Já havia passado algumas luas e sóis – como minha mãe chamava as bolas gigantes que ficavam lá no alto, fora dessa caixa enorme em que vivíamos – desde que conheci esse mundo tão estranho e curioso. Dentro da nossa caixa, vivam alguns seres grandes e altos que cuidavam muito bem da minha mamãe, davam para ela o que ela chamava de carinho – assim como minha mamãe dava para mim –, mas estes seres nunca haviam tocado uma vez sequer em mim ou em meus irmãos para isso, não que eu ligasse, até porque tendo a minha mamãe me dando carinho, já me bastava.

Hoje mamãe estava em um dos vários buracos que haviam dentro da caixa, em cima de algo muito macio e confortável, que pertencia ao filhote dos seres grandes. Meus irmãos estavam espalhados por aí, diferente de mim, que estava no centro do nosso lar, onde havia uma coisa bem estranha que teleportava vários tipos de seres dos mais diferentes para dentro de nossa caixa, eu até tentava pegar, mas os seres eram protegidos por uma coisa transparente, que sempre me impedia de os alcançar.

Estava eu lá no tapete, uma coisa macia que se estendia pelo centro da caixa até certo ponto, tentando pegar esse ser que se parecia muito com o meu rabo, até que escuto os seres grandes entrando no local em que eu estava, e eles pareciam debater agitados sobre algumas algo que eu não estava entendendo direito o significado. Eles estavam se movendo rapidamente pelo local, puxando a minha atenção, que se direcionou para a ponta da calça que estava mexendo para lá e pra cá. Ah... ela estava me provocando, só pode, se mexendo desse jeito. Me preparei para pegar a ponta e pulei na calça, ficando minhas unhas para que ela não escapasse. Logo em seguida ouvi um grito raivoso e me senti sendo arremessado para longe. Maldita, escapou de mim hoje. Parei no chão de pé, meio desajeitado, mas ainda assim, de pé.

— Vai começar por você primeiro. — Um dos seres grandes, de pelos bem curtinhos, falou, logo me agarrando. Eu primeiro o quê? Ele ia me dar carinho pela primeira vez?

— Querido! Você não pode fazer isso — O outro ser grande falou. Fazer o quê? Não é carinho? Se fosse carinho eu queria. Não impeça ele, eu pedi, carinho nunca é demais.

— Não só posso, como irei fazer agora — Ele falou enraivecido... eu não estava entendendo nada, mas o tom dele não parecia com o tom que ele direcionava para a mamãe quando dava carinho a ela.

— Hwayoung irá ficar muito triste com você, o Suga é o preferido dela! — O outro ser, de voz mais fina, falou em alguns tons mais alto. Quem ficaria triste? A filhote deles? Por quê? Ela me chamava de Suga, não é?

— Ela supera — Ele falou, me colocando dentro de uma caixa bem menor do que a caixa em que vivíamos, fechando a saída. Que lugar era aquele? E o carinho?

Vi um feixe de luz passando por um buraco pequeno da caixa, que estava tremendo, e percebi que estávamos saindo do nosso lar confortável, logo vi a grande lua com um de seus lados comidos. Será que a lua é gostosa? Agora que percebi, era a primeira vez que via a lua de fora da grande caixa. Onde será que estávamos indo? Mamãe falou que eu podia confiar muito nesses seres, então era o que eu iria fazer.

Embora um pouco mais baixo que antes, ainda ouvia alguns resmungos da outra ser de pêlos mais longos. Senti o chão em minhas patas pararem de tremer e ouvi um estrondo que me fez dar um pequeno salto dentro da caixa. Ué, não dá para ver mais a lua pelo buraco. Logo ouvi mais uma vez o estrondo e um som esquisito vindo de fora da caixa, e as tremedeiras voltaram, só que mais leves do que antes.

Para passar o tempo, eu tentava pegar o ser que se parecia com o meu rabo, mas de vez em quando o ser grande dava um berro, que me fazia parar de brincar pelo susto, falando para eu ficar quieto em um tom de voz irritado. Mas o que eu podia fazer se ele ficava me provocando?

Depois de certo tempo, senti as tremedeiras diminuírem, logo ouvindo aquele estrondo de antes novamente, me fazendo dar um pequeno salto. Será que vai ter um segundo estrondo que nem antes?

De repente, fui levantado e senti as tremedeiras ficarem intensas, me fazendo deitar para que eu não tombasse para os lados, mas logo tudo ficou calmo e eu podia ver a lua novamente pelo buraco. Tinha parado de verdade agora.

— Boa sorte com a sua vida aqui na rua, sem a gente. — Ele falou duro e, então, escutei os sons das patas dele começando a se distanciar.

— Viver sem vocês? Sozinho? Cadê a mamãe? O que está acontecendo? Eu não quero viver sem a mamãe. Como eu saio daqui? Eu quero voltar para a outra caixa! Hey! Ser, não me deixa aqui! Me leva para a mamãe! Porque está me deixando longe dela? Ela me disse que eu podia confiar em você! Porque você está me deixando aqui sozinho?! — Comecei a miar sem parar, me debatendo dentro da caixa, mas parecia que nada adiantava.

Ouvi os dois estrondos novamente e aquele barulho esquisito foi ficando cada vez mais baixo até que, em um momento, não se podia ouvir mais ele, só de vez em quando um som bem parecido passava bem rápido por onde eu estava preso.

Fiquei miando e tentando sair da caixa por um bom tempo, mas comecei a ficar cansado. Eu queria a mamãe, ali fora era frio. Onde ela estava? Queria carinho. Por que eu estava lá? Onde isso ficava? Me encolhi em um canto da caixa, chorando baixinho, até que adormeci cansado.

Acordei com um som mais alto e mais agudo que os estrondos do dia anterior, o que me fez pular bem alto para trás. Como eu havia dormido bem encostado no canto da caixa, acabou que bati com força na parede da caixa, fazendo-me cair de costas por não ter como me virar. Não sei o que aconteceu, mas quando eu me levantei, vi que a caixa tinha sido aberta, então fui feliz em direção a saída, porque finalmente estaria livre daquele lugar para poder procurar a mamãe.

