Mais forte que o amor.

6 ... Belos fios Vermelhos.


Notas iniciais
Eu seeei que atrasem, desculpem TTuTT explicações ao final do capítulo! Espero que se divirtam... um capítulo fofíssimo antes da tormenta que serão os próximos!

—... belos fios vermelhos.

Adentrei o quarto, após colocar Lizzie para dormir. Camus havia acabado de sair do banho, vestindo apenas a calça do pijama. Os fios úmidos faziam com que gotículas de água corressem por seu peito forte e levemente corado pelo calor do banho. Fitei-o longamente, deliciando-me com cada pedaço de pele desnuda. Era impossível resistir àquele ruivo. Sorri, aproximando-me de Camus, que nada disse, sentando-se na cama sem me dirigir o olhar. Suspirei. Ele devia estar de mau-humor, por minha causa. Sentei-me ao seu lado.

—Você está chateado comigo, por que não te contei sobre o Saga, não é?

—Não é isso...

—Então, o que é Camus?! Você não me dirigiu a palavra desde que saímos do consultório e agora parece estar me evitando. – Camus virou o rosto em minha direção, olhando-me intensamente nos olhos.

—Eu só... não me sinto confortável. Eu sei tão pouco da sua história e é frustrante que você não queira me contar sobre. – Respondeu – É como se não confiasse em mim.

—Eu confio! Você é a única pessoa neste universo em quem eu confio plenamente, meu amor... Mas eu sofri de mais com essa história, não quero ter que reviver tudo agora, ainda não estou pronto para isso... – Abaixei o olhar, sentindo-me envergonhado. Queria poder ser sincero com Camus, sem me sentir mal ou sofrer com isso.

—Esta bem. Vou respeitar sua decisão – Ele disse, tocando meu queixo e fazendo-me olhá-lo nos olhos. – Vou estar aqui, exatamente do seu lado, quando quiser me contar. – Com isso, tocou seus lábios nos meus, em um beijo suave. Senti-me culpado. Precisava ainda esclarecer algo sobre o que havia vivido com Saga. Interrompi o beijo, sentindo minhas bochechas aquecerem e uma vergonha imensa tomar conta do meu ser, o que não passou despercebido pelo investigador. – O que foi, Afrodite?

—Tem algo que eu quero te contar agora.

—E o que é?

—Bem... o Saga me ajudou a superar muita coisa... mas não foi apenas isso. – Camus me encarava, parecia ponderar sobre minhas palavras e eu tinha quase certeza de que ele já imaginava o que eu diria em seguida. – Nós tivemos um relacionamento.

—O psicólogo e o paciente em um relacionamento, durante o tratamento? Isto é antiético!

—Eu sei! A gente sabia...

—E você ainda levou nossa... a Elizabeth até ele! Se esse pervertido fizer algo com ela...

—Camus, por favor! Não é nada disso! Saga não é nenhum pervertido! Fui eu que insisti com ele... ele sempre teve uma aura protetora, quase paternal... e eu me sentia bem com isso. Mas durou pouco. Um ano antes de te conhecer ele já tinha rompido comigo.

Camus se levantou, em silêncio, sumindo atrás da porta do banheiro. Respirei fundo e me deitei na cama. Estava definitivamente metendo os pés pelas mãos e não fazia ideia de onde isso ia terminar. Senti meu peito apertar e me arrependi de tê-lo contado sobre Saga e eu. Mas não podia deixa-lo sem saber. E se descobrisse depois?! Seria muito pior, com certeza. Fechei os olhos e respirei fundo novamente.

Senti a cama se mexer e lá estava ele, novamente sentado na beirada, penteando o cabelo, desgrenhado por conta do banho. Engatinhei pela cama, me aproximando do ruivo e, delicadamente tomei a escova de suas mãos. Ele não reclamou, o que era um bom sinal. Eu amava pentear seus longos e lisos fios ruivos e não podia deixa-lo dormir com eles molhados. Claro que aproveitava para me deliciar com o aroma de seu shampoo. Aproveitei para pegar o secador de cabelo e, em poucos minutos os fios ruivos estavam secos e bem penteados.

