Mais um teste
1 TESTE
Notas iniciais
22/03/2017
Int. Ônibus 254, Manhã (07:12)
Guilherme se levando da parte da frente do ônibus já se preparando para passar a catraca indo ao interior do veiculo, como de costume... Todos os dias ele via uma garota pela qual ele havia se apaixonado desde que a viu pela primeira vez. Guilherme era um jovem de 22 anos e tímido, ele nunca havia falado com a garota, mas ele, devido a sua paixão, sabia muitas coisas sobre ela. Seu nome era Karynna. Às vezes ele via a garota e ela sorria, o que fazia perder os sentidos, era um sorriso lindo.
Nesse dia, Guilherme saiu destemido a falar com a garota assim que a visse.
Ao atravessar a catraca ele a viu, que sorriu e escondeu o rosto, Guilherme encheu o peito e foi em sua direção, porém parou no caminho e sentou em um banco qualquer, tapou o rosto com a mão e começou a pensar o quão medroso ele era...
De repente ouviu uma voz falando:
—Levanta e vai falar com ela, é o melhor que você faz.
Assustado ele levantou a cabeça e olhou ao redor, viu um velho bêbado que o olhava com brilho de esperança nos olhos e perguntou ao mesmo:
—Desculpa, mas o que o senhor disse?
—Vai lá falar com ela — Soluçou. — Está obvio que você quer isso.
—Mas e se ela não quiser falar comigo?
—Ai você foi feliz em tentar, e não um covarde como eu — Soluçou. — que bebe pra ter coragem, e perde a credibilidade. — Apoiou a mão no ombro de Guilherme e completou. — Apenas vá, ela parece ser legal. — Com um sorriso no rosto ele terminou sua frase, encostou-se à janela e dormiu.
Guilherme olhou pra Karynna, voltou o olhar ao chão, ao senhor ao seu lado e pensou consigo mesmo: "Eu consigo, vamos nessa".
Levantou-se foi até próximo à garota e disse:
—Oi Karynna! — Acenando com a mão erguida, um sorriso enorme no rosto, e olhos fechados, uma real reação de felicidade. A garota não estranharia ele saber o nome dela, eles trabalhavam na mesma empresa, e ele a tinha em redes sociais, os dois "Se conheciam" indiretamente.
—Oi, tudo bem?
—Tudo sim, e com você moça?
—Eu estou com sono. — Falou sorrindo daquela maneira que encantava Guilherme.
Antes que qualquer um dos dois pudesse pronunciar qualquer outra palavra, Guilherme pegou a mão de Karynna a jogou pra fora do assento, em direção ao corredor do ônibus já gritando:
—CUIDADO!!
Nisso que a jogou para fora, ele tomou impulso subindo e se segurando nos ferros do ônibus, ficando com as mãos e pernas dando sustento para ele se segurar, e um carro completamente destruído atravessou a janela as suas costas, atravessando "estacas" de metal em seu peito e parando quase na garota, que não chegaram por estarem presa ao carro que Guilherme segurou com seu corpo. Tudo isso ocorreu em questão de segundos, nenhum passageiro teve tempo de reação, e Karynna assim como todos dentro daquele ônibus ficaram abismados, não tinham como expressar nada, nem se mexer... O susto foi enorme.
Guilherme com os olhos quase sem vida olhou para o velho bêbado que era o único que não percebeu o ocorrido, dormia como se nada tivesse acontecido, virou seu olhar então para Karynna, ele viu que ela a olhava e então deu um sorriso, como quem diz "Tudo vai ficar bem" e fez um pedido:
—Karynna, saia da minha frente, por favor. — Terminou a frase tossindo sangue.
Ela então saiu, dando espaço para que ele morresse, deixando assim o carro cair na direção em que ela estava.
O veiculo não chegou até o chão do ônibus, pois ficou preso nas ferragens, por esse motivo Guilherme ficou pendurado, a vista de todos.
Após algum tempo chegaram policiais para realizar pericia no local e tudo mais, após algum tempo de interrogações e burocracia todos foram liberados, cada um continuou seu caminho, Karynna continuou indo em direção ao trabalho, abalada pelo ocorrido, mas não podia faltar, o ônibus que passou e levou os passageiros que estavam no acidentado, estava vazio.
Ao dar partida no ônibus, Karynna estava na janela olhando para fora, e o velho bêbado ao seu lado disse:
—Aquele era o garoto que foi falar com você?
—Que? Qual garoto?
—O que estava no ônibus e não tinha coragem de falar com você, ele todo dia te via sorria e se escondia por aqui. Ai eu disse pra ele ir lá. Foi com ele o acidente?
—É... Sim... Aquele ali é ele.
—Eu gostava dele, que pena. — Se levantou e sentou em um banco mais atrás, caindo no sono novamente.
Karynna ainda não conseguia acreditar no que aconteceu, e ao chegar ao trabalho tinha questionamentos, principalmente por ter chegado atrasada. Mas ela não falou diretamente sobre o ocorrido, apenas que o ônibus havia batido, e tentou ter o resto do dia mais normal possível, e assim foi, agiu normalmente durante o dia inteiro, não contou a ninguém nenhum detalhe, e no final do dia foi pra casa. Ao passar de ônibus no local do acidente, viu que estava tudo normal, já não tinha mais nenhum indicio de acidente, no máximo algumas gostas de sangue no chão, fora isso não havia nem mesmo estilhaços ou pessoas, estava tudo bem normal.
Chegou em casa, pegou seu diário como de costume e escreveu o ocorrido com todos os detalhes que lembrava. Jantou, tomou seu banho e se deitou para dormir.
Teve um pouco de dificuldade para dormir, pois aquela cena passava em sua mente repetidamente, como se tivesse acontecendo novamente, e novamente, incessável...
23/03/2017
Int. Ônibus 254, Manhã (07:12)
Karynna estava no ônibus pensando no que aconteceu, e de repende ela vê Guilherme atravessando a catraca, o qual vai a sua direção e diz:
—Oi Karynna! — acenando com a mão erguida, um sorriso enorme no rosto, e olhos fechados, uma real reação de felicidade. Antes de chegar até a garota (A qual já estava com uma cara de espanto, medo, não sabia como reagir, não tinha palavras) ele parou no velho bêbado, que estava bêbado novamente, como todos os dias e falou pra ele. — Obrigado, se não fosse você ela estaria morta.
O velho o olhou e após concordar com a cabeça completou com palavras:
—Você é mais interessante do que eu pensava. — Com um sorriso no rosto deixou claro que o assunto acabava ali.
Guilherme então continuou até Karynna que ainda estava paralisada, pegou sua mão e olhando em seus olhos disse:
—Me desculpa por ontem.
—Como? — Questionou espantada. — Eu vi você morto.
—Eu não posso explicar aqui, tem muita gente, mas se quiser tomar um café comigo depois do trabalho eu te explico tudo, mas por hora, fica calma. — Terminou sua frase com um sorriso e erguendo seu corpo, que havia abaixado para segurar as mãos da garota, no caminho de se erguer, deu um pequeno beijo em sua testa e concluiu. — Vou me sentar ali, estou bem cansado, espero você as 15:00 na porta da empresa.
Ela acenou em concordância com a cabeça e não conseguiu falar mais nada.
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