Segunda-feira. O assunto principal de todos no ensino médio, desta vez, era o caso da pimenta suspeita nos nachos de Clyde. Henrietta acabara de chegar à sala de aula com um copo de café em mãos. O sonho daquela noite de sábado afetou drasticamente seu modo de agir, de enxergar Eric Cartman e de enxergar a si mesma. Passou todo o domingo isolada em seu quarto, não fazendo nada além de ler, fumar seus cigarros e comer quantos doces pudesse aguentar. Não pôde sequer se alimentar corretamente. Todos os pensamentos dela a deixavam cada vez mais tensa. Sentia-se tão afetada que, a partir daquele sonho, determinou que não ofereceria confiança alguma ao Eric, além de que começaria a correr em cada beco que encontrasse por seu caminho.

Sentiu outra vez aquele perfume no ar. Não precisou olhar: sabia que Cartman estava por perto. Não olhou para ele, somente sentou-se em seu lugar na sala de aula. Em questão de tempo, Pete se sentou ao seu lado.

— Onde conseguiu esse café? — Pete perguntou a ela diretamente, sem cumprimentos necessários.

— Peguei na sala dos professores quando ninguém estava olhando. Preciso de um café pra despertar.

— Não dormiu direito?

— Não sei nem se consegui dormir.

Não se permitiu por ter medo de sonhar. A maquiagem no rosto escondia as marcas de sua noite mal dormida. Quando se viu forçada a pegar no sono pela exaustão, não faltava muito para o despertador tocar.

— Pode me dar um pouco? — seu amigo pediu.

— Não. — respondeu friamente e voltou a beber o café. Pete se calou. Ai dele se discutisse com ela por um café.

Do outro lado da sala, Cartman estava confuso. Sentado em sua carteira, a viu chegar. Sorriu para ela enquanto andava pela sala, na ânsia de cumprimentá-la, e ela agiu como se não o conhecesse. Não poderia usar uma desculpa como "ela não deve ter me visto", porque ele sabe que ela o viu. Henrietta passou muito perto dele, e virou o rosto para o lado oposto assim que notou sua presença.

Cartman fitava a gótica. Tudo o que gostaria é que ela o olhasse de volta, mas ela não parecia reagir. Ela sabe que está sendo observada, e ele sabe que ela sente seu olhar. Apenas não o retribui.

Seria fácil Cartman chamá-la e perguntar o que há de errado. O problema é que ele não é muito de resolver as coisas com apenas palavras, tampouco do jeito fácil. Até poderia usar de palavras muito bem se julgasse adequado ou necessário: boa parte das namoradas que teve, conseguiu com conversas aliadas à manipulação das condições. No entanto, Henrietta não é como as demais. Henrietta exige um trabalho maior.

Além do mais... Não poderia bancar o sensível magoado por estar recebendo um gelo. Esse não era Eric Cartman. Quem ele de fato é, deve continuar agindo conforme faz frequentemente. Já foi gentil o suficiente com ela e; agora, se vê no direito de mostrar do que um Cartman é capaz.

Nesse caso, deverá chamar a atenção dela. Precisa apenas encontrar a oportunidade certa. Antigamente, chamava a atenção para fazer os outros o respeitarem, respeitarem sua autoridade e enxergarem além de sua aparência externa. Acabava que quase sempre se dava mal no fim, e foi detestado em vez de respeitado. Criticar tudo e todos também fez parte de desviar a atenção da sua aparência para sua personalidade. Como qualquer um, Eric teve seus mecanismos de defesa próprios. Mas isso não é importante agora.

Um professor nunca visto antes entrou em sala, alto e magro, com óculos fundo de garrafa. Pôs suas coisas sobre a mesa e, com um giz, escreveu a data do dia no topo do arcaico quadro negro.

— Bom dia a todos. Sou o novo professor de biologia. — apresentou-se, tentando demonstrar uma confiança que não possuía. — Sei que alguns engraçadinhos gostam de sacanear professores novos ou substitutos, então, tenham em mente o quão inaceitável é esse tipo de comportamento.

