Notas iniciais
Espero que gostem, é uma ideia que está parada há algum tempo e só agora tive coragem de postar.. Por favor comentem, se algo está ruim e deve ser mudado, ou se simplesmente gostaram, deixem suas opiniões se devo continuar.. Perdoem se houver algum erro ♥

Em meados da década de 1930, mais precisamente em 1934, Paris, a cidade luz, fora tomada por uma onda de personalidades procurando entre as melhores Maison’s da cidade, os trajes mais requintados e exclusivos. Alguns estilistas faziam fama e inseriam-se no mercado como grandes promessas fashionistas para aqueles que estivessem dispostos a ter o melhor custasse o que custasse.
Alguns nomes eram grandes destaques nas mídias sociais e entre os mais diversos públicos, todos ambiciosos buscando serem contemplados com talentos de projeção.
Rosalie Hale, uma jovem de apenas vinte e nove anos, vinda de uma boa família de classe média, de status social em ascensão na sociedade da época, acabava de retornar de Itália, país onde estudara por muitos anos, sendo instruída pelos melhores e mais requisitados profissionais de moda da época, ela era tida como grande promessa, seu nome estampava os jornais impressos, sua fama já havia se espalhado por quase toda Europa quando a moça fizera o vestido de Janet Gaynor, uma atriz que ganhara o Oscar no ano de 1928, o modelito encheu os olhos cobiçosos de todas as mulheres ricas ao redor do mundo, e até mesmo daquelas que não tinham condições para adquirir uma peça como aquela.
Quando o carro de luxo parou em frente à Hale’s Maison, no dia de sua inauguração, o tumulto foi grande. De dentro do carro, a linda mulher de corpo esbelto, cabelos loiros e lindos olhos azuis, desceu vestida em calças de boca larga que iam até pouco abaixo dos joelhos, talvez fossem 2 números maiores do que ela realmente usava e estavam presas por um cinto fino com fivela retangular. Trajava também uma camisa de botões branca, o recorte era claramente masculino, mas nas mangas e gola notava-se detalhes femininos, como dobras e recortes feitos em seda, os botões dourados e abotoaduras da mesma tonalidade e brilho conferiam um ar sofisticado ao visual que se completava com um scarpin preto de bico fino nos pés, e ósculos escuros no topo de sua cabeça, num formato gatinho, lhe conferindo um ar jovial e despojado.
Naquela época, era típico que mulheres de sua classe vestissem apenas vestidos, ou saias de comprimento mídi. Todos os críticos da época a classificavam como ousada e futurista, graças a ela e sua influência, as calças compridas passavam a ser também, inseridas nos guarda-roupas femininos, sendo descritas como a aposta da década e classificadas como a “revolução Hale”.
Em um segundo carro, o restante da família de Rosalie chegava. O primeiro a descer fora seu irmão gêmeo, Jasper. O rapaz tão loiro e bonito como a irmã, também tinha olhos azuis tão claros quanto o céu, se assemelhavam muito em aparência, apesar de não serem idênticos, quando viu a multidão que cercava a Maison, não pôde deixar de sorrir, estava feliz pela irmã e por seu trabalho estar lhe gerando tantos frutos. Rosalie olhou de soslaio para o irmão e sorriu também assim que o alcançou na calçada da Hale’s, para ela era mais do que importante que seu Jass, seu melhor amigo e maior apoiador estivesse ali compartilhando de sua vitória, assim como ela estivera quando o irmão inaugurou sua empresa de engenharia, arquitetura e decoração.
Jasper não gostava de se gabar, mesmo sendo mundialmente reconhecido pelos grandes projetos aos quais desenhava e assinava, ele nunca fora soberbo a ponto de esquecer os valores ensinado por seu pai, Harry. O homem sempre dizia aos filhos: “Devemos valorizar nossos trabalhos e principalmente nossas conquistas, mas nunca podemos esquecer que sozinhos não conseguimos chega à lugar algum, então sejam humildes e tenham um bom coração. ” E assim fizeram, os dois irmãos cresceram transparecendo uma humildade e amor ao próximo tão grandes que era de se duvidar que fossem realmente daquela maneira, pois era típico ver que pessoas de melhores condições e de reconhecimento, se tornavam mesquinhas e duras, mas com eles nunca fora assim.
