Maldição Wilde
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Se já não bastassem os próprios problemas que de repente ficaram cada vez mais estranho, diga-se de passagem, Sophia ainda tinha que se preocupar com Melina, que não estava no refeitório. Ótimo, aonde raios aquela morena teria se metido?
Olhou para a porta do refeitório por onde Alex e Ian acabaram de entrar. Como não pensara nisso antes? É claro que Alex saberia de alguma coisa! Amigas são sempre assim, contam as coisas para os garotos, mas não para as amigas. Que injustiça!
Num pulo levantou-se de onde estava sentada e correu até os garotos:
–Soph... Sophia? –Alex gaguejou ao encontrar a ruiva de aparência angelical. Ele logo soube que a menina seria difícil de desvencilhar. Mesmo porque, com aqueles olhos azuis grandes e emanando inocência era extremamente difícil negar algo á ela ou mentir. Aqueles olhos tinham poderes estranhos, de verdade, dava medo.
–Não Alex, a Dora Aventureira, não está vendo? –A menina deu um sorrisinho irônico. –Claro que sou eu. Desculpa, não acordei bem hoje. Vocês viram a Melina?
–Não. –Ambos falaram juntos e podiam ter até sido convincentes se não estivessem falando com Sophia. A garota apesar de ser inocente, era muito observadora então conseguir ver as vozes tremendo ligeiramente.
–Tudo bem. Só estou preocupada com ela. –Sorriu gentilmente fazendo os garotos acreditarem que tinham tapeado ela. Alex foi pegar a refeição da manhã e Ian já ia segui-lo quando Soph segurou-lhe o braço e sibilou entre dentes num tom de voz que não permitia que a ruiva fosse contrariada. –Onde ela está?
–Co... Como assim?
–Eu não sou idiota. Eu sei que sabe onde a Lina está e vai me contar agora.
–Não sei.
–Se não me contar eu vou descobrir sozinha e vai por mim, vai ser bem pior. Não se esqueça que pode estar falando com a garota que matou uma família inteira á sangue frio ouvindo os gritos deles de socorro e o choro do bebê. –Soph no intimo ria do medo que se estampou no rosto de Ian, mas ia ser o suficiente pra o fazer falar.
–Ela está no quarto do Alex.
A ruiva o soltou sorrindo gentilmente:
–Obrigada. –No instante que Alex botou o olho nos dois já percebeu o que havia rolado. Pegou o café da manhã dele e de Melina e seguiu em direção aos dois os empurrando para fora do refeitório.
–Ele contou não contou?
–Contou. –A ruiva assentiu com a cabeça. –Mas não o culpe. Eu contei como matei uma família toda ouvindo o grito de socorro deles e o choro do bebê.
–E você matou? –Alex levantou uma sobrancelha.
–Não. –A menina gargalhou e Ian a olhou perplexo. Alex riu e bateu as mãos com as de Sophia.
–Você cada dia me surpreende garota. –Alex deu um sorrisinho. –Pelo visto foi bem convincente, ele não deixa escapar segredos assim.
–Convincente? Ela fez cara de psicopata pior do que a da Melina e falou como se tivesse realmente feito. Sua atriz de uma figa! –Ian agarrou Soph por trás e começou a fazer cócegas nela a fazendo gargalhar.
–Gente, não fiquem se pegando aqui. É feio.
Sophia ficou com as bochechas da cor dos cabelos fazendo Ian sorrir. Se ela soubesse o quanto ficava fofa quando corava, coraria sempre. Com aquela fofura ela poderia simplesmente conseguir tudo o que quisesse.
A sorte deles é que não tinha ninguém zanzando pelos corredores. Pela regra meninas não poderiam entrar no quarto dos meninos e vice-versa e se alguém visse poderia ser encrenca para Alex, Ian e Sophia. Mas ninguém estava vendo então tudo foi uma beleza. Como se algo conspirasse para que desse certo.
Quando Soph viu Melina e a abraçou nada podia se comparar à sensação de saber que a amiga estava bem. Num súbito se lembrou dos uniformes que Makayla rasgara e se sentiu culpada, mas isso não estragou a felicidade. Mas Trace estragara.
–Sentiram minha falta? –Os olhos vermelhos faiscaram quando ela falara aquilo.
Ian estava desconfiado de alguma coisa, pois aquilo lhe parecia muito algo que havia lido nos livros, mas se espantou mesmo assim. Taylor e Alex que já sabiam não se espantaram. Soph teria se espantado se algo não tivesse se agitado nela.
