Mais além de la pareja tekila
39 Quem matou? - Parte II
Notas iniciais
No capítulo anterior...
– Assassina? (nesse momento as lágrimas começaram a rolar em seu rosto, ela não podia crer naquilo que estava ouvindo) Então... Se foi uma assassina e ela... Ela... Morreu?!
– Sim Maria...
– Então, quem matou a Patrícia, quem matou a sua mãe... (voltando a olhar para Leonel) Quem matou sua mãe foi a...
– Alba. A Alba foi quem assassinou a minha mãe!
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Maria – Eu... Como? Como a Alba foi capaz de...? (chorando muito)
Leonel – Sim, foi ela Maria! Eu vi bem o momento em que ela entra no quarto da minha mãe vestida com um capuz, altiva, disposta a tudo. (secando as lágrimas)
Maria se levanta da poltrona e diz — Se bem que da Alba eu esperava qualquer coisa. Por isso todos aqueles atentados contra mim, meu sequestro, aquele jantar que ela tentou me envenenar e acabou morrendo... Nossa, agora tudo faz sentido! (colocando as mãos na boca) Bem que eu sempre suspeitava, mas não tinha provas! Malditas provas! (gritando) Por que esse Alberto não mostrou essa gravação antes, por quê?!
– Se acalme Maria, se Acalme. Não há mais o que fazer, a única coisa que...
– Como não há mais o que fazer? E eu, Leonel? Como eu fico nessa história toda? Eu fui acusada de um crime que eu não cometi, perdi vinte anos da minha vida! Vinte anos! Eu perdi o meu marido, a minha casa, eu perdi os meus filhos! OS MEUS FILHOS! Eu perdi tudo! E agora, como eu fico? A quem irei recorrer? Quem vai pagar pelo que ela fez comigo? Quem? Aaaaaaahhhhh... [choro muito intenso, profundo lamento. Seu rosto estava inchado de tanto chorar]
Leonel a abraça e tenta reconforta-la, mas era impossível. A dor que Maria sentia com aquela notícia era muito forte, o sentimento de impotência gritava dentro dela. E agora, o que ela ia fazer? Será que tudo foi em vão? Será que seu destino era sofrer? Será que seus filhos iriam acreditar nela e em tudo o que aconteceu?
M é x i c o
~~ Bar ~~
Gabriel – Meu amigo, se for pra me amarrar e ficar um bobo apaixonado que nem você... Prefiro continuar com essa minha vida de garanhão forever!
Estevão – Você fala assim porque, por certo ainda não deve ter encontrado aquela mulher que do nada se torna seu tudo... Essa mulher, meu amigo, muda sua vida completamente!
– Nossa, do jeito que você fala a sua esposa deve ser uma maravilha! (com todo o respeito, é claro).
– E é! (rindo)
– Desculpa se estou sendo intrometido, é porque do jeito como você estava falando com ela me parece que ela está longe, que foi viajar... É?
– Sim... Ela precisou viajar para Aruba, a fim de resolver algumas coisas (se embaralhando com as palavras) que já deveriam ter sido resolvidas há muitos anos. (pensativo)
Gabriel sente estranheza nas palavras de Estevão, mas resolve não perguntar muito sobre isso... Agora.
– Ah... Tenso, né?! Bom, mas mudando de assunto... Eu já te contei antes o motivo pelo qual eu voltei pra esse... (olhando ao redor do bar, com cara de desdém) Pra esse lugar, né?
– Sim, você disse que está interessado em ajudar com investimentos na importação de eletrônicos, achei interessante. Temos investido bastante em outros tipos de comércio, e todas essas ações vem dando bons frutos. (tomando outra dose)
– Então, meu amigo. Eu tenho grandes propostas e bons projetos, além de ter todo o capital necessário e... Contatos!
– Contatos! (riu)
– Inclusive eu estive orientando o seu filho, aquele... Aquele que não é seu filho.
– Ângelo? E aí, como ele se saiu na empresa?
– Muito bem! (deu uma risada sarcástica) Ele ainda é meio leigo nos negócios, mas creio que com o tempo adquirirá experiência.
A r u b a
~~ Hotel: sala de vídeo ~~
Maria – Onde está o tal Alberto?
X – Disse que já está a caminho, se atrasou porque ficou preso no trânsito.
Leonel – Vocês não estão tentando nos enganar, né?
X – Mas é claro que não! Até porque a fita está aqui comigo!
Maria toma fita das mãos de ‘X’ – Essa fita não devia estar nem com você, nem com esse imbecil de Alberto! Deveria estar nas mãos da polícia há muitos anos! Como vocês foram capazes de guardar isso por tanto tempo? (exaltada)
X – Mas... Senhora, me entenda. Eu sou apenas um mediador nessa história, não tenho nada a ver com isso!
Maria – Não tem nada a ver... Ah, faça-me o favor! (se dirigindo até o aparelho VHS para colocar a fita)
Leonel – Maria...
