Mais que irmãos...
27 Nos mudamos para uma casa em uma floresta abandonada
Notas iniciais
Alguns dias haviam se passado desde que Lucy decidiu se casar com aquele emo-gótico encapetado. Desde que ela se foi, nunca mais houve um sorriso em meu rosto. Nunca mais tive sonhos bons, sempre pesadelos com a hora em que dei meia volta e a deixei. Eu simplesmente não tinha mais sentido para viver. O que eu iria poder fazer, se minha alma se esvaiu totalmente do meu corpo? Não restara mais nada aqui, somente um corpo erguido por um conjunto de ossos ocos e sem propósito para ainda estar em pé.
De repente, me lembro de um trecho de minha oração: "Prefiro virar mendigo à ter que viver sem minha irmã..."
Realmente, essa me parece a melhor opção agora. Não aguento mais olhar para cada canto dessa casa e me lembrar dela. Cada móvel. Cada foto. Cada suspiro que dou aqui dentro. Será melhor para mim se eu viver nas ruas, longe disso tudo. Sei que sou rico e posso comprar outra casa mas, não adiantaria. Eu a imaginaria vivendo ali comigo. Porém nas ruas, eu nunca iria conseguir materializar sua imagem ao meu lado, tanto pelo barulho o dia todo, quanto por que eu realmente não iria querê-la ali. Não ali, na rua.
Bem, decidido. Pegarei um pouco de dinheiro, uma mochila com comida e, então, adeus casa e lembranças de Lucy...
(Natsu POV Off)
(Lucy POV On)
Estamos no trem, a caminho de outra cidade, distante de Magnólia. Rogue nos obrigou a se mudar para um local longe de lá, e a Sting a vir junto morar conosco. Segundo ele, ele vai ensinar ao seu irmão gêmeo a ele gostar de mulheres. Se bem que eu acho que isso não funcionará com Sting.
O sino do trem toca, e o movimento dele desacelera aos poucos. Levanto-me juntamente com Rogue e Sting para sairmos do trem para poder continuar o caminho até nossa nova casa.
O local que percorremos é cheio de árvores, como uma floresta abandonada. Não faço a minima ideia do porque de Rogue ter escolhido este lugar vazio para morar, mas pela cara de espanto de Sting, ele sabe. E não me parece ser coisa muito boa. A única coisa que indica que esta floresta não é completamente abandonada, é uma cabana que vi a poucos metros de onde estamos, escondida por várias árvores ao seu redor. Me pergunto quem será que mora naquela casinha estranha.
– Chegamos! — Rogue para na frente de uma enorme mansão branca, com várias janelas de vidro e uma porta dupla de madeira refinada. Ao redor da casa, tem várias árvores, assim como muitas flores de diversas cores e espécies. O lugar é lindo, bem diferente da casa antiga deles. Aquilo parecia um palácio dos pesadelos, isso aqui já parece mais com um palácio dos sonhos. — Espero que goste da decoração, Lucy.
– É... — digo meio desanimada. — Também espero.
– Não fique triste Blondie, olhe, eu também fui separado do Natsu-San, eu entendo como você está se sentindo — o loiro se aproxima de mim, colocando a mão em meu ombro esquerdo.
– Não, Sting. Você não entende — tiro sua mão de meu ombro de maneira bruta. — E, por favor, não encoste mais um dedo em mim. Para mim, você agora não passa de um loiro besta que tentou pegar meu namo... — hesito em dizer essa palavra ao perceber o olhar mortal que Rogue envia em minha direção. — ...meu irmão.
– Ah, cá venhamos, Blondie, quem resiste a gostosura do Natsu? Não tenho culpa se fui uma das pessoas que não resistiu.
– Cale... a boca. Está bem? — seguro minha vontade de dar um soco na cara dele. Agora não é a hora. E talvez, nem o lugar.
