Mais uma vez
5 Capítulo 4
Notas iniciais
Hannah e Will estavam sentados em uma fileira no meio da sala de cinema. Um balde de pipoca em mãos para dividirem e cada um com seu copo de Coca-Cola de um litro. O filme era A Bela e a Fera, lançamento do clássico com a atuação de Emma Watson.
Claro que todos esses detalhes técnicos não fariam a menor diferença, pois a única coisa em que Will conseguia pensar era que o braço de Hannah estava tocando o dele e ela era tão, mas tão linda que o deixava meio idiota, como se seu cérebro tivesse decidido parar de funcionar. Isso, sem mencionar, é claro, seu perfume de lírios – sua flor favorita – que enchia as narinas dele e tatuava em sua mente a consciência da proximidade dos dois.
Porém, se Hannah fosse apenas malditamente linda, Will estaria bem. Conseguiria lidar com isso. Mas, além de bonita ao extremo, ela era inteligente. E legal. E meio geek, também, ele havia descoberto quando ela apareceu usando uma camiseta estampada com o personagem Monkey D. Luffy, do mangá e anime One Piece.
Quando ele perguntou se o anime era bom, Hannah havia se indignado por ele nunca ter assistido e passara todo o caminho até o cinema, mas o tempo que levaram para comprar os ingressos e a pipoca contando a ele o enredo de sua história japonesa favorita.
Droga, ele estava perdido. Estava apaixonado. Completa, irrevogável e perdidamente apaixonado. E o pior, não tinha ideia de como lidar com isso, pois nunca se apaixonara antes. Ainda mais por alguém que parecia ser o epítome da perfeição.
Estavam, agora, no meio do filme. Will, é claro, não prestava atenção alguma, mas achava que Hannah estava imersa na história. Até que ela esticou a mão e tocou a dele.
Assustado, Will a encarou com a boca aberta. Os dois apenas havia se tocado casualmente até agora, porém dessa vez fora proposital. Ela olhou para Will e sorriu, todos os dentes expostos, os olhos com um brilho malicioso e brincalhão, como se o desafiasse a fazer algo mais.
Quase como se não pudesse se conter, Will entrelaçou seus dedos aos dela e levou a mão dela aos lábios, beijando suavemente aquela pele macia e, bem, vocês sabem, perfeita.
Os dois permaneceram assim, mãos entrelaçadas, grudadas, até o fim do filme. E continuaram sentados enquanto os créditos subiam a tela, mesmo quando a sua volta, todas as outras pessoas levantavam-se para ir embora com seus sacos de pipoca e copos vazios.
— Gostou do filme? – Will indagou em um sussurro.
— Não prestei atenção, na verdade – Hannah respondeu, encarando os olhos azuis escuros dele.
— Por que?
— Por sua causa, Will – respondeu ela com um suspiro. – Eu gosto de você.
Isso, é claro, o deixou catatônico. Bem, ela não havia dito que estava apaixonada, mas ei, quem é ele para se negar o prazer da declaração dela? É claro que, sendo o Will, ele não receberia isso de uma forma normal.
— Por que? – questionou com ênfase, soando até ofensivo.
— Porque você é legal – Hannah explicou calmamente. – Gentil, inteligente. Sem preconceitos. Uma das pessoas com a maior paciência e coração que eu já conheci. E quando você me olha – a voz dela se suavizou ainda mais – sinto como se me visse de verdade. Não minha aparência, mas quem eu sou. Meus gostos, meu cérebro, minha esquisitice. E que, na verdade, me acha ainda mais perfeita por isso.
Will pesou suas palavras e entendeu como ela se sentia. Tinha a mesma sensação quando Hannah o olhava. Como se ele fosse o próprio Tony Stark, não um garoto gordinho e sem graça.
Com toda a calma do mundo, Will se levantou. Com o balde de pipoca ainda pela metade em uma mão e Hannah na outra, começou a andar em direção a saída, os créditos chegando ao fim. Ele olhou por cima do ombro e finalmente disse:
— Eu te acho cada dia ainda mais perfeita – e sentiu o peito queimar com o sorriso extraordinário que ela lhe ofereceu.
...
Parando o carro em frente a casa de Hannah, Will olhou para aquela garota incrível e se perguntou se os deuses haviam finalmente olhado em sua direção. Hannah gostava dele. Dele. Meu Deus.
Ela, então, começou a se aproximar dele. Colocou as duas mãos em seus ombros e se inclinou, colando os lábios aos de Will. Instintivamente, como se temesse que no segundo seguinte ela fugisse o mais rápido que seus pés permitissem, ele a abraçou com um braço em volta da cintura e outro na nuca, prendendo-a contra ele. Parecendo extremamente satisfeita, Hannah se aconchegou ainda mais. Will então, aprofundou o beijo. E foi aí que sentiu um gostinho do paraíso.
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