Mais um conto novamente
1 era uma vez... Novamente
Era uma vez uma pequena menina, a pobre criança vivia trancada em seu quarto. Não tinha com quem brincar, não tinha com quem sorrir. Sua beleza, não se falava, era tão feia quanto uma ogra, suas lágrimas e sua feição triste a deixava mais feia ainda. Seus pais, varões do café não a deixavam sair e quando ela perguntava o porquê à única coisa que lhe diziam é porque ela era diferente.
Sua feição aparentava já ter uns dez anos, sua pele branca feita parafina e seus olhos amedrontados junto com um choramingas que todos têm a deixava mais feia ainda, mas o pior era que a pobre criança tinha uma deficiência, ela nascera com algum problema do coração que o médico não sabia o certo o diagnóstico, mas sabia que não viveria por muito tempo. “está pobre criança não pode de jeito algum ver a luz do dia, nem correr, sua morte é esperada” era o que ele sempre dizia e a pobre menina de longos cabelos cacheados cor de carvão ficara anêmica. Mal comia, mal falava... Pior ainda mal sabia o que era o bê-á-bá.
Foi assim até sua mãe lhe apresentara um moço que cuidaria dela. Ela logo se assustou, mas quando olhou para os seus olhos verde-esmeraldas logo aquietou. Ele também era jovem, não como ela, mas ainda um rapaz, negro de corpo esguio, e seu sorriso eram como ver uma fonte de luz solar.
Primeiro a mãe o ordenou que qualquer coisa com a filha e ele pagaria, o menino ficou assustado e depois a porta de madeira, bruscamente foi fechada e só a lamuriante luz das velas e uma pequena fecha de sol que saia da cortina cor vinho deixava no silêncio dos desapegos do esquecido.
—Olá? – Logo ele quebrará o silêncio.
Ela não respondera.
—Olááá? – E novamente ela não respondera.
Então ele abriu a maleta meio rasgada e de lá saiu uma pequena bailarina feita de porcelana. Ele a colocou no chão e começou a cantar e cada verso vindo de sua boca a bailarina se mexia e seus passos se tornavam mais rápido até ela para próximo a menina e lhe entregar uma pequena flor laranja.
—Olá? – Dissera ele novamente.
—Olá. – E ela respondera.
Um sorriso contagiante tomou conta de seu corpo e ele se aproximou dela, junto com ele apareceu um soldadinho e depois uma borboleta e outra borboleta e mais outra até sair várias folhas de papel.
—Como é bom conhecê-la, tudo bem? Vamos brincar? Você gosta de desenhar? Você gosta de brincar? Por que tão trancada e por que essa cena bucólica de estrangulamento do patinho belo?
E quando ela pegou no primeiro papel e um lápis próximo a ela, foi inundada de um sorriso imenso e depois uma onda de tristeza.
—Por que choras pequenina? – Logo ele perguntou se aproximando dela e consigo o soldadinho e a bailarina.
—Eu não sei escrever, mal sei falar, e o que é brincar?- Respondera a pobre criança entre lágrimas e entre uma lágrima a outra o rapaz sentou-se ao seu lado e lhe deu um grande abraço.
Primeiro ela ficou estupefata e depois se aconchegou entre seus braços.
—Minha criança não chore porque você não nasceu para isso e eu vou te ensinar tudo e vamos brincar. – Ele se pôs de pé — Primeiramente vamos aprender e brincar ao mesmo tempo... Levante-se.
Ela levantou-se e com um sorriso não ao qual dava sempre ao ver sua mãe e sim um primeiro de verdade aquele que até as estrelas brilham.
—Tenho medo, tenho problema de coração, me sinto fraca...
—Então vamos brincar com suas condições atuais e depois aumentamos o impasse... Vamos sonhar viajar... O deixa eu te contar que eu não estou só e você também! Tenho eu, a bailarina, o soldado, as folhas de papel os lápis e mais somos tudo aquilo que queremos- Ele girava e cantava e sorria— Então está pronta para a aventura – Ele estendeu a mão.
Depois daquele dia, a vida da menina não foi mais a mesma.
Anos se passaram, ela crescia e inevitavelmente sua feiúra acabava o rapaz era já era um homem, mesmo assim com o ar de criança e a bailarina havia se casado com o soldado e a festa foi linda. Eles brincavam noite e dia. A cortina fora aberta e a luz reinava no quarto dela. O quarto vivia cheio de papeis tudo pintado, tudo escrito. Ela aprenderá a ler e escrever. Seu coração batia firme e forte, e o sorriso reinava em cada canto do minúsculo espaço. Ela aprendera português, francês, história do seu país viajara para a Europa, conhecendo um belo anjo, aprendera o que era o sole as estrelas, constelações e porque dia e noite. Ouvira sobre Deus e o inferno. Conhecera o Monte Olímpio e tudo isso dentro de um minúsculo quarto.
