Making Angels
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Bola pra frente, tão certo quanto a professora de Bioquímica um é uma grande FPDC , novas histórias surgirão. Afinal não é como se algumas cabeças pudessem ficar quietas muito tempo sem viajar na batatinha e começar a escrever.
“ Ela desceu as escadas pulando: um, dois, três, cinco, o corrimão e o chão. Na testa um largo lenço florido servia de passadeira e os longos cabelos castanhos encaracolados desciam perfeitos pelas costas miúdas de criança. Devia ter seus quatro ou cinco anos, leve, pálida, franzina, sem muitos indícios de uma menina viva e bonita em termos normais. No rosto, entretanto, se escondia qualquer resquício de mágica que lhe fazia encantadora, a face redonda , as largas covinhas que apareciam a qualquer mostra de sorriso , os dentes separados que tornavam qualquer fala de criança um principio de gargalhada e os absurdos olhos castanhos , raízes de qualquer coisa em seu ser , novos e mais vividos que olhos idosos , alegres e ainda assim agonizantes. Uma profundeza qualquer que não se admitia em crianças.
Ajeitou as roupas surradas e estreitou os olhos para os presentes na sala da casa , a sala ampla, com piso de madeira que vivia a gemer , um tapete largado onde repousavam empilhados os livros – estes dos mais diversos, e as bebidas que não deviam conviver com pessoas de sua idade. Mais a frente no centro ajeitado perto a tomada, sagrada televisão do pai e, perto da porta admirado piano da mãe. Todas aquelas pessoas , enfiadas no espaço onde apenas cabiam a garota e aqueles poucos habitantes de sua vida , não lhe agradavam. Nunca.
- Não vai dizer ‘bom dia’ para a família, menina? – o sujeito que a notara ali, grande, sem nada de excepcional. Seu pai. Não era ele a sempre notá-la quando não o queria?
- ‘Dia. – forçou um sorriso e buscou entre todos os convidados, aquelas pessoas estranhas que só via em enterros e festas, o traço familiar da mãe ou talvez do irmão. – E a mãe, pai, ‘tá onde?
O pai deu de ombros e voltou a atenção para os primos e irmãos, com um tom azedo.
- Anda tentando falar como gente, desde que começou a escola. – o tom cheio de desdém e um sorriso idiota para os parentes, que agora sorriam para a menina como se fosse qualquer coisa de incomum.
- É franzina ela, né? Devia levar pra passar uns tempos com a avó. Voltava nutrida, fora que lá tem sempre desses livros antigos. Cismada assim, aposto que já sabe ler. – um dos mais velhos comentou, sorrindo para o pai da menina.
O homem ponderou entre orgulho e ofensa. Era inteligente , como era , ela e também o irmão. Dariam muita coisa na vida. Mas era franzina, fraca, não por falta de comida. Era apenas ruim a criatura.
- Sabe ler sim, desde os três. Até anda tocando alguma coisa no piano da mãe, fingia que sabia ler partitura. Agora até que entende alguma coisa de claves, intervalos, tempo...É terrível no ritmo, mas ainda melhora. – comentou num tom misto, orgulho e indiferença pareciam a essência da pessoa. – O irmão é melhor, comprei para ele uma guitarra estes dias. Largou aquele Sax de lado e já toca mais ou menos. Ele sim vai para a casa da avó, precisa encorpar, é cheio dos livros mas nem aguenta pegar um balde. Esta daí não engorda de ruim, come feito o diabo.
Era mentira, a parte da comida, entre a nova paixão pela escola e a correria entre trabalho de pai e mãe, a garota mal tocava um prato descente. Descendo de cima à baixo com porcarias para embrulhar o estomago e recados. O irmão , seu ídolo particular , não era diferente. Conheciam os dois, tudo que se havia para saber sobre jogos, bebidas e cigarros. Macacos velhos, diriam os conhecidos.
A menina sentou no tapete e ficou quieta, não se arriscaria na varanda ou no imenso quintal beira mar sem a mãe ou o irmão, quem sabe até o pai por perto. Cismada. E acostumada as horas em silêncio.
