Mais uma história nessa cidade
1 Capítulo 1
Um novo começo. Era apenas mais um dia comum, mais uma sexta feira não muito agitada para todos os habitantes daquela metrópole gigantesca no centro do país. Aqueles que viviam no centro da cidade achavam raro ver a luz do sol, pois os prédios bloqueavam a entrada dos raios nas ruas. Em algum ponto daquela cidade, alguém, em uma torre meteorológica de ultima geração, configurava o computador central da estação na qual estava presente, calibrando os instrumentos para que os habitantes dentro de sua cidade (pelo menos naquele bairro) tivessem um dia de sol como era o previsto no jornal.
Com alguns cliques ele acionou uma maquina gigante no topo do prédio. Um barulho limpo e constante, como um ruído controlado, tomava forma na medida em que as nuvens e as impurezas do céu eram sugadas para aquela espécie de aspirador. Um defeito parece ter acontecido, a máquina começa a faiscar. O técnico estende seu braço feito de uma malha metálica com linhas de luz azul, o que provavelmente seria um indicador de bateria. Sua mão se aproxima do computador em sua frente e o compartimentos em seus dedos se modificam tornando-se uma espécie de plug para o computador. Ele se conecta a maquina, podendo ver todo tipo de informação meteorológica disponibilizada pelo aparelho diante de seus olhos. Uma luz forte toma conta de seus olhos até que o defeito foi reparado. Ele se desconecta da maquina e começa a tossir, liberando uma espécie de faísca roxa pela boca.
Em uma cidade longe da capital, um jovem não tão novo de nome Lucas abria seus olhos muito lentamente. Uma fresta na janela dava espaço para a luz que batia em seus olhos. Ele estava no seu apartamento no topo de um prédio de 29 andares(o que era pouco comparado a capital). Lucas senta na cama, olha para a janela. que estava tomada por uma tela com seu ultimo projeto de aumento de velocidade. Ele levanta sua mão e desliza a mesma removendo o projeto para uma pasta e abrindo espaço para mais luz passar pelas janelas.
Analisando os prédios menores que o seu percebe que pela primeira vez em muito tempo teve uma noite boa de sono, provavelmente uma das únicas que teve neste último ano. Quase meio-dia quando, Lucas abre sua porta com sua mala e começa a correr para a estação de trem. Sua roupa, parte de seu projeto, faz com que ele alcance velocidades absurdas para um humano. Seu visor consegue manipular também, a velocidade com a qual ele enxerga as coisas acontecendo muito mais lentamente, o que poupava muito de seu tempo em casa.
Lucas chegava na estação quando viu seu transporte se afastando da cidade. Ele bota a mão no rosto com uma cara de desapontado e pensa "de novo?". Toca em um botão na sua jaqueta fazendo uma luz com formato de desenho em suas costas se acender. Ele havia ativado seu dispositivo de velocidade. Ele aperta sua mão, segurando com mais força a mala, em instantes o que sobra é apenas um rastro de luz seguindo um ponto reluzente em cima daqueles trilhos finos de trem. Ele ainda tinha tempo.
O que ele estava seguindo não era um modelo recente, demoraria muito para atingir a velocidade máxima. O trem quase atingia a velocidade de cruzeiro intercontinental. Lucas abaixava seu visor para configurar a potencia de seu traje para um nível ainda não testado por ele.
A luz que antes era azul em suas costas se torna um vermelho forte. Lucas gasta sua energia dando um pulo para dentro do trem. Um funcionário da companhia se aproxima:
— Senhor, está indevidamente atrasado! Na próxima vez chegue mais cedo. Agora, por favor, me passe sua passagem, sim?- Lucas revira seu bolço e tira um ticket amassado.
— Esta aqui! Pode me mostrar meu acento?- o funcionário estranha a cara de felicidade no rosto daquele rapaz, mal sabia ele que este moço de nome Lucas estava se mudando para a cidade grande, fazendo isso sem avisam a ninguém, apenas seguindo uma vontade, um instinto que tivera a algumas semanas.
Ambos caminham em um corredor estreito. Uma luz no teto ilumina tudo. Aproximam-se de uma porta com o número 42 no centro: — Número 42, como o senhor pediu, com direito a carregador e uma entrada universal. No vagão a frente está o bar e no seguinte o restaurante. Lucas clica em um botão na parede fazendo com que a porta se dobre várias vezes até ficar do tamanho de um pequeno cubo, o qual se encaixa na parede revelando um quarto gigantesco com uma cama de casal relativamente grande e com uma janela para o oceano (sim, com o tempo de viajem estavam alcançando os grandes mares) e uma tela de vidro.
Lucas fechou a porta e se aproximou da janela, ficou ali, parado, pairando o horizonte tentando imaginar o que o aguardava nesta viaje. Nada próximo do que aconteceria... Horas haviam se passado, a cama estava toda desarrumada. Lucas nem estava mais naquele quarto, ele era o primeiro na fila de saída do trem, ansioso para sair e chegar em seu apartamento novo. Claro que ele não sabia onde era. Ele havia combinado com a vendedora do apartamento de se encontrarem na estação. As portas se abrem, um turbilhão de pessoas sai daquele trem quase quilométrico. Lucas já estava com seu equipamento carregado, ativa seu visor novamente para achar a vendedora com mais facilidade. Visto ela, ele se aproxima se apresentando. Ela logo se adianta:
-Olá, você deve ser o Lucas, eu sou Mandy, muito prazer- diz ela estendendo seu braço, -Bem vindo a cidade grande!!- Lucas olha para fora da estação como quem está vendo a beleza pela primeira vez. A escuridão e a luminosidade, este contraste que reflete bem tudo neste novo local...
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