Joguei de forma suave, todo o seu cabelo sobre o ombro esquerdo e depositei um beijo na curva de seu pescoço, que estava descoberto.

—Você me perdoa? – Pedi baixinho, dando outro beijo naquela pele quente e macia, deslizando as mãos por seu peito. – hm?

O ruivo nada disse, apenas virou em minha direção e, antes que eu pudesse reagir, empurrou-me, me fazendo deitar na cama e segurou meus punhos com uma das mãos, acima da minha cabeça.

—Eu devia puni-lo por me esconder tantas informações importantes, sabia? – Indagou, encarando-me firmemente. Abri um sorriso sacana, envolvendo sua cintura com minhas pernas.

—Então... acho que talvez você devesse me punir mesmo, monsieur policier. – Provoquei-o, esticando o pescoço para conseguir mordiscar seu lábio inferior. Camus respondeu com um beijo, cheio de desejo e luxúria.

Em poucos minutos eu já estava completamente nu, sob as mãos ágeis e habilidosas de meu marido, enquanto nos amávamos intensamente.

—--x---

Eu terminava de esboçar alguns novos croquis quando ouvi a campainha tocar.

—Quer que eu atenda, tio Afrodite? – Ouvi Shun indagar assim que sai no corretor. Ele morava no andar de cima e sempre me ajudava quando precisava, agora estava cuidando de Lizzie enquanto eu trabalhava. Havia praticamente visto-o crescer neste condomínio. Quando me mudei para cá com Camus, ele tinha apenas cinco aninhos e agora já estava com treze. Era bonzinho e bem educado. Diferente de seu irmão mais velho, rabugento e grosseiro.

—Não precisa querido. – Respondi, encaminhando-me à porta. Olhei através do olho mágico apenas para confirmar quem era. Já havia deixado avisado na recepção sobre a visita da Assistente Social, que estava agendada para hoje. Abri a porta, dando passagem para a mulher de cabelos avermelhados e porte altivo.

—Boa tarde, meu nome é Marin Stoffel, sou assistente social. – Ela se apresentou, estendendo a mão, a qual eu apertei.

—Afrodite Legrand. Entre, por favor. – Pedi, indicando-lhe o sofá.

Lizzie e Shun brincavam de montar um castelo de Lego no tapete, mas o rapazinho se levantou assim que Marin entrou, cumprimentando a mulher com um sorriso doce.

—Este é Shun, meu vizinho. Ele vem brincar com a Lizzie de vez em quando. – Apresentei-o.

—E esta pequena deve ser a Elizabeth, certo? – A ruiva indagou, abaixando-se e acariciando os cachinhos da minha pequena, que sorriu envergonhada.

—Flô, você ira* bincar com a gente agora? – A pequena perguntou, desviando o olhar da moça, que já se levantava.

—Agora não florzinha, o Flô vai conversar com a tia Marin um pouquinho tá? Você fica aqui com o Shun. Logo logo eu venho pra gente brincar juntos, está bem? – Ela fez um biquinho emburrada, mas acenou positivamente. Virei-me para Shun. – Qualquer coisa você me chama, okay? – Ele fez que sim e voltou a sentar-se no tapete com a pequena.

Guiei Marin pelo corredor, mostrando-lhe a casa enquanto seguíamos para o escritório.

—Então, Afrodite... o apartamento é de vocês? – Indagou, iniciando a sabatina.

—Sim. Compramos um pouco antes do casamento. Queríamos ter um lugar que fosse só nosso. – Respondi, abrindo a porta do escritório e indicando a ela que se sentasse em uma das poltronas, enquanto eu me sentava na outra, ficando de frente para a ruiva.

—Entendo... você trabalha com...?

—Sou estilista. Desenho peças para uma grife francesa e faço algumas sob encomenda.

—E o seu marido?

—Ele é investigador da gendarmerie.

—Ele tem um bom cargo lá dentro. Considerando que vocês têm um relacionamento homoafetivo... normalmente acontece muito preconceito em instituições públicas. Principalmente em uma tão tradicional quanto a Gendarmerie.

