Maldade Criativa

1 Progredindo


Notas iniciais
DESCULPEM A DEMORA ;-; Vestibular e talz, tava meio foda eu conseguir tempo pra escrever BUUUUT AGR EU TO DE FERIAS (mentira cof cof) E NINGUEM VAI ME SEGURAR Bom kk agr vou ter mais tempo

Cenas enevoadas. Sons abafados. Rostos embaçados. Foi com isso que Gunter sonhou na noite anterior. Sonhou com lembranças, com cenas que sempre apareciam para dar oi em sua mente, como se fosse um velho e inconveniente amigo.

E mesmo que não pudesse ver direito os rostos das pessoas naquelas cenas, sabia que em todas elas, Brita estava presente. Ele sabia disso. Os anos que passaram juntos fizeram Gunter conhecê-la como a palma da mão, já quase conseguindo sentir sua presença sem mesmo pensar nisso.

As cenas entrecortadas alternaram entre seus seis e doze anos, até que foi levado ao Khovrino. Ele se lembrava do rosto cansado e sem expressão de Rayner enquanto encarava-o naquele dia. Depois de ter inspecionado todas as garotas do quarto, que eram da mesma faixa etária de Gunter e se resumiam a apenas três garotas sujas e tortas, o doutor se voltara para ele. Pelo visto sem muitas opções, resolveu levar Gunter de qualquer jeito. Talvez por ele possuir feições um pouco delicadas, ou por alguma outra razão que o garoto desconhecia. Lembrava de ter sido obrigado a arrumar seus poucos pertences e de ser arrastado até Rayner novamente, depois de ele ter assinado alguns documentos.

Depois, lembrou de sua chegada ao Khovrino. Lembrou de ser vendado dentro do carro. De esperar um bom tempo sentado, sentindo apenas o balanço do carro. Lembrou de não ter relutado, já que na época pensava estar sendo arrastado para algu experiento ou algo do tipo. Pensava que iria morrer de qualquer jeito, e sinceramente já não tinha vontade de viver, então simplesmente se entregou a seu destino. Mas estava redondamente enganado. Lembrou de ver Brita na sala onde sua venda fora tirada. Seus cabelos negros já roçandosua cintura, seus olhos azuis ainda grandes e cheios de vida, sua pele parecia mais branca do que já era. Gunter lembrou de lágrimas terem começado a aparecer, tanto em seus olhos quanto nos dela. Mas então, lembrou da palpitada que seu coração houvera dado, quando seus olhos desceram ate seus braços. Quando viu-a se aproximar, arrastando-os com difiiculdade, ficara paralisado. Lembrou de ela ter hesitado, antes de tentar levantar os braços. E finalmente lembrou de ter ouvido disparos, saídos bem debaixo da cama hospitalar na qual havia sido colocado.

As imagens dolorosas despersaram-se como névoa. As lembranças se foram. Hesitante, ele abriu os olhos, mirou o teto infiltrado e, com a ajuda de suas mãos, sentou-se no chão, encostando as costas na parede atrás de si. Soltou um gemido, quando sentiu uma pontada de dor nas costas, e pensou se houvera dormido de mal jeito.

– Pensei que nunca fostes acordar. — ouviu a voz linear e sedutora de Edwiges. — Falas muito enquanto dormes.

– Bom dia pra você também, Edwiges. — disse, sarcástico.

Ela riu.

– Sabe, olhando-te eu lembro de quando chegastes aqui. — falou em tom distante. — Atraístes tanto caos. — soltou uma risada arrogante.

– Que coincidência. — deixou a frase sair quase involuntariamente e, já que já o houvera falado, concluiu. — Eu estava pensando justamente nisso.

– Que interessante.

A garota de cabelos prateados deitou-se de barriga para baixo no chão, de modo que suas mãos apoiassem o queixo, sobre o peito de Gunter, que encontrou-se inquieto com a ação.

Quase que percebendo a reação do garoto, Edwiges levantou uma sobrancelha, logo em seguida rindo.

– Vives no meio de garotas, mas mesmo assim esse simples gesto intimida-lhe. — o jeito corretinho e forçado de Wii irritava Gunter profundamente, porém, sabia eu teria de aguentar aquilo até que saísse dali. E esperava fazê-lo o quanto antes.

De repente, um novo pensamento o ocorreu, o qual, na verdade, ficou surpreso por não-lhe ter ocorrido antes. O que, afinal, faria para sair dali? Sentiu-se um idiota por não ter ponderado sobre tal assunto antes. Não possuir nenhuma carta nas mangas para voltar para Brita e Greta era extremamente frustrante. Pensou nas duas amigas. Pensou no quanto sentia a falta de Brita e da pequena Greta. Mas então seus pensamentos foram varridos por outros, espalhando tudo como poeira. Como folhas ao vento. Pensou em como vira Brita, pouco antes de houver parado ali.

De repente, uma ideia surgiu. Uma lâmpada brilhara dentro de sua mente escura, iluminando-a. Era um bom plano. Tomaria-lhe tempo, mas era bom.

E precisava dar certo.

– Bom. — olhou-a nos olhos dourados, o próprio olhar agora mais confiante. — Você não me intimida.

Levou a mão ao rosto da garota, tentando não pressionar muito as lâminas de seus dedos em seu semblante surpreso e hipnotizado. Não se moveu, apenas precisou trazer um pouco seu rosto para perto, para depois ela fazê-lo por si só. Seus olhos se fecharam, quando Gunter sentiu seus lábios gelados tocarem-lhe a boca.
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– E então? — indagou Yana. — Como vai ser?

