Make Me Your Woman
9 What Can I Do?
Notas iniciais
(POV Damon)
Eu sabia que tudo o que disse havia machucado, eu não estava disposto a fazer sofrer, acontece que ela é uma mulher incrível, e tenho certeza que ela não quer essa vida, não quer ser desse jeito, ela quer ser alguém. Pude ver isso nos olhos dela. Eu precisava a machucar, para o bem dela. Talvez fui grosso, bem... eu fui grosso. Mas foi para o seu bem, eu só quero que ela seja alguém, apenas.
Vi Elena sumir aos poucos, eu não sabia para onde ela iria, eu não a seguir, ela precisa de espaço. Não sei se ela iria voltar à avenida ou iria apenas para casa. É a decisão dela, eu vou a respeitar.
Assim que cheguei em casa fui para o banheiro e tomei um bom banho refletindo tudo que havia feito hoje, e eu decidi uma coisa. Eu vou me afastar, preciso de um tempo, de um longo tempo longe de tudo e de todos. Relaxar.
(POV Elena)
Eu não sabia o que estava sentindo, talvez tristeza misturado com mágoa e culpa. Eu não estava acreditando, nunca ninguém havia me dito tantas coisas na minha cara como Damon fez. E a pior parte era que ele estava certo. Não podia acreditar, mas era pura verdade.
Saí do apartamento de Damon e fui à procura de um taxi. A rua estava deserta, então resolvi ligar para Carol. Fiquei ali sentada no meio-fio olhando as estrelas. A lua estava perfeita, meio amarelada, me perdi a olhando tão profundamente. Eu não sabia o que seria da minha vida, não sabia o que iria fazer, tenho que admitir que não gosto do meu trabalho, não mesmo.
Mas só em pensar em ser alguém, eu me excluo, não passa na minha cabeça que eu posso ser como os outros, eu sou uma prostituta. Vivo do sexo para sobreviver, exponho o meu corpo aos outros, simplesmente me humilho.
Ouvi o som da buzina e logo vi que era a loira. Fui rapidamente para o carro. Ela me olhava diferente.
– Oi... – Falei.
– Elena, o que esta fazendo as 2 horas da manhã aqui?
– Ocorreu algumas coisas estranhas, só isso. – Sorri.
Tentar parecer normal, como se nada houve acontecido era mais fácil para mim, não queria que Carol visse minha situação, não queria expor nada para ela. Ok, ela era minha amiga, eu confiava nela, mas a deixar distante era o melhor.
– Estava fazendo o que? – Perguntei.
– Estava vendo filme com Klaus. – Ela sorriu.
– Desculpa por interromper...
– Que nada Lena, sou sua amiga, estou aqui para o que der e vier. Ok?
– Ok. – Sorri.
Assim que chegamos, Carol voltou para o sofá com Klaus e eu fui direto para o quarto. Meus dias estavam praticamente desse jeito, chagava tarde em casa e ia direto para o quarto, tomava um bom banho retirando todo aquele cheiro de sexo do meu corpo e logo caia na cama de cansaço.
(...)
Graças a Deus era domingo de manhã. Eu não fazia nada nos domingos, na verdade eu gostava de passar o dia inteiro em casa.
Estava morrendo de fome, como Carol vai à padaria todos os dias de manhã, fui tomar café. Assim que chego na cozinha, vejo Carol em cima do balcão e Klaus a beijando. Tomei um susto.
– Vocês podiam se comer em outro lugar, não? – Carol me olhou assustada. Eu ri da situação. Klaus não sabia o que fazer.
– Ah! Desculpa Lena... – Carol falou sem graça descendo do balcão.
– Tudo bem loira. – Sentei-me na mesa.
– Como foi... a noite Lena, passou bem? – Carol falou tentando puxar assunto.
– Am... – Soltei a caneca. – Sim.. foi tudo bem. – Sorri. – E vocês? Como foi a noite?
Carol e Klaus se entreolharam, e riram.
– Ah! Já saquei...
– Não Lena..
– Não! Não precisa falar nada, eu já saquei. – A olhei maliciosa. Carol ficou sem graça.
Terminei o meu café e voltei para o quarto, não havia nada para fazer, então decidi ver um filme. Como não havia nenhum, fiquei passando de canal até achar... Titanic. Eu sinceramente nunca havia visto esse filme. Era meio impossível, eu sei, mas eu nunca gostei de romantismo, não mesmo.
(POV Damon)
Acordei com um barulho irritante na minha cabeça. Celular. Ótimo.
– Alô...
– E aí Damon! Bom dia!
