Mala Decisión
1 Después
Notas iniciais
So.. Let's go.
Ya hemos dejado atrás las ganas de luchar ya no volverán y al final, nos consume el tiempo
Me sobressaltei levando um susto quando escutei o latido impaciente de Triana muito próximo a mim. Olhei em sua direção e vi que estava fazendo isso para chamar minha atenção. Talvez eu tenha ficado no meu mundo muito tempo, com muitas lembranças em mente, a chamei com uma mão e ela veio feliz até meu colo. Ainda estava aérea, já havia chegado algumas horas em casa, não estava mais com maquiagem, sandálias e mesmo o vestido e as joias. Nem parecia que eu tinha saído de casa e que algumas horas atrás eu estava num evento, ao não ser pelo meu cansaço físico e emocional.
Afundei mais meu corpo no meu sofá pegando a taça que tinha de vinho próxima e tomei um gole vendo Triana de olhos fechados enquanto sentia minhas carícias. A sentia mais pesada e isso significava que ela estava próxima do seu sono, por mais que eu quisesse saberia que não conseguiria dormir tão cedo. Não depois de tudo que aconteceu hoje!
As minhas emoções durante o dia inteiro foram das mais variadas, passei o dia inteiro agitada, e deve ter sido contagioso porque Triana também estava mais agitada que o normal. Desde quando eu sai para fazer algumas compras de roupas até começar a me arrumar e por fim ir ao evento. Me sentia ansiosa e nervosa e se me perguntassem o motivo, não saberia explicar em específico. Ao menos não poderia.
A imagem dele sorrindo me veio a cabeça, e por mais que tentasse me concentrar em pensar em qualquer outra coisa, não conseguia impedir que ele me atormentasse na minha mente. Talvez por estar distante, tomei outro susto quando o celular tocou na mesa de centro. Sob protestos de Triana que me estiquei para pega-lo e sem pensar muito após desbloquear a tela atendi a ligação voltando a ficar nervosa.
- Alô! – Disse depois de alguns segundos, já sabendo quem era.
- Oi. – Ele disse e também depois de alguns segundos. – Não sei exatamente o que estou fazendo. – disse como um comentário comum e descontraído como se fosse para ele mesmo.
- Bom estamos conversando. – tentei manter um tom leve igual. Só não tenho certeza se tive o mesmo sucesso.
- Sim isso é verdade. Só que... – ele ficou quieto e escutei o barulho de algo de metal caindo no chão. E depois dele xingar baixo, ele voltou a falar. – Eu estou meio atrapalhado aqui. – Ele riu o que me fez sorrir não só por imaginar, mas também por lembra que o vi há poucas horas. – Eu queria conversar com você e fiquei indeciso se era uma boa hora.
- Não tem problema, posso falar.
- Então nesse caso, também não tem problema se nos víssemos verdade?
O que ele disse me fez ficar confusa imediatamente e instintivamente olhar para a porta da sala que era a da entrada pra minha casa.
- Como assim? – Perguntei confusa, eliminando a ideia de que ele tivesse vindo até minha casa essa hora da madrugada, são outros tempos.
- Não sei. Talvez se falar por facetime.
Pode parecer estranho, mas eu fiquei mais balançada com o que ele disse do que se supostamente ele tivesse vindo pessoalmente.
- Pode ser. – dei os ombros mesmo que ele não tenha visto, ainda incomodada com a ideia.
- Beleza. Então eu vou desligar e te ligar pelo facetime. – Ele só esperou que eu aceitasse e desligou a ligação. Ao contrário do que eu tinha imaginado ele não ligou logo em seguida o que me fez ficar mais ansiosa, já tinha começado a roer uma unha depois de alguns minutos ele me ligou.
- Oi de novo. – vi as rugas formando parte de seu sorriso, eu retribui por que fiquei sem graça assim como ele. Que afastou o celular um pouco do seu rosto e percebi que ele estava em seu quarto, no seu apartamento, escutei o barulho da porta fechando e então ele andou até pelo quarto não sei se foi de propósito, mas ele afastou o celular de modo que consegui ver sua cama. Vazia. – Agora sim. – Depois que ele estava acomodado.
- Você chegou em casa só agora? – Foi a primeira pergunta que eu fiz.