—É... eu bem sei que sim. Mas os colegas de trabalho o respeitam muito, não só pelo seu excelente trabalho, mas também como pessoa.

—É ótimo ouvir isso. – A mulher anotava tudo o que eu dizia em uma caderneta. – Vocês dois já haviam planejado ter filhos antes?

—Já tínhamos conversado sobre algumas vezes, mas não havíamos tido uma oportunidade para levar adiante. Então, a Lizzie apareceu em nossas vidas.... eu nunca tive tanta vontade de ter uma criança como agora.

—Certo...

Marin continuou com as perguntas por algum tempo e, quando já fazia quase uma hora que estávamos conversando, ela resolveu ir falar um pouquinho com minha pequena loirinha, enquanto eu fazia um lanche com a ajuda de Shun.

—O Flô é muito bonzinho – Ouvi Lizzie dizendo quando retornamos para a sala. – Ele me deixa pintá e é engaçado. Ele gosta de mexer no meu cabelo e me dá um monte de roupas bonitas. Ele derruba as coisa no chão, mas não é de popósito. Lizzie gosta muito dele.

—E do Camus? Você gosta dele? – Ela indagou. Shun e eu nos sentamos no sofá vazio após depositar as bandejas na mesinha de centro.

—O Cami tem aqueles risco na testa... parece tá sempe baravo mas ele também é muito bonzinho. – A pequena disse, abrindo os braços. – Eu gosto quando ele faz carinho e conta história pa mim dormi.

—Que legal! Então você gosta de morar aqui né?

—Uhum! – Lizzie respondeu, se levantando do tapete e pegando um dos sanduíches. Marin também pegou um e a xícara de chá. As duas continuaram em uma conversa descontraída enquanto beliscavam o lanche e quando terminaram de comer, Marin se levantou.

—Bom, acho que minha visita acabou por hoje.

—A Moça ira embora? Fica mais pa bincar com a Lizzie! – A pequena pediu, segurando a mão de Marin.

—Ahh desculpa pequena, mas eu preciso ir. Prometo que venho pra brincar com você outro dia, tudo bem? – Lizzie fez um biquinho, mas acenou positivo. Levantei-me, sorrindo da cena fofa da pequenina e acompanhei Marin até a porta. – Obrigada pela recepção, senhor Afrodite. Mês que vem estarei de volta para mais uma visita, certo?

—Certíssimo, a Lizzie vai adorar! – Respondi animado, abrindo a porta. Marin se despediu e sumiu pelo corredor.

Não fazia ideia do que ela escreveria naquele relatório. Mas torcia para que a ruiva ficasse do nosso lado. Quem sabe eu não poderia sonhar com a guarda definitiva do meu anjinho? Sorri ainda mais aberto, retornando a sala e sentando-me com Shun e Lizzie, ajudando-os a montar um novo castelo de lego.u

Notas finais
Booom... o atraso no capítulo tem motivo! Normalmente, quando escrevo fanfics, sempre digito vários capítulos. O problema é que acabo abandonando o projeto antes de começar a postar. Nessa resolvi fazer diferente, justamente para me obrigar a chegar ao final. Pois bem, resolvi que postaria todas as terças e sábados. Tive uns problemas e acabou que as ultimas duas atualizações foram apenas nos sábados. Tudo teria voltado ao normal ontem, como o prometido, se eu não tivesse tido uma briga feia com a minha irmã enquanto terminava de digitar o capítulo 6. Perdi totalmente o clima de escrever depois daquilo e acabei deixando para terminar hoje. E cá estou eu, pedindo minhas sinceras desculpas por não ter conseguido cumprir o prazo prometido >< Tinha a obrigação de contar isso? Não. Mas achei que vocês tinham o direito de saber os motivos. E como perceberam, não teve lemon :v sou péssima para escrever lemons, por isso achei melhor deixar sem mesmo... MAAAAS consigo imaginar perfeitamente o Camizito punindo aquele Afrodite safado s2, espero que vocês também! Já tenho os capítulos 8, 9 e 10 prontos e, se conseguir posto o 7 ainda hoje, pra compensar a falta de capítulos das semanas anteriores. Beijos e até o próximo capítulo!