Mais uma primavera sem você
2 O verão não aquece meu coração
Notas iniciais
O sol brilhava e o ar estava quente, era verão e o céu era límpido, de um azul puro e hipnotizante. As pessoas da aldeia da sacerdotisa Kaede começaram a acordar e fazer suas tarefas matinais, como pegar água no rio, tomar banho na cachoeira e buscar comida. A senhora Kaede percebe que Inuyasha está em uma árvore bem alta e com passos lentos se aproximava da mesma.
– Ei, Inuyasha! Venha aqui!– exclamou a senhora.
– O que é, velhota Kaede? – resmungou o hanyou e sem demorar pulou de cima da árvore onde estava caindo na frente da mulher. Cruzou os braços escondendo-os dentro de seu kimono e fitou a senhora com o típico olhar esboçando o seu mau humor.
– Eu percebi que você só quer saber de ficar em cima desta árvore desde que a Kagome se foi. Não é assim que resolverá seus problemas. – disse encarando o hanyou com seu único olho que enxergava. Inuyasha olhou para a senhora com seus olhos amarelos fumegantes de raiva ao ouvir o nome "Kagome". Virou suas costas para a mulher e continuou resmungando.
– Olha aqui, velhota. Você não tem problemas na vida, não me ensine a resolver os meus. O seu único problema é que vai morrer logo, se preocupe com isto.– saiu de perto da senhora e foi correndo até o poço Come Ossos. Sentou-se encostando as costas no poço e com o antebraço cobriu os olhos, pois a luz forte do sol se alastrava por ali. "Kagome... Onde você está agora? Você nunca vai voltar para mim? Por que a vida foi tão injusta comigo? Primeiro a Kikyou me lacra na maldita árvore e morre por causa daquele verme do Naraku. E esse mesmo maldito me tira a Kagome. Por que então a Kikyou morreu e renasceu? Por que a Kagome veio para esta época? No fim eu que acabei sofrendo e sozinho." Inuyasha foi surpreendido pela presença de Miroku, que passava por ali para colher frutas para alimentar sua nova família. Analisou o hanyou e disse-lhe:
– O que faz por aqui, Inuyasha?– é claro que o monge sabia o que ele estava fazendo ali, pois já tivera o espionado algumas vezes antes. Viu que ele demorava para responder e resolveu bater com seu cajado em sua cabeça.
– Miroku, seu maldito! Me deixe em paz.– disse o meio youkai de cabelos prateados já bufando de raiva e fechou os olhos. O monge esboçou um sorriso e deu uma risadinha sem graça.
– Tudo bem, Inuyasha. Eu sei por que você está aqui, sei que sente falta da Kagome. Mas tem certas coisas na vida que devemos superar. – disse o monge olhando o hanyou se irritar, até que ele levantou o seu corpo dali e encarou o monge e começou a apontar o dedo em seu peito.
– Escuta aqui Miroku, você acha que eu não estou tentando superar? Você se esqueceu que eu perdi duas mulheres? Uma foi a Kikyou, e agora a Kagome. Você está com a Sango e tem filhos. Eu não tenho ninguém, sempre tive que me virar sozinho. – disse Inuyasha e logo em seguida virou seu corpo em outra direção e começou a olhar para o poço. Sentiu o seu coração palpitar forte por começar a se lembrar do quão bem ele se sentia perto de Kagome. Fechou os olhos e por um instante conseguiu sentir o cheiro da garota.
– Eu não posso estar enganado, é o cheiro dela!
*******
Kagome acordava de mais um sonho ruim e resolveu andar até a árvore sagrada, calçou seus chinelos e andou até ela, ficou observando-a por um longo período e começou a se lembrar de quando conheceu Inuyasha no mesmo local, só que em outra época. Recordou-se de como ficou apertando suas orelhas felpudas e não pode conter o riso. "Ai, o Inuyasha era tão imaturo antigamente. Não sei como ele se tornou uma pessoa tão boa com o passar do tempo e com a nossa busca dos fragmentos da joia de quatro almas. Sem querer acabei me apaixonando por ele e fazendo com que ele se apaixonasse por mim, apesar de sempre negar." Enquanto pensava em tudo isso foi se aproximando do poço Come Ossos, desceu os pequenos degraus e uma vez lá embaixo colocou as mãos sobre o poço. Abriu um sorriso e disse baixinho:
– Eu sei que está aí Inuyasha. Eu estou aqui e sei que você está sentindo o meu cheiro. Eu só gostaria de poder voltar para a era que eu sempre pertenci e nunca soube. A época dos youkais, a era feudal. Meu lugar é na vila da vovó Kaede. — uma lágrima solitária percorreu o seu rosto, assim que limpou a mesma saiu dali de dentro e voltou para dentro de casa. "Kagome, agora você só tem que estudar passar de ano no colégio. Vamos nos focar, por favor." Dizia Kagome para si mesma em seus pensamentos. Pegou sua mochila amarela e colocou seus livros dentro e todo o material didático. Colocou seu uniforme escolar e preparou seu próprio café da manhã, assim que terminou tudo penteou os cabelos e calçou seus sapatos marrons. Com seu material e seu lanche na mochila partiu rumo ao colégio e lá ficou estudando mais do que um cérebro poderia aguentar. Nas pausas de seus estudos seu pensamento era imediato em Inuyasha. Se sentia boba quando se pegava desenhando-o em seu caderno ao invés de prestar atenção nas aulas.
– Será que um dia eu vou voltar a vê-lo?– dizia baixinho e no silêncio de sua sala de aula seu professor ouviu seu murmuro e indagou-a.
– Algum problema, Higurashi?– arqueou uma das sobrancelhas enquanto abaixava o seu óculos dos olhos para observá-la.
– Não é nada, me desculpe. — falou baixinho sentindo o seu rosto corar-se rapidamente pelo tamanho da vergonha que sentiu. "Meu amor pelo Inuyasha me atrapalhando na escola de novo. Ai Inuyasha, será que não vou mais te esquecer? Meu hanyou de cabelos prateados e olhos amarelos cintilantes."
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