Notas iniciais
Como é de praxe, uma nota inicial para o capítulo. É isso. Pois é... Se precisa ter, que tenha, né?

“E os outros dois monstros que estavam junto com os outros três para pegar William, Ruf e Ramon?” Essa é a pergunta que deve surgir logo depois que se nota que foram cinco monstros para a dimensão 123/Eba e só voltaram três para a Corte Ficcional. Logicamente, os outros dois ficaram na dimensão 123/Eba, por enquanto apenas se divertindo com os doces que vivem por lá. Sim, eles passaram a se divertir, pois isso era algo que quase não se fazia na dimensão dos Ficcioneiros, já que eles tinham que fazer milhares de graduações para poder ter algum tipo de prestígio. Na dimensão 123/Eba, para ter prestígio basta ter coco. O lazer era completo. É claro que eles não tiveram relações muito íntimas com os doces – pois isso não era uma coisa muito aceitável pelos próprios monstros –, mas mesmo assim tiveram muitas diversões como jogos de cartas, prática de esportes radicais e Festa do Pijama com os marshmallows da Cidade da Esfera.

Em contrapartida, os três heróis continuam a jornada, já que, de certa forma, não há muito mais o que se fazer além de destruir a obra dos Ficcioneiros. É... Às vezes, quando não se tem nada para fazer, você destrói algo. Ainda bem que eles têm a missão de destruir algo ruim, né?

Enfim, William, Ruf e Ramon estão novamente viajando para outra dimensão. Mas, dessa vez, eles usam o portal que está no final do corredor que leva à porta de entrada para a Corte Ficcional (eu poderia dizer que a porta é o portal, mas eu quis deixar a trama um pouco mais intrigante).

— Ramon — diz Ruf —, você pegou um guarda-chuva?

— Não — responde Ramon. — Por quê?

— Acho que vamos ter que pegar um.

— Para quê vocês usam um guarda-chuva? — William pergunta.

— Na realidade, os guarda-chuvas nos dão segurança. Houve um tempo em que um ser muito importante veio para a nossa dimensão e disse que nós não estávamos completamente condenados por Mateus. O que ele disse era verdade, já que hoje podemos conversar com ele, não é, Mateus?

— É sim, Ruf. — respondo.

— Então... Esse ser era como um de nós, na realidade, mas tinha um quê diferente. Mateus disse que foi um doce que ele mesmo fez, de suas próprias mãos, para nos mostrar que ele se preocupa mesmo com a gente. E, para mostrar que ele não estava brincando, nos trouxe um guarda-chuva, alegando que este guarda-chuva era o sinal de que Mateus estava disposto a nos proteger de qualquer coisa que viesse a nos ameaçar se confiássemos nele.

— Existe uma história parecida com essa na nossa dimensão — responde William.

— Mas eu me baseei nessa história — eu respondo. — Eu não sou tão criativo assim...

— Ah, faz sentido agora — William responde.

— Continuando a história —Ruf continua —, esse ser foi humilhado por muitos dos nossos governantes e então morreu.

— É... Mateus, perdão, mas você não foi muito criativo!

— Mas verdade deve ser dita! — respondo. — Prefiro não ser criativo a inventar qualquer outra coisa que não me inspire.

Enquanto temos essa conversa agradável, os heróis passam pelo corredor. Então se ouve uma voz vindo de algum lugar da sala, dizendo:

— É um pouco estranho pensar que as pessoas conversam com um tal de “Criador”, você não acha?

— Parece que nem todo mundo acredita nessa história — diz William.

— Eu não obriguei ninguém a acreditar em mim. — respondo.

Finalmente, os heróis chegam ao portal. Eles não fazem ideia de qual dimensão entrarão, mas mesmo assim eles continuam andando. Afinal, o celular de Ruf perdeu a carga, e ele precisa encontrar um lugar para recarregá-lo. William ainda não percebeu que o seu também está sem carga, mas felizmente ele trouxe o carregador.

— Vamos nessa, galera? —diz Ramon, colocando e ajeitando seus óculos escuros.

— Vamos — responde William.

— Mateus, descola um guarda-chuva pra nós?

— Eu serei seu guarda-chuva— respondo.

—Ok. Então vamos lá, galera! — Ruf diz, e os três entram no portal. Enquanto isso, eu tento convencer Ramon de que tudo isso que ele está passando é a realidade, pois afinal, ele está relutante em acreditar que essas coisas são reais, já que está sendo praticamente impelido a realizar todas as ações que tem realizado.

