Notas iniciais
Primeiro, aqueles corajosos que leram isso e se dispõem a ler mais: desculpas pela demora.
Eu daria mil explicações e tudo mais , até apelaria para bloqueio mental, mas seria uma mentira: ante-ontem entrou um caco de vidro no meu pé e eu literalmente escrevi um conto ficcional com presas de cobras mágicas em homenagem aquele nobre vidro assassino. Eu quase o coloquei em um vidro e guardei de lembrança...mas aí ele entrou na minha mão e foi uma merda só...te contar...depois de enfiar um alicate na minha mão eu joguei fora, aquilo estava querendo me matar.
Então a demora foi falta de vergonha na cara mesmo...isso e tempo. Falta de tempo.

Nunca abra a porta.

Pelos céus e infernos, sempre deixe a porta fechada. Nada bom nunca vem pela porta. Jamais.

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“ – Sara Sidle? – ela parou, congelada frente a mulher no corredor. Assentiu com a cabeça, a senhora se mexeu de modo desconfortável e puxou uma pasta.- Eu sou Ana Williams, assistente social, estado da Califórnia.

Sara arqueou as sobrancelhas e a mulher abriu a pasta desajeitadamente.

– É do nosso entender que você é irmã de Aiden Lucas Sidle? – Sara deu dois passos para trás, subitamente séria, assentiu. – Bom... E tia de Wade Abraham Sidle?

Estreitou os olhos. Nunca ouvira falar de qualquer Wade na vida.

– Talvez.- meneou a cabeça, o quanto sabia da vida do irmão para poder negar aquilo?

Ana apenas acenou levemente com a cabeça. Estendeu um dos papéis escolhidos dentro da pasta.

– Senhorita Sidle. Esta é a sua assinatura?- Sara correu os olhos pelo nome feito com capricho, quase perfeito. Não era sua, mas estava quase lá.

– É, é sim.- mentiu.

Ana sorriu um tanto satisfeita.

– Então afirma ter assumido a guarda e tutela do menor Wade A. Sidle, na incapacidade dos pais?- Ana esticou o documento para Sara e deixou que ela corresse os olhos chocados pelas dúzias de papéis.

“Não.” Sua mente gritava. Não, nunca havia assumido responsabilidade por criança nenhuma. Não, não conhecia nenhum sobrinho. E não, certamente não estava interessada em situação nenhuma que envolvesse o irmão.

Mas apenas forçou-se a engolir aquilo e encarar a mulher pondo sua melhor máscara.

– Sim. – confirmou.- Pode me dizer qual seria a incapacidade de Aiden?

Ana assumiu um tom fúnebre, algo entre chocado e pesaroso. Sara não soube afirmar o que era de fato e apenas deixou passar.

– Ah, sinto informar que o senhor Aiden Lucas Sidle faleceu devido a uma parada Cardiorrespiratória durante a quimioterapia.

– Quimioterapia? – Sara inquiriu.

– Ah sim, câncer pulmonar. Foram certamente uns meses bastante difíceis para todos.

Sara relanceou os papeis em sua mão. “Bastante difíceis”. Sim, sim. Para todos.

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A segunda vez que abrira a porta dois dias depois, a assistente social – não lembrava de seu nome- vinha com um sorriso simpático, falando em tom baixo sobre um documento ou outro. E segurando pela mão um garoto de três ou quatro anos.

Sara não se deu ao trabalho de o encarar enquanto a mulher estava presente.

Tão pouco de encarar a mulher, e berrar aos quatro ventos que jamais havia assinado aqueles documentos e que em todo o mundo era, provavelmente, a pior pessoa que uma criança poderia ter como mãe, ou tia.

Apenas forçou um sorriso ridículo, encenou sua melhor peça de pessoa sã. Amaldiçoou o mundo mentalmente e respirou aliviada quando a mulher se foi, beijando as bochechas do garoto e deixando-o ali.

Pobre garoto. Pobre mulher.

E depois disso, as coisas pareceram passar em um borrão pelo restante do dia. Ela sentara em um canto da sala, folheando todos os papeis recebidos, deixara a televisão ligada e o garoto de frente para ela. Acenara a cabeça a cada três palavras do menino. E pela primeira vez em muito tempo, se sentira desconfortável para ir ao banheiro em sua própria casa. Wade parecia compartilhar da segunda preocupação.

Sentado ali, sacudindo a cabeça estranhamente, cruzando e descruzando as pernas em aflição. Mordendo os lábios.

– Ahnn...- começou desconfortável, pondo seus melhores esforços para falar corretamente.- Tia Sara. A seinora pode me di’xer onde fica o bainero?

Sara quase achou graça. O garoto mal mal sabia falar.

– Senhora. Dizer. Banheiro. – corrigiu quase automaticamente.

Wade congelou, tinha dito tudo errado. Ficou vermelho, até as orelhas. Sara sorriu.

– Saindo da sala.- apontou para a saída do outro lado da sala/balcão/cozinha.- tem um corredor e duas portas. A da esquerda é o quarto, a direita é o banheiro. Pode ir.

Wade saiu, quase aos pulos e rumou em direção ao banheiro.

Sara olhou o relógio, 21:00. Rumou em direção ao protótipo de cozinha, separado da sala apenas pelo balcão. Quantas vezes tinha dito que aquele apartamento era provisório? Já havia perdido a conta.

Abriu a geladeira, uma jarra de suco, meia dúzia de ovos provavelmente já podres. Um belo caminho para ir, certamente.

Puxou o celular do bolso, todos os números de entrega que conhecia. Refeição era aquilo. Desde que podia lembrar.

– Alô...Pizzaria?... Para entrega, metade vegetariana metade calabresa. Sim, refrigerante...Coca-Cola...No 205 E, Avenida Harmon 114.



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Divisão dos cômodos do apartamento...não falem nada. Só não falem nada.

Notas finais
Sim, eu dei uma de Agatha Christie e fiz um mapa no apertamento imaginário da Sara, porque segundo meus caros leitores(aka: minha mãe...sério, mãe.Sério?) só pra vocês terem uma ideia de como rola a merda toda na minha cabeça.
Sim, sim. Eu não modelei um apartamento do autocad pra vocês, só fiz uma merreca dessas pra vocês verem como é dividido e imaginarem direito.
Valeu pelas reviews. Continuem mandando ou eu estabeleço um minimo e paro de postar até receber o que eu quero.
Beijos, tchau.