– Booom — arrastou-se Marinko. — Aí é que mora o problema, sabe?

– Nós realmente não sabemos o que fazer. — comentou Maylin, quase não querendo se intrometer.

Os ombros de Yana penderam, enquanto seu olhar de decepção pulava de uma para outra garota. Ao fim, pôs-se de pé e cruzou os braços, fitando uma gêmea de cada vez.

– Quer dizer que vocês querem matar o chefão mas nem ao menos têm um plano?

– Esperávamos que talvez você pudesse nos ajudar com isso. — comentou a das bolinhas.

A loira pousou os dedos no queixo, ponderando sobre as duas patetas com quem houvera juntado-se. Ponderou então se realmente devia ter feito aquilo e se não poderia simplesmente aniquilá-las e seguir adiante solitariamente. Mas não. Anya a odiaria para sempre se o fizesse e as coisas já estavam ruins o bastante. Não. Não havia escolha. Era a única saída que Yana possuía, visto que as irmãs também nunca a deixariam sair dali sem ajudá-las, ao menos não depois de já ter selado um acordo.

– Bom. — começou a mais velha. — Primeiramente, temos de recolher tudo o que temos.

– Na verdade, não temos nada além de nossas próteses e roupas do corpo.

– Estou falando de informações, sua idiota. — replicou. — Enfim, temos de pensar nas nossas perguntas: O que precisamos saber, depois traçar um plano e o por em prática.

– Sim, mas como conseguiremos respostas para as nossas perguntas?

– Ah, ah, ah, ah! — adivertiu Yana, com o indicador apresentando-se como símbolo para tal ação. — Essa é a fase dois. Fase um: Reunir as informações que possuímos, considerar todas, qualquer uma mesmo, qualquer detalhe, qualquer coisa.

– Bom... Tem as camêras. E as caixas de som. — Falou Mailyn, mal erguendo a voz.

– Muito bem lembrado, Maylin. — Yana o falou, apenas com o intuito de fazê-las se empenhar a pensar.

– Também tem as mesas de suprimentos que chegam toda manhã. — observou Marinko, apontando para baixo. — E a contagem dos mortos todas as manhâs também.

– Sim, e as mesas de suprimentos nos fazem pensar que alguém tem de ter posto-as lá, certo? — Viu-as concordarem com as cabeças. — Ok, então, bom, isso também nos leva a concluir que aquelas coisas foram levadas por mais pessoas ou coisas, além de Rayner. Digo, ele provavelmente está assistindo isso em algum lugar, não sabemos se de perto ou de longe, mas sabemos que está. Acho que vocês têm tanta certeza quanto eu de que Rayner não cozinhou tudo aquilo nem os trouxe para ca. Pelo menos, não sozinho. — as duas já pareciam começar a entender onde Yana queria chegar.

Marinko sorriu.

– Acho que estamos tendo algum progresso aqui.
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– Já se passaram quase dois dias. — murmurou Greta, já sentindo os olhos úmidos.

Mas Brita manteve-se em silêncio, olhando para a porta do quarto como se estivesse de guarda, assim como houvera feito por todo o tempo que Gunter passou fora. Não havia descansado muito. Não pretendia verdadeiramente ficar de guarda, mas era a única coisa que encontrara para fazer, em meio ao tédio e às irritantes crises de choro da mais nova, mesmo que não a deixasse imune aos próprios pensamentos. Seu rosto se iluminava sempre que a voz de Rayner irradiava das caixas, dando-a mais confiança. E não houvera sido diferente naquele dia. O doutor dera bom dia, anunciara as mortes e que os suprimentos haviam sido repostos.

– Bom, parece que ele ainda não está morto. — falou a mais velha, com um tom neutro, mesmo não se sentindo tão despreocupada.

Greta bufou, em meio aos fungados.

– O que há de errado com você? — a pergunta acertou Brita em cheio. — Seu melhor amigo está por aí, sumido há quase dois dias e você não faz nada? E nem parece verdadeiramente aliviada ou preocupada com ele! Aliás, não parece preocupada com ninguém além desse maluco!

Brita levantou-se subitamente de onde estava e empurrou Greta contra a parede, com a lateral da arma em seu braço. Seu olhar extremamente sombrio deu à pequena calafrios, os quais fizeram todo o corpo estremecer.

– Não dirija-se assim ao papai. — sua voz agora soando mais madura. — Ele te trouxe até aqui, te deu uma nova vida, te incluiu em um grupo. Sem ele você seria apenas uma órfã qualquer, sendo apresentada às pessoas diariamente como se fosse uma mercadoria em uma loja de coisas usadas.

A medida que suas palavras eram proferidas, Brita parecia espremer Greta com mais força contra a parede, quase como se fosse-a fazer sufocar ali mesmo, com o aperto. Porém, ao final de seu pequeno discurso, largou-a e afastou-se.

– É claro que estou preocupada. — admitiu a morena, quase murmurando, como se não quisesse realmente falar. — Mas afinal o que você quer que eu faça? Quer que vamos atrás dele? Ok, vamos atrás dele.

O medo que Greta sentia, não só da outra garota presente, mas de todo o ambiente, voltou a assombrar-lhe, quase puxando-a para trás.

– Bom... — fungou, limpando as lágrimas com a mão esquerda. — Podemos tentar.

As duas se entreolharam.

Notas finais
Sorry se ficou curto :c
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.