- Sim. Me decidi de última hora ir para um restaurante e o que eram alguns minutos se transformou em duas horas. Estava me trocando quando falei com você.
Não disse nada porque ele deve ter visto minha expressão, mais uma vez estava me perguntando se ele estava sendo provocativo, fazendo aquilo para aguçar minha imaginação ou pior minhas lembranças. Ele passou a mão pelo rosto e inclinou um pouco a cabeça me observando. Me vendo ali com um coque mal feito, sem-maquiagem e com uma camisa antiga que por vezes uso para dormir.
- Você foi embora cedo. – fez um comentário vago. Ainda que senti que tinha algum outro sentido, ele começaria a me sondar para descobrir algo.
- Precisava vir.
- Só que ainda não dormiu ainda. – levantou uma sobrancelha sabido como se já descartasse qualquer desculpa minha, como voltei para dormir mais cedo, ou que estava cansada, ou que tinha compromisso. Ainda que tudo fosse verdade, eu estava ali.
- Não consigo. – Sua expressão mudou, vendo que eu falei a verdade.
- Nem eu. – ele foi sincero também.
- Estava pensando em você! – Resolvi ser mais direta para saber também o que ele queria, porque uma ligação a essa hora da madrugada, eu não suspeitava. Apesar que ele me sondaria de alguma forma.
- Em que exatamente?
- Em como nosso encontro lá dentro foi breve e não conversamos muito. – vi que ele abriu a boca para protestar e fui mais rápida. – Eu sei que nos falamos por alguns minutos, mas sabe que eu sempre preciso de mais tempo com você. Além do que também não queria te atrapalhar.
- Não fale bobagens! Você não me atrapalha, é que eu estava me esforçando a dar atenção a muitas pessoas e me sinto culpado por que também queria ter tido mais tempo para conversamos.
- Isso acontece quando somos homenageados.
- Não fale assim comigo. – E gostei da sensação de ver ele ficar sem-jeito por um comentário meu. Diferente do homem que estava na premiação que era seguro de si.
- Você ainda esta radiante, sabia? Consigo ver o brilho no seu olhar mesmo daqui. E isso me da alegria porque eu vi esse olhar de perto e ele ainda permanece aí. Não preciso te aconselhar, mas aproveita esse sabor de orgulho.
- Obrigado! – Ele foi direto e sabia que esse agradecimento era muito mais amplo do que ele poderia expressar.
Depois de um minuto que os dois não disseram nada, resolvi entrar em terreno perigoso.
- Porque razão você esta sozinho?
- Ela tinha que trabalhar hoje bem cedo.
- Hm. – foi o que eu consegui soltar. Me lembrando dela na festa, do como foi breve nosso encontro, nos cumprimentamos e fiquei com a sensação de que ela sabia mais sobre mim. Do que o contrário. Ainda assim, senti uma estranha simpatia. O que claro não impedia de ficar incomodada.
- Porque foi embora mais cedo? – Ele também resolveu ser mais direto.
- Eu senti necessidade de voltar mais cedo para deitar no meu sofá e tomar uma taça de vinho.
- Queria me dar espaço? – Voltei a ficar incomodada, ele acabaria sendo cada vez mais direto e isso implicava em me colocar contra a parede. Troquei o celular de mão, e soltei um suspiro, voltando a acariciar Triana que já estava dormindo há algum tempo.
- Talvez sim.
- Eu te procurei lá dentro. – ele estava sério. – Quando soube que já tinha ido fiquei chateado porque de certa forma, por mais que não tivemos muito contato era confortante te encontrar nem que fosse por olhar enquanto eu conversava com outra pessoa.
Fechei os olhos me lembrando que fizemos muito isso, nos procurávamos com olhar e por mais corteses que tivessem sidos eram constantes. Talvez até demais!
- Eu não tinha percebido.
- O que?
- O quanto sentia sua falta! – disparei e depois tomei mais um pouco de vinho para me manter ocupada e fugir por pouco tempo do seu olhar. Como ele ficou esperando eu voltar a falar, continuei o meu impulso. – Eu poderia ter ido embora bem mais cedo, o tempo extra que fiquei lá foi por sua causa. Se precisava que eu falasse isso, estou dizendo agora, eu fiquei porque também era confortante olhar para o outro lado do salão e ver você conversando com alguém, ou tirando fotos. Porque mais além do tempo que não nos vemos, te ver novamente e tão satisfeito como hoje me fez sentir bem. Por estar de certa forma apoiando e sendo parte disso.