Mas minha felicidade durou pouco. Quando minha visão se ajustou a forte claridade que vinha do sol, me deparei com grandes seres monstruosos que não paravam de fazer sons cada vez mais estranhos e, não só isso, dentro deles tinha muitos seres parecidos com aquele que me separou da mamãe, assim como onde eu estava.

Mamãe podia estar certa em muitas coisas, mas ela errou sobre aquele ser.

Saí correndo sem um rumo exato, tentando fugir de todos aqueles seres que poderiam me fazer mal. Não sabia como encontrar minha mãe e nem sabia o que eram todos aquelas coisas e seres. Tudo aquilo estava me assustando muito. Eu não queria ficar sozinho, nesse lugar tão grande.

Finalmente, achei um lugar em que não tinha todos aqueles seres estranhos e assustadores. Eu estava começando a ficar com fome... fui caminhando por aquele lugar mais calmamente, até que escutei alguns barulhos que me deixaram em alerta, mas também curioso. Poderia ser um daqueles seres de antes ou não.

Mas o que eu vi foram gatos como eu, três para ser exato, só que são mais velhos, me rodeando enquanto se aproximavam cada vez mais. Eu fiquei feliz, porém algo me dizia para não confiar neles.

— Ora, ora o que temos aqui no nosso território? — Um dos gatos miou. Território? — O que faz aqui, filhote? — Eu iria responder, mas ele gritou, me assustando: — Responda!

— E-eu não sei. — Respondi, meio trêmulo e baixo.

— Ah, você não sabe? — Ele miou sarcasticamente. — Com certeza veio roubar a nossa comida. — Seu tom de voz mudou drasticamente para um mais agressivo.

— Aqui existem regras, filhote, e quem as quebra, independente de quem seja, está sujeito a ser atacado. — Sem me dar chance de responder ou explicar alguma coisa, eles
ficaram em posição de ataque.

Antes que eu pudesse pensar em fugir, um deles me arranhou, tirando de mim algumas gotas de sangue. Assustado, saí correndo pelos espaços pequenos que tinham entre as enormes caixas – maiores que aquela que eu moro... ou morava – tentando despistar os três gatos maus que estavam atrás de mim, até que eu acabei tropeçando em algo, fazendo com que minha velocidade diminuísse. Eles logo me alcançariam.

— Alguém me ajuda, por favor — Miei um pouco baixo e meio ofegante por estar
correndo.

O cansaço estava fazendo com que eu diminuísse o ritmo da minha corrida, eu estava quase desistindo de tentar fugir daqueles gatos, até que eu vi algo saltado por cima de mim.

— Sai da frente, Sol — Escutei a voz de um dos gatos que estavam me perseguindo. Sol? Quem é Sol?

— Correndo atrás de um filhote, Haru? — Uma voz desconhecida miou. Mesmo com medo, minha curiosidade foi maior, então resolvi me virar ofegante, vendo um gato marrom com algumas listras em tons mais claros de costas para mim, entre eu e o grupo, quase como se estivesse me protegendo dos três gatos.

— Não te interessa — O tal Haru respondeu áspero, mas isso não pareceu abalar o gato marrom.

— Claro que interessa, vocês estão no meu território. E vocês conhecem bem as regras. — Ele miou calmamente.

— Ele invadiu o nosso território! — O outro gato respondeu.

— Vocês estão cobrando de um filhote, que nem sabe marcar território, uma regra que nós gatos de rua seguimos?

— Nada nos impede disso, Sol, mas vejo que te impede depois que perdeu o seu filhote — Haru respondeu sarcasticamente. Esse gato gentil perdeu o filhote?

— E isso importa agora? — Ele pareceu não se abalar com a fala do outro gato. — Só saiam logo do meu território. Enquanto o filhote estiver no meu território, ele não deve nada a vocês. — Após o fim do miado de Sol, os outros três gatos, a contragosto, foram embora. E o gato marrom soltou um bufar pesaroso e se virou em minha direção. — E você, filhote, volte para a sua casa e pare de se meter em confusão. — Ele começou a caminhar no sentido oposto dos outros gatos.
Ele era um gato gentil, ele ia me ajudar, não ia? Eu não podia perder essa chance.

— Eu não sei voltar... — Miei baixo e hesitante.

— Você se perdeu? — Ele parou e perguntou. Me perder? Estou perdido, mas não é minha culpa... é?

— Não sei... — Comentei, um pouco confuso sobre a minha real situação.

Antes que ele pudesse me fazer outra pergunta ou até mesmo falar algo, meu estômago começou a fazer barulho, me fazendo soltar um pequeno e baixo miado sofrido, entregando que eu estava com fome. Ouvi um suspiro vindo do gato.

— Vem, vamos procurar algo para comer e depois você tenta me explicar o que aconteceu com você. — Ele falou, balançando seu rabo de um lado para o outro.

Segui ele em uma das várias vielas – Sol falou que se chama assim os espaços entre as grandes caixas – parecidas, até que em um momento ele parou e sentou, mexendo o rabo de um lado para o outro e me fazendo parar também. Eu quero pegar o rabo dele. Ouço um miado vir do Sol e logo escuto uma voz.

— Oh! Sol, chegou cedo hoje — A voz desconhecida falou e o Sol miou mais uma vez, fazendo com que sua calda se mexesse mais rápido, até que em um momento ele desacelerou um pouco. Essa é a hora!

— O que é que você está fazendo com o meu rabo na sua boca, filhote?! — Miou Sol alguns tons acima.

— Eu estava caçando — Respondi, divertido, como se fosse óbvio.

— Que foi, Sol? — Percebi que o dono da voz estava se aproximando e vi que era um dos seres grandes e altos, parecido com o ser mau que me abandonou. Eu me escondi atrás
do Sol. — Um novo amiguinho, Sol? — Sinto vibrações do miado do Sol, por estar grudado nele. — Oi, não precisa ter medo. — O ser falou tranquilamente. — Deve estar com fome, já que Sol te trouxe até aqui.

