Mais que amigos
20 Pais... Me evitando...
Notas iniciais
Por Eduarda
Faz um mês praticamente que descobri que estava esperando gêmeos, que estava com deslocamento de placenta e que voltei para casa, então fazia um mês que eu praticamente não saia de casa e só ficava sentada ou deitada. Lucas prometeu para o medico que não me deixaria fazer esforço e está cumprindo, o que por um lado é bom, mas por outro não, eu gosto da minha independência e precisar chama-lo para pegar um copo d'agua me incomodava, as vezes ele está fazendo algo e acabo o interrompendo. Nos primeiros dias eu até levantava para ir, mas agora infelizmente não estou podendo mesmo. Há uma semana atrás fui parar no medico por causa de uma nova dor, então para meu bem estou ficando quietinha. Grande parte do dia Lucas está ao meu lado o que faz tudo ser mais fácil para mim; Tem dias que estou mais desanimada, tenho medo de que algo aconteça e ele sempre arruma uma maneira de me colocar para cima.
Uma coisa que ando estranhando no Lucas é que ele anda me evitando, não evitando de ficar comigo, mas ele anda evitando abraços e beijos, teve um dia que ele me olhava e fui beija-lo, dai ele saiu da cama falando que precisava ler um e-mail. Desde quando ele lê e-mails? Isso não vai entrar em minha cabeça nunca, tenho certeza que algo está acontecendo.
Já são por volta das 15:00 h. acordei fazem umas quatro horas mais ou menos. Meus bebes estão grandes e minha barriga tá me atrapalhando muito para dormir. Acabo rolando pela cama, tentando achar uma boa posição e demoro a dormir.
Lucas está no banho, ele precisará sair, infelizmente, ficarei em casa sozinha, minha única companhia será Rosa, nossa nova empregada, ela fora escolhida por Silviano e até que estou gostando dela, além de atenciosa é muito boazinha e faz uma comida deliciosa.
Estou deitada olhando para o teto perdida em meus pensamentos enquanto passo os dedos delicadamente pela minha barriga quando Lucas sai do banho.
DU: Já?
JL: Fui bem rápido né?!
DU: Foi sim. Estou até surpresa. — Falo rindo.
JL: Ah, também não demoro tanto assim... É que eu quero ir rápido para voltar mais rápido ainda.
DU: Afinal de contas, aonde você vai mesmo?
JL: Preciso ir a uma reunião da empresa, meu pai falou que é indispensável minha presença, ele vai assinar um contrato grande pelo que entendi e quer a assinatura dos filhos... Coisa de maluco.
DU: Não vejo necessidade disso.
JL: Nem eu...
Ele se arruma rapidamente; fazia um bom tempo que não o via de terno, ele ficava tão lindo...
JL: Eu vou indo... — Ele já ia saindo do quarto quando o chamo.
DU: Não vai nem me dar um beijo?
JL: Ah... Esqueci. — Ele fala meio sem graça vindo até mim.
Ele me da um selinho e sai. Como assim ele esqueceu, Lucas estava muito estranho e eu já estava ficando chateada com isso.
Passam alguns minutos e começo a ficar com calor, eu estava com uma calça e o dia estava bem quente, resolvo então ir tomar um banho e trocar de roupa.
Como Lucas não estava em casa sou abrigada a chamar Rosa, assim que ela entra no quarto falo.
DU: Você poderia me dar uma mãozinha até o banheiro?
RO: Mas é claro dona Du.
DU: Mas que mania de me chamar de Dona Du. Me chama só de Du.
RO: Pode deixar Don. Digo, Du. Acho muito difícil falar assim com você.
DU: Você se acostuma. — Ela ri e acabo rindo também, depois de me dar a mão e eu me apoiar nela vamos até o banheiro.
DU: Aqui está bom rosa, para tomar banho não é preciso ajuda.
RO: Tem certeza?
DU: Absoluta, qualquer coisa chamo.
RO: Então tá, chame mesmo!
Tomo banho bem calma e assim que acabo percebo ter esquecido a toalha. Droga, penso, não vou chamar a Rosa estando pelada. Resolvo ir devagar até meu closet.
Assim que saio do banheiro e estou no meio do quarto Lucas abre a porta.
JL: Nossa! — Ele diz espantado. — O que é isso?
DU: Ate parece que nunca me viu nua! – Ele falou de um jeito que fez parecer ter algo errado comigo.
