Mais uma história de Ficção
14 Duas cabeças ou mais
Notas iniciais
— Calma... — diz William, pensativo, dentro da nave espacial.
— O que foi? — responde Ruf.
— Nós não passamos pela Caixa Iluminada de Bagre...
— Talvez a Caixa Iluminada fosse a casa do vampiro...
— Sim — responde Marília.
— O lugar mais importante da cabeça de um vampiro é a mansão central — diz Amanda.
— Como vocês sabem disso? — pergunta William.
— Um cara de um planeta estranho da Vida Real escreveu um livro sobre isso... — responde Amanda.
— Calma... — William retruca novamente. — Quer dizer que existe vida inteligente em outros planetas?
— Vejo que você ainda tem muito o que aprender... — responde Ruf.
— Mas... Como assim? Como eles são? E por que nós nunca ficamos sabendo da existência deles?
— Na realidade — Amanda toma a palavra —, ocorre que vocês entrariam em pânico se ocorresse de alienígenas entrarem no seu planeta. E eles sabem disso.
— Mas... — William começa a hesitar.
— Fiquei sabendo que num planeta perto do seu há vida inteligente... — diz Amanda.
— Sim, Saturno — diz Ruf. — É lá que vivia o príncipe do seu setor galáctico.
— Como é? — questiona William. —Somos divididos em setores?
— Pois é, William... pois é — responde Amanda.
— Isso é tão incrível! — responde William.
— É, digamos que sim — responde Ruf.
— Espere... — Marília toma a palavra — Ele fala sobre a Luta dos Príncipes Livres, certo?
— Esse mesmo — responde Amanda.
— Ah, então é Dreadlyn. — responde Marília.
— Ah, esse mesmo — diz Amanda. — Essa Luta não aconteceu há muito tempo, né?
— Não, não... — responde Ruf. — Pelo menos não muito tempo na Terra da Vida Real...
— Foi muita gente que morreu nessa Luta... — diz Marília.
— Sim. — responde Amanda. — O príncipe do setor da Terra também morreu. Mas eles queriam dominar o universo, e isso é chato!
— Houve uma batalha intergaláctica e eu não fiquei sabendo disso? — pergunta William.
— William — fala Amanda —, se você continuar focado nas teorias da ANTA você não vai conhecer muito da realidade...
— Esse negócio de batalha intergaláctica é tudo teoria da conspiração — interrompe o motorista. — Gosto de teorias da conspiração! Sento e converso com minha esposa sobre elas todo dia! Ah, e tomem cuidado quando chegarem em Gafartudi...
— Tomaremos sim, obrigado — responde Ruf.
— Sabiam que a teoria da conspiração mais freqüente é a de que viagens interdimensionais não passam de uma ilusão grotesca da distorção mental das pessoas? — pergunta o piloto aos heróis viajantes.
— É... Fiquei sabendo — responde Marília. — Se eu não me engano essa teoria está sendo avaliada no momento.
— Ai, não aguento mais isso! — diz Ramon. — Quero Sabrina agora!
— Calma, Ramon — diz Ruf. — Uma coisa de cada vez. Precisamos fazer alguma coisa com relação a Ritaliano.
— Espere... — o motorista começa a se interessar mais ainda — quer dizer que vão encontrar o Ritaliano?
— Isso não tava escrito nas crônicas que você leu? — pergunta William.
— Seu grosso! — responde o motorista. — Por acaso eu preciso lembrar de tudo o que leio?
— Ok, foi mal... — William responde, envergonhado.
— Não tem problema. — responde o motorista.
— Ritaliano Ritalifrancês, — Ruf toma a palavra pegando um papel onde constam informações sobre o imperador. — Um dos escritores de ficção, nascido em Holindor, viajou para a dimensão Alfa/Lírica/52 pela primeira vez quando tinha 15 anos para se encontrar com uma garota que conheceu num lugar qualquer. Seus pais sempre foram ricos, tornou-se imperador quando derrotou um dos generais mais temidos de Banpamc: Fartenaido Polskara, que fora ditador de Banpamc por setenta e sete anos...
— Um revolucionário... — diz William.
— Se revolucionário significa pior que o anterior, talvez seja — responde o motorista. — Ele instalou a maior ditadura de todos os tempos!
Então eles chegam à estação onde devem parar.
— Ah, chegamos — diz o motorista. — Bom, vocês terão que descer aqui, então não poderei continuar a explicar a história para vocês.
— Ok — responde Ruf. — Obrigado por nos trazer aqui.
— De nada! — responde o motorista. — Quando quiserem voltar, já sabem onde me encontrar.
— Sim — diz Amanda —, na estação de...
— Holindor — responde o motorista —, estação Fone.
— Fone? — pergunta William.
— Fone, um verdadeiro herói para o povo de Banpamc— responde o motorista, extasiado. — Ok, podem sair se não eu perco meu emprego.
Os heróis saem da nave se despedindo do motorista, que foi muito gentil e no entanto nenhum herói sabe o nome dele. E não, ele não é um tipo de cameo meu, nem alguém sobrenatural: é só um cidadão comum de Holindor que ajudou os heróis. Se fosse eu ou algo sobrenatural eu falaria!
Continuando a história, nossos heróis continuaram a jornada para Gafartudi encontrar Ritaliano para algo que eles não sabem o que é. Isso porque as crônicas não dizem bem o que acontece ou qual o motivo de acontecer, apenas que acontecem. Está escrito: “Os heróis encontrarão o imperador em Abacaxi, e seu progresso será continuado. Em breve cairão em Pixel”.
