Making Angels
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Eu daria mil explicações e tudo mais , até apelaria para bloqueio mental, mas seria uma mentira: ante-ontem entrou um caco de vidro no meu pé e eu literalmente escrevi um conto ficcional com presas de cobras mágicas em homenagem aquele nobre vidro assassino. Eu quase o coloquei em um vidro e guardei de lembrança...mas aí ele entrou na minha mão e foi uma merda só...te contar...depois de enfiar um alicate na minha mão eu joguei fora, aquilo estava querendo me matar.
Então a demora foi falta de vergonha na cara mesmo...isso e tempo. Falta de tempo.
Nunca abra a porta.
Pelos céus e infernos, sempre deixe a porta fechada. Nada bom nunca vem pela porta. Jamais.
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“ – Sara Sidle? – ela parou, congelada frente a mulher no corredor. Assentiu com a cabeça, a senhora se mexeu de modo desconfortável e puxou uma pasta.- Eu sou Ana Williams, assistente social, estado da Califórnia.
Sara arqueou as sobrancelhas e a mulher abriu a pasta desajeitadamente.
– É do nosso entender que você é irmã de Aiden Lucas Sidle? – Sara deu dois passos para trás, subitamente séria, assentiu. – Bom... E tia de Wade Abraham Sidle?
Estreitou os olhos. Nunca ouvira falar de qualquer Wade na vida.
– Talvez.- meneou a cabeça, o quanto sabia da vida do irmão para poder negar aquilo?
Ana apenas acenou levemente com a cabeça. Estendeu um dos papéis escolhidos dentro da pasta.
– Senhorita Sidle. Esta é a sua assinatura?- Sara correu os olhos pelo nome feito com capricho, quase perfeito. Não era sua, mas estava quase lá.
– É, é sim.- mentiu.
Ana sorriu um tanto satisfeita.
– Então afirma ter assumido a guarda e tutela do menor Wade A. Sidle, na incapacidade dos pais?- Ana esticou o documento para Sara e deixou que ela corresse os olhos chocados pelas dúzias de papéis.
“Não.” Sua mente gritava. Não, nunca havia assumido responsabilidade por criança nenhuma. Não, não conhecia nenhum sobrinho. E não, certamente não estava interessada em situação nenhuma que envolvesse o irmão.
Mas apenas forçou-se a engolir aquilo e encarar a mulher pondo sua melhor máscara.
– Sim. – confirmou.- Pode me dizer qual seria a incapacidade de Aiden?
Ana assumiu um tom fúnebre, algo entre chocado e pesaroso. Sara não soube afirmar o que era de fato e apenas deixou passar.
– Ah, sinto informar que o senhor Aiden Lucas Sidle faleceu devido a uma parada Cardiorrespiratória durante a quimioterapia.
– Quimioterapia? – Sara inquiriu.
– Ah sim, câncer pulmonar. Foram certamente uns meses bastante difíceis para todos.
Sara relanceou os papeis em sua mão. “Bastante difíceis”. Sim, sim. Para todos.
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A segunda vez que abrira a porta dois dias depois, a assistente social – não lembrava de seu nome- vinha com um sorriso simpático, falando em tom baixo sobre um documento ou outro. E segurando pela mão um garoto de três ou quatro anos.
Sara não se deu ao trabalho de o encarar enquanto a mulher estava presente.
Tão pouco de encarar a mulher, e berrar aos quatro ventos que jamais havia assinado aqueles documentos e que em todo o mundo era, provavelmente, a pior pessoa que uma criança poderia ter como mãe, ou tia.
Apenas forçou um sorriso ridículo, encenou sua melhor peça de pessoa sã. Amaldiçoou o mundo mentalmente e respirou aliviada quando a mulher se foi, beijando as bochechas do garoto e deixando-o ali.
Pobre garoto. Pobre mulher.
E depois disso, as coisas pareceram passar em um borrão pelo restante do dia. Ela sentara em um canto da sala, folheando todos os papeis recebidos, deixara a televisão ligada e o garoto de frente para ela. Acenara a cabeça a cada três palavras do menino. E pela primeira vez em muito tempo, se sentira desconfortável para ir ao banheiro em sua própria casa. Wade parecia compartilhar da segunda preocupação.
Sentado ali, sacudindo a cabeça estranhamente, cruzando e descruzando as pernas em aflição. Mordendo os lábios.
– Ahnn...- começou desconfortável, pondo seus melhores esforços para falar corretamente.- Tia Sara. A seinora pode me di’xer onde fica o bainero?
Sara quase achou graça. O garoto mal mal sabia falar.
– Senhora. Dizer. Banheiro. – corrigiu quase automaticamente.
Wade congelou, tinha dito tudo errado. Ficou vermelho, até as orelhas. Sara sorriu.
– Saindo da sala.- apontou para a saída do outro lado da sala/balcão/cozinha.- tem um corredor e duas portas. A da esquerda é o quarto, a direita é o banheiro. Pode ir.
Wade saiu, quase aos pulos e rumou em direção ao banheiro.
Sara olhou o relógio, 21:00. Rumou em direção ao protótipo de cozinha, separado da sala apenas pelo balcão. Quantas vezes tinha dito que aquele apartamento era provisório? Já havia perdido a conta.
Abriu a geladeira, uma jarra de suco, meia dúzia de ovos provavelmente já podres. Um belo caminho para ir, certamente.
Puxou o celular do bolso, todos os números de entrega que conhecia. Refeição era aquilo. Desde que podia lembrar.
– Alô...Pizzaria?... Para entrega, metade vegetariana metade calabresa. Sim, refrigerante...Coca-Cola...No 205 E, Avenida Harmon 114.
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Divisão dos cômodos do apartamento...não falem nada. Só não falem nada.
Notas finais
Sim, sim. Eu não modelei um apartamento do autocad pra vocês, só fiz uma merreca dessas pra vocês verem como é dividido e imaginarem direito.
Valeu pelas reviews. Continuem mandando ou eu estabeleço um minimo e paro de postar até receber o que eu quero.
Beijos, tchau.
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