“Não. DE NOVO NÃO.”
Mas ela não havia sido forte o suficiente para conter Makayla. Com um grito que soara doloroso até para os que ouviram, os olhos azuis se tornaram amarelos.
–Você não sabe como irmãzinha. –Makayla sorria para Trace, aquele sorriso malévolo que escondia por trás todo o ódio contido.
–Makayla! Pensei que não conseguiria a ruiva tão cedo.
–Não acha que sou forte o suficiente? -Yla levantou uma sobrancelha com um olhar de cínico. -Foi tão fácil que você não acreditaria se eu contasse. Ela está mais fraca agora. Porém, não estamos frente á frente pra isso não é? Finalmente tive a sorte de encontrar um corpo que fosse próximo ao seu.
–Finalmente tenho a chance de acabar com você! –Trace sibilou. De uma certa forma ela se parecia com Melina nisso. Perdia a calma facilmente, da mesma forma que Makayla se parecia com Sophia e dificilmente perdia á calma.
–Tirou as palavras da minha boca.
A platéia olhava estática. Taylor observava a ruiva de boca aberta:
–Sophia também?
–Sim. –Alex assentiu sem conseguir tirar os olhos das duas que estavam prontas para tentarem se matar. Detivera Trace antes, mas não conseguiria deter duas ao mesmo tempo. Ian tentava se lembrar de tudo que lera sobre os lados maus das pessoas em livros de ficção, mas mesmo assim ainda estava tão confuso quanto assustado.
Trace e Makayla já preparavam os poderes. Elas tinham a mesma força, os mesmos poderes, ambas sabiam que não seria fácil.
“Não vai machucar a Sophia”. Melina ganhara uma força absurda dentro de si. Deixou que Trace machucasse gente demais. Se ela tocasse na ruiva, jamais perdoaria a si mesma. Não, Trace escolhera o alvo errado. Se fosse outra pessoa talvez Lina não tivesse aquela força de vontade. Mas a sua frente estava Soph, a sua amiga e por mais se conhecessem á tão pouco tempo, sentia uma afinidade absurda com a garota de olhos azuis. “A Sophia não Trace. Escolheu a pessoa errada pra tentar machucar.”
Ao mesmo tempo, Sophia ganhava à mesma força de vontade:
“Não deixarei que machuque a Lina. NÃO VOU DEIXAR!”
Yla e Trace começaram á gritar copiosamente, o corpo das duas em espasmos. Sophia e Melina lutavam dentro dela copiosamente para retomar o controle.
“Sou mais forte que você Sophia, desista”.
“Você nunca será mais forte que eu”.
“Por que está fazendo isso Melina? Eu faço parte de você, ela não.”
“Meus amigos fazem mais parte de mim do que você.”
A luta interior durou pouco mais que cinco minutos, mas para as meninas pareceu uma eternidade. Enfim, os olhos vermelhos tornaram-se verdes e os amarelos viraram azuis.
Melina se apoiou na parede para não cair devido á força que fez para tomar seu corpo de volta. Já Sophia caiu desmaiada. Ian foi mais rápido e a pegou nos braços antes de ela chegar ao chão. A pegou nos braços e a colocou em sua cama com muito cuidado, a garota parecia tão frágil que quem a olhasse pensaria que ela poderia se quebrar á qualquer momento.
–Será que alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?
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Sophia acordou algum tempo depois sobre o olhar atento de Melina, Ian, Alex e Taylor. Ela piscou várias vezes devido à luminosidade. O primeiro rosto que viu foi o de Ian que afagava os lindos cachos ruivos. Agora ele sabia sobre Trace e Makayla. Mas não podia ter medo de sua Soph. Não importava quantas vezes á olhasse, sempre veria aqueles olhos azuis que o atraíam tanto:
–Oi anjo. –O moreno deu um sorriso de canto de boca. –Como se sente?
–Bem, eu acho... –A voz dela soou suave e cansada. –E a Melina?
–Eu estou bem aqui. –Soph percebeu que a mão que segurava e afagava á dela era a da morena. Os olhos verdes emanavam preocupação. Ela sabia o que veria á seguir.
Sutilmente algo nas costas de Sophia começara a queimar, mas logo era como se ela tivesse pegando fogo. Sem conseguir se conter, ela tirou a blusa, esquecendo-se de três homens no quarto, três que não conseguiram tirar o olho da menina. Mas a ruiva não conseguia se concentrar nisso naquele momento, só conseguia pensar na dor que sentia. Era como se alguém tivesse jogado álcool e ateado fogo em suas costas. As lágrimas escorreram, mas ela não se permitiu gritar.