— Sim — Respondi baixinho.

— Bem, esse miado com certeza foi um ‘sim’ tímido, acho que vou ter que pegar um pouco mais lá dentro para vocês dois, esperem um pouco, okay? — Dessa vez, foi o Sol que o respondeu.

— Esse ser não vai gritar com a gente? — Perguntei para Sol, depois de o ser ter entrado na caixa grande ao nosso lado esquerdo.

— Ser? Ah! O Jin? Não se preocupe, ele é um humano gentil — Ele se levantou. Então esses seres se chamam humanos? — Venha, ele já está chegando. E nada de pegar o meu rabo de novo. — Sol miou, enquanto caminhava para um canto mais perto da porta por onde o humano Jin havia entrado, e deixando o seu rabo o mais longe de mim.

O humano Jin apareceu com dois potinhos e os posicionou em frente ao Sol, tinha algo meio branco que cheirava muito bem dentro dos potinhos. Hesitante, me aproximei devagar do potinho. Será que era bom? Tinha quase a cor da lua. Será que esse humano pegou um pedaço da lua?

Minha barriguinha fez mais um som, reclamando para que eu comesse logo, então peguei um pedaço e comi. E como aquilo era bom. Muito bom.

— Calma, pequeno, vai acabar se engasgando — Ouvi a voz do humano falar, meio brincalhão.

— Filhote, come mais devagar! O frango não vai fugir — Sol me advertiu.

— Frango? Esse é o nome do pedaço da lua? — Perguntei enquanto me lambuzava no frango.

— Pedaço da lua? — Perguntou meio incerto — Isso não é um pedaço da lua, isso aqui é um tipo de carne. — Explicou. Então essa coisa deliciosa que parece um pedaço da lua é uma carne? Isso é muito bom mesmo.

— Calma, pequeno — O humano riu — Parece que você trouxe um esfomeadinho dessa vez, Sol.

Quando percebi, já havia comido tudo que estava no potinho e estava satisfeito. Eu estava com muita fome mesmo. O humano que estava abaixado e ficou nos observando comer sorriu em minha direção, pegou os dois potes já vazios e se levantou.

— Até outro dia, Sol, pequeno — Falou, entrando dentro da caixa, enquanto eu e o Sol ficamos parados no mesmo lugar sentados.

— Então, me explica como você veio parar aqui — Sol pediu depois de um tempo em silêncio.

Comecei a explicar tudo que havia acontecido no dia anterior para ele, e quando eu finalmente havia acabado de contar, vi Sol com uma cara muito séria, enquanto o rabo dele ricocheteava para os lados, demonstrando que estava bravo.

— Esse maldito humano. — Ele miou, se levantando e indo em frente. Hum... eu sigo ele? Mas ele não me mandou voltar para casa? Eu vou ficar sozinho de novo? Não quero ficar sozinho. — Filhote Ouvi Sol me chamando — O que você está fazendo aí parado? Venha logo — Ele não vai me deixar sozinho? Levantei, balançando meu rabo, feliz, e o segui rapidamente. Mas isso vai ser só hoje?

— Você vai cuidar de mim? — Eu perguntei, com medo que minha felicidade fosse uma felicidade bem passageira. Ele olhou profundamente nos meus olhos.

— Irei sim. — Feliz, me enrosquei entre suas patas, me esfregando nele. — Por sinal, você tem algum nome? — Ele me pergunta, enquanto andava um pouco desengonçado.

— A filhote dos humanos me chamava de Suga. — Miei, um pouco pensativo.

— Então vamos, Suga. Irei te mostrar onde nós moramos — Ele miou, agora olhando para frente.

Voltamos a andar pelas vielas. Quando chegamos em frente a duas caixas com tamanhos semelhantes a caixa grande em que eu morava,. Sol pulou para cima do muro da caixa esquerda, e eu até queria seguir ele, mas achava que eu não conseguiria pular tão alto quanto ele.

— Sol, acho que não dá — Miei, meio receoso.

— Ah sim, verdade. Você consegue pular em cima daquele muro ali? — Ele miou, indicando um muro mais baixo.

— Acho que sim. — Me preparei para saltar. E prontinho, eu tinha conseguido, logo alcançando e seguindo ele para uma viela um pouco mais estreita que as anteriores. Uma parte da viela era tapada pelo topo da caixa esquerda, então acabava por ter sombra ali.

— É aqui que moramos. — Sol mostrou um canto que tinha algumas coisinhas felpudas parecendo um tapete, mas que era bem menor. — Aqui é seguro contra humanos mal- intencionados e os gatos também. — Explicou, se deitando no pequeno tapete. — Pode explorar se quiser — Sério?! Tinha que aproveitar.

Andei pela viela estreita, que tinham alguns obstáculos, fiquei desviando deles e entrando em alguns espaços entre os obstáculos por pura curiosidade. Cheguei em uma parte onde havia um murinho que nem aquele que tinha do lado de fora e saltei em cima dele, para descobrir o que tinha lá. Mais ao fundo, vi que tinha uma espécie de pote gigante e ele estava cheio de água. Como eu não havia bebido nada até agora, resolvi beber, e a água estava muito boa. Explorei mais um pouquinho aquele espaço, vi que a lua estava tomando o lugar do sol e decidi voltar para onde Sol estava, até que escutei o som de algo, olho para cima e vejo que era um humano.

— Oh, olá gatinho, onde está o outro gato que mora aí? — A voz suave daquele humano se fez presente no lugar, me trazendo tranquilidade. Mas ainda era um humano, não sei se era confiável, melhor se eu voltasse logo para onde Sol estava.

Saio correndo sem ouvir a voz suave do humano novamente e vejo Sol deitado mais confortavelmente no tapetinho, parecia dormir. Me aproximo dele para tentar me deitar ali também, mas Sol acaba se mexendo e abrindo os olhos.

— O que aconteceu, Suga? — Ele perguntou manso, vendo a afobação em que eu cheguei.

— Um humano apareceu no buraco da caixa ao lado, me assustando — Expliquei.