Atrás dos jovens que acenavam para a multidão em frente a Maison, os pais os esperavam ansiosos para conhecerem o interior do atliê da filha, para eles seria uma surpresa, já que apenas Rosalie e Jasper haviam entrado no espaço antes da inauguração. O rapaz havia projetado o lugar e acompanhava as obras atentamente, desde o primeiro tijolo assentado pelos pedreiros, à última cadeira colocada na recepção pela decoradora de sua empresa. E Rosalie, claro, monitorava tudo, apesar de confiar muito em seu irmão, gostaria que sua Maison fosse única como ela, que tivesse sua assinatura assim como suas criações.
Harry, o pai de Rosalie junto de Hillary, entregaram uma tesoura dourada em suas mãos para que a jovem cortasse a fita vermelha que dava voltas ao redor do imóvel. Os lindos olhos azuis de Rose marejaram quando constatou que era a tesoura de sua avó Anne, a herança que lhe fora deixada e uma das grandes responsáveis por torná-la o sucesso que é hoje, afinal graças as tardes de verão com vovó Anne que Rosalie aprendera a fazer lindos vestidos para suas bonecas de porcelana e tomara gosto pela moda.
Com um sorriso de tirar o fôlego estampado no belo rosto, ela cortou a fita deixando que a mesma caísse a seus pés. Em seguida, pegou-a entre as mãos e ergueu-a em direção à plateia que a assistia animada, parou posando para uma foto quando os fotógrafos a cercaram com seus flashes cegantes em plena luz do dia daquele final de tarde. Por um instante enquanto olhava ao redor, seus olhos pararam na figura de um homem grande em meio aquelas pessoas, estava um pouco afastado, perto de um carro luxuoso, usava um terno escuro com camisa risca de giz por baixo, fumava um cigarro enquanto observava sem o mínimo interesse a cena à sua frente.
Ao seu lado, havia uma mulher bem vestida, baixa, com olhos verdes e rosto em formato de coração, um sorriso amável no rosto, estava de mãos dadas com um homem loiro, tão bonito quanto a mulher, apesar da idade que aparentavam ter, pareciam ser charmosos. Quando o quarto integrante daquele grupo saltou do carro, foi que Rosalie percebeu de quem se tratavam, era a família mais conhecida da cidade, eram os Cullen.
Na alta sociedade parisiense, a família Cullen composta por Carlisle, Edward, Emmett e Esme eram a família mais invejada, e apesar de serem extremamente ricos, sempre faziam questão de tratar todos de igual para igual, sempre com um sorriso no rosto e a mão estendida. Carlisle veio de uma família simples, Esme também, ambos trabalharam muito para construir o império do qual eram donos, uma rede de fábricas de carros que agora começava a introduzir no mercado carros populares com preços acessíveis.
O homem corpulento a encarou e seus olhares se encontraram por questão de segundos, azul com verde, sorriram como se suas almas estivessem conversando por olhares, alheios a tudo e todos no pouco tempo que mais pareceram horas em que se encararam, cortaram o contato visual quando Jasper tocou o ombro da irmã incentivando-a a entrar na Maison e mostrar a seus convidados seu sonho. Sim, para Rosalie, a Hale’s Maison era um sonho se tornando realidade, o sonho pelo qual ela tanto lutou.
A loira escancarou as portas douradas com vidros transparentes e entrou de braços dados com o irmão, sorriu ao ver agora tudo em seu devido lugar como sempre imaginou que seria. As cadeiras eram de madeira com estofado macio, a armação era de um marrom muito bonito e polido, as almofadas eram vermelhas assim como o tapete estampado no chão. No teto alto via-se um lustre enorme, de cristais e armação rebuscada, reluzindo um dourado brilhoso. O imóvel de dois andares possuía duas escadas, uma na parede esquerda e uma na direita formando uma espécie de círculo que se encontravam no meio onde uma espécie de sacada estava, lá, bem atrás das portas de acesso à sacada funcionaria toda a produção, desde a concepção dos desenhos às costuras e provas, no andar inferior funcionaria apenas a recepção e sala de espera para qual Rosalie contrataria sua melhor amiga, Alice para ajudá-la.
