Make it to me

7 Tempestade emocional


Notas iniciais
Este capítulo não vai ser fácil para Jane, mas eu quero mostrar muito em breve ela se recuperando disso tudo com muita força. Eu adoro explorar o lado sensível dela, então espero que gostem e comentem

Já se fazia alguns minutos desde que Kurt havia entrado na sala para ver como Allie estava. Eu estava na sala de espera, não quis ser inconveniente para ficar no meio disso tudo, mesmo que Allie tenha sido clara e honesta comigo na manhã de hoje. Eu já estava calma graças a Kurt, ele sabia lidar com perdas muito melhor do que eu, mas algumas lágrimas brotaram do canto do meu olho em alguns momentos.

Não demorou até meu celular tocar, era Patterson.

— Hey Jane, você ta bem? — Ela disse suspirando e logo depois continuando. — Não vimos você hoje e o Weller saiu daqui rápido...

Limpei algumas lágrimas que estavam em meu rosto.

— Eu… estou… — Eu disse me segurando para não chorar. — Não fui eu, foi Allie. — Concluí.

Ficamos em silêncio por um tempo.

— Tudo vai ficar bem, ok? — Ela disse quebrando o silêncio. — Vocês vão passar por isso, juntos.

— Obrigada, Patt. — Disse depois de um tempo e desligamos.

Um enfermeiro se aproximou de mim.

— Jane Doe? — Ele disse apontando para mim.

— Allison Knight está aguardando você. Me acompanhe, por favor. — Ele disse me guiando até um outro andar.

Ao chegar perto do quarto, vi que Allie já estava a sós. Onde estava Kurt? Antes de me preocupar com ele, entrei no quarto e ela estava deitada, mas acordada e olhando para mim. Eu ainda estava com lágrimas em meu olhar.

— Hey, você está bem? — Ela disse enquanto eu me aproximava dela. Eu dei um meio sorriso.

— Parece que era eu quem devia fazer essa pergunta a você, não? — Eu disse enquanto me aproximava dela e ela pegou em minha mão.

— Eu vou ficar bem, Jane, graças a você.

Eu dei um meio sorriso.

— Eu queria poder ter feito mais por vocês — Disse em um tom mais baixo e ela deu um meio sorriso para mim.

— Eu vou ficar bem. Obrigada por ter ficado por mim, Jane.

Ficamos em silêncio por um tempo e eu estava perdida em meus pensamentos com Kurt, pensando em como ele ia passar por isso após perder Mayfair, seu pai, saber que sempre tinha perdido Taylor e agora seu filho. Comecei a suar frio com a ideia de vê-lo sofrer mais, até que Allie apertou minha mão, me levando de volta a órbita.

— Kurt também precisa de você. Depois de tudo isso mais do que tudo. — Ela disse.

— Eu sei. — Disse acenando com a cabeça.

— Mas ele vai ficar bem. — Ela disse olhando nos meus olhos. — Com você eu não tenho dúvidas.

Eu sorri pela primeira vez de maneira honesta pra ela.

— Obrigada por ainda confiar em mim pra isso. — Respondi.

Ela continuou me olhando.

— Não vai demorar muito tempo até que todos percebam que tem motivos para saber que você o faz bem. É a verdade.

Eu estava para sorrir novamente para ela quando Kurt apareceu com uma mulher mais velha do outro lado da porta.

— É minha tia. Eu estou me recuperando então vocês podem ficar tranquilos. Leve Kurt pra casa, e cuidem um do outro, por favor.

Eu ri um pouco logo que eles entraram.

— Nós é quem devíamos estar preocupados com você, e não o contrário. Vamos ficar bem. Eu prometo.

Ela sorriu para mim.

— Todos nós vamos ficar.

Todos nos cumprimentamos e eu e Kurt deixamos Allie com sua tia. Ao sair da sala, eu segurei sua mão e ele me olhou, depositando um beijo em meu rosto. Estávamos em uma pracinha no fundo do hospital. Apenas duas crianças estavam presentes, acompanhadas de enfermeiras. Apesar de já ser de tarde, o lugar estava tranquilo. Kurt sentou em um banco e eu sentei ao seu lado, repousando minha mão sob seu ombro e minha cabeça sob o outro lado do ombro. Ficamos apenas em silêncio. Eu apenas queria dizer para ele que estava ali, sempre, com ele, mas eu sabia que ele já sabia disso. Eu sempre estive com ele, mesmo quando ele não queria.