JL: Não, não é isso. — Diz ele todo desconcertado. É... O que aconteceu?
DU: Fui tomar banho e esqueci a toalha, fiquei com vergonha de chamar Rosa estando sem roupa e decidi vir eu mesma pegar.
JL: Ata. — Jurava que ele iria me dar uma bronca por estar andando sem a ajuda de ninguém, mas não.
DU: Reunião rápida em?! — Falo seguindo para pegar a toalha.
JL: Eu esqueci uns papeis e voltei só para pegar. Já vou ir para lá novamente. — Ele fala desanimado. — Olha, dentro de duas horas estarei aqui está bem?
DU: Aham!
L: Se cuida Mores.
Du: Não se preocupe.
Ele sai e eu termino de me arrumar. Coloco um shorts jeans que não incomoda minha barriga e uma blusa cinza escura aberta atrás.
Volto para cama e assim que me sento o meu celular toca. É Carol quem me liga, resolvo então atende-lo.
Ligação ON
DU: Oi Carol.
C: Oi Du, tudo bem?
Du: Sim e você? Aconteceu alguma coisa, sua voz está estranha.
C: Na verdade sim.
DU: O que foi?
C: É que seus pais ligaram aqui atrás de você, não sabia bem o que fazer já que você estava querendo falar com eles esses tempos atrás, então passei seu endereço. Não sei se fiz bem...
DU: Não se preocupe Carol, você fez bem sim
C: Acho que estão indo para ai.
DU: Agora? Serio?
C: Acredito que sim.
DU: Tá bom então. Muito obrigada!
C: Tchau fica com Deus, beijos.
Ligação OFF
Estou radiante, eles estão atrás de mim, devem estar sentindo minha falta, eu apesar de tudo e de saber que comigo não é igual é com meus irmãos eu os amo.
Eles devem estar vindo para cá. Decido chamar Rosa novamente para que me ajude a descer as escadas. Vou recebe-los lá embaixo, não os farei subir.
Ela vem assim que chamo e me ajuda, com certa dificuldade chego ao andar de baixo. Com esse pequeno percurso consegui cansar. Me sento no sofá e fico esperando por eles e, antes que Rosa vá para cozinha peço:
DU: Prepare um café e suco, meus pais estão vindo para cá e quero que tenha algo para servi a eles.
RO: Deixa comigo.
Ela vai preparar o que eu pedi e pouco tempo depois escuto a companhia tocar.
DU: Deixa que eu atendo. — Falo numa boa altura para que Rosa me escute da cozinha.
Caminho devagar até a porta e assim que abro confirmo, são eles mesmo, meu pai e minha mãe.
DU: Que bom que vocês estão aqui. — Eles me olham sérios e minha mãe assim que vê minha barriga olha estranhando. — Entrem.
Eles entram sem dizer uma palavra então começo a estranhar. Fecho a porta e vou ate o sofá onde eles já estavam sentados, posso ver que algumas coisas não mudam, sou filha deles mas mesmo assim, chegaram e foram logo sentando; me sento também e meu pai solta.
MA: Então quer dizer que se casou?
DU: Pois é...
MA: Casou e nem para convidar seus pais, na verdade, nem foi ver se nós permitiríamos.
DU: Não, eu tentei, mas ninguém atendia, ou não tinha ninguém em casa.
FL: Estávamos viajando. — Fala Flavia minha mãe, com tom de rispidez.
DU: Imaginei... E também, estávamos brigados e... — Sou interrompida por meu pai.
MA: Podia até ter ido pedir minha benção, mas eu não daria mesmo, odeio esse João Lucas, você sempre soube. Saiu de casa por causa dele.
DU: Eu não saí — Falo mais alterada — você que me ex...
MA: Você saiu aquele dia porque quis.
FL: Meu Deus olha para você, tão nova e já vai ser mãe, olha o tamanho dessa barriga, o que você foi fazer!?
MA: Já posso entender tudo, por isso que se casou?! Eu sabia, ele não se casaria com você a toa.
FL: Ate que não é muito burra...
DU: Claro que não foi por isso. — Digo confusa.
JL: Ah não? Então cadê ele agora? Aposto que está por ai. Posso ver na sua cara que não está muito bem, que espécie de marido deixaria a mulher mal em casa?
DU: Não ele está na em... Quer saber, não importa.