— Caixa é? — Ele murmurou, risonho. — Foi o da esquerda?

— Foi sim.

— Não precisa se preocupar. Esse humano adora conversar comigo. Por isso que de vez em quando ele aparece ali. — Sol me explicou. Ah, por isso ele estava perguntando do outro gato. — Bem já está tarde, vem dormir aqui. — Ele miou, mostrando um pequeno espaço do lado dele em que eu cabia.

Me deitei, mas não conseguia dormir. Sol estava deitado do meu lado, mas não saiu do lugar e nem estava dormindo, ele apenas estava observando em volta. Quando fui fazer o mesmo, vi algo que parecia com o que minha mãe usava no pescoço, toquei bem de levinho o negócio e ouvi um som engraçado sair de lá.

— Hum? — Ouvi Sol murmurar confuso — No que você está mexendo?

— Nesse negócio que faz um barulho engraçado — tentei mexer na coisa para ver se o barulho se repetia.

— Oh, minha antiga coleira — Sol comentou. Então era isso que mamãe usava no pescoço.

— Se quiser pode ficar para você.

— Sério?! — Miei animado e curioso com a tal da coleira que eu havia ganhado.

Quando toquei na parte que brilhava um pouco com a luz, o som engraçado havia voltado, e comecei a brincar, até que em um dos movimentos bruscos que fiz, senti uma ardência no meu corpo, me fazendo soltar um grunhido choroso.

— O que foi, filhote? — Sol perguntou, logo em seguida.

— Está ardendo — Murmurei.

— Onde? Me deixa ver — Ele se aproximou de mim. — Tem um arranhão aqui, quem fez isso com você? — Miou em pergunta, e isso me lembrou de hoje mais cedo.

— Foi aqueles gatos de mais cedo — Respondi.

— Tsk, Haru é um idiota — Miou, um pouco irritado. Sol começou a me lamber no local, fazendo com que ardesse um pouco mais, porém, como as lambidas pareciam com carinho, comecei a ronronar. Depois de um tempo Sol me liberou e voltei a brincar com a coleira.

Naquela noite, em vez dormir, fiquei brincando com a coleira enquanto Sol ria de vez em quando por minha causa, principalmente nos momentos que eu acabava me enrolando nas cordinhas e caia no chão. E assim se passou esse dia.
Alguns sóis e luas mais tarde, eu e Sol appa estávamos saindo para pegar comida em um dos locais que nós sempre íamos – ganhei o hábito de chamar ele de appa, ainda mais depois da reação emocionada que ele fez quando eu inconscientemente o havia chamado assim –. Por miar nisso, Sol appa estava parecendo mais magrinho, eu poderia dar uma parte da minha comida para ele hoje.

Enquanto estava preso em meus pensamentos, esperando Sol appa, vejo um pé – como appa me ensinou que se chamavam as patas dos humanos – muito próximo de mim, como se fosse me chutar, me encolhi o máximo possível para evitar o chute e senti meus pelos das costas se mexerem com o vento. Como não senti nenhuma dor ou coisa do tipo, abro meus olhos e procuro quem quase havia me chutado, era o humano da caixa a esquerda. De vez em quando, durante a tarde, enquanto eu ficava brincando com a coleira do Sol appa, esse humano aparecia naquele buraco e ficava me observando enquanto sorria.

— Que susto eu levei humano!! — Miei em tom raivoso.

— Foi mal, pequeno gatinho! Mais tarde eu recompenso o quase acidente, agora eu estou com pressa — E tão rápido como apareceu, o humano foi embora correndo. Que humano estranho.

Sol appa chegou alguns instantes mais tarde, em cima do muro, logo vindo aonde eu estava.

— Oxi, o que aconteceu com você, Suga? — Ele miou lambendo os pelos das minhas costas, que deveriam estar um pouco bagunçadas por causa do quase acidente de mais cedo.

— Nada, não. Só o humano atrapalhado da casa a esquerda. — Comentei, fazendo com que appa risse.

— Então, vamos no Jin hoje? — Ele perguntou e eu concordei veemente.

Após comer um pouco e brigar com o Sol appa para que ele comesse mais, voltamos para o nosso cantinho, onde ficamos deitados e relaxados naquela tarde tão quente. Hum... acho que estava com fome, mas valia a pena ter comido menos para que Sol appa comesse mais, ele parecia um pouco mais energético agora. Estava lá, eu olhando entretido para o meu rabo que se mexia calmamente para cima e para baixo, até que ouvi bem baixo alguém
chamando.

— Hey! Gatinho?

Ué quem será?

— Gatinho? — Alguém me chamou de novo, me levantei calmamente indo em direção a voz que vinha do outro lado da porta. — Gatinho? — Oh, era a voz suave daquele humano. O que será que ele queria agora?

Curioso pulei em cima do muro para ver o que ele queria.

— Gatinho! — Ele sorriu quando me viu. — Você apareceu! Bem, queria me desculpar por mais cedo, então aqui está. — Ele falou mostrando um potinho. Oba! Comida.

Desci do muro e me aproximei cautelosamente do potinho que ele havia deixado no chão. Cheirei e parecia bom, então comecei a comer. Até que eu gostava desse humano um pouco atrapalhado.

— Coma bem e cresça direitinho, gatinho — Ele falou feliz abaixado perto de mim.

Quando eu terminei de comer, ele pegou o potinho vazio e se despediu de mim, entrando na caixa grande dele. Satisfeito, pulei de volta para o muro e voltei para o nosso cantinho.

— Aonde você tinha ido? — A voz do Sol appa apareceu atrás de mim.

— O humano da casa do lado trouxe um presente em pedido de desculpas por mais cedo. — Miei e vi o rabo do appa mexer de uma forma que expressava que ele estava feliz.

— Isso é bom, parece que você encontrou o que precisava — Ele suspira de forma aliviada.

— Encontrei o quê? — Perguntei, confuso.

— Não precisa saber agora. — Ele miou, risonho. — Espero que você tenha uma vida calma no futuro. — Concluiu seus pensamentos, me fazendo tombar a cabeça um pouco de lado por causa da confusão. Sol appa lambeu o topo da minha cabeça logo em seguida.