Estava feliz que Allie estava bem, mas eu ainda estava desconfortável com toda a situação. Pensar em perder algo nunca foi bom para mim, principalmente quando se tratava de vida. Eu não tinha qualquer lembrança de ter perdido alguém que realmente me doeu, mas era uma vida. Era alguém que estaria em minha vida, na vida de Kurt. Alguém com quem mesmo que involuntariamente eu já havia contado em sua vida desde a noite anterior.

Uma criança que teria muito amor, proteção, que teria incansáveis tardes de picnics no Central Park, que iria ao parque e brincaria com Sawyer. Iria. Uma nova lágrima desceu em meu rosto quando pensei em tudo isso como um projeto perdido e não mais como um ideal para o futuro. Kurt se moveu e colocou a mão em meu rosto, mas ainda sem fazer contato visual. Eu o olhei e ele estava chorando silenciosamente. Depositei um beijo em sua bochecha após limpar suas lágrimas.

— Eu não sei o que seria de mim sem você. — Ele disse tocando em minha mão que não estava em seu ombro.

— Posso dizer o mesmo. — Eu disse olhando nos olhos dele.

— Obrigado por tudo, Jane. — Ele respondeu. — Por estar comigo.

Ficamos ainda um pouco em companhia do outro, apreciando as crianças e nosso próprio silêncio enquanto nos acalmávamos até que o celular tocou. Ele se levantou para atender mais distante e eu continuei observando as crianças. Como eu queria ter mais lembranças da minha infância. Saber se antes de ter sido levada se eu fui feliz, se eu brinquei. A risada daquelas crianças estavam me acalmando um pouco. Weller voltou ao meu lado, mas permaneceu de pé.

— Você quer ir almoçar?

— Parece conveniente. — Eu respondi.

Caminhamos até a sala de Allie, mas ela estava dormindo e devia ser liberada em breve. Cumprimentamos sua tia então fomos ao carro do Kurt.

— Sarah está em casa. — Ele disse quebrando o silêncio. — Ela veio a cidade resolver algumas coisas. Devemos almoçar com ela.

— Você… — Eu comecei a falar quando ele me interrompeu.

— Eu contei a ela… sobre nós. Não se preocupe.

Eu dei um meio sorriso.

— Ok. — Respondi depois de um tempo.

Eu sabia que Sarah não havia ficado feliz comigo no final de tudo, principalmente depois de saber das ameaças com Reade que acabaram separando os dois. Eu nunca ia me perdoar por saber que eu fui a causa disso, e eu nunca havia tido a oportunidade de pedir desculpas a ela sobre isso, mas esse não seria o melhor momento. Chegamos na casa de Kurt e logo estávamos em sua porta. Ele fez questão de segurar minha mão. Logo Sarah abriu.

— Oi vocês dois.— Ela disse enquanto entrávamos. Eu a cumprimentei.

— Quanto tempo. — Eu disse. Ela apenas acenou com a cabeça.

Kurt se virou para mim.

— Você pode ir tomar banho, ok? Vou terminar de preparar a comida. — Ele disse e eu acenei com a cabeça, então ele me deu um breve beijo na boca e Sarah ficou olhando para nós dois.

Fui ao banheiro e tentei relaxar e não pensar em qualquer coisa ruim, embora o dia tivesse carregado. Demorei mais que o normal e logo que saí Kurt entrou no banheiro. Fui em seu quarto trocar de roupas e colocar uma roupa mais confortável. Ao sair, apenas Sarah estava na cozinha. Uma dor de cabeça imensa estava martelando minha cabeça então fui em direção ao armário procurar por qualquer remédio.

— Tem remédio na gaveta debaixo. — Sarah disse enquanto me observava da mesa.

Eu me virei lentamente para ela enquanto pegava o remédio.

— Obrigada. — Eu disse olhando-a.

