Mais um verão
26 Sophia faz a recepcionista falar
ANDREW (Point of View)
Logo depois que Percy e Annabeth brigaram, e Percy saiu do quarto, Sophia me mandou ir procurá-lo. Eu me senti confuso no começo, como que se não conseguisse negar aquele pedido. Mas logo assenti, e deixei o quarto, e entrei no elevador, indo procurar o Percy.
Fiquei um pouco receoso em ir falar com ele, mas precisava. Percy precisava.
Chegamos rapidamente ao saguão, eu e mais duas garotas que também estavam no elevador. Acho que também eram hóspedes, não sei. Fui até a recepcionista e perguntei se ela viu um garoto alto, moreno e de olhos verdes passando por aquele lugar. Ela negou. Fiquei me perguntando: como a recepcionista não viu um dos hóspedes saírem? Assenti e agradeci a ela, mesmo não tendo obtido nenhuma ajuda.
Deixei o hotel, e olhei para frente. Já estava escuro. As ruas eram iluminadas por alguns postes de luz. Vi a praia, o mar, alguns banhistas. Tudo normal, como uma praia normal à noite. Menos o fato de que se andássemos vinte metros à direita, encontraríamos um São Francisco devastado, como se uma guerra tivesse acontecido ali, e meio que aconteceu. Acho que ninguém se machucou no incidente de hoje à tarde, pois não havia nenhuma ambulância no local. Ainda bem.
– PERCY!? – gritei, esperando alguma resposta, mas tudo que consegui foi chamar atenção dos banhistas, que antes olhavam para os carros explodidos e coqueiros derrubados. – Hm, desculpem. – murmurei, mas acho que ninguém ouviu.
Tentei pensar: se eu fosse um filho do deus do mar, e estivesse em uma praia, para onde iria? Para o mar, é claro! Apressei-me, e atravessei toda a faixa de areia daquela praia rapidamente, olhando para todos os lados, procurando por Percy.
Andei para o lado da praia que não estava parecendo um terreno de guerra usado, ou seja, a minha esquerda, tentando encontrar Percy.
– Se ele estiver embaixo d’água, estou frito. – murmurei baixinho.
Então olhei para o mar. Aquela imensidão azul refletia o brilho da lua. Percy poderia estar em qualquer lugar ali dentro da água, então eu não tinha muitas chances de encontrá-lo.
Dei mais algumas olhadas para todos os lados. Percy não estava em nenhum lugar daquela praia. Se ele estava na água, o que eu acho provável, eu não poderia confirmar.
– Ah, ótimo. Agora vou voltar para o hotel e contar que o Percy desapareceu. – falei baixinho.
E assim fiz. Atravessei a rua (que há esta hora estava sem trânsito nenhum) e entrei no hotel. Subi correndo as escadas, pois não queria esperar pelo elevador. Abri a porta do nosso quarto, e quando entrei me deparei com uma linda garota loira. Espera, era Annabeth!
– A-annabeth? – perguntei, admirado.
– Não fica olhando assim pra ela! – disse Sophia. – Ela já tem dono, esqueceu?
Corei. – Eu... Ah, Sophia! Não tem nada a ver! – disse irritado. Sophia sorriu. Annabeth parecia ansiosa.
– Onde está o Percy? – ela perguntou.
– Eu... Não consegui encontrá-lo. – disse.
– O QUÊ? – perguntaram as duas juntas.
– É isso mesmo, eu andei pela praia, olhei para todos os lados, mas não o achei. – falei, balançando a cabeça.
– Ah, não! – falou Annabeth, sentando na cama, e desabando em lágrimas.
– Calma Annie! – falou Sophia. Mas... Annie? Já estavam íntimas!? – Ele vai voltar logo! Talvez ele tenha ido a algum lugar que o Andrew não procurou... Mas ele vai voltar!
– É! Se você quiser, eu posso voltar lá, e... – falava, quando Annabeth me interrompeu.
– Não. – ela disse, enxugando as lágrimas. – Eu mesma vou até a praia.
– Mas... – Sophia tentou protestar.
– Nada de ‘mas’, Sophia. Eu que fiz isso. Eu quem devo consertar. – falou Annabeth.
– Se você vai, nós vamos junto! – falou Sophia. – Não é, Andrew?
Eu ainda estava admirado pela beleza de Annabeth, então não escutei bem o que ela disse.
– Andrew!? – Sophia falou, irritada.
– Ah, desculpa. – corei novamente. – Vamos sim. – falei, mas não tinha certeza se era essa a resposta correta a dar, pois não tinha ouvido a pergunta direito. Para minha sorte, Sophia assentiu e levantou da cama, o que quer dizer que eu não falei nada errado.
