Mais uma vez
3 Do outro lado
Faz tempo que eu e minha mulher não temos um tempo só para nós, quase não a vejo em casa, nossos turnos não bate um com o outro. Somos praticamente estranhos um para o outro. Meu amor não diminuiu nada desde que nos conhecemos e passamos a namorar, naquela época éramos um casal tão feliz que nada podia nos separar, pena que era só um amor de adolescentes que não podemos sustentar por tanto tempo. Mas conseguimos superar os obstáculos e vencemos e nosso amor continuou o mesmo até hoje em dia. Se eu não fizer nada para mudar isto iremos nos separar e não é isto o que eu quero para a nossa vida.
Começo a atender o mais rápido possível meus pacientes para poder ir para casa e almoçar com a Grace, já tinha acabado com meus pacientes e estava preparando minhas coisas para poder ir para casa quando simplesmente aparece um paciente todo ensanguentado e já no estado critico, tento passar por eles, mas os enfermeiros me veem e começam e me empurrar para a sala cirúrgica “e lá se vai meu almoço com a minha ruiva teimosa”. Já estava no fim da cirurgia quando ouço batidas desesperadas no vidro da sala de cirurgia, quando olho vejo a Lucy com lagrimas nos olhos.
— Doutor Stan, por favor, continue a cirurgia. – Peço para o médico ao meu lado.
— Claro Doutor Mccall. – Ele responde e toma frente à cirurgia. Saio da sala e tiro minhas luvas e as jogo no lixo, lavo minhas mãos e braços, desamarro a roupa cirúrgica e a jogo no lixo também.
— O que aconteceu Lucy? – Pergunto me aproximando dela.
— A... a Grace. – Ela me responde entre lágrimas e soluços.
— O que tem a Grace Lucy. – Pergunto a ela e começo a me desesperar, pois ela estava demorando a responder.
— Carro dela, caminhão e a Grace. – Ela não consegue me responder direito e eu fico mais aflito do que tudo.
— Cadê ela Lucy cadê? – Pergunto e ela sai correndo e eu vou atrás dela, não importando quem esteja em minha frente, pois as lagrimas já estavam começando a atrapalhar minha visão. Quando chego à sala onde ela esta, vejo ela rodada de maquinas que monitoravam tudo dela e olho em seu rosto que estava manchado de roxo por causa dos hematomas e um tubo que entrava pelo seu nariz para a manter respirando e as lagrimas caem com mais frequência.
— Doutor Mccall o Senhor não pode ficar aqui. – Ela tenta me expulsar da sala, mas eu não saio do lugar.
— Nem pensar Doutora Katia, pode esquecer esta hipótese, ela é minha esposa e eu vou ficar ao lado dela até que ela acorde. – Passo por ela e vou andando até a cama da Grace e me sento na cadeira ao seu lado. Fico olhando seu rosto que mesmo marcado ainda continua tão belo, passo a mão por ele e dou um selinho em sua boca. Quando me sento fico brincando com seus cabelos que ainda tinham seu delicioso cheiro de sorvete de morango. Fico enrolando uma mecha em meus dedos e com a cabeça apoiada na cama. Ouço a porta se fechando e então só as batidas ritmadas dos aparelhos que ficavam alternando em um modo continuo. Meus olhos começam a pesar e a ultima coisa que vejo é seu rosto sereno, como se estivesse dormindo feito um bebê. O meu bebê. “Não posso perder você minha ruivinha, você é toda a minha vida, eu te amo tanto, não me abandone, eu vou mudar, prometo”. No meio da noite Lucy me chama e eu acordo assustado, mas me acalmo assim que ouço os bipes dos aparelhos da Grace.
— Lucas vai, estão precisando de você na sala de curativos e depois na de cirurgia que começará daqui à uma hora. – Ela me fala e eu me espreguiço e esfrego os olhos, passo as mãos em meu cabelo tentando arruma-lo um pouco e saio da sala. Passo em minha sala escovo os dentes e vou para a sala de curativos. Começo a atender crianças que sorriem quando entro na sala. Vejo o meu paciente mais feliz, apesar de que ele tem câncer é uma criança tão incrível, mas sinto um aperto em meu coração, pois ele está sozinho novamente e seus pais o abandonaram quando descobriram sobre o câncer. Mas a cada dia ele vence mais um pedaço dessa doença que some cada vez mais rápido.