Me servi com água enquanto tomava o remédio e percebi que ela me observava. Ela queria falar algo, mas logo Kurt apareceu, tirando toda aquela tensão do local. Ele ainda estava de roupa social, embora banhado.

Nos sentamos e comemos em um profundo silêncio. Sarah apenas perguntou de Allie, mas não prolongamos o assunto, para não causar mais tristezas. Kurt se levantou e lavou sua louça, então ele se pôs novamente a mesa, mas colocando a mão em minha nuca e acariciando meus cabelos.

— Allie teve alta. Eu devo deixá-la em casa e ir ao escritório pegar uns papéis. Você vai ficar bem? — Ele disse vendo o remédio ao meu lado.

— Eu ficarei bem. É só uma dor de cabeça. — Eu disse acenando para ele.

Ele beijou minha testa e depois mexeu no cabelo de Sarah.

— Volto em breve, ok? — Ele disse pegando as chaves e indo.

Eu precisava conversar com Sarah em algum momento. Escutamos o bater da porta e ela me olhou.

— Se existe algo que você quer me falar, você pode me falar, ok? — Eu disse para ela.

Ela entortou a cabeça, dando um sorriso um pouco irônico.

— Ok. Mas eu não quero te perguntar nada. — Ela disse tirando o prato da mesa e indo para pia. — Eu só queria te entender.

— Você pode me dizer como quer entender que eu serei honesta.

— Agora, certo?! — Ela disse arqueando as sobrancelhas. — Por que antes você não foi honesta com Kurt e agora vocês estão agindo como se nada tivesse acontecido, como se o último mês não tivesse sido um inferno para Kurt por causa de você. Era somente isso que eu queria entender, Jane. — Ela disse se virando e se pondo de frente a mim. — E dessa vez eu quero que você seja honesta conosco.

Eu suspirei fundo. Não era fácil aguentar julgamentos, mas Sarah estava certo. Como eu e Kurt passamos tão rápido a agir como se eu nunca o tivesse enganado? E por que? Por que ele me perdoou depois de tudo? Eram dúvidas até minhas.

— Sarah, pode ser difícil para você entender agora os meus motivos para dizer que era Taylor...— Eu disse e suspirei. Eu sentia falta de ser ela, era tudo tão mais fácil para mim. — Mas Kurt sabe o motivo de tudo isso. E ele sabe que eu nunca joguei com ele quanto aos meus sentimentos. — Eu concluí.

Ela sorriu meio que com um deboche e eu continuei.

— Você conhece seu irmão? — Perguntei encarando-a e ela riu.

— Claro que sim.

— Ele não perdoou seu pai por 25 anos, então você acha que ele teria me perdoado dentro de um mês se meus sentimentos por ele fossem mentira? — Eu perguntei me levantando e ela abaixou a cabeça.

— Eu nunca quis mentir para o Kurt, Sarah, mas eu não tive escolhas. Se tive que magoá-lo naquele momento, era muito menos doloroso do que qualquer outra coisa que pudesse acontecer a ele. — Eu continuei já com lágrimas nos olhos lembrando da ameaça. — E eu nunca vou me perdoar por ter acabado fazendo com que você e Reade ficassem juntos, mas eu estar aqui não significa que eu não sei que eu errei.

— Significa que você quer consertar seus erros. — Ela disse em um tom um pouco mais baixo e eu limpei as lágrimas que estavam em meu rosto.

— Eu lamento se não posso consertar você, Reade, mas eu não vou deixar de consertar minha vida com Kurt.

Ficamos em silêncio por um tempo até que ela acenou com a cabeça para mim.

— Você sabe que só tem mais uma chance, né? — Ela disse olhando pra mim.

— Na verdade eu tenho meia chance, Sarah. — Eu respondi até que me levantei. — Mas é a chance da minha vida e eu não vou despediçar.

Fui até o quarto de Kurt e lá me fechei. Estavam eu e meus pensamentos, envoltos na certeza de que somente eu iria lutar para ter Kurt totalmente para mim, mas eu estava disposta a isso, nem que isso me tirasse todo o sangue.



Notas finais
Eu resolvi passar o abuso da Tasha para Sarah, pois ela até tem motivos, mas não vai ficar assim por muito tempo então não odeiem a irmã Weller. Comentários são super bem vindos!