Mais um clichê adolescente
2 Incomum
Notas iniciais
Já tinha passado a primeira semana de férias, eu estava indo correr todos os dias e até pensando em um emprego de verão. Tinha até conversado com o dono da lanchonete que eu ia trabalhar.
Depois de mais um dia de corrida chego em casa com minha mãe me gritando:
–Emma...
Sabe a primeira coisa que pensei "Meu Deus, a cama."
–Tá maezinha, vou arrumar minha cama.
–Cama? Emma, não é isso. Você recebeu uma ligação.
–De quem?
–Da Milla.
Milla, tanto tempo que não tenho noticias dela.
–Milla? O que ela queria?
–Te chamou pra ir passar o verão com ela. Parece que ela não esqueceu de voce.
–Mas, e a senhora? Vai ficar sozinha com a Anna?
–Qual problema? Vai ser bom pra você sair de Moore, ir a uma cidade maior. Springfield.
–Mamãe... Eu arranjei um emprego.
–Você vai e ponto, no fim de semana. Ligue pra onde quer que seja, e explique.
Sai pisando forte pra tentar fazer barulho mostrando minha revolta.
–E não esqueça de arrumar sua cama.
A única coisa que pude fazer foi meu jogar na cama, quando ela toma decisões sem importar com o que acho, coisas de mães, não é a primeira nem foi a última e também não é incomum, todas fazem isso.
[•••]
Na quinta anoite, nada estava pronto, eu quase não tinha roupa (drama pra minha mãe desistir), então minha mãe me deu um cartão e fui a uma loja na sexta comprar o que precisava.
Tudo pronto, as 10:00 do sábado estaria saindo de casa, passar um tempo fora da minha cidade comum.
Acordei, verifiquei tudo, tomei um banho, tomei café e fui para rodoviária. Vi alguns amigos que também estavam indo viajar.
Gabriela, minha amiga-irmã, parceira, companheira(nada é exagero, ela é a pessoa que se destaca nessa cidade para mim) , foi até la se despedir de mim e me mandar ter juízo (como se eu não tivesse), dei um abraço apertado nela e falei que íamos conversar pelo skype.
O motorista do ônibus já estava buzinando e eu gritei um: "Calma moço, só estou me despedindo." Dei um abraço forte em minha mãe e mandei ela se cuidar, e disse que ligaria todos os dias. Em Anna, minha irmã, dei somente um abraço e a encarei, acho que ela entendeu o recado. Anna tinha os cabelos lisos e mais claros que os meus, iguais ao do meu pai, mas os olhos, eram iguais os da mamãe musturado com avelã. Papai morreu a dois anos, acidente de trabalho.
Subi no ônibus e acenei para as três.
Estava tentando enfiar minha bagagem de mão no compartimento acima dos bancos.
–Quer ajuda? — uma voz masculina e calma disse atrás de mim
Me virei e vi que era um garoto, aparentava seus 17,18 anos com moletom, cabelos castanhos mais escuro que os meus e os olhos tão negros que a pupila se perdia com a iris.
–Ah? Oi. Quero — concordei e sorri
–Não é força, é jeito -ele deu uma pequena virada na minha maleta e colocou perfeitamente no compartimento -Pronto.
–Obrigada, pela gentileza vou deixar você escolher. Janela ou corredor?
–Quem disse que meu acento é aqui?
Senti meu rosto corar naquele momento.
–Não é?
Ele sorrio -É sim. Pode sentar na janela. Fico com o corredor.
–Então qual seu nome? -disse enquanto me sentava
–Johnatan, mas me chamam de John. E o seu senhorita?
–Emma.
Conversamos bastante durante a viagem, descobrimos bandas em comum, livros, sonhos, gostos e deu pra aprender um pouco do jeito também.
Nossa conversa estava muito boa, realmente interessante e incomum. Até o momento que chegamos a rodoviária de Springfield.
Eu já estava descendo do ônibus quando John me chamou.
–Emma, espera, pode me dar seu número?
–Claro.
Ele anotou na agenda do celular.
–Te ligo? Pra, sei lá, conversar.
–Claro, claro.
A despedida foi interrompida por uma menina magrinha de cabelos loiros com uma plaquinha escrito "Emma" e gritando eufórica.
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