Notas iniciais
Eu SEI que foram bem uns quatro cinco anos sem postar, mas é que meu pc deu uma daquelas macumbas angolanas brabas e eu achei que a melhor saída era cometer eutanásia... Um minuto de silêncio aquela brava máquina que deu suas peças para que eu pudesse construir um pc melhor e jogar the sims3 ao invés de cumprir com as minhas responsabilidades. Ó GLORIOSA NOVA MÁQUINA QUE QUASE ME FERROU EM BIOFÍSICA, BIOQUÍMICA E MICROBIOLOGIA... Tirei seu antivírus para ver quem mais se ferraria... Respeite sua ancestral e evite a baixaria, faça-me um favor e funcione todo dia.

“A garota esticou as pernas franzinas, deita

da na praia, parte do cabelo enterrado na areia. Deixou o gosto metálico encher os sentidos, amargo, frio, estranhamente conhecido. Sangue já havia sido provado vezes o suficiente para ser reconhecido de longe.

- And I feel like I'm some kind of Frankenstein
Waiting for a shock to bring me back to life…

Ela sabia o quão ridículo era, deitar na praia, engolindo um misto de lágrimas e sangue, cantando uma música qualquer e esperando o tempo passar. Ela nem mesmo podia cantar, mesmo que tivesse boa voz, a parte roxa no rosto e o sangue que ainda brotava do nariz se mesclando com a trilha de lágrimas lhe roubavam qualquer ar. Afogando na própria miséria e incapaz de respirar, apenas o tempo era amigo.

- She says "Life's a game we're meant to lose.
But stick by me and I will stick by You.

Laura Sidle não sabia exatamente quantas vezes aquilo já havia acontecido, depois de um tempo era inútil contar, o cheiro de álcool ainda impregnava as roupas e boa parte do corpo doía. Ao menos a mulher sabia como esconder as marcas, ao contrário da garota.

Era sempre assim, aquilo acontecia e a filha se escondia as plenas vistas, sempre no mesmo lugar enterrada na areia, ainda machucada, sempre cantando alguma coisa para si mesma. E mesmo que as lágrimas estivessem secas e o choro acabado, toda vez que cantava Laura ainda podia ouvir os soluços.

- Cause I'm like a princess in a castle high
Waiting for a kiss to bring me back to life.

A mulher deitou ao lado da garota, passando cuidadosamente um algodão no nariz da garota, a mesma se encolheu com o toque e grunhiu, sentou-se levando consigo uma quantidade absurda de areia. Laura não se deu o trabalho de acompanhar, apenas passando a maleta de primeiros socorros para a garota.

Um dia qualquer.”

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Wade havia caído em uma rotina fácil com a tia, no mês de convivência regras simples haviam sido impostas, e seguidas. Sara acordava cedo, ele adquirira o hábito, ela o deixava na escola às sete e trinta da manhã e o buscava as duas da tarde, as duas e meia a senhora Cortez chegava e Sara saía. Ele nunca a via chegar. Mas ela sempre estava lá na manhã seguinte quando a senhora Cortez voltava para casa.

O pouco tempo passado com a tia era regrado, ela olhava os deveres, corrigia e o deixava fazer o que quisesse. Desde que o limite da estante fosse respeitado e as paredes nunca estivessem riscadas. O trabalho nunca devia ser mencionado.

- Wade, quer pão ou mingau? – Sara perguntou encarando o sobrinho, este já fardado e com a mochila em mãos.

- Pão. – ele respondeu ligeiramente, sentando no lugar que já havia sido declarado dele no balcão da cozinha.

Sara levou alguns minutos para colocar no balcão o prato com dois pães para o sobrinho, o mesmo para ela, um pote de geleia e duas canecas exageradas de café.

Wade também havia aprendido na curta estadia com a tia que nenhum Sidle era capaz de funcionar corretamente sem café, o garoto aderiu à tradição com mais facilidade que Sara havia esperado – considerando que apenas a ideia de outra bebida entrando em sua rotina matinal lhe dava calafrios, o garoto no auge de seus três ou quatro anos também havia declarado o meio de consumo de café da tia como inalação. Aquela já devia ser a quarta caneca da morena, e ele ainda nem tivera tempo de piscar. Quem dirá beber o próprio café.

- Não vai beber? – Sara inquiriu, olhando avidamente a caneca do sobrinho após constatar que o resto havia acabado. Wade agarrou a caneca como se o próprio bicho-papão quisesse devorá-la e acenou em pânico.

Aquela não seria a primeira vez que café seria disputado a gritos e olhares assassinos naquele apartamento, ou apertamento como Sara passara a chamar.

- Eu vou. – esganiçou.

- Ok. – Sara suspirou com inveja, onde afinal de contas tinha ido parar o resto do café feito naquela manhã?

Wade não ofereceu nenhum gole para a tia, aquilo era o equivalente a suicídio. Ou caficídio. Não qualquer coisa que o garoto estava disposto a tentar.

Em meia hora os dois já estavam no carro, a boa e velha SUV, Wade agora sabia o que era uma SUV. Não que fosse de importância.

