Notas iniciais
Fiz uma curva errada Uma ou duas vezes Cavei até conseguir sair Sangue e fogo Decisões ruins Tudo bem Bem vindo à minha vida boba. Mal tratado, deslocado, mal compreendido Mas isso não me parou, Errado, sempre em dúvida, Subestimado, Olha, ainda estou por aqui (P!nk - Perfect) E ai, gente? Quanto tempo -o-'' Sei que muita gente andou pensando que eu também tinha desistido da vida e tal'z, mas na verdade... Só andei ocupada, sem inspiração e essas coisas que toda pessoa passa na vida hehe. Ah, e a todos que me perguntaram se eu vou continuar esta fic: Sim, claro! Eu não respondi vocês porque estava escrevendo. Estou postando rápido porque estou com pressa, então perdoe qualquer coisa :) ♥

O meu maior erro foi ter sido curioso demais.

Às vezes eu ficava imaginando como as pessoas reagiriam a minha morte. Sempre me perguntei se chorariam ou se sentiriam tristes quando eu desaparecesse de vez. Queria saber se eles iriam lamentar o fato ou simplesmente... Dar graças pelo feito. Talvez tenha sido essa mesma curiosidade que fez com que eu roubasse os calmantes de Felícia naquela tarde. Sabia que ela provavelmente iria surtar ao encontrar meu corpo. E até cheguei a imaginar como ela contaria aquilo ao meu pai.

Tomei pílula por pílula, enquanto encarava meu reflexo no espelho. Pra ser sincero, nunca gostei de espelhos. Ou do meu reflexo neles. Odiava cada parte daquela aparência patética, da personalidade fracassada e tudo que fazia parte de mim. Odiava mais que tudo o simples fato de existir.

O processo não foi doloroso. Pelo contrário. Era calmo, anestesiante e fazia com que uma dormência agradável possuísse o meu corpo lentamente. Caminhei trôpego para minha cama e aproveitei aquela sensação, enquanto minha mente ficava silenciosa e minha consciência chafurdava de vez em completa escuridão.

Não sei por quanto tempo fiquei ali. Mas achei que permaneceria para sempre naquela calma e tranquilidade.

Até que...

Bem, até que alguém me deu um soco na cara. Um velho, e doloroso, punho conhecido.

Olha, eu já ouvi muitas coisas sobre o inferno. De verdade. Coisas realmente assustadoras. Mas ninguém me falou que eu encontraria Isaac Miller por lá. Pelo menos, não tão cedo. Até porque, se tivessem me avisando antes, eu não teria feito aquilo. Vou te falar: Não recomendo que me usem como exemplo. Quer dizer, a não ser que você tenha 100% de certeza de que vai conseguir morrer. Caso contrário você pode acabar como eu. E isso nunca é uma boa opção.

— O que é isso? Sua marra já acabou? — Isaac riu de repente pra mim.

Meu cérebro estava confuso e parecia um monte de nadas dentro da minha cabeça. Meu corpo estava dolorido e, por algum maldito motivo, eu estava na escola. Por que eu estava na escola?

Jogado no chão e com meu nariz pingando sangue, eu apenas gemi de dor, imaginando o que exatamente tinha dado errado. Mas ninguém ali parecia disposto a sequer me da um tempo pra entender.

— Qual é, Erik? Estávamos nos divertindo tanto... — Isaac voltou a falar, pisando nas minhas costas. Percebi que a dor foi bem real.

Então aquilo era realmente o inferno? E eu realmente passaria o resto da minha eternidade da mesma forma que passei a minha vida? Sendo humilhado e maltratado por aquele cara? Eu realmente merecia aquilo?

— Puta que pariu, garoto! Levanta logo da merda desse chão. Corre, grita, chama a tua mãe, faça o que você quiser. Mas faça algo! Ou esse cara vai acabar com a sua raça. — Alguém gritou alto, muito alto, na minha cabeça. Entorpecendo cada parte dos meus nervos.

Olhei confuso a minha volta. Havia apenas Isaac e seus lacaios com ele. E não acho que qualquer um deles se prontificaria a me ajudar. Então, naquela hora, ainda com o cérebro dormente, achei que de alguma forma fosse a minha consciência. A minha bem desbocada consciência.

Mas a confusão mental que aquilo me causou pareceu favorecer apenas a Isaac, que virou meu corpo bruscamente para cima, fazendo com que eu o encarasse.

Geralmente Isaac me olhava de duas formas: ódio ou nojo. Mas naquela hora não foi nada disso que eu vi. Eu vi ira.

Por que Isaac me odeia?

Bom, os motivos variam a cada surra. Mas se quiser uma base, podemos dizer que eu fiz algo a ele que... Bem, acho que Isaac ainda não superou. Mas não me entenda mal. Quer dizer, odeio Isaac na mesma intensidade. Eu só não sabia o porquê de ele ser a minha punição até depois de morto...

— Sabe, Erik, eu quase, muito quase, fui enganado por aquele seu olhar repentinamente selvagem.— O que? — Me fez achar que você havia mudado de alguma forma. Mas... — Ele chutou a lateral das minhas costelas, me fazendo tossir todo o ar dos meus pulmões. — Você continua sendo tão miserável quanto sempre foi...