Deixamos o quarto e pegamos o elevador, que agora estava vazio. Chegando ao saguão, Annabeth e Sophia correram até a recepcionista.
– Eu já perguntei, ela não viu nada. – falei, seguindo as duas garotas.
– Com licença, senhora... – Sophia começou a falar, ignorando o que eu falei.
– Você viu um garoto alto, cabelos negros, olhos verdes, saindo do hotel? – concluiu Annabeth.
– Não... – falou a mulher. Ela era morena, olhos castanhos... Andrew! Você devia estar preocupado em encontrar o Percy, e não em descrever a recepcionista do hotel! Certo... Continuando com a história...
– Você tem certeza? – Sophia perguntou, erguendo uma sobrancelha. Tenho quase certeza que ela usava aquela voz que não me deixava hesitar em realizar algum pedido dela. – Por favor, minha amiga está o procurando, e tem que falar com ele agora mesmo!
A mulher parecia confusa. Opa! Não era só eu que ficava assim quando Sophia falava daquele jeito! Eu cheguei a pensar que estava gostando dela... Se bem que minhas duvidas ainda não cessaram... Continuando, a mulher hesitou em falar por alguns instantes, mas Sophia a incentivou.
– Vamos, somos amigos dele. Não há problema nenhum em contar...
– T-tudo bem... Um rapaz moreno, de olhos verdes...
– É o Percy! – Annabeth comemorou. – Ah, desculpe. Continue por favor.
– Bem... Ele veio até aqui, parecia irritado com algo, perguntei se podia ajudá-lo, e ele disse que iria sair... Mas que eu não deveria contar nada a ninguém que perguntasse onde ele foi... – falou a recepcionista, e deu uma pausa.
– Pra ela você fala... – falei, olhando para o lado. Sophia escutou e deu uma tapinha no meu ombro. – Ai!
– Continue! Você sabe onde ele foi? – perguntou Annabeth, ignorando o fato de eu ter sido agredido fisicamente... Foi só uma tapinha... Então tudo bem.
– Ele não disse... – a mulher continuou. – Falou algo sobre um barco... Poseidon... E saiu.
– Barco... Poseidon... – Annabeth falou. – É isso!
– Isso o quê? – perguntei confuso.
– Percy deve estar querendo conseguir um barco, para nos levar ao Acampamento... – falava Annabeth.
– E mostrar que ele não é um incompetente, como você quis dizer... – falou Sophia.
– Eu não disse que ele era incompetente! – Annabeth olhou para Sophia, protestando.
– Como eu disse: você quis dizer... – Sophia se defendeu. Annabeth não tinha como contra-atacar, pois Sophia estava certa. Acho que até eu, que sou bastante calmo, ficaria irritado depois de ouvir minha namorada dizer que eu não consigo pensar em algo útil. Annabeth fitou o chão. – Ora, vamos Annabeth! Agora vamos encontrá-lo e tudo vai ficar bem!
– Eu que sou uma incompetente... Ele não. – Annabeth disse baixinho.
A essa altura, a recepcionista que não parecia mais confusa por causa da voz de Sophia, olhava para Annabeth como se não soubesse o que havia acontecido, mas parecia que ela sentia a mesma coisa. Essas mulheres, hein! Só fazem acabar com a gente, mas nós ainda gostamos delas.
– Não, você não é. – disse Sophia. – Você exagerou um pouco, mas brigas acontecem entre casais. E se você está assim, é por que está arrependida. – Annabeth assentiu.
– Obrigado. – Annabeth disse, segurando as mãos da recepcionista, que estavam sob o balcão de alumínio (acho que era alumínio), no saguão. – Você nos ajudou muito. – ela falava, mais ainda olhava para baixo.
Ela deve ser bastante forte, para suportar tudo isso e ainda tentar se mostrar líder, já que em nosso pequeno grupo de três, Sophia e eu não entendíamos nada dessa vida de semideus, e não podíamos ajudar muito. Sophia até conseguiu ajudar, fazendo Annabeth sentir-se melhor e deixando a namorada de Percy linda... Nossa, o que será que Sophia passou no cabelo de Annabeth quando eu saí para procurar Percy? É sério, Annabeth estava linda! Os cabelos dela estavam soltos, e...
– Andrew! Vamos logo! – gritou Sophia, da entrada do hotel.
Eu fiquei ali parado perto do balcão de alumínio pensando por alguns instantes, e quando vejo as garotas já estavam do lado de fora do hotel, saindo em busca de Percy! Que coisa...
– Vocês nem me avisam que já vão, né!? Valeu!
– Ora, vamos Andrew! Temos que achar o Percy. – disse Sophia.
– Já estou indo! – gritei, indo em direção à saída.
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