- Posso ligar a música?- o garoto enfiou a cabeça entre os bancos da frente e encarou a tia.

- O rádio? – Sara ergueu as sobrancelhas.

- ‘Ssa ê. — riu.

- Vai, liga.

A próxima meia hora de trânsito foi regada ao som de música country matinal, para o desespero de Sara. No dia seguinte a mulher providenciou um cd com cem músicas ‘dignas’ gravadas para viagens. Hoje no entanto, ela havia passado o tempo atrás do volante amaldiçoando a mãe de todos os banjos e ouvindo Wade rir até perder o fôlego.

Um dia normal.

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Entre o laboratório, as cenas de crime e um sobrinho para criar, Sara havia criado uma súbita admiração por Catherine Willows. O que infelizmente não passara despercebido para ninguém, já que subitamente a pessoa mais teimosa a cruzar as portas do laboratório havia deixado de lado qualquer objeção desnecessária a Catherine e já não saía pela outra porta toda vez que a filha da loira visitava o departamento.

Um dos costumes de Sara era evitar crianças – incluindo Lindsay – de todo modo possível, Warrick já vira a morena dar a volta no quarteirão de uma cena de crime para não passar por um grupo de escoteiras de seis ou oito anos. E tudo na morena dizia que o quilometro a mais valera o esforço e a perda de tempo.

E de alguma forma, que Greg havia carinhosamente deduzido como macumba, Sara também não parecia tão obviamente de quatro pelo supervisor. Não haviam mais horas extras ou abandono de folgas para atender casos de última hora.

- Filho da mãe. – Sara praticamente explodiu pela porta da sala de descanso.

Claro, que algumas coisas jamais mudariam.

- Ecklie? – Nick perguntou num tom usual.

- Não, Papai Noel.- pareceu pensativa por alguns segundos. – Se bem que nós sabemos que não é exatamente um saco de brinquedos que Ecklie anda puxando.

Nick e Warrick, os únicos presentes no momentos, engasgaram no café, ficando de um tom roxo esverdeado antes de conseguir engolir o liquido e respirar corretamente, para só então encarar Sara.

- Ok, ok,ok. – Nick se acalmou, ainda enxugando algumas lágrimas. – O que foi agora?

- Ecklie tomou o meu caso! – ela se jogou no sofá. – E me designou uma merda de incêndio de carro na square. Eu juro por Deus que qualquer dia desses eu VOU vazar monóxido de carbono no ar condicionado do carro dele e deixar a merda toda queimar.

Warrick franziu o cenho.

- Essa foi planejada ou só um péssimo timing mesmo? – questionou. Sara encarou o morena curiosamente.

- Ah, claro... incêndio...queimar. Não, essa foi mal tempo.

- Ok, pra quem ele deu seu caso? – Nick perguntou, olhando por cima de uma revisa forense.

Não era preciso pergunta, só pelo olhar assassino, o evidente mau humor e as profanidades escritas na testa da morena ele poderia deduzir.

- Sofia...

O escárnio na voz da colega no entanto, sempre surpreendia o texano. Qualquer que fosse o motivo, era óbvio que Sara sentia total e completo desprezo pela recém-chegada. Mas se os embates da morena fossem tomados como qualquer prova, a mulher provavelmente odiava toda a raça humana.

Não que a raça humana não fosse detestável, é claro.

Duas horas e um incêndio resolvido depois, Sara encerrou o dia e dirigiu para o apartamento. Chegando às três e tantas da manhã para um merecido cochilo. Desviando do colchão colocado na sala, onde a senhora Cortez dormia o mais confortavelmente possível, e rumando para o quarto onde Wade tomava mais de dois terços na cama, a morena ponderou como uma coisa tão pequena podia tomar tanto espaço e se jogou no canto que restava. Focada na necessidade de comprar uma casa maior, com lugar para no mínimo três camas, pobre senhora Cortez no colchão no chão, e pobre de si mesma a mercê dos chutes do demônio da tasmânia com quem dividia a cama.

Um dia normal.

Notas finais
Agora me deixe te contar sobre como as carcaças do velho pc lutaram e lutaram para se manter vivas... Elas até apelaram para forças do mal, que puxaram com energias negativas meu glorioso pé para a antiga tampa da cpu (aquela parada de metal cheia de parafusous) e rasgaram o meu pé, que apelanado para as boas forças universais retirou-se do chão e flutuou por gloriosos momentos...até ser seguido pelo é esquerdo e eu me arrebentar no chão, ter de ir pro hospital, levar ponto no pé e ficar em observação por três horas para checar se tinha alguma concussão. As pessoas não entendem que eu sou habilidosa e caí de costa e cabeça no chão puramente por capacidade e incrivilidade e lendariamente porque eu sou maravilhosa e essas merdas...
Sério, doeu para caramba aquela merda. Ao menos pude usar meu pé e meus curativos como material de estudo na placa de petri. Disse que eu sou habilidosa o0o Engole essa força maligna compactuada com o antigo pc...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.