, por favor... –Ela disse e levantou junto a ele, que ao invés de fazer o que ela pediu resolveu provocar mais.

–Bater nela é bom, não? Afinal, sabe que ela não pode reagir. E é por isso que você é um grande covarde.

Marshall pegou o garoto pelo colarinho, mas o sorriso continuava lá. Alex não se importava de apanhar naquele momento. Só queria dizer algumas verdades para o sogrinho. Verdades que estavam entaladas na garganta.

–Não se meta onde não deve! –Alex riu.

–O que foi? Tem medo que as pessoas saibam? Não pode manchar sua imagem, não é?

Alex levou outro soco, mas antes que pudesse cuspir todo o sangue presente em sua boca, Ian o ergueu do chão. Melina correu para o loiro e o abraçou, antes de começar a chorar. Ela sabia que algo assim iria acontecer.

–Marshall, vamos para casa agora. –Jacqueline agarrou o braço do marido e deu um sorriso triste para a filha antes de se direcionar a saída.

(...)

Melina esperava o loiro tirar todo o sangue do rosto. Estava se sentindo mal, não sabia o que era, mas era desconfortável. Queria dormir o resto do dia, talvez o resto da semana.

–Você está com raiva de mim ou coisa do tipo? –Ele perguntou depois de um tempo.

Já tinha limpado todo o sangue. Havia se recusado a ir até a enfermaria, as pessoas provavelmente fariam perguntas e não era isso que ele queria, então foi até o quarto da morena Ian também não havia feito perguntas, mas as faria depois.

–Não.

–Então não preciso me arrepender pelo que fiz? –Alex colocou uma mecha do cabelo da garota atrás da orelha. Lina deu um sorriso mínimo.

A morena sabia que ela estava tentando protegê-la, de um jeito errado e com atitudes erradas. Porém ainda com intenções boas, e isso a deixava menos desconfortável em relação àquela situação.

–Não. –Ela suspirou e tocou seu olho roxo. –Isso dói? –Ele fez uma careta quando ela prensou seu dedo sobre a ferida. –Desculpa.

A morena acaba por rir, mas a graça dura pouco e uma ruiva de olhos azuis entre no quarto, entretanto paralisa ao ver o rosto do irmão postiço e a expressão melancólica de Melina.

–Vocês brigaram? –Soph franziu o cenho.

–Não, ele brigou... –Lina suspirou antes de continuar. –Com o meu pai.

–Seu pai? Ele veio aqui? –Sophia se sentou ao lado da morena. –O que aconteceu?

–Ah, digamos que a reação dele quanto ao nosso namoro não foi muito boa. –Alex tocou o rosto com um sorriso cínico.

–Ele te bateu por namorar a Lina? –Sophia perguntou cética, parecia querer dizer algo mais, porém continuou calada esperando que algum dos dois falasse algo.

–Bem, não por isso, mas talvez isso tenha contribuído. –Lina deu de ombros.

Contou para ruiva tudo que aconteceu, escondendo a parte do processo. Ninguém precisava saber sobre os problemas judiciais dos Wilde. Principalmente a parte que envolvia ela e Marshall.

–Seu pai é tão terrível assim? –Lina assentiu. –Assustador.

Melina e Alex riram dos olhos arregalados da ruiva. Marshall era realmente sinistro, mas talvez a morena e ele fossem mais parecidos do que imaginavam, afinal ela também podia ser denominada como assustadora em certas situações.