Mais que um amigo...
1 Conhecendo um amigo.
Acordo na manha fria, uma leve neblina se forma lá fora, cheguei a cidade, no fim de semana e esse é o meu primeiro dia na escola daqui, não sei como são as pessoas, não sei como agem, como pensam, não sou bom com amigos, e isso é um problema, por quê na minha ultima escola quase ninguém gostava de mim, era aquele que ficava no canto, aquele que de vez em nunca falava alguma coisa na aula, ai começou o bullying, e meus pais decidiram não deixar que aquilo se prolongasse e se mudaram logo antes que tudo piorasse .
Agora estou aqui em Directioner’s Land, não sinto falta da antiga casa,afinal não tinha o porque de sentir, não tinha amigos, ficava o dia todo em casa e só respirava ar puro quando ia pra escola, essa cidade é bem mais calma e silenciosa, ou seja, perfeita. Me levanto e vou me arrumar pra escola, coloco uma blusa de manga longa cinza que cobre metade das minhas mãos, uma jaqueta de couro, uma calça jeans preta, e meu coturno, escovo meus dentes e arrumo meu cabelo, quero dizer arrumo entre aspas, eu o arrepio e rezo para que fique daquele jeito, ouço um barulho no corredor, quando abro a porta vejo meus irmão brigando.
– Mãe! Josh e Isaac estão brigando de novo... – grito e olho pra eles, dou de ombros e volto pro quarto, pego a mochila, respiro fundo e desço até a cozinha, meu café de hoje é ovos e bacon, eu prefiro isso a cereal , como e escovo os dentes novamente, desço e minha mãe já está me esperando no carro, coloco meus fones de ouvido, durante todo o trajeto minha mãe fala algo sobre eu ter que socializar, fazer amigos e coisa e tal, apenas concordo e peço para que cheguemos logo a escola, e é o que acontece , menos de 5 minutos depois estou lá, olho para aquelas pessoas, todos amigos conversando, meninas fúteis falando de roupas, maquiagens e garotos, garotos fúteis falando de carros, futebol e sexo, olho pra minha mãe quase que pedindo misericórdia, ela me manda pra fora do carro, respiro fundo, bufo e desço, começo a caminhar olhando fixamente para a porta, pra chegar lá vou ter de passar por dois grupos, uma escada e mais um grupo, fora as pessoas que já estão lá dentro.
Aumento a música no meu fone de ouvido, passo por todas as pessoas e caminho em direção a secretaria, tenho que pegar meu horário, ao chegar vejo um garoto, loiro, com olhos verdes, ele está falando com o diretor, fico olhando pra lá, o diretor me vê e me chama, assinto e adentro a sala.
– Pedro, não é isso ? – Diz ele se levantando e vindo me cumprimentar.
– Isso... – Percebo o olhar do garoto, não sei ao certo o que ele sente, espero que goste de mim, tudo que eu menos preciso é de um inimigo logo no primeiro dia de aula.
– Bem vindo – O diretor sacode meu braço, e eu sinto uma pontada de dor, o garoto forma um sorriso, isso deve ser bom. – Aqui está seu horário – Ele me entrega o papel e se vira para o garoto novamente – E quanto a você – Percebo que ele está levando uma bronca e resolvo ajudar, por mais que eu ache que vou me dar mal.
– Ah... senhor, não sei onde são as coisas aqui... tem alguém que possa me mostrar os lugares ? — Ele me fita e olho para o garoto, e volta a olhar pra mim, ele manda que o garoto me mostre a escola, como forma de castigo, ele revira os olhos e confirma, se levanta e vem para minha frente e saímos da sala, no corredor ele me da um leve empurrão contra a parede e ri.
– Eai Pedro... né ? – Eu confirmo e pergunto o seu.
– Lucas Jordan, prazer – Respondeu estendendo a mão para que nos cumprimentamos, voltamos a andar, Lucas me contou o porque estava na sala do diretor,e que o acusaram injustamente, deve ser coincidência, ou não, mas ele caiu na mesma sala que eu, pelo menos terei alguém com quem conversar penso.
Ele pede que eu conte sobre mim, e eu o faço, ele diz que agora vai ficar tudo bem e que se alguém mexesse comigo ele bateria, apresentaria seus amigos e algumas garotas, me arrastaria para as festas e que eu nunca mais ficaria sozinho, sempre teria ele ali, pra tudo, o que quer que fosse ele me apoiaria. Ao ouvir tudo isso sorrio, não sei porque mas me sinto seguro ao lado dele, rio ao pensar nisso, pois isso soa meio gay.
– O que foi ? – Ele pergunta enquanto entramos na sala de aula .
– Nada não – digo – Só um pensamento bobo.
– Pedro... cala a boca, na moral – Ele ri, eu rio, as pessoas da sala nos olham, ou melhor me olham, como se eu fosse carne, tipo “opa carne nova no pedaço”, reparo na garota que senta do outro lado da sala, ela é a única pessoa a não olhar, seu cabelo está na altura do ombro, começa em castanho passa para um roxo e nas pontas se torna branco, ela me olha na minha direção e desvio o olhar para Lucas, ele percebe e solta um leve sorriso.
– Aquela lá é a Rachel, todos tentam ninguém consegue. – Bom se ninguém consegue não devo tentar. – Mas, tenta cara, vai que né...
– Não, valeu, eu passo.
– Cara você é gay ? – Ele perguntou, direto, rápido, eu gosto disso.
– Não. – Respondo rápido e rio – Claro que não. – Pelo menos eu acho que não, nunca me senti atraído por outro homem, apenas mulheres, porém, nunca cheguei a beijar uma, tive oportunidades mas, deixei de lado.
– Porque se for não tem problema não mesmo – Eu rio e nego, o professor entra na sala e ele se vira, rapidamente se vira pra mim e diz que iremos a sua casa depois da escola, não sei porque estou confiando num desconhecido mas concordo, e até as aulas do dia terminarem trocamos poucas palavras. O sinal da saída bate, arrumamos nosso material e vamos para a casa dele.
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