Cartman adquiriu uma conhecida expressão maquiavélica. Acabou de receber de bandeja a oportunidade que precisava. Chamará a atenção e, de quebra, poderá fazê-la rir. O melhor jeito de conquistar uma mulher, ou pelo menos o mais usado e bem sucedido pelo mundo afora, é entretendo-a com o humor. Como Henrietta não ri facilmente, Cartman pode encarar tudo como um desafio: isso torna tudo ainda mais divertido.

Ele não tem em mente nada muito grandioso. Irá atrapalhar a aula irritando o professor. Simples, fácil, pouco trabalho; esse professor não aparenta ter muito moral. Com certeza isso acabará mal, mas vai valer cada segundo da semana de punição escolar e da proibição que sua mãe irá lhe impor. Os castigos de Liane Cartman nunca equivaleram ao que o filho fazia de errado.

— Peço a atenção de todos para a chamada — o professor olhava a lista de presença. — Kyle Broflovski?

— Presente — Stan respondeu no lugar de Kyle. Ele, Kyle e Kenny abafaram risadas. Cartman não foi o único a ter a ideia de sacanear o professor respondendo errado à chamada.

— Ok, Kyle presente... — o professor marcou na lista — Stanley Marsh?

— Aqui! — Kyle entrou na brincadeira.

Cartman se juntou a eles, abafando a risada. Virou-se discretamente para Henrietta, e percebeu que permanecia com aquela típica face inexpressiva. Ela não via graça alguma nesse tipo de brincadeira.

— ...Kenneth McCormick?

— Presente — Cartman respondeu por ele. Kyle e Stan riram baixo, e Kenny riu tanto que despencou no chão, desesperadamente e sem ar. Por pouco, não morreu outra vez.

— Certo — o professor marcou a presença. — Eric Cartman?

No mesmo chão onde estava, Kenny estava pronto para responder, quando Eric fez algo inesperado. Levantou sua mão e pronunciou — "Ele não veio hoje". Uma certa vampira, sentada junto às suas colegas de grupo, sorriu; não precisou pensar muito pra entender que seu ex-namorado pretendia fazer algo bárbaro.

Uma falta não faria diferença. Era para ele ter sido o primeiro a fazer a piada da troca de nomes, mas não saiu como o esperado. Mas não fazia mal: a piada não funcionou no alvo que ele esperava acertar. Seus amigos estranharam sua atitude, mas não arriscaram dizer nada a respeito.

A chamada prosseguiu normalmente, fazendo Henrietta ficar atenta aos nomes ditos. Ouviu o nome das meninas, uma loira e outra morena, que havia visto no Casa Bonita, e reparou um detalhe: a escola, com sua desordem habitual de South Park, não se deu ao trabalho de organizar a lista de presença em ordem alfabética para ajudar no trabalho do novo professor.

Era hora de Eric iniciar seu novo plano. A primeira ideia não havia dado certo; talvez pudesse fazer uma reciclagem de escárnios, usando o que fez com Gary Harrison, um garoto mórmon, há muitos anos. Antes disso, roubará a cena tal como fez com os integrantes do parlamento liderado pelo pai de Stan, à época em que a cidade entrou em crise econômica.

— Aonde você vai? — Kyle sussurrou para Cartman. O segundo estava se levantando. — Estamos em aula, você vai acabar indo para a suspensão.

— Não coloque seu nariz judeu nos meus assuntos. Eu sei o que estou fazendo.

"Por que eu ainda pergunto?" Kyle suspirou. Ele e quase todo o resto da sala esperavam pelo que Cartman iria fazer. O professor escrevia e desenhava células no quadro, não notando a aproximação do rapaz de vermelho. Cartman aproximou-se da lousa, ajeitou sua touca azul, forçou uma tosse para limpar a garganta, encostou suas unhas no quadro negro e, finalmente, arranhou.

O som alto, irritante, estridente do quadro sendo lentamente riscado fez todos que faltavam olharem em sua direção. Todos mesmo. Até aquela que não desejava sequer olhá-lo viu-se obrigada a ir contra a sua vontade.

— Qual o seu nome, rapaz? — o professor perguntou ao Cartman. O som ainda parecia retumbar em seus ouvidos.