— Quero carinho, appa — Pedi feliz, ronronando. Appa começa a esfregar sua cabeça em mim, me fazendo rir junto a ele.

As luas e os sóis iam passando, um tomando o lugar do outro. Mas algo estava me preocupando, Sol appa estava cada vez mais magro e isso estava me assustando. Fazia uns dois sóis que não via o humano da casa ao lado por aí e nem escutava barulhos vindo de sua caixa, eu não sabia o que fazer. Hoje Sol appa estava andando bem devagar quando fomos buscar algo para comer, e no momento em que conseguimos, ele havia comido muito pouco, mesmo eu insistindo para que ele comesse mais. Estávamos no nosso cantinho e Appa estava deitado do lado oposto das nossas mantinhas, tomando sol tranquilamente.

— Appa Sol? — Chamei ele.

— Que foi, Suga? — Ele perguntou, abrindo seus olhos calmamente para olhar para mim.

— Você está bem? — Perguntei me aproximando dele e esfregando minha cabeça pelo corpo dele.

— Estou sim, meu filhote — Quando ele me chamou de “meu filhote”, eu fiquei muito feliz e comecei a ronronar alto enquanto ainda esfregava a cabeça nele. — Venha se deitar comigo, o sol já está indo. — Ele miou e logo acatei o pedido dele.

Ele começou a retribuir os carinhos me lambendo e eu aproveitei o restinho de sol dessa forma, recebendo o carinho do Sol appa. A lua finalmente havia subido e nós dois continuamos no mesmo lugar.

— Ei, pequeno — Appa Sol chamou. — Me prometa uma coisa. — Ele deu uma pausa no seu miado. — Caso eu tenha que ir, prometa para mim que você vai ser forte, está bem? — Ele miou em um tom de voz calmo. Ir embora? Para onde?

— Appa vai me deixar também? — Perguntei. Minha cauda parou de balançar e minhas orelhas também se abaixaram, mostrando minha tristeza.

— Não! Eu nunca te deixaria pequeno. Mas talvez haja a possibilidade de você não conseguir me ver mais, mesmo eu estando com você.

— Mas appa, como eu vou saber que você vai estar comigo, se eu não vou conseguir te ver? — Perguntei, ainda triste na possibilidade de não ter mais o Sol appa por perto.

— Hum... pense que eu sou o sol e a lua, independentemente de onde você estiver, se é dia claro ou escuro. Sempre vou estar lá para te aquecer e iluminar — Ele miou olhando para o céu.

— Até mesmo quando a lua é totalmente comida? — Perguntei, fazendo Appa rir fraco.

— Sim, até quando ela estiver totalmente comida. — Ele miou, divertido.

— Mas eu vou ficar sozinho aqui? — Perguntei, triste.

— Não, eu sei bem que quem a gente ama nunca vai embora, mas se você se sentir sozinho, lembre-se que você ainda tem o humano atrapalhado da grande caixa e o Jin com os pedaços de lua dele e até aquelas senhorinhas que nos alimentam, hum — Ele explicou, me fazendo rir com a menção dos pedaços de lua — Você me promete que vai ser forte?

— Eu... prometo — Miei hesitante, ainda com medo de ele desaparecer da minha frente. Appa Sol sorriu e me lambeu.

— Vamos dormir olhando as estrelas? — Como resposta, apenas me aconcheguei mais em seu corpo.

Quando eu estava quase dormindo escuto ele falar mais uma coisa.

— Eu te amo, meu pequeno filhote. — Ele miou amorosamente e senti ele esfregar a cabeça na minha.

“Eu também te amo, appa”, pensei, caindo no sono.

Na manhã seguinte, dei uma leve acordada por conta do sol que estava em cima de mim, mas como vi que Sol appa ainda dormia, resolvi dormir mais um pouco. Quando acordei, realmente vi que o sol já estava prestes a ir embora. Uau dormimos muito. Me levantei e me espreguicei, vi que appa ainda não havia acordado, e resolvi ir tomar água lá no fundo. Olhei para a janela na qual o humano desastrado sempre aparecia e vi que não havia nenhum sinal dele ali hoje. Ué, para onde ele foi? Ele costumava sempre aparecer ali. Esperei um tempinho para ver se ele aparecia, mas não apareceu, então resolvo voltar para onde Sol appa estava e vi que ele ainda dormia. Appa sempre era o primeiro a acordar… Será que ele dormiu muito tarde ontem?

— Appa? — Resolvi acordar ele, mas não recebia nenhuma reação dele.

Tentei o acordar colocando as minhas patas em cima dele. Será que appa está tão cansado a ponto de precisar dormir bastante hoje? Mas ele precisa comer, não precisa?

— Appa, o senhor não está com fome? — Pergunto, mas não recebo nenhuma resposta do mesmo. Será que eu fiz algo de errado? Isso me lembra quando eu sem querer mordi muito forte o rabo dele quando estava sem nada para fazer, e ele ficou sem falar comigo o dia inteiro. Mas o que será que eu fiz de errado dessa vez? A gente estava tão bem ontem, até dormimos juntos sob as estrelas. — Sol appa, eu fiz algo de errado? — Perguntei, empurrando ele um pouco com a minha cabeça, mas novamente sem nenhuma resposta. Sentei, esperando alguma coisa acontecer, mas nenhum sinal. A lua já havia tomado o lugar do Sol e um vento gelado soprou na nossa viela.

— Appa, appa, não está com frio? — Perguntei, ainda sem receber resposta nenhuma. Triste, cheguei mais perto dele — Não sei por que o appa está bravo comigo, mas vou ficar aqui para o senhor não ficar com frio. — Miei, meio cabisbaixo, deitando no mesmo lugar que eu havia dormido na noite anterior. E fiquei lá sem receber nenhuma resposta do mesmo, apenas observando a lua e as estrelas que estavam no céu, até que adormeci.

Acordei com o sol subindo para o seu devido lugar e vi que appa ainda não havia acordado. Isso era normal?