Eles caminham até Gafartudi. Chegando na entrada, Ruf pergunta a alguém que estava passando:
— Gostaria de saber onde posso me encontrar com Ritaliano...
— Ah, sim — responde a mulher. — Ele está no seu trono.
— E onde ficaria esse trono?
— É onde a placa está direcionando — a mulher aponta para uma placa que indica o caminho para o trono de Ritaliano.
— Ah, obrigado.
— De nada, otário! — a mulher diz e sai sorrindo.
Todos olham meio perplexos para o que aconteceu.
— É um tipo de elogio chamar de otário por aqui — responde Ruf, sabendo que não é verdade mas também não querendo que pensem que a mulher realmente o achou otário.
— Como as pessoas nessas dimensões falam a mesma língua? — pergunta William enquanto caminham para o trono.
— Não sei — responde Amanda. — Este é um dos mistérios de Mateus.
— E não tem nenhuma explicação? — pergunta William.
— William — Marília toma a palavra —, quando você vai entender que algumas coisas simplesmente não têm explicação?
— É que na ANTA...
— Ah, a ANTA! — diz Ruf, bufante. — Cara, se liga: A ANTA não é Mateus!
— Ele quer dizer que a ANTA não detém a verdade. — explica Ramon.
— Mas deve haver uma lógica nisso tudo! — diz William.
— Então me responde — Amanda toma a palavra —: quanto é um dividido por zero?
— É impossível dividir por zero — responde William. — ... Não é?
— Pois é, amigo... — diz Amanda — Parece que a ANTA não consegue dar lógica para tudo.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu te digo que não só é possível, como é real.
— Vai por mim — diz Ruf a William —, ela sabe do que tá falando.
— Você descobriu como dividir por zero? — pergunta William a Amanda.
— Na realidade... — Marília toma a palavra — Eu descobri.
— Você só pode estar brincando comigo! — William corresponde, em espanto.
— Não... — responde Marília — Na realidade, é simples.
— E como realmente você conseguiu descobrir que isso é possível?
— Mais tarde eu te explico.
— Como Ruf explica as coisas que ele diz que vai explicar? — interrompe Ramon.
— Eu pensei que você não estivesse interessado nelas... — responde Ruf. — Minhas respostas são frias porque eu sou um ajudante de ditador. Isso não quer dizer que eu não tenho sentimentos.
— Mas eu quero descobrir agora como é possível dividir por zero! — diz William. — E por que a ANTA não se utilizou desse conhecimento tão valioso?
— Não é à toa que te tiramos de lá, William... — responde Amanda.
— Espere... O que você quer dizer com isso? — pergunta William. Neste momento, eles chegam ao local onde está Ritaliano. Cinco guardas estão no portão de sua magnífica construção colossalmente desenvolvida para abrigar o imperador da dimensão. Lá também cheira bem, como a casa de Sabrina.
— O que vocês querem aqui? — diz um dos guardas, segurando um martelo.
— Queremos ver Ritaliano — responde Ruf.
— E por acaso vocês marcaram alguma reunião com ele? — diz outro dos guardas, segurando uma adaga.
— Temos — responde Ruf. — Você já leu os contos?
— Que contos? — pergunta o terceiro guarda, segurando uma boneca de pano.
— Parece que não leram mesmo... — responde Ruf.
— Não os deixaremos entrar — responde o quarto guarda, segurando um barbeador.
— Chame Ritaliano e veja se ele mesmo não vem nos ver — responde Amanda.
— E por acaso vocês são pessoas importantes? — pergunta o quinto guarda.
— Ele — Marília aponta para William — veio da ANTA.
Os cinco guardas se entreolham, confusos com a situação, mas com um certo entusiasmo por um dos acadêmicos da ANTA estarem presentes naquele momento.
— Então quer dizer que você passou nos testes que eles fazem para permissão de viagens interdimensionais? — pergunta o primeiro guarda, agora segurando uma bota.
— Como eu posso te dizer isso...? — responde William.
— “Sim” ou “não”, guri — responde o segundo guarda, segurando uma maçaneta de uma porta de vidro. A maçaneta não é de vidro, mas a porta da qual a maçaneta faz parte é.
— Digamos que as duas respostas contem...
— Explique — diz o terceiro guarda, segurando uma pêra azul.
— Vocês querem a minha argumentação? — pergunta William.
— Eu posso ajudar a argumentar — diz Marília. — Acontece que quando você fica a fim de alguém você...
— Unicórnia, — diz o quarto guarda, segurando uma prancha de surf — queremos argumentos, e não romances.
— Eu posso fazer isso com os dois! — responde Marília, ofendida.
— Acontece que o que minha querida amiga unicórnia está dizendo é que é melhor mostrar os fatos do que simplesmente apresentar argumentos. — diz William.
— Ah... — Responde o quinto guarda, segurando uma cueca. — Parece que realmente vocês... Espere... Eu ainda não entendi!
— Não precisa entender, amigo — diz Ruf. — Duas pessoas já mostraram seus argumentos, o que prova que elas podem estar certas.
— Isso faz sentido — responde o primeiro guarda. Ele continua segurando a bota. — Chamarei Ritaliano para vocês.
O guarda sai do seu posto, deixando apenas quatro no local. Ele chama Ritaliano, explicando toda a situação e dando ênfase ao fato de William participar da ANTA. Isso interessa a Ritaliano, que de pronto sai ao encontro de Amanda, Marília, Ramon, Ruf e William.
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