Mais uma Blackinnon
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Sirius virou sua cabeça para ao lado afim de desviar o rosto de uma lufana que vinha caminhando em direção à mesa da grifinoria, em passos largos e decididos. A garota dormira com ele há mais ou menos dois mesês atrás e, para a infelicidade de Sirius, parecia mais grudenta que catarro de trasgo, correndo atrás dele e mandando bilhetinhos de amor que tocavam musicas para acompanhar a leitura. Ele já estava ficando paranóico, pedindo para Pedro Pettigrew provar as comidas que ele ganhava de admiradoras secretas com receio que estivessem banhadas em amortentia e abrindo cartas apenas quando estava próximo a lareiras, para que pudesse queimá-las o mais rápido possível se fosse preciso.
Então naquela manhã de domingo, depois de encher a barriga com um bom pudim de carne, dar boas gargalhadas com a falta de jeito de Pedro com as garotas, ralhar com Remo por estar sempre lendo e ver James quebrando a cara depois de chamar Lily Evans para sair pela milésima vez na semana, o que ele menos queria era Jurema ( vamos chamá-la de Jurema no decorrer da narração, mas a verdade, era que Sirius não fazia a mínima ideia de qual era o seu nome, e muito menos fazia questão de saber, mas para facilitar a leitura não vamos chamá-la de garota o tempo inteiro) agarrando-se em seu pescoço e murmurando indecências em seu ouvido com uma voz rouca ( Sirius já ouvira ela falando normalmente, então supunha que aquela era sua tentativa de sensualizar a fala) e praticamente sentando em seu colo. Ele não suportava aquilo.
Não enquanto sentia o olhar de Marlene McKinnon fixo em si.
Sirius não sabia para onde aquilo estava indo, mas assustara-se uma ou duas vezes ansiando pelo momento no qual poderia por as mãos nos cabelos da garota novamente e ele simplesmente parara de agir como se tivesse que pegar todas as garotas de hogwarts antes que trocassem o professor de DCAT mais uma vez (ok, ele não parou completamente, mas às vezes as garotas o tentavam demais, ele ainda era Sirius Black, pelo amor de Dumbledore!) o fato é que ele já não andava pelos corredores de Hogwarts procurando carne nova, ele andava procurando os fios dourados de uma certa garota.
– Esperando as batatas se devorarem sozinhas, Black? — Ouvir a voz de Lene vindo de trás de si deixou um sorriso congelado em seus lábios, e o garoto pensou que daria melhor uso a eles se não estivessem em público, mas, como estavam, limitou-se a usá-los para sorrir apenas.
– Estava na esperança que você viesse aqui me ajudar a termina-las — replicou encarando-a nos olhos e abrindo espaço para que ela sentasse ao se lado.
– Sinto muito por desaponta-lo, Black. Estou com a barriga cheia. — Retrucou.
– Deixou espaço para a sobremesa? — Falou com um sorriso torto, mas este morreu quando Jurema alcançou seu braço e virou-o para si, obrigando Sirius encarar seu rosto rebocado de um pó colorido trouxa que Lene chamava de maquigem.
– Si, meu amor! Sentiu minha falta? Oh, não fique chateado querido, eu estou aqui agora! — Falou com a voz rouca e afetada. Marlene bufou.
– Justamente por isso que estou chateado — respondeu friamente.
– Me perdoa?
– Olha, garota, eu não tenho o que desculpar. Você não é minha namorada, não é nada! Você não me deve explicações e eu não senti sua falta.
– Ora bobinho! Claro que é meu namorado, se não, do que você chamaria nosso relacionamento?
– Não existe relacionamento! Pare de se humilhar desse jeito, por favor!! — Sirius replicou exasperado, e deu um pulo quando sentiu o braço de Marlene passando sobre seu pescoço.
– Desculpe — Lene falou para Jurema e Sirus encarou-a intrigado, a garota tão perto que seus narizes quase se tocaram — a fila anda.
– Você... Como pôde?! Si, eu confiei em você, e você me trocou... Por... Por.. Essa filha de você-sabe-quem! BEM QUE MINHAS AMIGAS ME AVISARAM QUE VOCÊ NÃO PRESTAVA — chorou ela — eu pensei que fosse diferente — falou com um fiapo de voz e correu para o salão comunal da Lufa-Lufa, Sirius finalmente rindo e agradecendo a Lene pelo favor.
– É — ela falou depois de algum tempo — eu sempre guardo espaço para a sobremesa — Depois sorriu, e voltou para perto das amigas.
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– Cara, você está doente, Sirius. Não é possível! — admirou-se James quando Sirius dispensou a segunda garota do dia.