X – Ei, senhora! Espere! (tentando impedi-la)
Maria – Me solta!
Alberto chega e pergunta – O que está acontecendo aqui?
Maria rapidamente se vira e caminha na direção de Alberto, furiosa – Como assim o que está acontecendo? Você é idiota ou o quê?
Alberto – Ca... Ca... Calma... Senhora... (gaguejando)
Maria – Calma? Você me pede calma? Como você foi capaz de esconder essa fita (balançando a fita que estava em uma de suas mãos) durante tantos anos? Você tem ideia do que você fez? Me responde! Você tem ideia do que fez?! (gritando)
Alberto fala no impulso, nervoso – ‘X’, eu não acredito que você deixou essa histérica sair colocando a fita sem ao menos esperar que eu chegasse. Não acredito que vocês já viram tudo!
Maria avança em cima de Alberto e lhe dá um tapa bem forte na cara – Quem você pensa que é pra falar assim de mim? Quem você pensa que é? Seu desgraçado! Desgraçado! (o puxou pela camisa e começou a sacudi-lo) Seu desgraçado! (chorando)
Leonel e ‘X’ tentam puxar Maria de cima de Alberto
Alberto – Me soltaaaaaa! Essa mulher é louca!
Maria – Louca?! Louca porque não foi a sua mãe que ficou presa sem ter feito nada! Maldito! (dando socos no peito de Alberto)
Leonel puxa Maria e grita – Já chega! Não adianta mais brigar Maria, não adianta! Não há como apagar o passado, e não há mais como incriminar quem matou a minha mãe e quem realmente te fez sofrer por tudo isso. A assassina morreu, acabou! Amanhã mesmo vamos voltar para o México e contar tudo. É isso o que nos resta.
Maria tentava recuperar o fôlego, ainda não podia crer em tudo aquilo.
Alberto – Como assim? Assassina? Mas quem matou a sua mãe não foi uma mulher, foi um homem.
Leonel, Maria e ‘X’ respondem, ao mesmo tempo – O quê?!
Alberto – Foi por isso que eu disse para você assistir o vídeo até o final...
X – Espera aí, essa parte você não me contou!
Maria – Senhor amado, acabem logo com essa tortura pelo amor de Deus!
Leonel coloca a fita e se senta, ordenando – Calem-se! Vamos acabar logo com essa palhaçada de uma vez.
***
[04.02.1985 22h34]
Patrícia estava terminando de se arrumar; retocou o batom, deu uma ajeitada no cabelo e olhou para a câmera.
– Seja o que Deus quiser! (deu um suspiro) Mas se eu não tiver escapatória, você também não terá. Melhor prova que essa não há. (sorriu)
A campainha toca...
Patrícia abre a porta e grita, surpresa – Você?! O que você quer aqui?!
Alba tira o capuz preto da capa que estava usando e responde – Surpresa em me ver a essa hora, querida? Por quê? Por acaso estava esperando alguém?
– Mas... Mas é claro que não. (dissimulando) Me diz logo, pra que veio?
– Calma! (entrando no quarto e fechando a porta) Está com medo? (deu uma risada) Ai Patrícia, Patrícia... Mas como você é tonta!
– Eu? Tonta? Não vem com essa pose e esse tom de voz pra cima de mim. (a olhando de cima a baixo) E ainda por cima vem com essa roupa... Você não é de se vestir assim, Alba!
– Ai, por favor! E o que o meu modo de me vestir tem a ver com isso? Vim porque não podia adiar a oportunidade de jogar na sua cara tudo o que eu já sei sobre você, Estevão e essa amizade falsa com a estúpida da Maria!
– Amizade falsa? (ela ri) Ai Albinha, sinceramente, não sei do que está falando! (servindo whisky para as duas) Toma uma dose e relaxa.
– Eu não quero porcaria nenhuma! (puxa Patrícia pelo braço) O único que eu quero, é te manter avisada e bem alerta sobre o que eu sei e sobre o que eu posso fazer com você. (a solta bruscamente)
– Ai, Albinha! Você me machucou! (colocando a mão no braço, fazendo a dolorida)
– Pensa que eu não sei que você é mais uma vagabunda que fica se oferecendo a todo custo pro Estevão? Só que, como ele não te quer de jeito maneira, você insiste em enganar a trouxa da Maria com suas mentiras e armações... Como você é baixa, Patrícia!
– Baixa? Eu? Ha ha ha. Você pensa que me atinge me dizendo coisas que eu já estou cansada de saber? (deu uma gargalhada) Querida, não adianta né? Não adianta eu negar pra você... Pois é, Albinha. É isso mesmo. Você é muito inteligente, viu?
– Não me chame desse jeito! (gritou)
– Então... Al-bi-nha! Eu gosto sim do Estevão. Gosto não, eu desejo o Estevão. Quero o Estevão pra mim, na minha cama! (rindo) E por que não dizer... Eu AMO o Estevão? (dizendo de forma debochada) Qual mulher não vai morrer por aquela perdição de homem?