– De novo Ric? Serio? Não tem mais nada para fazer?
– Olha cara, me desculpa. Eu liguei para marcar um encontro, preciso falar contigo serio.
– Não sei se posso.
– Ah! Damon, eu sei que está irritado comigo, mas me dá uma chance, eu sou seu parceiro. Preciso falar com você. – Rolei os olhos.
– Tá... Ok. – Suspirei. – Aonde?
– Pode ser na padaria?
– Padaria?
– É... Não sei.
– Ok.. na padaria. As...
– Agora.
– Agora? Ric acabei de acordar!
– Agora. – Bufei.
– Ok, estou indo para a padaria.
– Te vejo lá então.
Me arrumei lentamente e fui. Ric tinha pisado na bola comigo, ok, nem tanto, mas eu não gostei do que ele havia dito, ela sabia da minha situação, Elena mexeu comigo.
Assim que cheguei avistei Ric sentado em umas das mesinhas tomando café.
– Cheguei. – Falei me sentando.
– Nossa, mas que demora, achei que iria furar comigo.
– Infelizmente não. – Sorri sarcasticamente
– Damon, para com isso. Marquei esse encontro para isso, para nós nos resolver.
– Não tenho o que resolver, você falou o que achava, só isso.
– Não acho que seja só isso. Damon, eu sou seu amigo. Sabe que não pensei antes de falar.
– Pois deveria. – Eu não olhava na cara dele.
– Tudo bem, eu desisto. To sentindo falta do meu amigo. Me desculpa cara, eu estava bêbado e também tinha aquelas gostosinhas comigo, não tem como pensar.
– Ah... Ric, você e suas merdas.
– Eu sei que faço muita merda, então...
– Então... eu te perdoou... estou sentido falta do meu... amigão. – Sorri. – Mas vê se para de me ligar de manhã, não sabe como irrita! – Ele riu.
– Por isso que te ligou de manhã, para te irritar. Mas Damon... eu não marquei esse encontro só para te pedir desculpas, eu também marquei para saber como anda.
– Como anda o que?
– Ah... você sabe... você e a Elena?
– É, sim é Elena nome dela.
– Desculpa é porque eu a acho de selvag... – Lhe dei um olhar fatal. – Nada. – Ele riu.
– Eu e Elena não temos contato mais. A ultima vez que a vi foi há algum tempo.
– Algum tempo?
– Sim...
– Algum tempo você quer dizer sexta?
– Hoje é domingo Ric.
– Não faz muito tempo.
– Não quero falar sobre ela.
– Não precisa esconder que rolou alguma coisa.
– Não estou escondendo.
– Não?
– Não.
– Damon, o que aconteceu aquela noite?
– Ric, eu já disse que não quero falar!
– Tudo bem. Seja o que for que essa garota fez, te mudou.
(POV Elena)
Eu nunca tinha chorado tanto em toda a minha vida, o filme era muito lindo. Eu nunca achei que poderia chorar com um filme. Tá, eu estava um pouco emocional, mais do que o costume. Talvez seja a TPM ou algo assim. Ótimo.
Ouvi alguém bater na porta. Era Carol.
– Oi lena!
– Loira. – Sorri.
– Eu vim aqui para te chamar para almoçar, eu e Klaus vamos no restaurante aqui da esquina. Quer ir?
– Desculpa Carol, não estou muito disposta a comer, estou sem fome.
– Ei, ei, ei! Você estava chorando?
– Eh... foi o filme.
– Você? Chorando por causa de um filme?
– O que é? O Jack morre! Ele não deveria morrer! – Carol riu da minha situação.
– Lena, lena... Bem, tem certeza que não quer? Já estamos saindo.
– Tenho sim...
– Ah! Eu esqueci de te dizer. Eu vi o bonitão na padaria hoje, com um amigo dele lá.
– Hum... e porque está me dizendo isso?
– Sei lá, achei que iria gostar de saber... – Dei um sorriso fraco.
– Am... gostei sim. – Menti.
Eu não podia demonstrar que estava chateada com tudo que aconteceu, eu iria esquecer.
– Não vai mesmo?
– Não... pode ir...
– Ok então. Bye Lena!
– Tchauzinho loira.
Carol era uma ótima amiga, até agora não acreditava que estava mentindo de novo para ela, eu sempre a contei tudo, nunca a escondi nada. Estou percebendo que não posso fazer isso com ela, não é justo. Moro com ela há 7 anos, ela sabe tudo de mim e eu o mesmo. Isso é egoísta, ela me acolheu, me protegeu . Não posso deixar, não posso continuar, mas como vou fazer para dizer isto à ela?
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