- Hei, ‘tá dormindo? – o pai perguntou , uma nota de bom humor na voz.
- Hum hum.
- Hum hum? Hum hum é não ou sim? – de vez em quando até brincava com os filhos, ou iluminava o humor.
- É não. ‘Tou dormindo não, olha aqui! ‘Tou falando.
- Que beleza. – sorriu, boa parte do bom humor devido às visitas. – Então vai buscar uma cerveja para a gente.
A garota arqueou as sobrancelhas e encarou o pai.
- O bar é lá em cima, pai. Como eu trago sozinha?
- Dê um jeito, oras. Não é esperta? — estendeu a mão com o dinheiro e piscou. – Fica com o troco.
Pegou o dinheiro e rumou para a varanda, a mãe e o irmão envolvidos com outros familiares. Nem hesitou, parecia outra criança longe do pai e do mundo lotado da sala.
- Ô AIDEN! – o irmão virou para ela, devia ser entre seis e oito anos mais velho. Também era franzino, e compartilhava das mesmas feições da irmã, apenas menos redondas. – Me leva no bar!
O garoto estreitou os olhos para a figura.
- Vai fazer o que no bar, Sara?- perguntou, pausando nas mãos que amassavam o dinheiro sem modo.
- Comprar bebida. – Aiden franziu o rosto com a resposta, mas a garota apenas sacudiu a cabeça efusivamente. – Agente fica com o troco, ele deixou!
- E quer que eu vá por quê?
- É pra comprar bebida de gente grande, só que bebida graaaaaaaannnnndeeeee!- respondeu num tom óbvio.
- Quer dizer : muita bebida ?- Aiden consertou.
- Uhum...
- Ok. Vamos, então.
Mas apenas passados os portões da casa, a garota jogou-se sobre o irmão.
- ME CARREGA!- escalou as costas de Aiden e agarrou o pescoço quase estrangulando o pré-adolescente.
- Sar, se eu te carregar. Não consigo trazer as bebidas.
- Agente pede pro tio do bar o carrinho emprestado e devolve de tarde. Duh.
- E se podia fazer isso, me chamou pra quê?
- Pra me carregar, a ladeira é ENORME!
- E você sobe sozinha sempre, nem dá pra ver. Agente pensa: cadê a Sara e VAPT , ela descendo a ladeira, VUPT ,ela já lá em cima da ladeira...
- Aideeeeennnnn. – choramingou.
- Saaaraaaaaa.- o garoto respondeu de bom humor.
Mas apenas se resignou a carregar a irmã, pedaço de gente cismado e teimoso, ladeira acima. Conversando os dois sobre qualquer coisa que realmente não era importante, ou que pudesse ser lembrada claramente depois. “
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A morena bateu os olhos na papelada e puxou o celular para si mesma , se perguntando que tipo de brincadeira doentia era aquela. A vontade de gritar rasgando a garganta, não era uma boa piada. E uma verdade pior ainda.
- Filho da mãe. – mordeu os lábios.
- Algum problema, Sara? – Nick entrou na sala, indo direto para o pote de café no pequeno balcão.
Ela riu num tom amargo. E espalhou a papelada pelo centro de vidro, jogando sem sutilezas o corpo do sofá para o chão.
- Ah, imagina. – a voz carregada de sarcasmo. – Você sabe, apenas a implicação habitual do Ecklie comigo.
Nick riu entre dentes e sentou no sofá, empurrando Sara com os pés e estendendo-lhe uma xícara de café. A morena encostou a xícara ao peito e suspirou.
- Ohhh céus! AH! Como eu sofro! – declarou, forçando um tom inabitual de drama na voz.
- Vai abrir o jogo, você sabe, algum dia? – Nick indagou tomando um gole de café. – Ou vai jogar tudo pro alto e virar atriz de novela mexicana?
Sara forçou uma risada e encarou os papéis novamente.
- Nicolete, provavelmente os dois. – e estendeu um dos papéis para Nick, agora um tanto vermelho pela piadinha. – Ecklie me deixou no julgamento do caso dos Rothers. William Jacobs é o defensor , não vou com a cara dele. Ele então, me rende adoração eterna.
