Mais forte que o amor.
17 ... Untitled.
Notas iniciais
CAPÍTULO 17
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A campainha tocava incessantemente. Se não soubesse ser Camus, Shaka já estaria extremamente irritado. Correu para a porta abrindo-a e deparando-se com seus olhos castanhos inundados em angústia e confusão. Sua expressão e seu corpo transmitiam o quanto o ruivo estava devastado e Shaka desconfiava do motivo. Deu passagem para que o amigo entrasse, indicando-lhe o sofá.
—O que aconteceu? – Indagou ao sentar-se, observando a forma como os olhos de Camus se moviam, imaginando o quanto sua mente tentava raciocinar.
—Eu... eu não sei como reagir. – Tentou começar, após respirar fundo por duas vezes. — Descobri algo que... Shaka... eu não sei o que fazer. Estou completamente perdido. – Disse, cobrindo o rosto com as mãos. – Isso está me matando por dentro, meu coração está cada vez mais apertado... eu não podia imaginar que algo assim poderia ter acontecido com ele...
—Camus, olha pra mim. – Pediu, fazendo com que o amigo o olhasse nos olhos. – É sobre o Afrodite não é? Sobre o porque dele ter vindo para a França?
—Você... sabe? – O ruivo estava perplexo. Não podia acreditar que Shaka sabia de tudo e não havia lhe dito. Shaka confirmou com o menear de cabeça.
—Não soube por ele... acabei descobrindo sem querer, a pouco tempo. Eu não podia te dizer, não tinha esse direito. Ele mesmo precisava fazer isso. – O advogado explicou. – Afrodite é um amigo que amo muito, o conheço há quase dez anos, praticamente desde que veio para a França. Ele não tinha amigos e era muito tímido, apesar de ser gentil com todos, ninguém se aproximava muito, ficavam intimidados com sua beleza e, o fato de ser tímido contribuía para que ele mesmo não tentasse uma aproximação. Eu fui o único a chegar perto e a me enturmar com ele. Nos tornamos bons amigos e, mesmo assim, eu não fazia ideia do que ele havia passado... Eu imagino saber pelo menos um pouco de como você está se sentindo, meu amigo.
—Eu... não sei como vou encará-lo, Shaka! Nós dividimos uma vida e eu não podia imaginar que ele houvesse passado por algo como aquilo! – O investigador falou, levantando-se. Sentia a necessidade de colocar aquelas palavras para fora, pois o estavam sufocando. – Sinto-me tão... impotente, tão frustrado... Não consigo entender por que ele não me disse nada, não confiou em mim para dividir um peso tão grande! Mas, o pior é saber que o... o monstro que o destruiu no passado continua solto e, a cada vez, consegue escapar de minhas mãos!
—Você está dizendo que... Aquele serial killer é o mesmo que fez essa barbaridade com Afrodite? – Shaka perguntou. Camus confirmou, voltando a sentar-se. – Então... pode ter sido por isso... ele deve ter visto algo naquele dia em que passou mal. – O loiro percebeu que Camus provavelmente não havia se dado conta disso. Estava muito atordoado para conseguir pensar direito e a confusão em sua cabeça o estava afetando em demasia. – Camus, sei que está sendo difícil para você, mas precisa se acalmar e por os pensamentos no lugar. Imagine o quão difícil foi e ainda deve ser para Afrodite tratar desse assunto. Uma vítima de estupro fica marcada pelo resto da vida, meu amigo, você sabe. Quantos casos parecidos não viu em todo esse tempo de trabalho? Existem vitimas que não suportam ao menos lembrar que passaram por isso, é uma tortura psicológica eterna para quem sofre desse tipo de abuso.
—Eu sei! Eu sei... mas... porque tinha que ser com ele?! Porque eu não estava do seu lado para ajuda-lo? Por que não pude protegê-lo?! Não posso encará-lo... não posso olhá-lo nos olhos enquanto não prender o canalha que fez isso com ele, enquanto ele não estiver totalmente seguro. – Camus disse, apertando os próprios joelhos.
—Entendo... Mas você não acha que deveria se afastar do caso? Está envolvido emocionalmente, Camus. Isso pode e vai atrapalhar seu raciocínio. – Shaka sugeriu, apertando o ombro do amigo. Camus afastou a mão do outro e se levantou.
—Não. É exatamente por isso que vou com o caso até o final. Só vou parar quando tiver aquele sujeito em minhas mãos.
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—Camus! – Dohko chamou-me assim que me viu atravessar o salão e se aproximou. – Aiolos me disse que você saiu às pressas, meio perturbado. O que aconteceu?
—Desculpe minha falta de comprometimento, Sr. Dohko, mas eu precisava colocar os pensamentos no lugar. – Expliquei-o ao desculpar-me. – Acredito saber qual é o objetivo do nosso alvo. Gostaria de pedir que mandasse uma viatura ao meu prédio, podemos não ter muito tempo.
—Imagino que deve ter muita coisa a me explicar, Camus. Farei o que me pede depois de saber o que está acontecendo. – O Superintende falou. Seus olhos indicavam que não cederia. Respirei fundo, mas não tive tempo de dizer-lhe nada, pois meu celular começou a tocar. Peguei o aparelho rapidamente e olhei no display, não demorando a atender ao ver o nome de Afrodite.
—Ele a levou! Camus, ele levou nossa filha! Eu... eu... por favor!— Senti meu estômago congelar. Afrodite estava desesperado do outro lado da linha.
—O que está acontecendo Camus? – Dohko indagou novamente, percebendo que havia algo de errado.
—É tarde de mais.
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Ouvia de longe um bip repetido. Não queria acordar, a noite havia sido tão gostosa e agitada que naquele momento queria apenas ficar deitado naquela cama macia e quentinha, descansando. Seria ainda melhor se o corpo do outro estivesse ali para aquecê-lo, beijá-lo e toma-lo mais uma vez, naquela manhã de inverno. Mas seu companheiro de “Foda Casual” e melhor cliente já havia saído para ir trabalhar e agora aquele bip irritante insistia em trazê-lo de volta a realidade.
Foi então que lembrou-se que aquele não era um bip qualquer.
—Puta merda! – Exclamou, pulando da cama, indo até seu notebook, abrindo-o. Dezesseis mensagens de alerta acionadas. – Não fode! Não fode! Não fode! Meu caralho de asas! Não acredito que isso ‘tá acontecendo! – Seus dedos percorriam rapidamente as teclas, enquanto seus lábios disparavam todos os palavrões que o loiro conhecia, em todas as línguas que aprendera. – Esse filho duma puta arrombada tinha que agir numa hora dessas?! – Fechou e abriu janelas, digitou o mais rápido que podia, mas não tinha mais o que fazer. – Droga! Grande merda! Estou fudido! E morto! Grande lixo de alertas que coloquei que não serviram para nada! E ainda se livrou do meu radar! – Abriu uma nova aba, da qual surgiram as imagens de diversas câmeras de segurança. Vasculhou uma por uma até encontrar o que procurava, respirando um pouco mais aliviado. – Os deuses não estão totalmente contra mim! É tão imbecil que só conseguiu levar a menina... – Abriu um novo sistema e, após digitar um código, diversas janelas de carregamento surgiram. Milo recolheu suas roupas, vestindo-as rapidamente e deitou-se na cama novamente, dispondo seus três aparelhos celulares junto ao notebook, conectando-os. — Isso vai levar um bom tempo, mas não tenho escolha. Preciso encontrar esse arrombado do pau murcho antes que ele consiga o que quer, ou serei espetinho de escorpião antes de terminar de dizer “agulha escarlate”.
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