Mais um verão
36 Surpresas de Andrew
ANDREW (Point of View)
Deixei o pavilhão-refeitório, e me apressei para alcançar Percy. Estávamos indo ao arsenal... Fiquei meio sem graça em lembrar que agora há pouco eu comparei esse arsenal com aquele outro Arsenal. Ora, não me culpe! Os nomes são parecidos...
– Chegamos cara. – Percy falou, e só aí que eu percebi que havíamos chegado. Rápido, não?
Eu já havia visto a parte externa daquele lugar, mas nunca havia entrado. Percy entrou e me mandou segui-lo. Ao entrar, eu me impressionei. Sério. O lugar era enorme, e era repleto de armas e outros equipamentos de batalha. Aproximei-me de uma das paredes, onde haviam armas, como espadas, lanças e escudos, todas elas penduradas em grandes hastes de metal. Do outro lado do arsenal, encontravam-se armaduras gregas completas, compostas por elmos, peitorais, perneiras e botas. Tanto as armas quanto as armaduras pareciam ser feitos do mesmo material que minha lança, bronze-celestial.
– Hm, vejamos... – Percy começou, enquanto segurava um escudo que havia pego da parede.
– Isso também é de bronze-celestial, certo? – perguntei. Percy olhou para mim com uma cara de surpresa.
– Como você sabe?
– Eu tenho uma lança de bronze-celestial, se esqueceu?
– Ah, é mesmo. Desculpe. – ele disse, e voltou a olhar para o grande escudo que estava em suas mãos – Bom, respondendo a sua pergunta, sim, todos os equipamentos daqui são feitos de bronze-celestial. – assenti.
– Mas... Se eu já tenho uma lança, por que estamos aqui? – perguntei, olhando para os lados.
– Você tem o ataque, mas não a defesa. – ele respondeu, colocando o escudo que havia pego de volta na parede, e andou mais um pouco, pegando outro escudo.
– Ahn? – eu não havia entendido.
– Cara! – ele falou, olhando para mim – Você tem a lança, temos que encontrar um escudo pra você agora! Entendeu?
– Ah, sim. Desculpe. – falei, assentindo.
– Sem problema... – ele disse, colocando o escudo de volta no lugar e andando novamente.
– Hm... Com quantos escudos você vai fazer isso? – perguntei e ele olhou para mim, com a cara que eu devo ter feito agora pouco, sem entender – Quantos escudos você vai pegar, olhar e colocar de volta na parede?
– Ah. – ele disse, voltando a observar os escudos da parede – Eu tenho que encontrar o escudo certo para você.
– Certo?
– Sim, o certo. Ele deve ficar balanceado em seu braço. Não adianta eu te entregar um escudo que é mais pesado que você. – Percy explicou – Tenho que encontrar um cujo peso e tamanho sejam ideais. – assenti novamente.
Isso fazia sentido. Não ficaria legal no meio de uma batalha eu precisar da ajuda de alguém para erguer o escudo para mim...
– Me dê a sua lança. – Percy disse, virando-se para mim.
– Desculpe... Eu esqueci no seu chalé. – respondi.
– Não. – ele falou – Ela está no bolso da sua calça.
– Isso é impossível, cara! – exclamei – Como ela vai estar no bolso da minha calça se eu a deixei no seu chalé!?
– Apenas coloque a mão no seu bolso. – Percy respondeu, após suspirar. Ele cruzou os braços, esperando que eu fizesse o que ele mandou.
Eu sabia que era impossível encontrar a moeda que eu havia deixado no chalé de Poseidon no bolso da minha calça, mas resolvi obedecê-lo. Quando coloquei a mão direita no meu bolso dianteiro direito, surpreendi-me.
Lá estava a moeda que eu havia deixado no chalé de Percy.
A moeda que vira lança, que não estava comigo.
Mas agora estava.
– C-como? – perguntei, e tirei a mão do bolso. Abri-a e Percy viu a moeda na minha mão, sem demonstrar surpresa – Como isso veio parar aqui?! – Percy sorriu.
– Eu te disse.
– Mas... – falei, andando para os lados, olhando para a moeda – Como isso pode acontecer?!
– Calma cara! – Percy falou – A minha espada também é assim. Isso é normal para os itens mágicos feitos de bronze-celestial.
Eu ainda estava confuso. Isso que aconteceu não devia ter acontecido.
Foi aí que eu lembrei que sou um semideus, filho de um deus e de uma mortal. Lembrei que havia destruído vários monstros, e tinha conhecido um sátiro e um centauro. Depois de todas essas evidências, encontrar minha moeda mágica que devia estar no chalé de Poseidon no meu bolso não era tão difícil de se acreditar.
– Tudo bem... – suspirei, e falei, tentando me acalmar – Essa moeda só apareceu no seu bolso, Andrew. Você é um semideus, não devia estar impressionado.
– Por que você está falando de si mesmo na terceira pessoa? – Percy olhou para mim, confuso.
– Esquece. – falei, e ergui a mão com a moeda para Percy – Você queria vê-la, não é? – ele assentiu e pegou a moeda, em seguida fechei os olhos, pronto para explicar como fazer a moeda virar lança – Para ativar a lança, você...
– Essa lança deve ser bastante útil, hein? – ele perguntou, então abri os olhos e vi a lança na mão de Percy, invés da moeda. Ele parecia não ter escutado o que eu havia falado.
– Como... Como você fez a moeda virar lança? – perguntei, surpreso. Achei que apenas eu soubesse fazer isso. Percy apenas sorriu.
Acho que depois de passar anos aqui no Acampamento Meio-Sangue, um semideus consegue descobrir como fazer moedas virarem lanças e canetas virarem espadas. Balancei a cabeça, como se estivesse negando algo, e Percy apenas sorriu mais. Então, ele me entregou a lança e voltou a observar os escudos que estavam na parede.
– Para que você... – tentei perguntar, mas Percy apenas começou a falar como se soubesse o resto da minha pergunta.
– Eu queria sentir o peso da sua arma para poder escolher um bom escudo para você. – ele disse, e então eu descobri que ele sabia a resposta para minha pergunta cuja eu não havia terminado de fazer.
Esse cara é demais– foi tudo o que eu consegui pensar naquele momento. Talvez, só talvez, se eu passar algum tempo aqui treinando eu consiga ser igual a ele...
– Andrew? – Percy perguntou, com um escudo em mãos.
– Ah, desculpe. – falei – O que é?
– Sem problema... Acho que encontrei o seu escudo. – Percy disse, estendendo as mãos com o escudo, para que eu o pegasse. Eu o fiz, e me surpreendi, pois o escudo não era tão pesado quanto parecia. Ele era grande, mas não pesado.
Como mágica, o escudo brilhou em um branco tão branco que fez meus olhos doerem. Virei a cabeça para o lado, mas com as mãos erguidas para frente, segurando o escudo.
– Pense em algo como um bracelete. – Percy falou. Achei estranho, mas pensei em um bracelete com uma espécie de pingente em forma de escudo.
O brilho começou a diminuir, e eu abri os olhos. Senti que o pouco peso do escudo que eu estava segurando havia desaparecido. Quando olhei para minhas mãos, eu estava segurando um bracelete feito de bronze-celestial, com um pingente em forma de escudo. Foi aí que eu percebi que eu não podia duvidar de mais nada nessa vida.
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