E acho que ele ia me chutar de novo. Aliás, com certeza ele ia. Mas aquela voz gritou de novo:

— Vou enfiar a sua cara na privada se você continuar sem fazer nada! — Por que minha consciência diria coisas tão baixas? — Agarre as pernas dele, caramba! Agora!

Foi um tom tão autoritário, que fez com que eu me mexesse em um sobressalto, e sem que eu me desse conta... Obedeci. Me ajoelhei, antes que ele me acertasse outra vez, e agarrei as pernas de Isaac Miller, de modo que meu rosto ficasse ao alcance de suas coxas. Ofegante, tonto e... Sinceramente, ainda sem saber como aquilo era possível.

— O que? — Eu o ouvi rir e falar: — Vai me implorar por piedade?

Mas não foi a voz de Isaac que preencheu meus ouvidos.

— Agora morde. Com força. — Falou aquela voz novamente, e parecia mais voraz que antes.

Enquanto pensava nisso, vi meus próprios dentes abocanharem violentamente as pernas de Isaac, que grunhiu. Tanto de dor, quanto de ódio.

Nem fiquei surpreso. Fiquei apavorado. Achei que realmente tinha começado o apocalipse naquele instante.

Isaac agarrou meu cabelo e me jogou longe. Acho que arranquei um pedaço da pele quando ele fez isso, pois senti o gosto metálico na boca. Bem nojento, eu sei.

— Seu desgraçado! — Ele urrou pra mim.

Fiquei atônito e arquejei, na mesma hora em que a minha consciência, que talvez não fosse tão consciente assim, gritou com entusiasmo:

— Agora corra. Pra caralho! Ou a gente vai morrer de novo. — Mas não falou com um tom assustado. Parecia era se divertir com aquilo.

Não que eu tenha tido tempo de pensar sobre aquilo. Me levantei daquele chão com uma habilidade atlética que faria inveja até aos convocados para as olimpíadas. Mas que foi bem útil. Então corri. Corri e corri. Sem nem saber pra onde ia.

A realidade começou a desabar sobre mim, e eu senti meu corpo tremer pelo excesso de adrenalina. Meu coração parecia uma bomba relógio.

MEU DEUS! Eu não estava morto! Estava mesmo na escola, tinha acabado de ter uma luta corporal com Isaac e, pra completar... Mordi a perna dele. MORDI A PORCARIA DA PERNA DELE!

Por que eu morderia a perna de Isaac? Aliás, por que eu morderia qualquer pessoa?

— Ah, fala! Isso foi foda, não foi? Aposto que você curtiu... — Ouvi um cantarolar.

Ah!

Certo!

Tinha algo. Alguém, na verdade. Me falando coisas estranhas. Me fazendo fazer coisas estranhas. E eu já não estava confiante de que fosse a minha consciência.

Parei de correr naquele instante. E, com algum fio de esperança, olhei para trás. Mas não havia ninguém comigo. Não fisicamente.

Acho que eu gritei nessa hora.

— Ah... Eu sei. — A consciência falou. — Essa é a pior parte. Foi assim que eu acabei te dando esses pontos...

Não ouvi. Não consegui. Estava em choque.

Eu estava conversando com alguém. Alguém de verdade! Com mente própria. E que estava dentro de mim.

— Você... Seja lá o que for você... Está controlando meu corpo? Usou ele? — Perguntei alto, com a voz tremula. — É por isso que estou aqui? E... Também é por isso que Isaac me atacou daquela forma?

Nada respondeu. Nada. Silêncio.

— Estou ficando louco? Esquizofrenia talvez? — A minha família sempre procurou um bom motivo para me internar numa clinica. Com a tentativa de suicídio, se soubessem que eu estava ouvindo vozes... Eram motivos que dava e sobrava para que me mandassem para o outro lado da terra!

— Você não está ouvindo “vozes”. — Respondeu de repente. — Está escutando a voz. A minha. Muito linda, diga-se de passagem. Aposto que faz até você ficar arrepiado...

Eu estava arrepiado. De puro pânico!

— Pode ler meus pensamentos? Pode... Ler? — Praticamente gritei, agarrando minha cabeça; Como se aquilo fosse mudar tudo...

— Posso fazer mais que isso pelo que percebi. — Não tinha rosto. Sei que não tinha, mas podia jurar que estava sorrindo.

Senti minhas pernas desabarem no chão.

— Fui possuído? Como nos filmes? Um fantasma? Isso... Isso deveria ser impossível de acontecer! — Talvez teoria de loucura fosse de fato a mais cabível. O que eram aqueles remédios, afinal? LSD?

— Deveria ter pensado nisso antes de enfiar comprido goela abaixo, florzinha! —Ele suspirou.

Espera... Fantasmas suspiram? Aliás, respiram?

— Certo. — Falou numa voz altamente confiante. — A história é longa e acabou de começar. Mas pra facilitar a sua vida: Meu nome é Diego Vega. Sou tão humano quanto você. Acho que parti dessa num acidente de moto... E agora, pelo que tudo indica, Erik Bryan... Sou o mais novo dono do seu corpo.

Notas finais
Oi de novo! Acho que é isso. Então o que você acham do Erik? O ruim de trabalhar com vários narradores é que é realmente difícil não confundir as personalidades. É primeira vez que mexo com isso... Deixem a sua opinião, por favor!! Pra eu saber se estou conseguindo não confundir e tal e no que melhorar. Beijinhos.