Um dia, enquanto lia seu trigésimo quinto livro, agora sobre amor e ainda mais de cabeça para baixo junto com o soldadinho e a bailarina e seu filhinho, o camponês. Ela ouvira a porta ranger ao se ouvir só que quem entrará foi sua mãe e consigo uma carta do seu mentor. Sua mãe ao vê-la não a reconhecia. Tava tão moça e viva e com sua perna mancando entregou a filha e assustaram-se quando a mesma dava sinais de que sabia ler.
—Obrigada. – Dissera a mãe.
E a própria saiu sem responder.
A menina logo caíra aos prantos de chorar. Quanto tempo não via suas velhas amigas lágrimas e cada parte a fazia chorar mais e mais. Bailarina e soldadinho logo se aproximaram e também entenderam. Abaixaram a cabeça e por fim caíram no chão, inertes e consigo seu filho. O quarto novamente se fechara e também caída ajoelhada no chão quietou-se em suas lágrimas.
Na carta dizia que ele fora pra chibata porque lhe ensinara o que era ler e escrever e deixara a luz do sol entrar em seu quarto, o motivo por ser uma pessoa doente. A menina sabia que aquilo já era proibido, a escravidão tinha se extinguido, mas o que fizera refletir foi que ele a mandasse escolher. Que fosse ou o que fizesse, seja feliz, quebre barreiras, mostre que é capaz, quebre barreiras, mas escolha.
Então a menina foi até a parede e viu um dos seus primeiros desenhos. Era ela, o rapaz, os bonequinhos e eles tudo em cima de um livro e outro na mão deles lendo.
Ela pegou seu vestido branco rendado, com algumas partes pretas, o vestira. Pegou a mala esfarrapada do seu mentor e colocou todos os livros e quando ia abrindo a porta do quarto sentiu algo cutucar sua barra, eram os bonequinhos. Seus olhos encheram de alegria e colocou-os na maleta, pegou um guarda chuva porque fazia muito sol e puxou a maçaneta da porta. Pela primeira vez ela sentiu a liberdade física, até encontrar uma saída e cada olhar que a encontrava todos assustavam e pareciam ver uma assombração. Quando descia as escadas viu na porta seu pai, a mãe que chorava e o médico que lhe atenderá. Todos ao vê-la assustaram-se e ela só fez um simples gesto. Sorrir.
—Minha filha você não pode...
—Eu não vou morrer mãe, eu não sou diferente, na verdade sou, de todos vocês! – Exclamou ela bem ferozmente fazendo a mãe calar-se.
—Respeite-a! Ela é sua mãe e eu sou...
— Meu pai? Bem como posso chamá-lo de pai se nunca fez menção de um e como posso chamá-la de mãe se nunca me deu um abraço ou etiquetas para uma jovem, vocês são mais são uns carcereiros! E o que fizera com ele, pois bem, papai se prepare para ter a polícia na sua casa.
Todos olharam a como nunca tinha ouvido alguém falar antes. Sua mãe abaixou a cabeça, seu pai tentou argumentar, mas só olhando os olhos castanhos, l de sua filha virá que era uma batalha sem saída. E quando estava prestes a sair o médico a intercedeu.
—Onde pensava que vai minha cara? Você está doente, tem poucas chances de vida...
—Cala a boca charlatão. Você quer mesmo ver minha doença? Então, pois bem.
E nisso ela colocou as coisas no chão, amarrou a cauda do vestido um pouco pra cima para ver os seus pés que estavam em uma sapatilha preta e começou a dançar igual à bailarina. Rodopiava com exatidão e seu grande final foi belíssimo. E no fim parado a frente do médico deu-lhe um soco bem no meio do rosto, fazendo-o desequilibrar e cair.
—Meu avô morreu de uma tuberculose e não de uma gripe mal curada. – Dissera ela no final.
E quando voltou para trás e viu a multidão que jazia a trás dela só falou uma coisa.
—Escolho ser feliz, e não se preocupe vou está bem e não presa. Bem Só não fiquei presa porque tinha a minha própria imaginação.
Abriu a grande posta sem olhar para trás, abriu o guarda chuva, pegou a maleta e saiu indo e indo, mas antes de sair pelo portão. Pegou a jóia que prendia seu cabelo em um coque, soltou deixando todas as mechas correrem livre pelo ar e com seus olhos, antigos medrosos, e sua feição que deixara de ser feia para ser a mais bela entre a família. Saiu correndo sem rumo, sem passo, só queria ser feliz e transmitir tudo o que o rapaz tinha lhe ensinado.
No meio do caminho conhecerá um rapaz que lhe despertou atenção, junto com ele se encontrava um pequeno cisne e um dragão tais quais amigos de bailarina e soldadinho, mas deixa isso para outro dia, outra história, outro conto...
Notas finais
A vida pode ter vários rumos, várias questões, tristezas e alegrias, barreiras e marés, mas só teremos a chance de viver plenamente quando sabemos que estamos com a esperança
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