— Meu nome é Tuévi. “Tuéviado”. — Cartman ergueu a mão, como se fosse apertar a do professor. Possuía um sorriso cínico.

A gótica, ao fundo da sala, respirou fundo e abaixou a cabeça. Sentiu algo nos lábios. Pareciam formigar. As extremidades de sua boca se tremiam e aquela peculiar sensação de cócegas na barriga a deixavam inquieta. Colocou uma das mãos sutilmente sobre o sorriso se formando.

Ela ia rir. Devia brigar consigo mesma por estar achando graça em algo tão estúpido, vindo de uma pessoa tão estúpida, que precisava evitar.

Cartman inflou-se vitorioso ao ver Henrietta tendo a reação que esperava. Conseguiu a atenção dela. Não dá a mínima à advertência que levará, não dá a mínima para as risadas além das dela dentro da sala e não dá a mínima caso vá para a detenção se assim for preciso. Ver Henrietta prestando atenção nele era tudo o que precisava.

— Muito engraçado. — o professor respondeu com sarcasmo. — Volte para seu lugar.

— Não, obrigado. Aqui está bom pra mim.

— Não estou brincando.

— E quem disse que eu to brincando? Eu falo sério, aqui é muito confortável. Bem ventilado, boa iluminação... Estou muito bem aqui, mas agradeço por se preocupar.

Inspirando, Henrietta afundou ainda mais o rosto em si mesma. Torcia para ninguém perceber que ela achava graça nessa babaquice. Cartman, vendo-a se divertir, percebeu que vê-la achando graça nas suas piadas não tem preço. Uma sensação agradável de dever cumprido.

— Se você não quer assistir a minha aula, saia e vá para a sala dos professores. Aproveite que o diretor está lá e bata um papinho com ele. Só não me atrapalhe mais.

— Maravilha, visita ao diretor com direito a cafezinho. — saiu pela porta fazendo uma espécie de continência. — Adeus.

O professor não soube o que dizer. Ficou claramente constrangido quando Cartman saiu mesmo pela porta. Geralmente, quando professores ameaçam tirar de sala, os alunos se recolhem amedrontados e se calam. Até o resto das pessoas em sala pararam de rir. Um espanto generalizado.

— Aquele garoto é sempre assim? — o professor perguntou à turma.

— Não. — respondeu Jenny Simonss, que se divertia com as confusões que seu ex aprontava. — Ele é muito pior que isso. Um dia você se acostuma. — olhou levemente para Henrietta. — Sei disso porque o conheço muito bem.

Henrietta sentiu imediatamente sua risada reprimida se esvair. Voltou-se para Jenny com evidente raiva, um sentimento incompreensível no peito.

A gótica reflete sobre sua ira para a vampira. Talvez porque são inimigas declaradas, de acordo com a rivalidade entre seus respectivos clãs. Talvez porque Henrietta enxergou uma pré-disposição negativa implacável vinda da vampira líder.

A intuição para a maldade de Henrietta quase nunca falhava. Podia ver uma aceitável, até peculiar, maldade em Eric Cartman, mas um tipo bem diferente em Jenny Simons. Um tipo baixo e patético.

Como Eric foi para a sala dos professores pensando em filar um café, Henrietta ficou com um embrulho no estômago e não conseguiu mais beber o seu próprio. Pelo menos, ela havia bebido café suficiente para se manter desperta por algum tempo.

— Ainda quer? — ela ofereceu o copo de café cheio até a metade para o amigo ao lado.

— Agora que você enjoou, vai empurrar esse café pra cima de mim como se eu fosse uma lixeira? Não quero mais.

Henrietta lhe mostrou um olhar ameaçador.

— Café vai bem — Pete obedeceu, pegando o copo.

— Imaginei que sim. — a gótica deixou a discussão por encerrado e começou a fazer rabiscos em uma folha. — Não banque o sensível comigo. Somos góticos, não emos.

A aula prosseguia. Henrietta era mais uma entre os que não davam atenção ao sermão do professor. Estava muito concentrada em seus desenhos mal feitos. Quando percebeu, desenhou Eric e Jenny do jeito mais horrível possível: bonequinhos de palito fazendo caretas bobas. Precisou sufocar o riso novamente quando desenhou Eric com um corpo um pouco redondo, para ficar mais parecido com o original.