Eles fazem uma viagem maravilhosa até chegarem a uma dimensão nova e estranha. Obviamente, isto é algo normal de se acontecer quando se viaja pelas dimensões, mas como não se conhece muita gente da Dimensão 2 que viaje constantemente para outras dimensões, então ficamos com esta descrição.

Eles finalmente chegaram na dimensão depois de alguns movimentos psicodélicos nos seus corpos. Ramon se sente um pouco maior agora, enquanto que William ainda tenta entender por que ele era tão importante para tal missão, além de refletir na reação do monstro quando ele disse: “Não, não, não, não, não, não! Isto não é possível! Por que você não disse isso pra mim? Cara, muita coisa poderia ser esclarecida se você me dissesse isso antes! Por que você estragou sua vida desse jeito? E agora, como consertar? Não importa: ainda podemos voltar”. E Ruf… Não tinha muito o que fazer nessa psicodelia toda, e se sente normal como em qualquer outra dimensão que já pisou.

A dimensão na qual se encontram agora é um tanto sombria quanto alegre. Árvores possuem ectoplasma, pessoas têm parte de seus corpos escurecido, mulheres não usam burca… Eles caem no meio de uma floresta (por que não?) com árvores e pessoas andando em volta, sem perceber que eles estavam por ali.

— Que dimensão será esta? — pergunta Ramon.

— Não sei — Ruf responde. — Eu não lembro de entrar num portal como este. Talvez seja um lugar diferente de uma dimensão que eu já entrei, mas não tenho certeza. Vamos andar um pouco em direção às luzes daquela cidade — Ruf aponta para uma cidade ao longe, que de certa forma possuía luzes e partes escuras que contrastavam fortemente com as luzes.

— Mas o que faremos aqui, afinal?— pergunta William.

— Considerando que entramos aqui por acidente, creio que não se sabe ao certo o que faremos. — responde Ramon.

— Ramon, — Ruf começa a perguntar para obter respostas sobre a dimensão em que se encontram — lembra que um dos monstros disse que um portal específico levava a uma dimensão secreta?

— Ahn… — Ramon começa a se questionar se o evento realmente tinha ocorrido — acho que não… Não sei nem ao certo se um deles mencionou isto!

— Pelo que eu me lembre, eles não disseram nada disso — disse William.

— Acho que temos que pegar o Desenhador — diz Ruf.

— Para quê? —pergunta William. — Olha, nós dois sabemos que nenhum dos monstros disse algo do tipo. Por que teimar?

— Mas vocês têm certeza de que eles não disseram nada disso?

William e Ramon respondem confirmadamente.

— Hm… Então temos que investigar um pouco ma…

Enquanto Ruf falava, uma criatura do tamanho de um unicórnio do tamanho de um pônei, de cor branca com detalhes #00FFFF (isso é azul-claro) e cabelos ruivos aparece em sua frente, correndo feito um unicórnio. Era um unicórnio. Ele atropela William, derrubando-o no chão e caindo juntamente com ele.

— Ai! — William grita. — O que foi que aconteceu? — e começa a se levantar.

— Uau!— responde o unicórnio, que pela voz parece ser fêmea. Ela está de olhos fechados por causa da queda. — Eu preciso continuar correndo, não posso deixá-los me alcançarem! — de repente ela abre os olhos e vê nossos três doces e (nem um pouco) corajosos heróis; ela dá um salto de susto. — Quem são vocês? E… O que fazem aqui?

Quando William se aprontou para responder ela disse:

— Espere… Eu fiz essa pergunta?

— Sim — responde William. — Você fez essa pergunta.

— Que pergunta? — Ruf pergunta.

— Ruf — Ramon diz —, cala a boca!

— Isso quer dizer que vocês não são daqui!

De repente, Ruf parece tomar consciência de um fato muito importante, assim como Arquimedes descobriu que sair correndo pelado pela rua faz as pessoas acreditarem muito mais no que você diz que descobriu do que se sair com capuz.

— Espere… Esta é a dimensão Confidencial, certo?

— Sim — responde a unicórnia (se podemos chamá-la assim).

— Isso explica o fato de vermos somente parte das coisas!

— Então vocês realmente não são daqui, certo?

— Não mesmo — responde William. — Estamos aqui porque saímos da Corte Ficcional e…

Neste momento, a unicórnia pega os três e os leva a um esconderijo entre duas árvores. Obviamente, a unicórnia também não era dessa dimensão, pois, como é de conhecimento de todas as pessoas da dimensão Confidencial, todos os segredos dessa dimensão são facilmente descobertos. Mas quem estava correndo atrás dela simplesmente desistiu da perseguição, o que fez o esconderijo parecer efetivo numa situação dessas. Só pra constar: eles desistiram da perseguição por encontrarem uma bala de coco fúcsia, muito raro por essas bandas por ser uma das poucas coisas na dimensão Confidencial que pode se tornar segredo.