— Appa, você está bem? — Tento obter alguma resposta, mas nenhuma veio — Isso não é normal, é? Appa? Acorda. — Miei, apertando ele com as minhas patas. Então resolvo deitar com ele, tentando acordar ele de vez em quando e esperando alguma reação.

O tempo ia passando, e já era hora de procurar comida, mas appa ainda não tinha se mexido. Então, para não deixar ele sozinho por muito tempo, fui rapidamente para parte de trás tomar água para saciar minha fome, sempre checando se Sol appa havia se levantado ou não e, quando tomei o suficiente, voltei para o lugar em que eu estava deitando novamente. Enquanto o tempo passava, eu tentava pegar as moscas que ficavam voando ao redor da gente. Elas eram irritantes.

Chegou a vez da lua reinar o topo do céu e appa ainda não havia acordado. Estava começando a ficar frio novamente e a fome tinha voltado.

— Appa — Tentei o chamar. — Appa, não está com fome? — Perguntei, ficando triste
por não obter nenhuma resposta. — Appa, por que não me responde? — Perguntei, um pouco
desesperado.

Ouvi um som repentino, a janela do humano atrapalhado tinha sido aberta.

— Gatinho? — Ele chamou. — O que aconteceu?

— Humano! — Chamei por ele. — Sol appa não se mexe — Miei triste. — O que eu faço para ele se mexer? — Perguntei.

— Onde você está, gatinho? — Ele perguntou, direcionando uma luz na minha direção.

— Por que você está chorando, gatinho?

— Appa Sol não acorda. — Falei, olhando para ele.

— Espera aí, gatinho, estou descendo — O humano falou e, em seguida, saiu daquele buraco, deixando a janela aberta. Depois de um curto espaço de tempo, escutei barulhos suspeitos lá na frente. Olhei para o appa e saí correndo para me esconder no cantinho, mas logo escutei me chamarem?

— Gatinho? — Coloquei um pedaço da minha cabeça para fora do buraco e vi ele apontar aquela luz de antes para mim. — Oh! Aí está você, o que houve? — Era o humano da caixa grande.

Como era seguro, saí com cuidado da onde eu estava e fui cautelosamente até o Sol appa, com a luz sempre seguindo os meus passos.

— Meu Deus — Ele falou, colocando a mão dele na boca.

— O que foi? — Perguntei.

Vi ele tirar alguma coisa quadrada e pequena da calça que ele estava usando, e essa coisa começou a fazer um barulho repetitivo, até que a voz de um humano apareceu naquela caixinha. Uau essa é outra coisa que consegue teletransportar os seres?

— Oi, Ggguk! — Ouvi a voz de um humano que desconhecia. Kook? Esse é o nome desse humano? — Como foi a viagem? — Viagem? O que é uma viagem?

— Oi, Hobi hyung, a viagem foi tudo bem. — O humano Kook respondeu e ficou em silêncio durante um tempo, até que voltou a falar. — Hobi hyung, lembra daquele gato que eu tentei adotar, que tinha um filhote?

— Lembro sim, aquele gato que vive na vielinha estreita sem saída do lado da sua casa e que perdeu o filhote em um acidente, não é? — Ouvi o tal Hobi responder. Oh, estavam falando do Sol appa.

— É sim. Então... há um mês parece que ele adotou um gatinho, que apareceu por aí. — O Kook falou. Agora estavam falando de mim.

— Nossa que legal, o destino juntou os dois... mas o que tem eles?

— Eu acho que o gato faleceu — Kook falou com pesar. Falecer? O que isso significa?

— Hey! Humano Kook, o que significa falecer? É uma coisa ruim? Sol appa ta mal? — Comecei a ficar triste. — Já faz alguns sóis que Sol appa não come direito, isso tem algo haver?

— Eu não sei há quantos dias ele está assim, mas não parece que o pequeno gatinho saiu daqui durante esse período. Daqui a pouco, eu vou olhar nas câmeras de casa, mas será que você pode vir aqui, hyung? Não sei como o filhote está, parece que ele está esperando Sol acordar.

— Claro que vou esperar appa acordar! Enquanto ele está dormindo, eu preciso cuidar dele e do nosso cantinho. — Miei para o humano e logo ouvi a voz do outro humano pela caixinha pequena.

— Okay, estou indo o mais rápido que eu posso, Jeongguk. Ué, agora quem é Jungkook?

Vejo o humano Kook sair do nosso cantinho, quando fica tudo quietinho, olho para Sol appa, e vejo que alguns de seus pelos estão bagunçados, começo a lamber Sol appa, ajeitando seus pelos e aproveitando para limpar eles também.

— Appa, você vai ficar bem? Eu queria carinho agora — Miei, enquanto me aconchegava nele.

Após um tempo, vi uma luz sendo projetada sobre mim e olho em direção de onde ela vinha. Vi Kook e mais um humano ali no buraco da caixa.

— Jeongguk, há quanto tempo ele está ali? — O desconhecido pergunta.

— Essa é a segunda noite pelo que vi nas imagens, hyung. E pelas imagens o gatinho estava tentando pegar algumas coisas, imagino que sejam moscas.

— Então já vai fazer quase três dias, o gatinho estava lambendo ele?

— Algumas vezes, às vezes ele esfregava a cabeças, ou ficava apertando o Sol com as patinhas como se quisesse acordá-lo.

— Vamos descer. — O humano desconhecido falou seriamente.

Não entendi quase nada do que conversavam, mas o desconhecido estava vindo, era melhor eu me esconder.

— Appa, eu já volto.

Eu esperava que ele ficasse bem, esse era meu único pensamento enquanto ia correndo para a parte de trás da viela e ficava escondido, esperando o desconhecido ir embora.

Esperei e esperei, estava com frio, mas mesmo assim eu estava quase dormindo no cantinho que havia me escondido. Embora estivesse caindo de sono ali mesmo, quando percebo que não havia mais nenhum barulho lá na frente, decidi ir para lá para ficar junto com o Sol appa.