* * *

A quadra interna da escola, com cobertura e piso de madeira reluzente, tinha uma faixa no teto indicando a primeira ala da exibição de clubes. Mesas estavam ocupadas com tipos distintos de “clubes”, organizados por professores ou alunos. Clube da História, Clube das Artes Marciais, Clube de Teatro, Clube de RPG... Havia inclusive alguns clubes interessantes para os góticos, como o de Ocultismo ou Literatura.

Nos Estados Unidos, na maioria das escolas públicas, existe um dia no início do ano letivo dedicado a escolha de um clube. Em South Park High, uma vez escolhido o clube, deve-se permanecer nele: ninguém gostaria de perder tempo te dando assistência caso se arrependesse da sua escolha. Todos devem escolher um clube entre as mesas, e posteriormente serão distribuídas as salas que servirão como sede de cada um.

A proposta funciona como atividade extracurricular, ditas optativas-condicionadas: você podia escolher qual fazer, mas escolher não fazer nenhuma não era uma opção. Quem se recusasse a essa atividade obrigatória teria uma passagem grátis para a reprovação de ano letivo. Michael se recusou a participar disso uma vez e sofreu maus bocados. Os góticos tinham uma noção de que esse dia onde conformistas se desesperam para encontrar um clubinho ainda mais conformista aconteceria, só não faziam ideia de que seria hoje. Queriam ter tido tempo de fazer um clube só para eles, facilitaria muito as coisas.

Pete andava preocupado com sua amiga. Desde o momento que chegou à sala de aula pela manhã, ela parece diferente do habitual. Silenciosa... O que é normal; o diferente foram os rabiscos que fazia durante toda a aula e as vezes onde passou a mão sobre o estômago com um semblante aflito. Era fácil ver a angústia nos olhos e dentes trincados de Henrietta, como se sentisse dor.

Neste intervalo dedicado a escolha de uma atividade extracurricular, a preocupação de Pete aumentava. Henrietta mal conseguia andar direito, e as botas de salto não ajudavam em seu caminhar.

— Você não tá legal. — Pete segurou o ombro da garota.

— Tô sentindo dor de cabeça e uma fome descomunal. Não como ou durmo direito há mais de 24 horas. Só não estou com sono por causa do café que tomei mais cedo.

— Por que não falou antes? Vamos procurar algo pra comer no refeitório.

— Nem pensar. O refeitório é um anto de conformistas, com comida ruim e serventes mal humoradas que a servem. Além do mais, o refeitório está ocupado com a segunda parte das mesas de clubes.

— Prefere ficar com a dor?

— Prefiro. E, também, quero olhar todos os clubes daqui antes de passar pela segunda parte. Preciso escolher direito. Depois disso, não tem mais volta nessa merda.

— Vamos fazer o seguinte: vamos ao refeitório. Você tenta comer alguma coisa. Depois continuamos, não é como se o dia fosse acabar agora.

— Deuses, pare de se preocupar tanto comigo, eu aguento.

Pete suspirou. Henrietta podia ser bastante teimosa. Ela parou no caminho, mais pálida que o natural e com uma expressão horrível.

— Olha — ela continuou. — Por que cada um não segue seu rumo? Quero fazer isso sozinha, pode ser?

— Tá. Vou me alistar ao Clube Literário de uma vez, nos vemos quando eu voltar.

Cada um foi para uma direção. Entretanto, silenciosamente, Pete se comprometeu a observar seus passos mesmo que estivesse indo cumprir seu próprio objetivo. Orgulhosa ou não, ela querendo ou não, continuaria agindo sendo um amigo.

Michael e Firkle estavam distantes, se alistando em diferentes atividades. Pete já ia se juntar a um clube e Henrietta olhou quase todas as mesas dali sem muito interesse. E, novamente, teve a sensação de estar sendo vigiada. Olhou para o lado, e conseguiu pensar em mais de mil xingamentos: Jenny Simons estava a encarando de novo.