MA: Percebo que continua boca dura.
DU: Posso saber o que vieram fazer aqui? Só estão aqui para falar coisas ruins para mim?
MA: Não. Quer dizer mais ou menos, uma filha ruim merece ouvir coisas ruins, mas não foi só por isso eu soube do casamento e queria ver com meus próprios olhos.
FL: E podemos ver que que está muito bem, soube dar o golpe certinho, olha só para essa casa.
DU: Eu não posso acreditar nisso, vocês são terríveis, são pessoas sem coração, como podem ter coragem de falar isso para sua própria filha?
FL: Ah Eduarda, você sabe muito bem que nunca foi desejada, muito pelo contrario. — Eu não podia acreditar no que eles estavam falando, por mais que não fosse planejado para mim era quase impossível um pai não amar um filho, nunca planejei engravidar, mas já os amo mais que tudo e escutar aquelas palavras vindas da minha mãe, que por mais que não fosse muito boazinha nunca tinha me falado nada, acabaram comigo. Tento conter lagrimas que insistem em cair e grito.
DU: Saiam da minha casa agora, podem sair, vocês já viram o que queriam agora caiam fora, logo!
E é isso que acontece, eles vão embora sem nem um pingo de remorso.
RO: Dona Du, quero dizer Du, o que houve? Pude escutar a senhora gritar, tá tudo bem? Porque está chorando? — Ela fala isso preocupada, em suas mãos ela trás a badeja com as coisas que eu havia pedido, ao me ver chorar larga em uma mesa que ficava de canto e vem até mim. — Me fale, você esta bem?
DU: Não... — Ela me abraça forte, um abraço carinhoso e fica assim até ver que me acalmei um pouco, então me solta e fala.
RO: Você quer que eu ligue para o seu Lucas?
DU: Não precisa, ele está ocupado e já deve estar para chegar, só me ajude a ir para o quarto.
RO: Tudo bem, vamos.
Ela sobe comigo até lá, ajeita alguns travesseiros na cama e sai do quarto me deixando sozinha e é quando volto a chorar, dessa vez em silencio, apenas com lagrimas escorrendo por meu rosto.
Apos um tempo escuto o barulho do carro de Lucas, ele enfim chegou. Vou para a janela para me certificar de que era ele e ao olhar para o horizonte ao longe acabo me perdendo em pensamentos e só saio de meus pensamentos ao escutar sua voz já no quarto dizendo.
JL: Acho que demorei mais do que o planejado. — Ele faz uma pausa de alguns segundos e continua. — Nossa que roupa curta é essa? Assim vo...
DU: Lucas. — É a única coisa que falo ao me virar para ele. Ao ver que choro ele pergunta.
JL: O que aconteceu Eduarda? — Vou até ele e apenas o abraço, ele me leva até a cama e eu deito com minha cabeça em suas pernas, enquanto ele me faz um cafune conto tudo que aconteceu. Assim que termino ele fala:
JL: Eu não credito que eles vieram aqui para isso, que vontade de... — Ele tentou se levantar da cama mas não permiti.
Du: Não faça nada, só fica aqui comigo.
JL: Poxa meu amor, sinto muito por essa família sua...
DU: Não tenho mais esse tipo de família, pai, mãe, minha família agora é você e eles, só vocês!
Depois disso, ficamos no quarto abraçados o resto do dia com ele me acalentando. Na hora do jantar Rosa faz uma sopa e Lucas a trás para mim e comemos ali no quarto mesmo.
Na hora de dormir eu e Lucas estávamos abraçados, mas chega um momento que ele simplesmente me solta e se vira para o lado.
DU: Ei Lucas, vem cá. Vamos dormir agarradinhos, quero de sentir, eu to mal. Quero carinho.
JL: Aga- Agarradinho? Ah, está muito calor.
DU: Calor Lucas? Liga o ar vai. Por favor vem cá.
JL: Ah não, é, é que...
DU: João Lucas, já deu, não quer fala, só não fica inventando historia, já percebi que a dias você esta me evitando, nem beijar quer me beijar mais, qual foi?
Fiz essa pergunta, mas tinha medo da resposta, e se ele não estivesse gostando de mim? E se meus pais tivessem razão e a única coisa que fez Lucas querer ter se unir a mim tenha sido essa gravides e agora ele esteja arrependido? Eu não aguentaria mais uma revelação desse tipo no dia de hoje.
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