— Olá Set, como esta indo meu paciente esta noite? — Pergunto a ele enquanto pego outro saquinho de soro e troco já pelo vazio.
— Oi papa. – Ele para de falar e meu coração se enche de alegria com essa simples palavra que ele fala, abaixo em sua frente e fico de frente para ele com os olhos molhados.
— Pode me chamar assim pequeno, você é muito especial para mim e também tenho uma ótima notícia para você, o câncer está quase sumindo e você não terá que sofrer mais com isso, meu amorzinho. – Quando acabo de falar ele começa a bater palminhas muito feliz e me abraça agarrando meu pescoço. Fico tão feliz com isso e retribuo o abraço logo em seguida, me levanto e verifico novamente o soro.
— Vou ter que ir agora Set, mas volto amanha novamente. – Para uma criança de quatro anos, ele tem vencido o câncer muito rápido.
— Tau papa. – O vejo dando tchau e mandando beijos. Dou tchau para ele e vou para a sala de cirurgia já que meu bipe já tinha começado a apitar. Chego à sala de cirurgia e me preparo par começar a operar. Quando acabo a cirurgia já esta no começo da madrugada, olho no relógio e vejo que já é 2:00 da manha.
Saio da sala de cirurgia e faço o mesmo processo repetitivo de sempre e vou para o vestiário, tomo um banho longo, que me faz sentir os músculos do meu corpo relaxarem. Saio do banho e coloco uma roupa mais confortável e vou para o quarto da Grace e vejo a Lucy lá, acordo ela que vai para casa e eu me sento ao seu lado e fico observando o seu rosto que permanece sereno, enfim encosto na cadeira e adormeço.
Acordo com um despertador ao longe e me levanto rapidamente e confiro como a Grace está e vou para a minha sala e coloco outra roupa de serviço, vou trabalhar e volto ao quarto da Grace e a Lucy já esta lá conferindo todos os aparelhos.
— Bom dia Lucy, como você está? – Pergunto a ela ainda arrumando o cabelo.
— Com certeza melhor que você. – Ela diz me olhando com um sorriso no rosto.
— Ha há engraçadinha. – Falo entrando no banheiro e organizando meu cabelo, escovo os dentes, quando me sinto acordado saio do banheiro e vejo a Grace se mexendo e a Lucy fica ao meu lado enquanto ela acorda.
— Finalmente acordou como você está? – Pergunto a ela que geme um pouco.
— Minha cabeça está doendo. – Ela diz e fecha os olhos. – muito.
— Vou pedir para trazerem um remédio para você, okay? – Lucy fala para ela e pede para a enfermeira buscar.
— Vocês são o que? Médicos? – Ela pergunta como se não nos conhecesse.
— Você sabe quem nós somos. – Eu respondo com certo anseio de ser apenas uma brincadeira.
— Eu sei? – Ela pergunta assustada.
— Sim. Não é? Quem eu sou? – Pergunto mais aflito que antes.
— Um enfermeiro? – Quando ela diz isso meu coração se quebra e isso transparece em meu rosto.
— Como você se chama? – Lucy pergunta chocada.
— Eu, eu ai. – Ela geme e coloca a mão em sua cabeça. – Eu não sei quem sou.
— Lucy, por favor, chame e doutora Katia. – Eu peço a ela com desespero em minha voz.
— Está bem. – Lucy sai correndo do quarto e a Grace me fita com um olhar confuso.
— porque você está chateado? – Ela me pergunta confusa.
— Não se lembra de mim mesmo? – Pergunto com uma dor no coração.
— Não, eu deveria? – Ela pergunta.
— Sim, Grace eu sou seu marido. – Respondo a pergunta.
