Mais um verão

19 Conversando na praia


ANDREW

–Narrator-

ANDREW E SOPHIA HAVIAM DORMIDO NA RUA NA NOITE ANTERIOR, em algum lugar de São Francisco. Por sorte, hoje, uma senhora bastante simpática lhes deu almoço e permitiu-lhes tomar banho em sua casa. À tarde, continuaram caminhando, e haviam chegado até uma praia. Decidiram parar um pouco para conversar, pois não conseguiram falar muito pela manhã, já que um grupo de monstros decidiu atacar os dois jovens, mas Andrew conseguiu destruí-los com a ajuda da sua moeda que se transforma em lança.

Já estava escurecendo. Os dois jovens estavam sentados sobre a areia da praia. Andrew admirando o horizonte, e quando olhou para Sophia, percebeu que a garota deixava algumas lágrimas correrem por seu rosto.

– Ei, por que você tá chorando? — perguntou Andrew.

– N-não é nada. E-eu estou bem. — dizia Sophia, enxugando as lágrimas.

– Eu não conheço muitas garotas, Sophia, mas sei que quando uma chora, tem algo errado. Vamos, você pode me dizer o que é! — falou Andrew, virando de lado, para olhar nos olhos de Sophia.

– Eu estou com medo, Andrew! — disse a garota, apoiando sua cabeça no peito do garoto.

– E-ei... Calma... Não precisa se preocupar! — ele tentou dizer.

– Você tem uma moeda que se transforma em lança, e você me salvou daquelas coisas naquele dia! Se você não tivesse aparecido, eu acho que eu não estaria mais viva nesse momento. Mas e eu? Eu não tenho nenhuma moeda que se transforma em algo útil, eu não tenho nenhuma arma, Andrew! Eu não tenho nada que pode nos proteger... Eu não devia ter te conhecido! Se algo acontecer à você... Eu não me perdoaria! — ela falou tudo isso após levantar a cabeça, olhando os olhos de Andrew, e depois desmoronando em lágrimas novamente.

– Por favor, não fica assim. Nada de ruim vai acontecer à mim, ou à você. Eu não vou deixar. — ele disse, sorrindo. Sophia ficava encantada todas as vezes que via Andrew sorrir. Com certeza isso a fez se sentir melhor.

– Mas... — ela tentou protestar.

– Nada de mas... Para mim, sua presença é mais importante que qualquer arma! — ele falou, e em seguinda corou, percebendo o que havia falado. Sophia também corou. — Vamos ficar juntos, e eu vou te proteger, até acharmos aquele tal acampamento...

– Você promete? — ela perguntou, ainda olhando nos olhos castanhos de Andrew.

– Sim, eu te prometo.

E então, ela apoiou a cabeça novamente sobre o peito de Andrew, parecia mais aliviada depois de dizer à Andrew o que sentia. Andrew juntou os braços nas costas de Sophia, abraçando-a. Passaram-se alguns minutos, e Sophia adormeceu nos braços do garoto. Ele a deitou sobre a areia com cuidado, para não acordá-la. Andrew tirou seu casaco, e colocou ao redor de Sophia. Ele queria que ela não sentisse tanto frio, pois à medida que a noite caía, o lugar estava ficando muito frio, realmente. Andrew queria que Sophia ficasse o mais confortável possível, mesmo que isso significasse tirar o único conforto que ele tinha, para dar à ela.

Ele se virou para o mar. Ficou novamente admirado olhando para toda aquela imensidão azul. O sol já não estava mais presente. Em seu lugar estava a lua, e seu brilho refletia sob a água do mar. Ele lembrou da sua avó. Lembrou da última vez que havia a visto, no dia que fugiu de casa, para que aquelas coisas não atacassem a sua amável avó. Lembrou dos dias que vagou sem rumo pelas ruas de São Francisco, até o momento que encontrou Sophia, cercada por um grupo de criaturas. Lembrou de tê-las espantado, e salvado Sophia. Lembrou do dia seguinte, do monstro voador que ele destruiu com a sua moeda que vira lança. Lembrou de todos os detalhes que aconteceram após aquilo, chegando neste exato momento, onde ele estava sentado sob a areia da praia, olhando para o reflexo da lua no mar, com Sophia deitada ao seu lado, dormindo. Ele pensou um pouco mais sobre aquela garota dos cabelos escuros e olhos cor de âmbar. Ele se sentia feliz ao seu lado. Ficou feliz por tê-la conhecido. E então, deitou ao lado de Sophia, e dormiu.

