Notas iniciais
Este é apenas um aperitivo que sejo compartilhar.

Era uma noite quente de verão. Estava tarde, o barzinho na esquina estava cheio de jovens e velhos bebendo. Do outro lado da rua, no terraço de um prédio comercial, se encontrava uma mulher ruiva usando calça justa, botas de salto e jaqueta de couro, cujos olhos verdes jade encaravam o garoto ao seu lado. O garoto era magro tinha cabelos e olhos negros, sem luz, estava descalço, usava apenas uma camisa velha com manga longa e uma bermuda com alguns buracos. A ruiva parou de encarar o garoto e focou sua atenção para um grupo de jovens universitários que bebiam e conversavam alegres na calçada do bar.

-Esta vendo aquele jovem loiro? O que sorri mais tímido e fala pouco? – a ruiva apontava para o garoto que a primeira vista parecia ser tímido comparado aos outros que o acompanhava. O menino fez que sim com a cabeça e ela continuou – Sente o cheiro, Sirius? – novamente sem dizer nada o garoto só confirmou com a cabeça — E você sabe que cheiro é este? – antes que o garoto pudesse responder ela continuou — É o cheiro da ambição. E isto significa que o destino daquele homem é a ruína pós gloria. Compreende Sirius?

-Mais ou menos, mestra. – o garoto encarava o loiro que parecia inofensivo, até confiável — Porque está me mostrando isto?

Um brilho triste tomou conta do olhar da ruiva, que se virou para Sirius e se agachou ficando em sua altura para encarar aqueles olhos negros que pareciam sem fim.

-Sirius, aquele homem tem alma corrompida. Ele fará mal a muitas pessoas. Enganará, roubará, matará. E apesar de tudo isto você deve protegê-lo, incentivar o caos dentro dele, alimentar sua ambição, porque todo mau que ele semeará terá frutos: pessoas boas e fortes, que ajudarão outras pessoas. – os olhos verde jade da mestra ruiva brilhavam tristemente, ela não queria deixá-lo ali para fazer aquele tipo de trabalho, mas, eram suas ordens. Ele tinha que aprender. — O que ele fará não é certo, não é um caminho a ser tomado, mas, é necessário. É o mal necessário – finalizou em voz tremula.

-Achei que o mal fosse algo errado que deviria ser eliminado. – o garoto parecia confuso, sabia que devia combater o mal e não alimentá-lo.

-E está certo. Humanos não deviam ser assim, mas a natureza deles não é como a nossa: direta e lógica. A natureza deles é uma natureza livre e emocional. São criaturas complexas que nascem com o dom da emoção e da lógica misturados, podem escolher seus caminhos e até mesmo criá-los sendo bons ou não. Isso tornou inevitável e até necessário a origem do mal neles e agora a única coisa que podemos fazer é tornar os frutos desse mal em coisas boas, em lições para que outros não sigam seus passos e as vitimas em pessoas fortes capazes de combatê-lo. – a ruiva fez uma pequena pausa para admirar pela ultima vez aqueles olhos negros — Esta é sua missão: ajude homens como aquele no bar a vencer a qualquer custo, alimente suas ambições para no fim poder ver suas vitimas o destruírem.

-E se eu falhar, mestra? Se ele não cair? Se não houver pessoas para enfrentá-lo? – havia insegurança no olhar do pequeno Sirius.

-Sirius, você verá que esta é uma missão impossível de se fracassar completamente — a ruiva se levantou novamente e firme completou — Agora erga esta cabeça, pois você terá muito trabalho pela frente. Esta cidade está cheia de ambição. Não fraqueje em momento algum.

Antes que Sirius pudesse reagir, sua mestra virou as costas apressada. A cada minuto que ela ficava ali se tornava mais difícil deixá-lo.

-Mas, mestra...

-Sem “mas”!- o tom de voz da ruiva era autoritário e ainda de costas falou em tom severo — Já te falei o que tem que fazer. Ensinei-te tudo que precisa. Agora é tudo por sua conta.

E em uma rajada de vento levantou vôo com suas asas que soltavam penas avermelhadas como os fios de seu cabelo. Sirius pegou uma pequena pena que ficara para trás, colocou em seu bolso e voltou e encarar o homem no bar que agora se preparava para ir embora.

Notas finais
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