— Ok. — diz a unicórnia. — Parece que eles não vão nos encontrar agora.

— Mas afinal, por que estavam te perseguindo? — pergunta Ruf.

— Eu não sei. Eu simplesmente disse “Não, não, não, não, não, não! Isto não é possível! Por que você não disse isso pra mim? Cara, muita coisa poderia ser esclarecida se você me dissesse isso antes! Por que você estragou sua vida desse jeito? E agora, como consertar? Não importa: ainda podemos voltar” de forma aleatória e então começaram a me perseguir.

— Uau! — diz Ramon — Parece que essa frase é realmente importante.

— Eu também não sou daqui. Sou Marília Amora. Vim da dimensão Pixel. Quem são vocês?

— Espere... — diz William, confuso. Ramon logo capta a confusão em sua cabeça e responde:

— As pessoas da dimensão Confidencial, diferentemente de nós, conseguem mostrar sua identidade de forma integral na primeira vista. Basta um contato visual. Mas pessoas de outras dimensões não conseguem ter essa mesma habilidade. Não é tão útil quanto parece, mas é legal quando você quer mostrar que é a melhor opção para ser cônjuge de alguém.

— Ahn… — Marília toma a palavra — vocês ainda não responderam a minha pergunta.

— Ah, sim, perdão. Eu sou Ramon, e estes são Ruf Bolo Nhesa e William Shakespeare, da Vida Real.

— Espere… — Marília demonstra surpresa. — Vida Real? Ela existe?

— Sim. — responde William. — Eu vim de lá.

— Uau! Conte-me como ela é!

— Ah… É… Normal, eu acho…

— Sério? Um dia eu quero visitá-la!

— Talvez não demore muito para você ir lá!

— Alguns dos meus antepassados e parentes conheceram a sua dimensão, mas sempre guardam as histórias para eles mesmos! Eu gostaria que eles mostrassem essa dimensão pra mim, mas parece que somente a imagem deles aparece na Vida Real, mas eles não conseguem gravar as imagens para trazer para nós.

— Mas você disse que é da dimensão Pixel...— Ruf interrompe.

— Sim, eu nasci lá, mas meus pais não. Eles viajaram para lá por algum motivo que eu estava querendo descobrir aqui na dimensão Confidencial.

— E como você conseguiu vir pra cá?— pergunta William.

Marília tira da sua bolsa de couro de cavalo um celular de ouro.

— Uau! — Ruf fica estupefato — Você tem a versão Gold!

— Sim, eu tenho!

— Cara, eu tenho procurado essa versão há bastante tempo! Tem o ícone da girafinha?

— Tem sim!

— Que irado!

— Mas vocês… — Marília começa a perguntar — O que vocês realmente fazem aqui? Vocês disseram que saíram da Corte Ficcional, certo?

— Sim — responde Ramon. — Estamos à procura de algo muito importante.

— Eu imagino. Se vocês foram para a Corte Ficcional, então não é qualquer coisa!

— Pretendemos destruir Ficção — responde Ruf.

Marília para por um momento. Anda de um lado para o outro, sem saber o que pensar sobre o assunto.

— Olha… — diz Ramon — Talvez você possa nos ajudar. Soube que unicórnios possuem habilidade de serem rápidos e espertos para situações diferentes. Também soube que são autodidatas e podem nos ajudar com os problemas filosóficos que aparecerem no caminho.

Marília fica um pouco confusa, mas logo pega o sentido da fala e, num tom de total prontidão para enfrentar os Ficcioneiros, ela diz:

— Podem contar comigo. Vamos destruir essa bagaça! O Cheiro da Morte não pode se espalhar mais do que já se espalhou! É por isso que saí da dimensão Pixel.

— Pera… a Dimensão Pixel foi tomada pelo Cheiro da Morte? — pergunta Ruf, que visitava constantemente Pixel para encontrar seu amigo Yuri.

— Não, mas meus pais acharam que sim, então me trouxeram para cá.

— Acho que sei qual a nossa próxima parada então… — Ruf diz.

— Dimensão Pixel? — pergunta William.

— Não… Dimensão Alfa/Lírica/52.

Notas finais
O que será que vai acontecer ao Dr. Neanderthal? Leia outra história se quiser saber!