Maldição
1 Capítulo 1
Meu nome é Sophia, tenho 1,73m, cabelos castanhos escuros e ondulados batendo na cintura, olhos amendoados e peso 58 kilos. Que descrição mais detalhada da minha pessoa. Não sei pra que, onde estou isso não tem importância alguma.
Há exatamente um ano, três meses e vinte e oito dias, namoro Leon. Alto, moreno, cabelos bagunçados e escuros, olhos jabuticaba, boca carnuda e um corpo hiper definido e musculoso. Ele tem 22 anos. Vivo em conflito com minha irmã mais nova. Samantha tem seis anos e tem o dom de me irritar.
-Cala a boca sua insuportável. — gritei sacudindo a pirralha.
-Sua chata, bruxa. Manhe a Shosso bligou comigo. — disse ela chorando e batendo os pés.
-Shosso é a tua vó, não me chama assim, eu já falei. Eu o-de-io isso. — disse aos berros.
Virei as costas e subi as escadas irritada. Aquela peste não sabia fazer mais nada a não ser me irritar. Queria ir embora... Sumir. Não era justo... Mas apesar de tudo, eu era feliz! Aquela casa, meus pais. Pena que aquela fedelha era pior que o diabo.
Peguei meu anel de namoro e dei um beijinho. Ainda me restava Leon. Ele sim me entendia. A aliança tinha uma pedrinha lilás na ponta. Ela brilhava... Brilhava. Peguei o telefone e disquei seu número.
-Alô.
-Oi, Leon.
-Fala thuthuquinha.
-Hoje a noite vamo dá uma volta?
-Uhu! Gostei. Vamo no cinema. Te pego as 19:00.
-Combinado.
Desliguei o telefone radiante. Falar com ele me acalmou. Eu achava que ele fosse o melhor namorado do mundo! Eram 18:48 e eu havia acabado de me arrumar. Descia as escadas e avisei meus pais que iria sair. Ouvi a buzina e saí. Vi seu Golf branco e embarquei no carro.
-E ai gatinha. — disse me beijando nos lábios.
-Tudo bem. Vamos no cinema.
-Um cineminha pega bem né. Depois... Vamos lá pra casa.
Será que ele não podia ser menos tarado? Acho que não.
Chegando no shopping, Leon estacionou o Golf e entramos. Compramos os ingressos e as pipocas. Leon me avisou que iria ao banheiro.
-Já volto, tenho que tirar a água do joelho. — disse sorrindo daquele jeito que eu a-ma-va.
-Não demora.
Sentei-me na poltrona e esperei. Não sei ao certo quanto tempo se passou, mas acho que em torno de 10 minutos. Eram 14. Levantei-me da cadeira e fui a sua procura, afinal já estava assustada. Cheguei na porta do banheiro masculino e...
Sussurros, gemidos vinham de lá. Será que Leon estava passando mal? Ai coitado! Quis chamar seu nome, mais minha voz faltou. Quis correr para ver o que era, mas minhas pernas não respondiam a minha vontade. Com passos curtos e lentos, sem fazer ruídos algum e com a respiração baixa, me aproximei. Aquela cena me causou enorme repulsa e ódio. Como Leon podia ter feito isso comigo?
Beijava... Beijava não, praticamente ENGOLIA uma garota, uma biscate.
-LEON!!!
-Thuthuquinha eu...
-Thuthuquinha uma ova seu filho da puta desgraçado. Vai pro inferno seu sem-vergonha animal.
A garota havia saído assustada com o escandalo.
-Eu te amo Sophia. — disse ele tentando me beijar.
-Ama é o cacete. Quem ama respeita. Sai daqui com essa boca poluída, não me tocar.
-Mas...
-Não tem mais nem menos. Você me chifrou, esse não deve ser o primeiro. Agora vou para casa minha cabeça tá doendo, uma nova alegoria está nascendo.
Joguei o anel de namoro com toda força no chão.
-Come essa porra, dá praquela safada.
Lembro-me que naquele momento senti um arrepio percorrer meu corpo. Me senti tonta. O demônio adormecido ali, estava solto e viria me buscar. Teria caído se leon não me segurasse. Aquele anel era raro, o único da joalheria, não pensem que ele foi o culpado.
-Sophia... Sophia. — gritou assustado.
Senti suas lágrimas calorosas caírem em minha face. E as últimas palavras que ouvi foram:
-Eu te amo!
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