– Vamos parar de falar daquele... — se ele ia falar algum insulto, por algum momento, ele pensou melhor. — Daquele bondoso homem. Vamos entrar logo? Quero que minha esposa conheça sua nova casa.
– Ah, claro. Porque o Rogue pode trazer sua garota para cá, mas eu tenho que ficar sozinho. "Vou te ensinar a gostar de mulheres". Humpf, até parece — o loiro resmunga enquanto subimos os dois degraus de frente para a porta de entrada.
* * *
Bem, se a casa já era imensa por fora, não queira nem imaginar por dentro. A sala era revestida por um piso de azulejo branco, com as paredes pintadas, duas — frente e trás — de marrom, e mais outras duas — lados direito e esquerdo — de bege. Tinha um TV gigantesca na parede da frente, a poucos metros de distância da porta principal. De frente para ela, tinha um sofá marrom de couro, com uma mesinha de centro feita de vidro com um XBox — com kinect, é claro — e do lado um PlayStation 4 (NT autora: esbanjando riqueza, please). Na parede do lado esquerdo, havia uma enorme estante cheia de diversos livros e uma escada que levava para o andar superior. Na parede da direta, tinha um aquário tão grande que caberia uma pessoa ali dentro, contendo vários tipos diferentes de peixes, desde pequenos peixinhos dourados, até espécies tão raras e lindas que nem sei o nome; tinha também uma mesinha com um telefone preto sem fio, e ao lado uma porta que provavelmente levava a cozinha.
– Gostou da sala? — Rogue tinha um enorme sorriso estampado no rosto, enquanto admirava sua nova casa.
– Sim... ela é linda! — digo ainda um pouco boquiaberta. — Aquela porta leva a cozinha, certo? — apontei para a porta ao lado do aquário.
– Sim... poder de dedução da família Dragneel Heartfilia?
Pelo jeito, estava certa. Será que poderei novamente confiar em minhas intuições?
– Talvez seja, ou talvez tenha sido só um palpite mesmo — sorrio. É a primeira vez que consigo sorrir depois de ter aceitado me casar com Rogue. — Mas, sabe, acho que até mesmo os palpites da nossa família são certeiros, mesmo com algumas falhas de vez em quando. A única pessoa que nunca erra, é o... Natsu — meu sorriso desaparece ao pronunciar o seu nome. Sinto sua falta. Falta dos seus abraços, falta dos seus sorrisos, falta das suas provocações, falta da sua perversão, falta dos seus beijos, falta do seu toque... falta do seu ser. Não sei se conseguirei resistir por muito tempo sem ele aqui ao meu lado.
– Você deve estar cansada — Rogue disse com a voz um tanto suave -, aliás, está grávida, e sua barriga cresce um pouco mais a cada dia que passa. Sente-se no sofá de descanse, nossa noite hoje vai ser um pouco agitada — vi em seu olhar um brilho malicioso, juntamente com um sorriso pervertido. Tenho medo do que ele planeja.
– Ok, estou mesmo cansada. — Deitei-me no sofá, que apesar de ser de couro, era macio e aconchegante. Caí no sono quase que imediatamente.
* * *
Em meu sonho, eu estava com Natsu novamente, estávamos em uma sala toda branca. Eu estava deitada em uma maca, com uma barriga imensa, e ele estava ao meu lado, segurando a minha mão. Seu rosto estava com o maior sorriso que ele poderia dar, e seus olhos estavam cobertos por lágrimas. Dois médicos me levavam para uma outra sala, e então, ele foi obrigado a soltar minha mão.
– Boa sorte! Estarei aqui te esperando — ele sorria de modo encorajador. — Lembre-se, eu te amo!
Me lembro de sorrir, e logo depois, sentir uma pontada de dor forte em minha barriga, algo querendo sair desesperadamente de lá.