–Fechem os olhos seus babacas! –Ian sibilou tirando Taylor e Alex do transe e fazendo-os fecharem os olhos no mesmo momento como se, naquele momento, se lembrassem que aquela garota em questão, merecia e muito, o respeito de todos.
–O que está acontecendo? –Sophia sentia suas costas pegarem fogo enquanto Melina ia traçando com o dedo as linhas negras que começavam a surgir nas costas da amiga.
–Já vai passar, eu prometo. –A menina de olhos verdes acompanhava as linhas que, por fim, formaram uma fênix.
Sophia suspirou aliviada quando acabou se sentia extremamente cansada:
–As linhas formaram uma fênix. –Melina sorriu. –Eu sei que é maquiavélico, mas se te faz mais contente, é lindo. A minha é uma cobra.
Sophia só então se ligou que estava sem blusa e que Ian a observava. Corada até a alma, bateu com ele com a blusa antes de vesti-la novamente.
–Já podem abrir os olhos. –Melina estava rindo enquanto Taylor e Alex abriam novamente os olhos. Ian os fuzilava com o olhar:
–Seus idiotas! –O moreno olhou para os dois de maneira acusadora. –Se eu não tivesse falado vocês estariam até agora olhando não é?
–Você ficou. –Taylor rebateu.
–Eu estava olhando é... Hã... Respeitosamente. Não me olhem com essa cara, eu a respeito. Diferente de vocês que estavam babando.
–Dá pra parar?! –Melina gargalhou. –A Sophia está mais vermelha que um pimentão maduro. Estão constrangendo a menina.
Realmente, Soph nunca corara tanto na vida dela.
–Desculpe. –Murmuraram os três um uníssono.
–Melina... Você também tem... Olha, eu só quero saber o que está acontecendo.
–Nem eu sei direito o que é isso. Até onde eu sei, Makayla e Trace são irmãs. Elas procuram descendentes do sangue delas para tomar o corpo.
–Quer dizer que somos parentes?
–Provavelmente.
–Por que a Makayla disse que estou fraca?
–A Trace apareceu quando eu era bem mais nova. Se a Makayla só apareceu agora é porque antes o seu corpo lutava contra ela. Provavelmente a coisa toda do reformatório te deixou mais fraca, com as defesas mais baixas. Ela deve ter se aproveitado disso pra finalmente aparecer. A fênix nas suas costas vai deixar ainda mais fácil dela entrar. Tente resistir Soph. Se as linhas apareceram, é porque já é a segunda vez que ela te possui. Quando foi a primeira?
–Hoje mesmo. –Sophia passou a mão pelos cabelos ruivos. –Assim que eu acordei. Ela se apresentou, disse que queria meu corpo pra ela e se apossou dele.
–Bem direta. Trace não é assim.
–É a Makayla foi. Ela me dominou por um tempo, até que a Kath apareceu. –Taylor arfou e exclamou um “A KATH?!”. –Ela não viu os meus olhos, fiquem tranquilos. Mas a Makayla queria matá-la. Eu não podia deixar. Então consegui retomar o controle. Mais ou menos como agora, quando ela queria machucar a Melina.
–É, a Trace também queria machucar você e foi isso que me deu forças pra lutar contra ela. Entenda, agora que ela começou, não vai sumir como antes. Ela vai te atazanar e na menor fraqueza ela vai tentar te dominar. Experiência própria, por que acha que estou nesse lugar?
–Fiquei assustado quando Trace me contou sobre você. –Alex se pronunciou. –Ela me contou ontem. Nunca pensamos que alguém, tão... Pura, fosse assumido por uma delas. Pensei em te contar hoje, mas... Trace havia me dito que você não sabia então pensei que quanto menos você soubesse melhor.
–Ótimo com todos os meus problemas ainda me aparece isso.
“Ei, eu não sou um problema!”
“Ah, fica quieta!”
–Ela falou com você?
–Sim, falou. Disse que não era um problema. Mandei-a ficar quieta.
A morena riu:
–A fênix te deixa mais próxima dela. Tome cuidado Soph.
–Ah, antes que eu me esqueça... –Sophia corou. –Makayla fez um estrago nos seus uniformes. Não em todos, mas a maioria...
–Ela quer provocar a Trace. E pelo visto está dando certo.
–Isso é loucura.
–E o que aqui é normal?
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