Make You Feel My Love.
2 Capítulo 2 - Um babaca como namorado.
Notas iniciais
Kitty sentou uma cadeira a frente de Marley, a morena tinha lhe dito que aquele lugar sempre esteve vago, e ela resolveu ficar ali para garantir a presença da garota. Não demorou para a sala se encher e um professor de bigode engraçado entrar. Jake, o garoto que Kitty conheceu mais cedo também estava lá, e sentou ao lado de Marley.
“Ryder jogou slushie em você?” Perguntou baixo ao notar a camisa branca do rapaz, mas suficiente para a loira ouvir.
“É, parece que seu namorado não tem jeito, Rose.”
Kitty franziu o cenho. Como diabos ele tinha uma namorada tão adorável? Ela suspirou e encarou a folha solta do fichário. Minutos depois, quando o professor ditava uma pergunta que ela considerava patética, a loira desistiu de copiar e encostou a cabeça na mesa, fechou os olhos e soltou um longo suspiro. É, um cochilo aquela hora da manhã não era má idéia.
“Kitty, acorda.” Uma voz grossa e nada melódica ecoava em seu ouvido. “Vamos, Kitty, a aula acabou há 10 minutos.”
“Me deixa” Resmungou abraçando a carteira.
O dono da voz ficou em silêncio, e não demorou para que ela sentisse seu corpo inteiro fosse sacudido por mãos nada delicadas.
“Já acordei, ta legal? Eu já acordei.” Afirmou já em pé. Seus olhos seguiram para os rostos risonhos de Marley e Jake. “O que foi?”
“Nada.” Responderam.
“Vem almoçar com a gente, Kitty, tenho certeza que vai gostar dos nossos amigos” Jake sugeriu.
A novata só assentiu, sonolenta demais pra dizer alguma palavra.
XXX
“Então... de onde você é?” Marley perguntou. Elas sentaram uma ao lado da outra na mesa, e os amigos que Jake mencionara não estavam ali.
“Louisville, Kentucky. Acho que você não conhece, certo?”
“Oh, eu não faço idéia de como é.”
“Nada interessante, diga-se de passagem. E você?”
“Eu? Nada. Nasci aqui.” Deu os ombros, e a pouco conversa acabou ali.
Kitty comeu em silêncio, vez ou outra levantava a cabeça para olhar ou lançar um sorriso tímido para quem fosse que estivesse ali. Ela cumprimentou algumas pessoas que sentaram ali, e o único nome que ela guardou foi o de Unique. Não era nada demais, ela só era... diferente? Huh, talvez ela tivesse uma opinião um pouco mais rude que aquela, mas não era do seu interesse.
O celular da garota vibrou em seu bolso, e ela sorriu contente ao ver a foto de Quinn aparecer na tela. Finalmente a prima se dera conta de que a loira merecia uma ligação. Ela murmurou um gentil com licença e correu – literalmente – para fora dali.
“Hey, Quinn.” Pronunciou ao iniciar a ligação.
“Kitty, como está?” A loira soou feliz do outro lado da linha.
“Posso superar o súbito abandono de uma semana, por assim dizer” Riu pelo nariz. “E você, como está?” Ela chutou uma bolinha no meio do corredor, e seguiu para o campo de futebol.
“Yale é... estressante” Respondeu carregada de melancolia. “Está na escola? O que achou do McKinley?”
“Huh, seria melhor se não existisse um jogador idiota que me atirou um slushie” Bufou ao lembrar, a voz nasal riu do outro lado. Já na arquibancada, ela encarou o campo e notou as cheerios se alongando.
Ela lembrou que a prima havia comentado todas as vezes que Sue a maltratara, e o quão importante aquilo tinha sido para sua vida. Ela não entendia muito bem como funcionava aquela relação de amor e ódio que a treinadora e a ex chefe de torcida compartilhavam, mas ela sabia que Sue era uma peça importante do quebra-cabeça de Quinn. As garotas não demoraram no celular, a mais velha resmungou algo sobre um trabalho e Kitty a deixou desligar, fofocaria com a prima em outra oportunidade.
“Posso me sentar aqui?” A voz melódica de Marley soou ao lado de Kitty, para o deleite da loira.
“Por favor.” Ofereceu sorrindo.
“O sinal já soou há algum tempo, você não devia estar aqui.”
“Você também não” A menor sussurrou, fazendo a outra morder o lábio e esconder um sorriso.
“É, tem razão.”
“O que faz aqui, afinal?” Elas se olharam, e o semblante da morena mudou.
“Ryder pediu para esperá-lo atrás das arquibancadas, mas ele não apareceu.” Murmurou, fazendo Kitty soltar um suspiro.
“Talvez ele tenha se perdido.” Respondeu sarcástica. Marley riu.
“Quem sabe”
“É o lugar de vocês?” Ela hesitou ao perguntar, no fundo ela não queria saber os lugares em que eles se pegavam.
“Qualquer lugar que ele possa me esconder é o ‘nosso lugar’.“ Fez aspas, olhando para qualquer lugar em que a outra não pudesse ver seus olhos marejados.
“Seria burro demais dizer que não entendi?”
“Um pouco” Riu sem humor. “E você? O que faz aqui?”
“Só assistindo o treino das cheerios. É magnífico, você não acha?”
“É, mas a treinadora Sylvester tira o encanto com todo seus gritos e ofensas”
A loira riu. Ela levantou pegando sua mochila.
“Você vem?”
“Pra onde? Não podemos entrar, e você não faz ideia de quantos panfletos e cartões a Ms. Pillsbury irá nos encher.”
Talvez fosse impressão, mas Kitty tinha certeza que viu a garota afundar na arquibancada só em pronunciar Pillsbury.
Franziu o cenho antes de voltar para o lugar “Tudo bem, nada de se mexer.”
A outra maneou a cabeça.
“Sobre o que eu disse-” Elas se olharam, e os olhos azuis da morena eram tão hipnotizantes que Kitty se perdeu “Sobre Ryder e eu. Só não comente com ninguém, ok?”
Silêncio.
“Kitty?”
“Hey, estou falando com você” Comentou estalando os dedos. A loira piscou por várias vezes. Ela não prestou atenção em nada do que a garota disse, mas ela perguntaria em outra ocasião.
“Oh, sim? Mudou de ideia? Podemos ir? Ótimo, vamos.”
Marley gargalhou o mais alto que conseguiu. Deus, a loira era terrivelmente desligada. Ela esqueceu das punições que receberia caso fosse descoberta e seguiu com Kitty. Onde? Ela não fazia idéia.
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