Duas mesas estavam juntas: a do Clube Vampírico e a do grupo das animadoras de torcida. Jenny usava o uniforme de líder de torcida: verde, preto e branco, com o símbolo do mascote da escola, as Vacas de South Park. Também usava presas falsas, lentes de contato vermelhas e purpurina por toda a pele. “Ela manda nos vampiros e nas animadoras. Que beleza de combo de conformismo.”

Henrietta não devolveu o olhar ameaçador, porque não tinha forças suficientes para isso. Quando estivesse alimentada e a dor tivesse passado, caso encontrasse Jenny a olhando de cara feia de novo, não poderia resistir a "se resolver" com a vampirinha purpurinada.

— Vem, Pete — Henrietta passou perto dele e começou a puxá-lo pelo braço para fora da quadra. Estava tão furiosa que não se deu conta de que o puxava com uma força que não tinha pelo corredor.

— Ei, calma aí — ele reclamava do braço dolorido pelo caminho. — O que aconteceu?

— Não adianta explicar. Quando souber a sensação de estar sendo vigiado por uma vaca com presas, vai me entender.

* * *

Encontraram uma mesa vaga dentre todas no refeitório. A refeição que Henrietta pegou não tinha uma aparência lá muito boa, parecia uma massa cinza com vida própria. Dava a impressão de que iria saltar para fora do prato a qualquer minuto e arrancar sua cabeça. De cara emburrada, a gótica empurrou o prato para centro da mesa.

— Não está mais com fome? — Pete, sentado a sua frente, perguntou.

— Eu não vou comer essa... Essa... Essa coisa. — cutucou o troço cinza. — Que merda é isso aqui? Purê de raízes?

— Não só isso. O diretor pede às cozinheiras que junte restos da semana e sirvam como "carne surpresa". Na verdade, isso aí é verde sem as raízes adicionais.

— Ai, que nojo — Henrietta limpou a mão na roupa. — Você nem pra me avisar, né, grande amigo? Qual é a surpresa dessa carne? Uma passagem só de ida pro quinto plano da obscuridade?

— Foi mal. — deu de ombros. — Não lembrava que hoje era dia de comer isso aí.

— Oi! Posso incomodar o casal um minutinho? — uma garota de cabelo preto e curto, na altura dos ombros, trajando um casaco roxo, uma saia preta modesta e um arco combinando na cabeça, estava subitamente ao lado da mesa. Abraçava uma prancheta como se fosse seu animal de estimação.

— Não somos um casal — Pete tentou se explicar. Suor se acumular sob sua franja.

— Ah! Me desculpem, sim? É que vocês tem um visual hardcore tão parecido... — usava de um jeito doce para falar. — Meu nome é Patty Nelson. Eu sou a responsável pelo clube de música clássica e gostaria de convidá-los a participar. Poucos por aqui tem interesse em música clássica hoje em dia... O interesse dos jovens está voltados pras músicas da moda. Tive que vir até vocês porque, assim que os vi, percebi que parecem ser muito cultos e reservados.

— Música clássica é legal. E gosto da sua perspectiva, por acaso chamamos esse “interesse dos jovens” de conformismo. — Henrietta adicionou um comentário. — Pena que não sou boa com esse tipo de música. Consigo levar meus conhecimentos do teclado para o piano, mas...

— Ei, não se preocupe. Somos um clube, não a orquestra da escola. Nosso objetivo é apreciação em grupo, compartilhar conhecimento e ampliar nosso gosto pelo gênero musical.

— Se eu tivesse visto antes, não teria me alistado ao de literatura. — Pete lamentou.

— Você devia ter usado minha estratégia de ver todas as opções antes de escolher. Bem feito. — Henrietta acabou por fazer Patty rir. — Tudo bem, quero participar. Sempre quis aprender mais sobre música clássica, ainda mais sobre violinos.

— É seu instrumento favorito? — Patty marcou na prancheta o local onde Henrietta deveria assinar.

— Pode-se dizer que sim. — a gótica preenchia a lacuna com a caneta. — Admiro quem é bom nisso.

— Isso é ótimo, tenho certeza de que vamos trazer temas que vão te agradar! Nosso primeiro encontro é hoje, ao fim da última aula.

* * *