Só de pensar em Alice, Rosalie sorria, eram amigas desde que Rose fora embora. Rose conhecera Alice num evento de moda, a garota de cabelos negros, baixinha e de feições angelicais estava trabalhando como roupeira em um desfile de novas coleções italianas, a baixinha sabia muito sobre tudo e ficou amiga de Rosalie que estava nos vestiários organizando as peças de seu mentor, um estilista famoso, Rose estava meio perdida, era a primeira vez que auxiliava Gilbert Adrian, um gigante da moda, tremia tanto que mal conseguia segurar um copo de água entre as mãos.
Alice, já estava habituada aquele mundo, apesar de seu sonho ser se tornar uma estilista famosa, a garota não tinha condições de pagar seus estudos, era muito talentosa, mas bem humilde. Ela perdera sua família em uma viagem de navio que afundou, por sorte não fora pois era aniversário de casamento dos pais e resolveu deixá-los comemorar a sós, então ela ficara sozinha. Descobrira logo depois de ficar órfã que tinham falido com a queda da bolsa em 1929, o que a obrigou a procurar um emprego simples para que pudesse sobreviver, vendeu o único bem que lhe restou, um bom apartamento no centro de Milão, mas como precisava muito do dinheiro para se manter enquanto não encontrava algum emprego, vendeu com valor bem abaixo do que realmente valia, guardou um pouco para um futuro investimento e o restante usou por um tempo enquanto estava desempregada.
Quando Rosalie decidiu retornar à Paris, prontamente ofereceu um emprego na Maison à Alice, que ficou muito emocionada pela solidariedade da amiga e aceitou sem hesitar, afinal, Rosalie além de melhor amiga, tornara-se para ela muito mais que isso, tornara-se sua família. Rose fora na frente, para resolver todas as pendências com a documentação e o espaço no qual Jasper já havia iniciado a construção. Enquanto isso, Alice resolveria suas últimas pendências em Milão antes de partir no dia seguinte à inauguração em um trem rumo à cidade luz.

Os convidados de Rosalie foram se amontando no andar inferior à medida que os seguranças confirmavam seus nomes na lista de presença feita por uma organizadora de eventos de luxo e também com a ajuda de profissionais de Milão que a viram crescer no mercado e a indicavam a amigos franceses. Com a ajuda do irmão, ambos subiram as escadas e pararam na sacada, Jasper se afastou ficando logo atrás da irmã deixando-a livre para observar seu sucesso, ele tocou-lhe o ombro encorajando-a a começar seu discurso. Todos os convidados já estavam servidos de taças de champanhe, Jasper pegou duas taças em uma bandeja, que um garçom ofereceu-os subindo as escadas, e entregou uma a irmã que sorriu em agradecimento.
—Queridos, primeiramente, gostaria de agradecer a todos pela presença. Hoje é um dia muito especial para mim, estou realizando o sonho de uma vida toda graças à muitas pessoas, algumas delas estão aqui, outras estão um pouco mais longe. Gostaria de anunciar também, que hoje se inicia uma nova etapa em minha vida, uma nova era na moda Parisiense e quem sabe um dia, na moda mundial. Hoje eu declaro a Hale’s Maison oficialmente inaugurada, dedico essa vitória aos meus mentores e especialmente à minha família e amigos. – A garota levantou a taça de champanhe puxando um brinde-. Um brinde à era das calças femininas e a moda acessível, pois esse é meu sonho, que todas as mulheres, independente de classes sociais, estejam lindas.
Todos os convidados levantaram suas taças brindando às palavras de Rosalie, algumas mulheres mais ricas torceram o nariz quando ela citou a inclusão de mulheres de classes baixas na moda, mas não se deixaram abater ou abaixaram seus narizes empinados, afinal, Rosalie era o nome do momento, não poderiam perde-la de suas vistas.