Ele assentiu no final entendendo não só o que eu dizia, como também eu me sentia.
- Só que chegou um momento que me senti incomodada porque eu não sabia lidar com a situação. – dei os ombros.
- Você diz a respeito...
- Você estava com sua namorada. – O interrompi. – Não sabia como agir. Não me lembro de passar por alguma situação como esta, e olha que já passamos por algumas situações bem estranhas.
- Entendi. Mas, ainda confesso que fiquei incomodado quando você foi embora. Quase com uma sensação de que você fugiu de mim. De tudo.
- Também foi isso. – Confessei.
- Porque?
- Você sabe bem do efeito que tem sobre mim. – disse sem reservas.
Ele ficou calado, pensando no que eu disse, porque estávamos tendo aquela conversa mesmo? Talvez eu não devesse ter atendido o celular, por mais saudade que eu tivesse de escutar sua voz, de ver ele, de ser próxima.
- Eu não queria que você tivesse ido embora, porque fiquei com uma sensação de que poderíamos ter aproveitado mais, conversado mais. Eu queria ter estado mais com você.
Não foi nenhuma cobrança da sua parte, ele estava chateado porque queria ter estado comigo. Aquela confirmação aqueceu meu coração.
- Quando dei entrevistas disse que estava contente por rever amigos, e você era a primeira que vinha em minha mente. – O que ele me disse só me fez pensar no quanto eu tinha ansiedade de ver ele novamente e como tinha sido nosso reencontro.
- O que quer que eu diga?
- Que sente minha falta. – ele respondeu como se estivéssemos numa partida de pingue-pongue.
- Mais além de falar, eu demonstrei bem o quanto sinto sua falta.
Agora foi a minha vez de deixar ele tão surpreso que ficou calado.
- Você nunca perde a capacidade de me surpreender. – ele concluiu olhando para o nada e pude admirar o seu rosto.
- E nem você de me questionar. – ele voltou a olhar seu celular esperando que eu me explicasse. Ainda que ele não tenha se justificado. — A verdade é que você não apenas me olha nos olhos, como também enxerga meu interior assim que independente do tempo, me sinto exposta completamente a você. Assim vulnerável e detesto me sentir assim sabendo do que temos hoje.
- E o que temos hoje?
- Distância.
- Infelizmente. – ele disse curto. E longe da grosseria, não sabia aonde que ele queria chegar, por mais sincero que ele venha sendo, o conheço o suficiente que ele esta contido e provavelmente tão cedo não vou ter dimensão de suas intenções ou mesmo sentimentos.
- Eu acho que é bom. – roubei sua atenção, mais uma vez. – Sabemos o que acontece conosco quando temos proximidade.
- Ainda assim eu queria ser mais próximo de você. – Ele encarou o celular com a certeza que me faria pensar. Hoje tivemos uma prova do que aconteceria se voltássemos a ser próximos.
- Acho que isso é o mais próximo de uma declaração que você vai fazer hoje. – Usei um tom brincalhão, por mais tensa que eu estivesse. O que surtiu efeito, já que ele sorriu fechado. Tive vontade de tocar a barba dele.
- Você está linda! – disse do nada ainda sorrindo, mas com um olhar diferente. Lembrei de quando ele me viu hoje pela primeira vez e veio me abraçar.
- Obrigada! – Agradeci sufocando algumas palavras a respeito de não me comparar com a mulher que ele viu no evento. Sabendo que ele estava sincero e ainda que aquela era a sua preferência, no passado ele sempre fez questão de afirmar isso.
- Esta arrependida?
- Não. – Disse firme depois de sua pergunta.
- Você a ama? – Perguntei depois de ele não ter tido filtro para sua curiosidade.
- Sim.
Não senti nenhum rastro de arrependimento em sua voz, nem no que sentia, nem no que tinha feito. Eu percebi isso no evento, ele apaixonado agia diferente por mais que estivesse no meio de uma multidão, ele sempre parecia ter olhos apenas para sua pessoa. Sempre admirei isso nele.
- Sobretudo sabe que te desejo muitas felicidades, não é?