–Merlin, James! Estou bem. Só não estou afim de nada assim agora. — retrucou carrancudo.
– James está certo, Sirius. De você espero muita coisa esquisita, mas negar uns amassos? Tem algo errado. — Remo insistiu.
Sirius pegou uma caixa de chocolate no formato de um coração e passou para Pedro, que parou de devorar feijaozinhos de todos os sabores e começou a abrir as pequenas embalagens de chocolate recheado de Whisky de fogo.
– Não. Está tudo certo. Estou cansado, só isso.
– Cansado de conversar com a Mackinnon é? Estou vendo você com muito interesse no que ela diz ultimamente — James pontuou, debochado.
– Porque não vai planejar o seu próximo encontro imaginário, Sr. eu amo a Lily Evans Potter? — Isso calou o garoto.
– Sirius vou ficar na minha, mas Marlene é minha amiga e se for para ter qualquer coisa com ela, é bom que seja sério- Remo repreendeu-o — E como eu sei que tratando-se de você nada é sério, é melhor que deixe ela quieta.
– Meu caro Remo, não sei se percebeu mas sua querida Lene, não é nenhuma virgem puritana — ele riu — pelo contrário. Além do mais, isso é viagem do Pontas; nao tenho nada com ela. Fora que isso não faria o menor sentido, eu nunca me interesso pelas coisas que minhas vítimas dizem.
Remo lançou-lhe um olhar desconfiado, mas assentiu.
Sirius nunca achara que mentir seria tão difícil.
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Sirius Black tentava pela décima vez começar uma redação decente sobre barretes vermelhos, mas já estava em seu segundo pergaminho manchado de tinta e seus olhos continuavam sendo atraídos para Marlene, que fazia o que ele deveria estar fazendo, do outro lado da biblioteca. O jeito que suas mãos se moviam e como mordia o lábios inferior tentando se concentrar deixava Sirius com vontade de agarra-lá imediatamente, de anunciar pra todo mundo que ela era dele é que era para os outros idiotas ficarem longe dela. Ele sabia que a queria. Ele apenas achava que estava ficando louco. Mais louco que quando a via com outros garotos, mais louco que quando ela brigava com ele por ter dito algo idiota.
Ele achava que a maior loucura do mundo era se apaixonar.
E nunca ninguém contara-lhe como estava errado...
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Sirius saiu do castelo coberto pela capa de invisibilidade e sentiu a noite pesando sobre si. Procurou por Lene e encontrou-a sentada sob uma árvore, observando a lula gigante criar ondulações na água do lago.
– você deu muito na cara, não acha? — perguntou quando o ouviu chegar. Sirius tirou a capa.
–Quê? — Perguntou, claramente confuso.
–Hoje. Na biblioteca. Me encarando. — explicou sucintamente.
– Ah — deu um sorriso torto e passou os dedos pelos cabelos negros — não pude evitar. Como Consegue se esgueirar pelo castelo sem uma dessas? — perguntou se referindo a capa e sentando ao seu lado.
Ela sorriu e o beijou.
– Acho que os marotos deviam considerar que eles não são os únicos que conhecem os truques do castelo. Inclusive, deviam considerar que não conhecem nem a metade. — falou com um sorriso desafiador.
Ele se perdeu em seu sorriso por um momento, pensando em como era injusto que ela tivesse um sorriso tão mais perfeito que de todas as outras garotas. Depois se repreendeu dizendo a si mesmo que ela era só mais uma que ele gostava de agarrar. Veja bem, Sirius ainda estava naquela fase da vida em que achava que mentir para si mesmo dava resultados.
– Talvez você possa me mostrar esses truques um dia — respondeu aproximando seu rosto do dela o suficiente para sentir sua respiração quente e passando os dedos pela sua nuca causando-lhe arrepios. Continuou daquele jeito sem quebrar o espaço entre eles.
– É talvez um dia — Ela falou com certa dificuldade para organizar os pensamentos e Sirius sorriu sabendo que causava esse efeito nela — mas agora temos assuntos mais urgentes — falou e o beijou profundamente.
Então naquele momento Sirius esqueceu que não devia sentir-se daquela maneira, que não deveria pensar em como era mais fácil sorrir quando ela estava perto ou em como ele amava quando ela falava o seu nome como se Black fosse a palavra mais doce do mundo.
Naquele momento, ele esqueceu que não deveria envolver-se com ninguém por medo de acabar como a família dele.
Ele ignorou todos esse fatores.
Por que ela estava ali com ele, e se fosse preciso ele ignoraria tudo ao seu redor.
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