Mais que amigos
14 Acidente. Coragem. Te amo.
Notas iniciais
Por Eduarda
Nos últimos dias faltei ou fui embora mais cedo diversas vezes do trabalho. Por mais que goste do meu trabalho, percebo que Henrique anda ficando incomodado com isso, até porque se ele contratou alguém é porque precisa que uma pessoa o ajude. Tenho medo de acabar sendo mandada embora, e se isso acontecer ele terá razão. Hoje o nosso dia aqui no estúdio está sendo super corrido, estou aproveitando que não me sinto mal e estou pegando bastante no pesado. A todo o momento ele me chama para pegar algo para trazer para ele, estou feliz por estar o ajudando como sempre deveria fazer.
Preferi nem sair para meu horário de almoço. Teríamos uma sessão de fotos logo depois e eu decidi ficar para montar o cenário que Henrique irá usar. Ele falou para eu descansar um pouco mas não quis, eu gostava de ficar nessa agitação, me sentia realmente util. Ele sai e eu fico sozinha. Após montar tudo fiquei arrumando alguns papeis que por sinal eu já deveria ter arrumado a algum tempo.
Depois de algum tempo termino isso e Henrique chega, a sessão logo começa e ele pede que eu vá em alguns lugares fazer algumas coisas para ele, vou andando pois era perto dali. Quando volto ele me fala que se esqueceu de me dar uma conta que deveria ser paga hoje e pede para eu ir paga-la, o banco irá fechar a alguns momentos então vou o mais rápido que posso, o banco não era tão perto mas como não compensaria pagar um taxi resolvo ir andando mesmo. Quando estou a caminho meu celular toca, vejo que é Lucas e atendo.
Ligação ON
DU: Oi.
JL: Oi Du, você está bem?
DU: Estou sim, por quê?
JL: Ah, sei lá Lek, de repente me deu uma vontade de te ligar, ver como você estava.
DU: Ih, o que é isso agora? Está todo melosinho. — Dou risada e ele fala.
JL: Para meu, é serio, eu me preocupo com você. Tu não passou mal hoje?
DU: Não eu estou bem. Serio.
JL: Então tá legal. Tenho uma reunião agora, mais tarde te vejo. Se quiser posso te buscar ai.
DU: Logico que eu quero! – Digo animada — Vou desligar, eu estou na rua.
JL: Tchau. E Du... Se cuida tá?!
DU: Pode deixar.
Ligação OOF
Desligo o telefone e sigo andando até meu destino. O sol está forte hoje, é engraçado, mas apesar de morar no Rio de Janeiro não curto muito o calor. Ando mais um pouco e começo a suar, acho estranho, isso geralmente não acontece comigo. Continuo indo a caminho do banco quando de repente percebo não estar passando muito bem. Minha pressão parece estar baixa, droga, logo agora! As coisas estão começando a girar, vejo que do outro lado da rua tem um banco então decido ir até ele, olho para a rua e vejo que não vem nenhum automóvel então vou passar, quando estou na metade da rua as coisas começam a ficar escuras, paro e quando me dou conta tem um carro vindo em minha direção. Tento andar, mas não consigo sinto que estou desfalecendo, vou cair. Ainda consigo ver que o carro parece estar diminuindo a velocidade, o vejo chegando bem perto, ele vai acabar batendo em mim...
Por João Lucas
Tem algo que está me fazendo sentir uma sensação terrível. Meu coração está apertado o dia inteiro. Cheguei a pensar que a Du poderia estar mal, mas não, liguei para ela e pela sua voz não parecia mal. Estou em uma reunião mega chata, estou quase enlouquecendo, não consigo prestar atenção em nada, quero que ela acabe logo, quero ir para casa e sei que isso não acontecerá tão cedo, não fazem nem 15 minutos que ela começou.
Estou desligado quando volto para a realidade ao escutar meu pai me chamando bravo.
JA: Lucas! Tá aonde menino? Não está ouvindo eu te chamar?
JL: Desculpa pai, é que eu estava.
JA: Você está desatento, não estava prestando atenção na reunião, tanto que não ouviu Estela te chamar. — Estela é o nome da secretaria de meu pai, realmente eu nem havia notado sua presença aqui.
JL: Me desculpe.
ES: Seu João Lucas, preciso que o senhor venha aqui, por um instante.
JL: Tá, já estou indo. — Vou para fora da sala de reuniões e pergunto. — Diga Estela, o que você quer?
ES: Te chamei aqui fora pois ligaram para o senhor, parece ser serio, estão no telefone a sua espera.
Pego o telefone e escuto com atenção o que me falam. Não posso acreditar no que eu estava ouvindo. Eu sabia que havia algo errado, eu sabia.