Chegando lá, eu não estava vendo Sol appa, no lugar que ele estivera tinha uma coisa estranha com o formato de uma caixa, mas era cheia de furinhos por todos os lados.

— Appa! — Chamei, desesperado. — Onde você está?!

Fui para a parte de trás daquela caixa estranha, mas não o encontrava em lugar nenhum. Olhava para todos os cantos procurando ele, checando cada um dos lugares que tinha ali, mas nenhum sinal dele.

— Appa Sol! Para onde você foi? — Gritei na esperança de que ele me respondesse — Eu não quero ficar sozinho. — Pedi em súplicas para o nada com esperança de que ele me escutasse.

Cheguei perto da caixa estranha e dei uma olhadinha dentro, no entanto, me veio à mente se ele não teria ido beber água nesse meio tempo ou até mesmo ido para um dos cantos que tinham lá atrás, então resolvi checar. Olhei cada canto que ele havia me mostrado da viela, mas não via nenhum sinal dele, até que eu me lembrei do que ele havia me falado a algumas luas passadas.

“Ei pequeno, me prometa uma coisa. Caso eu tenha que ir, prometa para mim que você vai ser forte, está bem?”

Eu não vou conseguir ver mais o Appa?... Estava voltando desesperado para o nosso cantinho com essa probabilidade, mas no caminho escutei uma voz estranha.

— Hum... comida, que conveniente — Comida?

Vi mais à frente que era um gato estranho que eu nunca tinha visto e ele estava dentro da caixa estranha. O que ele está fazendo aqui?! Eu preciso cuidar do território do Sol appa.

— Quem é você? — Perguntei, assustando o gato que estava ali dentro. — Você não é bem-vindo aqui! — Continuei miando bravo. — Essa área é do Sol appa — Avisei. — Sai daqui! — Gritei o mais ameaçador que eu conseguia, enquanto entrava na caixa estranha, para que ele não conseguisse pegar o que ele queria no nosso cantinho.

Até que eu senti algo bater atrás de mim, me fazendo correr até a outra extremidade da caixa estranha, assustado. Quando olho para onde eu estava, vejo que o buraco em que eu havia entrado não existia mais. Quando olhei para onde o outro gato estava, vi que ele já havia ido embora.

Appa Sol, você tinha que ter desaparecido hoje? Eu estava com medo... eu não queria deixar de ver você... não queria ficar sozinho...

Ainda assustado e tremendo de frio, vi o Humano Kook se aproximar da onde eu estava preso, apressadamente. Isso me lembrou da outra coisa que Sol appa havia me dito.

“Mas se você se sentir sozinho, lembre-se que você ainda tem o humano atrapalhado da grande caixa...”

— Gatinho, você está com frio? — Kook me perguntou e eu apenas o encarei profundamente.

— Jeongguk, vamos levar ele para o veterinário rapidamente, estou preocupado com a saúde dele. — O desconhecido de antes fala, eu nem tinha percebi que ele estava aí, mas o humano Kook também se chamava Jungkook?

— Vamos sim, Hobi hyung — Kook falou para o desconhecido, que tinha a mesma voz daquela que saia da caixinha pequena do Kook, senti o chão em minhas patas tremerem, e vi que estávamos saindo do nosso cantinho, meu e do Sol appa.

Para onde você está me levando, Kook?

Tínhamos entrado em um daqueles seres assustadores que faziam sons estranhos, até teve aqueles estrondos parecidos com que o humano mau tinha feito, mas estando com o Kook aqui dentro, até que esses seres grandes não eram tão assustadores. Eu estava bem quentinho dentro daquele ser estranho, ao ponto de querer dormir de tão cansado que eu estava.

Acordei com o ruído do ser que fazia barulhos estranhos e logo fui momentaneamente cegado por uma grande quantidade de luz. Quando me acostumei, veio em minha direção um monte de cheiros de seres diferentes, até mesmo de outros gatos.

— Dr. Jung? — Um humano com pelos longos falou.

— Boa noite, Minji. Temos uma pequena emergência aqui, prepare os equipamentos para... — O tal do Hobi hyung começou a falar um monte de coisas muito complicadas, que eu realmente não estava entendendo nada. — Jeongguk, você vai nos ajudar a segurar ele, okay? Até porque ele parece ficar mais confortável com você. — Vi Kook mover a cabeça e depois olhar para mim com um sorriso calmo.

Eles me levaram para uma sala mais clara, deixaram a caixa que eu estava em cima de uma coisa grande e branca. Vi eles colocando algumas coisas nas mãos deles, elas ficaram branquinhas.

— Jeongguk, vou precisar de você agora, vou tirar uma amostra de sangue — o humano Hobi falou.

— Tudo bem — Kook respondeu.

Ele veio em minha direção e abriu aquele mesmo buraco que tinha sumido antes e me pegou com as mãos, mesmo eu tentando fugir, me levou para a mesa brilhante que havia naquele lugar e me deitou calmamente de lado. Algo me assustou, senti uma pontada na minha pata, tentei verificar o que era, mas o Kook me impediu. Eu não entendia o que os humanos estavam fazendo comigo, só não queria sentir dor assim, queria que Sol Appa estivesse ali para me explicar o que era aquilo. Só ele sabia me confortar e me dar carinho, o que eu faria se ele demorasse para voltar?

— Oi, gatinho — Kook falou para mim. — Calma, vai ficar tudo bem agora, a gente vai cuidar de você. Isso é para você não sentir mais dor depois — Kook sorriu calmamente e me fez carinho. A sensação de que tinha alguma coisa na minha patinha continuava, mas não parecia me assustar mais, então apenas fiquei parado olhando para o Kook.

Não sei o que aquele humano Hobi fez, mas teve um momento que fiquei irritado, ele bagunçou todos os meus pelos e ainda me obrigou a beber um líquido muito ruim. Não gosto dele. Depois disso, eu fiquei sentado em cima da mesa, olhando para o Kook e o humano Hobi.

— Minji-ah — O Humano Hobi chamou.

— Sim, Dr. Jung? — O Humano com pelos grandes de antes chegou.