— Meu o que? não, desculpa mas acho que você esta me confundindo com outra pessoa.
— Nunca confundiria seus cabelos vermelhos, seu rosto tão sereno e bela como sempre, seu sorriso tão brilhante como a lua. – Digo lembrando do nosso primeiro encontro.
— Você é estranho, muito estranho. – Ela fala séria.
— Sou, mas sou o seu estranho.
— Por favor, pare, esta me deixando assustada. – Me aproximo dela e seguro suas mãos, mas ela puxa as mãos como se sentisse nojo de mim. – Suas mãos são frias. NÃO me toque.
— Me desculpe. – Eu me levanto e saio do quarto com um olhar perdido.
— Doutora Katia, ela não se lembra de nada, não sei o que fazer. – Falo cabisbaixo.
— Vamos lá que vou explicar algumas coisas. – Ela entra na sala e eu atrás dela junto com a Lucy.
— Ainda está com dor de cabeça minha querida? – Katia pergunta a ela.
— Sim. – Ela afirma com a cabeça também.
— Aqui, tome. – Katia entrega o remédio e a Grace toma rapidamente. – Agora responda-me do que você se lembra?
— Nada exatamente.
— Faça um pequeno esforço para lembrar. – A Grace fica séria e em silêncio tentando lembrar-se de algo. – desculpa, mas não dá. – Ela responde derrotada.
— Tudo bem, mas não se esforce muito, irei fazer vários exames ao longo dos dias para conferir se a perda de memória é temporária ou não e também para ver como esta o bebê. – Katia explica.
— Está bem, espera ai. – Grace ficou chocada e eu raciocínio no que a doutora Katia disse.
— O que? Você disse bebê? – Pergunto chocado com essa informação e minha tristeza some dando espaço a uma alegria imensa.
— Sim, ela está gravida, ela não te contou? – Katia me pergunta.
— Não. – Repondo feliz, mas um pouco seco por saber pela boca da médica.
— Eu já sabia. – Lucy fala. – Mas a Grace me mandou guardar o segredo dela e olha no que deu.
— Tudo bem, agora deixaremos você descansar e vocês dois devem vir comigo. – A Katia sai empurrando eu e a Lucy para fora do quarto.
— Agora a deixem descansar, pois amanha ela já vai sair do hospital. – Vou para a minha sala preocupado e feliz ao mesmo tempo, pois vou ter um filho. Vou atender pacientes na ala das crianças. Fico um pouco com o Set e vamos para os exames rotineiros dele. Quando todos os exames acabam ele fica muito cansado e acaba dormindo em meu colo.
— Você é a única pessoa que se aproxima dele assim Lucas, ele nunca gostou tanto de alguém. – Lucy chega ao meu lado e se senta olhando o Set dormir em meu colo.
— Sim Lucy ele me chama de papai e sente-se seguro comigo, eu sou a única família dele agora, sinto pena dos pais dele por abandonarem uma criança tão especial.
— É Muito especial sim, está vencendo o câncer e ainda sim esta muito feliz. Agora me de ele aqui, pois você tem que levar a Grace embora. – Lucy pega o Set do meu colo
— Duvido que ela vá embora comigo, ela tem medo de mim. – Falo um pouco triste com isso e dou um beijo na testa de Set.
— Vai logo Lucas. – Ela sai andando do quarto com o Set no colo e vai para o quarto dele. Saio andando e vou para o quarto da Grace e espero ela acordar, mas quando ela abre os olhos já começa a me implicar como sempre.
— Você só deve me amar, o que você ta fazendo aqui? – Ela me pergunta já se arrumando na cama.
— Sim, eu te amo muito, e eu vim te levar pra casa. – Falo pegando uma bolsa e entregando a ela, que vai ao banheiro e troca de roupa.
— Você e mais quantos ? – Ela pergunta.
— Eu e eu mesmo. – Sorrio. – Vamos então, prometo ajuda-la a recuperar sua memória.
— Você tem cara de tarado, isso sim. – Sorrio com isso. — Você não tem ideia do quão você é. – falo baixo sem que ela ouça.