Deveria ter ido busca-la mais cedo e levado para casa, eu não deveria ter ficado nesta maldita reunião. Agora eu estava aqui e a Du estava em um hospital, pelo que consegui entender ela sofreu um acidente, a pessoa a socorreu e achou meu numero nas ultimas chamadas e me ligou.
Desligo o telefone e praticamente o joga em cima de Estela, pego meu carro e sigo para o Endereço que me deram.
Ao chegar lá pergunto por ela e ninguém da recepção me da informação. O homem que a atropelou me escuta falando o nome dela e vem falar comigo.
XX: Acredito que tenha sido para você que eu liguei!
JL: Sim, foi para mim mesmo!
GU: Chamo-me Gustavo, sinto muito pelo ocorrido.
JL: Cara onde você estava com a cabeça?
GU: Me desculpe, mas não tive culpa. Qual é mesmo seu nome?
JL: Me chamo João Lucas. Mas... Se foi você quem a atropelou como não teve culpa?
GU: Ela que parou no meio da pista, tentei parar, mas já estava perto de mais, ela parecia estar passando mal, não bati forte ainda bem, mas ela caiu, não deveria estar bem.
JL: Me desculpe... É que ela esta gravida, quase sempre passa mal. — saber que ela estava passando mal me deixou mais nervoso ainda. — Obrigado por ter a socorrido.
GU: Era o mínimo que eu poderia fazer, espero que ela e o bebê estejam bem, mesmo.
JL: Também espero. — Ao dizer isso deixo algumas lagrimas escorrerem pelo meu rosto, as seco e falo — Acho melhor você ir, não ha mais nada que possa fazer...
Ele se despede e vai embora.
O tempo passa e as noticias não chegam. Ester deve ter avisado minha meus pais, pois logo minha mãe chega. Ela fala que meu pai não pode vir pois investidores importantes estavam na empresa. Ela tenta me acalmar, mas a falta de noticias me deixa maluco.
Passam mais alguns minutos e um medico aparece.
Infelizmente o medico dela não estava de plantão então é um outo medico que fala comigo
JL: Até que enfim alguém veio me dar noticias.
MM: Olhe os modos menino! — Minha mãe me repreende.
Dr. É verdade, ele tem razão, desculpem minha demora, mas estou atendendo muitos pacientes hoje.
MM: Sem problemas, mas fale, como Eduarda está?
Dr. Ela passa bem, está acordada, mas sente algumas dores.
JL: Mas e minha filha?
Dr. Ela está bem também, não se preocupe com isso. — Um alivio enorme me preenche. — Mas tem um porem, pelo que eu soube ela foi atropela pois estava passando mal certo?
JL: Sim foi isso mesmo.
Dr. Eduarda tem pressão muito baixa e pelo que vi em sua fixa tem recorrentes tonturas, no inicio da gravides isso é normal, mas ao longo da gestação isso geralmente vai passando, no caso dela não, ela já esta com 4 meses e ainda ocorrem esses episódios, ela tem que tomar cuidado, não pode se esforçar muito, passar nervosos e principalmente se alimentar bem.
JL: Nos sabemos disso, o problema é que ela é teimosa.
Dr. Se vocês quiserem que a gravides siga bem é melhor ela obedecer as recomendações do medico dela, assim como aconteceu hoje pode acontecer novamente e ela pode acabar perdendo a criança.
MM: Você ouviu bem Lucas? É bom você colocar juízo na cabeça daquela cabelo de fogo.
JL: Vou colar, eu vou sim! — Falo aquilo não só para ela, mas para mim também. — Mas agora eu poderia vê-la?
Dr. Sim, mas lembrando, nada de deixa-la muito agitada!
JL: Pode deixar.
Ele me fala o número do quarto onde ela estava e sigo até lá. Quando estou a caminho tomo uma decisão. Não quero mais esperar, a possibilidade que tive de perde-la me fez querer abrir meu coração, sem receios, sem medo.
Ao entrar no quarto vejo que ela estava acariciando a barriga.
JL: Como você está se sentindo?
DU: Dolorida!
JL: Você já sabe que está tudo bem?
DU: Sim o medico me falou.
JL: Ele me falou algumas coisas sobre sua gravidez.
DU: Ele falou para mim também... — Ela me olha e fala — Se algo tivesse acontecido, com ela... Acho que eu pirava, serio mesmo.
JL: Eu também! — Falo colocando uma de minhas mãos sobre seu ventre e com a outra pego sua mão e aperto. — Você nem imagina o quanto, com ela e com você. Du, quando eu soube me desesperei, não me imagino mais sem ela e, nem sem você!
DU: Serio?
