Suspirei ao sentir o calor do sol atingir meu rosto, revirei me na cama e passei a mão no outro lado da cama. É, ele não estava em casa. Sentei-me na cama e me espreguicei. Levantei e arrumei a cama, caminhei ate o banheiro, escovei os dentes e entrei de baixo do chuveiro, a água estava gelada e eu acabei levando um pequeno susto.

Depois do meu adorável banho gelado, eu fiz um coque e vesti um vestido vermelho que combinava perfeitamente com o tom do meu cabelo. Passei meu batom vermelho e desci as escadas para preparar o café. Fiz algumas panquecas e um pouco de cafe, bem amargo, era o meu preferido. Depois de preparar e tomar meu cafe da manhã sozinha eu me pus a lavar a louça e arrumar a casa, eramos 3 mas eu era a unica que fazia as tarefas de casa. Lucas sempre trabalha muito e vive fazendo hora extra no hospital, eu quase não o vejo em casa e Lucy, minha irmãzinha mais velha vive dormindo de manhã, mas não a culpo, ela trabalha muito durante cuidando dos pacientes. E eu, bem, trabalhava de manhã e de tarde, mas agora eu irei trabalhar só a tarde, com a chegada dos novos enfermeiros, o meu chefe acabou diminuindo minha carga horaria, pena que ele não fez o mesmo com meu marido. Suspirei fundo, arrumar acasa era tão cansativo, mas no final era sempre gratificante ver tudo organizado e limpinho. Lucy sempre dizia que eu era uma chata e que eu tinha toque, de fato eu era e ainda sou muito chata em relação a limpeza, mas isso é um problema meu.

Depois de arrumar a casa e de lavar a roupa eu fui fazer o almoço, nada mais nada menos do que uma deliciosa lasanha de queijo, um dos pratos favoritos de meu esposo, mas acho que ele não irra comer em casa de novo, mas tudo bem, deixarei a comida pronta para mim e Lucy, ela deveria chegar em casa lá pras 15:00. Enquanto eu desligava o fogo eu senti mais uma das minhas tonturas. Já era a minha terceira tontura só nessa semana, isso ate me fazia acreditar que estava gravida, mas o fato é que ultimamente não tenho tido muito relação com Lucas, ele costuma dormir muito quando chega, mau da para conversarmos, imaginar transar.

Me deitei no sofá e fechei os olhos, deixei que as lembranças tomassem conta do meu pensamento. Lembrei do meu primeiro encontro com Lucas, do tempo em que morávamos apenas nos dois, do dia em que eu acidentalmente derrubei uma vela perto da cortina que incendiou o apartamento da Lucy. Do dia em que eu e Lucas nos iludimos pensando que estávamos "grávidos" e entre outras boas lembranças, que espero jamais esquecer. Sou tirada de minhas memorias graças ao vibratório irritante do meu celular sobre a mesa, me levanto olho o numero e atendo.

—fala loira — digo me referindo a lucy, que apesar de ter nascido ruiva, resolveu pintar o cabelo de loiro, por que dizendo ela, detesta ser comparada a mim.

—ruiva saiu o teste!

—teste? que teste?

—o de gravidez — diz lucy animada.

—ue, não sabia que você tava gravida...

—não Grace, esse é o seu teste, o seu teste de gravidez.

—meu? ta doida? eu não fiz teste nenhum.

—é, você não fez, mas, eu sua adorável irmã, coletei o seu xixi e fiz o teste, porque sinceramente não tava mais aguentando te vê passar mal toda hora e ficar ouvindo o seu mimimi.

—ta, ta, chega, diz logo, o que deu?

—tam tam tam...você está gravida, eu vou ser tia!

—ai meu Deus, Lucy isso é verdade? — digo me sentando no sofá.

—sim, eu vou ser tia e se Deus quiser vai ser menina, vou procurar o Lucas e vou contar pra ele.

—oque? não, eu te proíbo — grito no telefone.

—mas porque?

—porque eu é que quero contar a noticia!

—okay, tudo bem, não vou contar pra ele.

—acho bom lucy.

—ta, eu to indo pra ir, beijos mana, ah passa no comercio e compra sorvete por favor, vou pegar onibus, ai ne, ja sabe...

—okay, beijo, tchau. — desligo o celular e sorrio. — to gravida, eu to gravida.

Levanto e caminho ate meu quarto, tiro a roupa e tomo um banho rápido. Coloco meu macacão branco e solto meu cabelo, pego dinheiro e desso as escadas a procura da minha chave. Depois de achar-la, saio de casa, fecho a porta e entro no carro, dirijo em direção ao mercado e procuro meu pendrive no carro, diminuo a velocidade e procuro o pendrive no porta luvas, reviro os papeis de la dentro, ate que ouço uma buzina e vejo um caminhão vindo na minha direção, sinto meu coração acelerar e minha respiração para, será que é o meu fim?