— Mas eu vou, não posso morar aqui mesmo.
— Ótimo. – Falo e dou o braço para ela segurar, mas ela me empurra e levanta sozinha. – Teimosa.
— Idai? Vamos logo to com fome. – Ela vai saindo do quarto e eu a sigo, mas assim que chegamos a porta do hospital eu passo na frente e vamos para o Hummer azul e eu entro no carro e ela entra no banco do passageiro e seguimos para casa. O carro estava em um silêncio que até uma mosca faria um barulho ensurdecedor e aquilo estava me consumindo até que não aguentei.
— Você amará nossa casa, afinal, você mesma escolheu tudo o que tem nela.
— Hum legal. – Ela responde.
— Pena que a Lucy não está indo com a gente.
— Quem? – Grace pergunta
— A mulher loira que estava com a gente hoje, ela é sua irmã. – Explico para ela.
— A que legal. – Ela sorri fraco. – E você? é o que meu? – Ela pergunta para mim.
— Eu? Sou seu marido, seu Khal Drogo, seu príncipe e seu maravilhoso e amado esposo.
— Há há, está mais para um maluco desconhecido com cara de tarado e convencido. – Ela fala com um sorriso debochado no rosto.
— É devo ser isso também, sou o que você quiser. – Pisco para ela.
— Fala sério, eu não consigo acreditar que você é meu marido. – Ela fala debochada.
— Porque? sou lindo demais né?– Eu sorrio para ela.
— Não, você é um idiota mega convencido e além do mais é muito irritante. – Ela fala apontando o dedo para o meu rosto. – Eu devia estar fora de mim para me casar com você. – Ela fala exasperada e se joga no banco.
— Não foi isso o que pareceu no dia do nosso casamento. – falo e paro o carro de frente a nossa casa e peço para abrirem os portões e entro estacionando na frente de casa. – É aqui onde eu, você e a Lucy moramos.
— Nossa é enorme, mas espera ai, porque minha irmã mora com a gente? – Ela pergunta e eu sorrio com a pergunta.
— Ah é simples, você colocou fogo no apartamento dela. – Vejo o rosto dela se assustar. – Mas foi um acidente. – Explico a ela e abro a porta. – Vem entra.
— Como assim eu coloquei fogo no apartamento dela? – Ela fala entrando e olhando tudo.
— Como posso explicar você estava na casa dela e tinha uma vela acesa perto da porta, ai quando você saiu à vela caiu e o apartamento pegou fogo. – Acabo de explicar para ela.
— Nossa. – Ela se senta no sofá. – eu sou uma pessoa horrível.
— Não mesmo, você é uma pessoa incrível e linda. – Vou me aproximando do seu rosto. – Posso?
— Pode o que? – Ela pergunta ficando vermelha.
— Te beijar. – Vou me aproximando mais e mais da sua boca, mas paro a uns centímetros.
— Não. – Ela me empurra e eu sorrio. – Não, não, não e não, eu nem te conheço direito seu tarado. – Ela vai ficando cada vez mais vermelha.
— Tudo bem, eu não ligo, ainda mais que eu não vou desistir de te beijar. – Agora o rosto dela fica muito vermelho. – Esta da cor do seu cabelo ruivinha.
— Cala a boca. – Ela pega uma almofada e joga em mim, mas eu pego a almofada.
— Também te amo muito viu, vou esquentar lasanha para nós. – Pisco pra ela e vou andando para a cozinha e dou uma piscadinha para ela.
Fico na cozinha esquentando a lasanha e deixo-a esquentar no forno e vou para a porta e vejo a Grace olhando nossas fotos juntos. Quando esta tudo pronto nós jantamos e eu a levo para o quarto.
— Pode dormir no nosso quarto que eu vou para o escritório. – Falo enquanto pego as roupas de cama, uma toalha, roupas para eu tomar banho e desço. Chego ao escritório, encosto a porta e arrumo minha cama. Vou tomar banho, de banho tomado eu deito de cueca e durmo.
Fale com o autor