JL: Muito! Acho que eu nunca falei tão serio em toda minha vida. Sabe Du, — Me sento na beirada da cama ao seu lado e continuo. — Acho que eu comecei com você da maneira errada, sei que não é o momento mais apropriado para dizer isso, mas é agora ou nunca. Eu nunca te falei isso, mas, desculpa por ter sido um babaca aquela noite, me desculpa por nunca ter percebido que você gostava de mim — Ela ia falar algo, mas nem a deixo começar, coloco o dedo em uma e boca e prossigo, eu estava com tanta coragem que nem estava acreditando. — Não adianta negar, eu sei que esse sentimento sempre existiu. Acho que sempre existiu em mim também, eu só não sabia reconhecer. Me enganei com a Talita, eu quis me enganar, só ficava atrás dela pois queria competir com meu pai, sei lá. Isso não importa, o que importa é que eu não aguento mais você me evitando, não aguento não poder te beijar, te tocar quando quero, não aguento mais essa magoa que nos impede de sermos felizes e vivermos uma historia, a nossa historia, eu... Eu não aguento ver que tem alguém interessado em você, como vi o Rafael aquele dia e não poder fazer nada para impedir a aproximação. Na real Du, eu quero que você seja minha, não só a mãe de um filho meu, quero que você sege minha como mulher. Eu te amo, amo muito, amo como nunca amei ninguém em minha vida!
Quando termino ela fica parada, não fala nada então eu fala.
JL: Está bem, não precisa falar nada, você acabou de ser atropela e eu estou te enchendo. Depois do que aconteceu eu não posso exigir nada de você, acho que você deve ter medo de acreditar em mim ne?! Também se eu estiver errado e você não gostar realmente de mim... Ah, esquece vai. — Me viro para ir embora, Então escuto ela me chamando.
DU: Lek.
Viro para olha-la e uma lagrima escorre pelo seu rosto, ela puxa meu braço e chego mais perto dela. Por iniciativa dela nos beijamos, acho que esse é o melhor beijo da minha vida, um beijo que mesmo calmo significava muito, um beijo que transbordava amor, era essa a resposta que eu esperava. Saímos do beijo, acho que a apertei demais, ela sentiu dor, pois se contorceu.
JL: Me desculpa, eu esqueci.
DU: Não foi nada não. E Lucas...
JL: O que?
DU: Eu também te amo. Muito! — Lagrimas escorreram do meu rosto.
JL: Você não tem ideia de como estou feliz em ouvir isso, acho que foi o que eu mais quis nesses últimos meses.
DU: Acredite, foi o que eu mais quis dizer também, mas eu achava que você não...
Dou um selinho nela a proibindo de terminar de falar.
JL: Não fala mais isso, nunca. Eu te amo. E o que eu quero muito é que você seja minha mulher.
DU: Como assim sua mulher?
JL: Eu quero que você case comigo.
DU: Como assim? Assim do nada.
JL: Do nada não, nós nos amamos, até gravida você esta, nada nos impede.
DU: Mas não é simples assim. Tem sua família e tudo.
JL: Não falei para nos casarmos agora. — Nós rimos. — Mas que sabe daqui uns dias?
DU: Bobo.
JL: Você quer Du? Me diz.
DU: É que você me pegou de surpresa. Muita coisa junta. O medico disse que não era para eu ter grandes emoções está lembrado?! — Ela ri para mim e fala como se estivesse falando a ela mesma — Casar com você... Ai meu Deus, nunca imaginei isso. — Ela pega em minha mão — Eu quero.
Mal posso acreditar, acho que foi mais fácil do que imaginei, eu ia abraça-la com força mas ela fala:
DU: Vai com calma!
JL: Tá bom! — Ia beija-la, mas minha mãe entra no quarto.
MM: Como está se sentindo?
DU: Um pouco melhor, mas meu corpo dói.
MM: E você Lucas está mais calmo agora?
JL: Acho que sim. — Dou risada e ela continua.
MM: Aproveita entoa e vai para casa.
JL: Por quê?
MM: O medico me falou que ela ficará aqui até amanhã, acredito que você vai querer ficar com ela estou certa?
JL: Está...
MM: Então tome um banho e pegue algumas coisas para ela, que enquanto isso eu fico aqui!
DU: Não precisa.
JL/MM: Precisa sim. — Eu e minha mãe falamos juntos.
MM: Vai logo João Lucas!
JL: Já estou indo!
Vou até a Du e falo em seu ouvido para que ela não fale nada para minha mãe, quero comunicar a todos da família quando eu voltar. Dou um selinho nela e percebo que minha mãe fica nos observando estranhando meu gesto. Quando estou saindo do quarto escuto Du falando para eu não esquecer o carregador de seu celular.
Tentarei ser o mais rápido possível, agora que me declarei e que ela aceitou minha presença não quero mais ter que passar um longo período de tempo longe dela.
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