— Pode dar um banho nele? — Ele respondeu.

— Claro, doutor

O Humano mais baixo que os outros estava se aproximando da onde eu estava, fazendo menção de que estava querem me pegar.

— Não se aproxima! — Miei ameaçadoramente enquanto ia mais para perto de onde Kook estava. — Eu não confio em você! — Vi ela parar no lugar e olhar para o humano Hobi e depois para o Kook.

— Que probleminha... depois da checagem de pele, ele ficou mais arisco. — O humano Hobi soltou um suspiro. — Gguk, você pode? Preciso examinar o corpo, Minji vai te mostrar onde as coisas estão.

— Claro! Sem problemas, hyung — Ouvi Kook dizer, se virando para mim. — Vamos, pequeno? — Falou, me pegando no colo. E eu deixei, além de Sol appa gostar dele, mesmo achando ele estranhamente engraçado, eu também gostava um pouco dele. Mas sinceramente, nem sabia aonde ele estava me levando.

Chegamos em um outro lugar, ele me deixou dentro de um buraco escorregadio e pegou umas coisas estranhas, deixando perto de mim. O que será que era aquilo tudo? Comecei a cheirar eles, até que eu soltei um espirro pelo cheiro forte que veio de uma das coisas. Ouvi Kook rir.

— Quer algo menos forte, gatinho? — Ele perguntou, logo recebendo um outro objeto do outro o humano Minji, acho que esse humano era fêmea, assim como as tias das ruas que alimentavam eu e o Sol appa, então é a humana Minji — Acho que a água está em uma temperatura confortável, vamos começar.

Ele me pega cuidadosamente e me direciona para a água...

— Hey! Kook, o que você está fazendo? — Perguntei, me debatendo, vendo que estava cada vez mais perto da água.

— Calma gatinho, você vai gostar... acho — Ele falou, meio risonho.

Kook pegou um pouco da água que estava dentro daquele... pote e jogou em cima dos meus pelos, de primeiro momento me assustei, porém percebi que a água estava quentinha e confortável, então me acalmei. Ele me aproximou um pouco mais da água e, como parece que eu não reagi de forma negativa, ele me colocou dentro da água cuidadosamente. Kook foi molhando todas as partes do meu corpo aos poucos e depois começou a passar algo que me deixava com uma sensação engraçada, sempre me dando carinho no processo de passar o negócio. Eu estava gostando muito do carinho, o Kook dava um carinho muito bom. E sem perceber, comecei a ronronar.

— Está bom, gatinho? — Ele perguntou, rindo, e eu apenas miei, concordando.

O Kook havia terminado de me dar banho e de me secar com panos fofinhos, agora ele estava passando algo que ele chamou como pente em meus pelos. Vi o humano Hobi aparecer onde estávamos e chamar o Kook, que foi até ele, me deixando em cima daquela mesa junto ao pente. Eu, curioso, tentava tocar no pente, mas com cautela, até que eu ouvi me citarem na conversa deles, então comecei a prestar atenção.

— O filhote, está bem, comparado a situação em que achamos o outro, o gatinho só vai precisar se alimentar bem, por causa dos dias que ele não comeu nada, mas fora isso já mediquei ele contra vermes. — Ouvi o Kook soltar um suspiro de alívio com o que o humano Hobi tinha falado, mesmo eu não entendendo o que era vermes ou o que era a palavra ‘mediquei’, senti que era algo bom, pelo menos era o que parecia.

— O que o outro gato tinha? — Perguntou Kook. Outro gato?

— Ele estava muito doente, Jeongguk. Ele aguentou muito firme essas últimas semanas que se passaram, com toda a dor que ele deveria estar sentindo. — O humano Hobi falou pesaroso.

— Vocês estão falando do Sol appa? — Perguntei alto. — Ele estava mesmo mal, não é...? — Afirmei, triste. Vi Kook olhar tristemente para mim junto com o humano Hobi.

— Traz ele para que eles possam se despedir. — Ouvi o humano Hobi pedir baixinho.

Após o pedido do outro humano, Kook veio em minha direção, já me pegando no colo e me ajeitando confortavelmente em seus braços.

— Vamos dar tchau para o Sol, gatinho — Ele falou triste, me levando para outro lugar.

— Eu vou consegui ver ele mais uma vez? — Perguntei feliz, mas essa felicidade logo foi substituída para uma grande tristeza. — Então ele vai embora mesmo, Kook? Queria receber mais carinho do Sol appa — Comecei a miar para o Kook com o intuito de me distrair da dor que eu estava sentindo. — Eu prometi para ele que eu seria forte, Kook...

Logo depois da minha confissão, entramos no local em que se encontrava o humano Hobi.

— Ele começou a chorar?

— Sim, logo depois que a gente falou do Sol.

Vi o humano trazer algo em suas mãos, quando ele se aproximou mais de mim e do Kook, consegui ver o que ele carregava, era Sol appa.

— Appa vai precisar ir agora, não é? — Pergunto em um tom baixo e triste, depois de um tempo, sem realmente esperar uma resposta. Eu prometi para você que iria ser forte e... — Eu vou cumprir a minha promessa, appa.

— Ele parou de chorar — O humano Hobi falou e a sala caiu em um silêncio. Fiquei olhando Appa Sol e, às vezes, cheirando ele de uma certa distância, pois o Kook ainda me segurava em seus braços, aproveitando os últimos momentos que eu poderia ter com ele em um completo silêncio.

— É hora de deixá-lo ir, gatinho — O humano Hobi foi o primeiro a se pronunciar, quebrando o silêncio que estava presente na sala.

— Diz tchau para o Sol, gatinho — Kook falou baixinho para mim.

Tchau, appa, eu te amo.

E assim o humano Hobi, levou Sol appa para onde ele precisava ir agora.

Notas finais
Fim... será?

O que acharam da Fic?
Espero que tenham gostado heheh

Estou pensando em trazer uma especial para mostrar como Suga estara no futuro após todos esses acontecimentos.

Boa Semana para vocês, pequenos Sóis ~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.