De repente, a cena de meu sonho muda. Estamos em casa, porém, em um quarto que eu nunca havia visto. O quarto era metade rosa com coisinhas de garota e metade azul, com coisas de garoto. Natsu estava sentado na poltrona branca no lado azul do quarto, segurando um bebê envolto em uma manta azul claro, aninhando-o para dormir. Eu estava sentada em outra poltrona branca, só que do lado rosa do quarto. Eu estava segurando uma bebê em meus braços, ela estava coberta por uma manta cor de pêssego, e era a garotinha mais linda que eu já havia visto.
– Fizemos um bom trabalho — Natsu sorria enquanto balançava o bebê de um lado para o outro. — Olha como nossos filhos são lindos!
– Sim, são lindos mesmo, não é? — sorri ao olhar novamente para a menina em meus braços e logo depois o menino que Natsu balançava acima da sua cabeça. — Hey, Natsu.
– O que foi?
– Eu te amo muito, nunca se esqueça disso.
– Eu também te amo muito — ele passou o bebê para um dos braços e levantou o outro, amostrando o dedo com sua aliança. — Juntos para sempre. Até que a morte nos separe...
O sonho começou a ficar escuro, até eu não conseguir ver mais nada.
Do nada, meu sonho ficou claro e vi um bosque, onde tinham várias pessoas de preto ao redor de um buraco no chão, e acima dele, um caixão que estava sendo abaixado aos poucos. Do outro lado da cova, Natsu estava ajoelhado no chão, com as mãos escondendo o rosto. Suas mãos estavam encharcadas de lágrimas, que chegavam a cair delas e pingar no chão. Ele estava desesperado. Eu nunca havia o visto daquela maneira, o mais perto de como ele estava, foi quando nossa mãe morreu, mas naquele momento, ele parecia ainda mais abalado.
– NÃO! PORQUE ISSO TINHA QUE ACONTECER? — ele gritava, deixando as lágrimas caírem sobre suas bochechas avermelhadas. — LUCY, PORQUE VOCÊ ME DEIXOU AQUI? PORQUE?!
Duas crianças que estavam ao seu lado começaram a consolá-lo, fazendo carinho em seu cabelo e o abraçando. As crianças também deixavam lágrimas escorrerem de seus olhos quando olhavam para o caixão, por isso o evitavam.
– Papai, fique calmo — um garoto loiro, com olhos ônix e com as bochechas e o nariz avermelhados pelo choro tentava acalmar o rosado. — Mamãe está em um lugar melhor agora.
– DEBAIXO DA TERRA? ISSO NÃO É UM LUGAR MELHOR! — ele olhava para o caixão e gritava cada vez mais. Seus olhos estavam inchados por tanto chorar.
– Não foi isso que ele quis dizer — disse uma garota com cabelos rosas e olhos castanhos, ela passava levemente uma das mãos nos cabelos do rosado enquanto limpava as próprias lágrimas com a outra mão. — O que o Akise quis dizer, foi que mamãe está no céu, olhando a gente e querendo que nós fiquemos felizes. Garanto que ela não quer que nenhum de nós três fique chorando e tristes por ela ter partido. Se você quer o melhor dela, pense que agora ela está ao lado do papai do céu, e estará nos vendo a cada dia. Cuidando de nós...
O caixão foi abaixado, e começaram a jogar terra em cima. E foi nesse momento que Natsu entrou realmente em desespero.
Ele se levantou, com um olhar sem vida e sombrio, como se alguma coisa tivesse tomado seu corpo e sua alma tivesse saído de lá. Ele caminhou até a ponta da cova e então olhou para baixo, onde estava meu caixão.
– P-Papai... O que o senhor está fazendo? — O garoto loiro perguntou, enquanto olhava fixamente Natsu. — N-Não está pensando em...
– Ficarei com sua mãe até depois da morte... — O rosado sussurrou. — Eu te amo, minha pequena metida.
E então, ele pulou para o fundo da cova, enquanto as crianças gritavam e choravam ainda mais...
* * *
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