Rosalie abraçou os convidados de um a um no decorrer da festa, sempre muito simpática e solicita. Assim que ela conseguiu passar pela alta burguesia cumprimentando todas as mulheres ricas em seus finos vestidos e sapatos de marca, ela andou em direção à Esme que sorria ao olhar o lugar, afinal, sempre fora uma grande fã do trabalho de Jasper e agora se tornara também, fã do trabalho da irmã.
—Querida, está tudo maravilhoso! Eu adorei o lugar, a arquitetura, a decoração, adorei os modelitos expostos na vitrine e esses quadros de suas criações?! São divinos!- Esme disse assim que Rosalie a alcançou ficando feliz ao receber um sorriso largo em resposta.
—Fico feliz que uma dama de sua estirpe e classe tenha gostado tanto de meu trabalho, e devo confessar que se não fosse o Jasper, esse lugar não seria metade do que é.- A loira disse apontando o rapaz que conversava com Edward, achando incrível a rápida capacidade de fazer amizades do irmão, já que o mesmo havia acabado de conhecer os Cullen. Assim como ela, antes ambos apenas ouviam falar sobre eles, já que eram muito reservados apesar de toda simpatia da qual as outras pessoas falavam.
Carlisle aproximou-se de Rosalie e também a parabenizou pela Maison, confessou que adorou o estilo de Rosalie e suas calças compridas, para ele era muito novo e interessante ver que os hábitos arraigados na cultura feminina enfim estavam mudando.
—Olá.- uma voz forte e grossa disse atrás de Rosalie fazendo-a se arrepiar com o susto e arrancando um risinho do dono.
Imediatamente Rosalie virou-se para ele, também estava rindo devida sua reação exagerada.
—Olá. – Ela disse estendendo-lhe a mão num cumprimento.
—Muito bonita sua loja. Sou Emmett.
—Obrigada, sou Rosalie, mas me chame de Rose.- Ela respondeu e ambos ainda seguravam a mão um do outro, soltaram apenas quando Edward pigarreou chamando a atenção dos dois.
—Desculpe interromper o momento, — Edward disse sugestivamente com a sobrancelha arqueada arrancando um riso irônico do irmão, — mas eu gostaria de parabeniza-la, está realmente tudo muito bonito, e devo dizer que seu estilo é um tanto quanto ousado. Gosto de pessoas ousadas.
—Obrigada! Ousadia é minha marca registrada, devo dizer. – Ela respondeu sorrindo.
—Bom, acho melhor irmos meninos. – Carlisle os chamou. – E Rosalie, mais uma vez, parabéns, está tudo lindo e as comidas estão maravilhosas. – O homem completou rindo enquanto pegava um canapé na grande mesa de comes e bebes atrás de si.
—Querida, obrigada pelo convite, ainda essa semana farei encomendas de novos vestidos. Quem sabe algum dia eu consiga adotar as calças?! – Esme, a mulher de feição amável disse arrancando risos dos filhos e do marido.
Os quatro se despediram da estilista e deixaram a Maison, Rosalie e Emmett trocaram um último olhar enquanto davam as mãos em um aperto amistoso.
O decorrer da inauguração foi tranquilo, Rose recebeu muitos desejos de sucesso e felicitações. Quando os últimos convidados foram embora, ela pôde relaxar e se jogou no divã macio e grande de seu escritório, com Jasper sentado na grande cadeira de couro atrás de sua mesa administrativa, vez ou outra mexendo em seus croquis, seu pai na poltrona escura do lado oposto do divã e sua mãe massageando seus pés com o cuidado que se toca um pluma. Rosalie olhou para os três enquanto riam falando sobre as expressões que as mulheres ricas fizeram ao ouvir acessível e moda na mesma frase. A estilista admirou os três por um longo momento e não pôde deixar de agradecer por sua vida, pelo seu sucesso e sua família, seu alicerce, sua base, afinal, sem eles, nada seria possível e ela não estaria onde está hoje, feliz e realizada.

Notas finais
Espero que tenham gostado, por favor, comentem e digam o que acharam! ♥ Prometo que logo teremos outro capítulo ♥