No sonho, Andrew viu dois adolescentes, um garoto de cabelos negros e olhos verdes, e uma garota de olhos cinzentos, e cabelos loiros. Estavam montados em um... Certo, Andrew não sabia o que era aquela criatura. Parecia um cavalo, mas com asas. Rapidamente lembrou das aulas de história do colégio onde estudava. Será que eram pégasos? Andrew se perguntou. A garota tinha as mãos na cintura do garoto. O garoto aparentava ser um pouco mais velho que Andrew, e a garota loira parecia ter a mesma idade do garoto com quem ela conversava naquele momento.

– Você acha que ainda falta muito? — a garota loira perguntou.

– Eu não sei... Blackjack falou que poderíamos chegar lá em poucas horas... — ele respondeu.

– Aguentem só mais um pouco! Vamos encontrá-los e levá-los até o Acampamento... — ela disse.

Então Andrew entendeu que aqueles dois adolescentes montados em um pégaso estavam procurando exatamente ele e Sophia. E eles disseram que iam levá-los para o Acampamento!

– Nós estamos em São Francisco, em uma praia! — ele gritou, porém os dois adolescentes montados no pégaso não escutaram, e se escutaram não demonstraram.

– Em São Francisco! — ele gritou ainda mais alto, mas quando olhou de novo, viu que logo atrás deles, um grupo de monstros voadores estavam lançando bolas de fogo. Ele viu o pégaso pousando no meio de uma floresta, e então acordou, e quando abriu os olhos viu Sophia.

– NÃO! — ele gritou, e logo depois viu que foi apenas um pesadelo.

– Calma! Você teve um pesadelo? — ela perguntou, assustada.

– Acho que sim... Já é manhã? — ele perguntou.

– Não! — ela respondeu.

– E por que você me acordou? — ele perguntou novamente, dessa vez sentando-se e esfregando os olhos.

– Você tava gritando algo sobre São Francisco e praia, então eu tive que te acordar! — ela respondeu. — Sorte nossa que não há mais ninguém aqui por perto. — Ele assentiu.

– Poxa, desculpa. É que eu tive um sonho, com dois adolescentes, sentados em um pégaso, e... — Andrew explicou todo o sonho para Sophia, que parecia não acreditar na parte de dois garotos montados em um cavalo voador, viajando o país para encontrá-los, sendo atacados por monstros voadores e bolas de fogo.

– Então... Você quer que eu acredite que dois adolescentes estão nesse exato momento voando em um pégaso, vindo a nosso encontro, para nos levar à esse tal acampamento? — ela perguntou, levantando uma sobrancelha.

– Sim. Quer dizer, não! Eles foram atacados! Parece estranho, mas é isto que vi. — ele disse.

– Ah Andrew, volte a dormir. Talvez essas batalhas com aquelas criaturas estejam... — ela dizia.

– É verdade! Eles estão vindo nos encontrar! Bom, quando estiverem bem... — Andrew falou.

– Hum, claro, agora volte a dormir. Você precisa descansar. — ela disse, deitando na areia novamente.

Andrew também deitou, só que olhando para o lado oposto de Sophia. Ele estava irritado, pois Sophia não acreditava que dois adolescentes um pouco mais velhos que eles estavam viajando em um pégaso, para encontrá-los e levá-los para um acampamento, e também sendo atacados por monstros. Naquele momento, Andrew estava mesmo irritado. Depois de alguns minutos, percebeu que aquilo que ele havia sonhado era loucura. Não podia acontecer. E então, se sentiu mal por ter ficado zangado com Sophia.