Nick deu um tapa consolador nas costas da colega.
- É um caso importante. Um advogado do diabo. Típica paixão entre você e o Conrad. – forçou uma risada sarcástica e mudou de lugar, para poder encarar a colega de frente. – Algum plano de jogo?
Sara o encarou, erguendo as sobrancelhas.
- Além de chutar a bunda de todo mundo no tribunal ?- falou fingindo-se indiferente. – Estive pensando seriamente em trazer minha capa, minha lança , arranjar um elmo e entrar gritando “THIS IS SPARTAAAAAA” no tribunal. Com alguma esperança uma confusão se arranjaria e a cabeça do defensor seria decapitada sem culpados possíveis.
Nick gargalhou.
- Espero que este não seja seu único plano.
- Iniciar o apocalipse zumbi também me passou pela cabeça, mas ainda não estoquei armas o suficiente para isso em casa.
- E o que mais? Algo que não envolva matar a humanidade inteira.
- Homicídio justificável? – Sara o encarou séria.
- Dr. Jacobs? – Nick perguntou, igualmente sério.
- Ecklie.
- Queimado ou envenenado?
- Estava pensando em afogado com gelo... mas, incendiar também deve servir.
- Ótimo, não preciso me preocupar com você arranjando arsênico então.- Nick concluiu, ao que a morena o olhou ofendida.
- Arsênico, Nick? – inquiriu. – Que fora de moda. Se for apelar pra química barata, eu apenas deixo um pouco de ácido sulfúrico no ar condicionado do carro.
- Andou planejando isso, foi?
- Você nem faz ideia... – e esticou a mão para a Nick. – Me levanta.
- E a incrivelmente autossuficiente Sara Sidle não pode levantar sozinha? – Nick questionou franzindo o cenho.
- Poder ela pode , mas não vai. – Sara retrucou obviamente.
- E qual a razão de algo tão atípico?
- Estou te fazendo um favor, Nick. – respondeu inocentemente, fazendo o colega arquear as sobrancelhas em dúvida. – Você está gordo, se me levantar umas oitocentas vezes, talvez até perca as pelancas no braço...
- Vá cuidar do seu júri, vai. – Nick puxou a colega e revirou os olhos. – Alguns de nós trabalham, Sidle.
Sara fingiu resmungar contrariada e deixou a sala de descanso segurando os papéis, basicamente ao mesmo tempo em que Greg chegava. Meio azulado.
- E aí, eu ouvi você sugerindo que Sara Sidle não trabalha? – perguntou, um lapso de azedo na voz.
- Ah, é. Ecklie, colocou ela para o julgamento do caso Rothers, e o advogado de defesa adooooraaa ela.- Nick respondeu, bem humorado.
Greg suspirou algo parecido com uma risada.
- Quer dizer que ela já teve um ‘pega-pra-capar’ hoje com o big boss?
- Exatamente o que eu disse, Gregitcho. – Nick riu debochado.
- Uou, bom humor pós-Ecklie... E gasto com você! – Greg lamentou. – Justo quando EU precisava pegar a receita do banho maravilha.
Nick fungou um pouco.
- É cara, ‘cê está fedendo. – e riu. – Vai lá cutucar a fera, se ela ainda não tiver começado a rever os arquivos, talvez você até fique livre dos olhares mortais.
- É, se a Sara não tiver começado a trabalhar ainda... Cara, ferrou.
- É, ferrou. – Nick concordou.
Um pouco mais distante dali, no lab Sara encarava o celular. Os documentos meio largados no balcão, a testa vincada em desconfiança.
No visor do celular um nome há muito tempo não visto: Aiden.
Sara suspirou, tensa.
Notas finais
... Mas e aí gente, esquecendo a história, que tal a capa? o0o Faziam séculos que não mexia no Photoshop, baixei no pc novo ( eu devia estar estudando as reações químicas numa mitocôndria, mas que se importa com isso,certo?) e tive de fazer uma capa? 'Tá biita?
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