- Estou certo que sim. Assim como é recíproco para você, talvez esse tenha sido um dos motivos para te ligar. Saber como esta se sentindo, tirar qualquer peso de você.
Então Poncho estava sendo o cara misterioso e eu a mulher curiosa, sendo que antes sempre estávamos nos lugares contrários. Desde que nos conhecemos ele sempre mostrou curiosidade sobre mim.
- Ainda que possa tenha sido uma má decisão, não me arrependo do que eu venha ter feito.
- Acho que você nunca vai mudar tua essência. Talvez eu sempre seja apaixonado por isso em você.
Ao contrário do que eu imaginava ele não estava contido, Poncho era de certa forma calculista esperava o momento certo, para falar o certo. Mesmo que isso me desmanchasse. E eu pensando que ele estava contido.
- Porque faz isso comigo?
- Só disse a verdade. – Não havia nenhum traço de arrependimento, me lembrei de um de nossos últimos encontros, que eu ainda namorava.
- Queria que minha imaginação fosse verdade.
- O que imaginou?
- Quando disse na ligação que queria me ver, pensei que você estivesse na minha porta. Queria que você tivesse vindo realmente. – Falei assim como ele sem filtros e sem-me importar o quanto minhas palavras o afetariam. Ele sabia o significado daquilo, como talvez tudo poderia ser diferente. Com mais tato.
- Eu pensei em ir até aí. – Depois de pensar no que dizer foi o máximo que saiu por enquanto, já que suas falas são imprevisíveis.
- Eu faria de novo. – Foi a minha resposta já que ele ficou me olhando, eu sentia que ele assim como eu queria mais do que estava acontecendo, e por isso estava cedendo algumas palavras. Vi em seus olhos de que ele sabia do que eu estava falando. – E talvez seja melhor desligamos, está cedo demais. – disse tentando imaginar a hora, e sabendo que essa era a barreira que eu estava colocando antes de começar a usar palavras especificas. Assim como ele que não veio até aqui.
- Vou continuar no seu traço? – Ele perguntou por mais que concordasse que a ligação tinha que acabar. – Nas suas composições? Ás vezes eu leio ou busco me encontrar no que você faz. Seja música ou poema. É prepotente da minha parte, mas não consigo evitar. – ele confessou e depois de passar a mão pelo rosto coçou a barba, tenho certeza que se estivesse ali com ele o tinha abraçado naquele instante.
- Vai ter que esperar para ver. – Sorri. E fui retribuída e isso me fez alongar o meu sorriso.
- Certo, me lembra de te mandar a foto que tiramos – pisquei confusa, me lembrando do momento que tinha até esquecido em meio a tudo o que aconteceu.
- Claro que sim. – ele se divertiu com a minha expressão.
- Bom, eu acordo cedo, ou seja, daqui a pouco e acho que não tenho mais pique para aguentar ser o companheiro de sua insônia mais. Então como também não quer mais me ver e escutar minha voz, devemos desligar essa ligação. – ele falava se ajeitando sem sua cama só então eu percebi que durante a chamada poucas vezes ele se mexeu, com a sua atenção voltava a mim.
- Tem razão. – ele voltou a sorrir e eu estava memorizando aquilo tudo. Aquela noite inteira.
- Assim como você também não me arrependo de nada desta noite, se tivesse a chance faria tudo igual ou talvez mais. – ele disse as palavras que eu imaginei que não diria. – Se cuida, eu vou sentir sua falta e tomara que os meus planos de te sequestrar para um café, deem certo algum dia. Te quero muito.
- Te quero. – Foi o que eu consegui dizer, mas ele não pareceu se importar com a economia de palavras. Acenou para mim. E depois que eu retribui ele desligou a chamada.
Fiquei ainda algum tempo com a mão apoiada segurando o celular, com a falsa sensação de que o que acabou de acontecer não foi real. Com a sensação de adrenalina e conforto. Com tudo o que ele fez.
A certeza que não conseguiria dormir veio como uma sentença e amanheceria o resto da madrugada pensando nele. Em nós dois. Em tudo o que aconteceu e em suas palavras. A nossa relação era algo que transcendia a tudo o que eu imaginava, por mais que machucasse às vezes me sentia aliviada, porque, sobretudo tinha certeza que não havia tomado uma má decisão sabendo que eu sempre seria apaixonada por ele.
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