– Mas é uma desgraçada mesmo...
***
Maria fica sem acreditar em tudo aquilo que estava vendo e ouvindo. Como pode ser? Patrícia, aquela que se dizia ser sua melhor amiga, desejar seu marido daquele jeito e admitir que realmente estava fazendo de tudo para separá-los?
***
Patrícia continua, dando um gole no whisky – Me responde Albinha: Qual mulher não morre pelo Estevão, hein? Qual mulher não morre por aquele gostoso? (dizia bem perto de Alba, provocando) Até você, não é? Até você morre de desejo por aquele homem!
– O que é que você está dizendo? Você... Você está louca! (nervosa)
– Louca? Você pensa que eu não sei que você sempre desejou o seu sobrinho, sempre quis ser tocada por ele, ser beijada por ele... Hmmm... Acariciada por aquelas mãos enormes! (dando gargalhadas) Você é apaixonada pelo Estevão, Albinha! É apaixonada pelo próprio sobrinho. Seria muito legal se todos soubessem, já pensou? Já pensou na cara da otária da Maria ao saber que a tia Alba sempre tarou o marido dela? hahahaha
– Eu vou te fazer engolir tudo o que está dizendo, vagabunda! (encarando com aqueles olhos de psicopata)
– Ah, é mesmo? Até se eu disser que eu também sei que mesmo você sendo apaixonada pelo seu ‘sobrinhozinho’ lindo, anda com o Demétrio às escondidas?
Alba responde – Como você sabe disso? Que provas você tem pra comprovar o que está dizendo?
– Ah, viu? Está vendo? Eu sabia! Joguei um verde e você confirmou. Eu sabia que vocês dois tinham um caso! Pensa que eu não vi? Pensa que eu não vi vocês dois se beijando lá na cabana, hm? Mas que velha sa-fa-da! (se acabando de rir)
Por um descuido de Patrícia, Alba acaba conseguindo agarrá-la pelo pescoço, apertando com força, pra matar:
– Pensou que ia se dar bem, né cretina?
– Me solta... (fala com dificuldade) Ahhh... (se sentindo sufocada) Não...
– Quero ver agora você repetir tudo o que disse! Não vai poder mais falar nada, maldita. Vou calar essa sua boquinha pra sempre, acabar com a sua raça! Quero ver alguém descobrir que fui eu quem fez o trabalho... Burra, estúpida! Maldita! (apertando com mais força)
Depois de muito lutar com Alba, Patrícia finalmente consegue se soltar das garras dela.
***
Maria diz – Parem o vídeo, por favor! Parem! (estava completamente trêmula)
X pausa o vídeo e pergunta – Está se sentindo mal, senhora? Quer mesmo continuar assistindo?
Leonel – Faça alguma coisa que preste pelo menos alguma vez na vida, traga um copo d’água pra ela, por favor! (se referindo à Alberto)
Alberto ia contestar, mas acabou fazendo o que Leonel lhe acabara de pedir.
Maria volta a chorar – Eu não acredito! Patrícia... Eu já sabia que ela era falsa comigo, pois já tinha lido várias coisas horríveis naquele diário, mas ouvi-la e vê-la falando assim dessa forma sinto meu coração partido em mil pedaços! Como eu pude confiar nela? E... E a Alba? Como pode ser tão sem escrúpulos? A maldade dela não tinha limites, ela... (se exaltando)
Leonel – Calma Maria, se acalme!
Alberto entrega a água para Maria que volta a encará-lo com a maior repulsa possível.
Leonel – Vamos logo acabar logo com isso, por favor, eu não aguento mais!
Maria – Vamos, vamos logo. Eu quero ver isso até o fim.
X – Está bem. (continua o vídeo)
***
Patrícia – Pensou que ia acabar comigo assim tão fácil? Coitada, está tão velhinha... Não tem mais forças nem pra conseguir me estrangular! (correndo para o outro canto do quarto)
Alba começa a rir – Aí é que você se engana. Você acha que eu ia vir desprevenida? Você pensou mesmo que eu vim aqui apenas para ter uma conversinha com você? Acha que eu... (tirando a arma do bolso) Eu ia ser tão estúpida como você, querida?
Alba aponta o revólver para Patrícia e põe o dedo no gatilho. Ao perceber a gravidade da situação, Patrícia fica realmente amedrontada e se rende:
– Albinha, por favor eu... Eu só estava brincando com você. Eu não ia contar nada! O que eu ganharia revelando isso, hein?
– Agora está com medo? Agora já é tarde demais. Pensa que eu vou manter você viva, pra que você tenha a chance de finalmente conseguir o que quer? (gritando) Nada disso!
– Alba, por favor abaixe essa arma!
– Eu já errei demais em ter deixado a Maria viva por tanto tempo, por ter deixado ela se aproveitar do Estevão, ter filhos com ele... Ela é mais difícil de vencer, aquela desgraçada conseguiu o que todas nós queríamos!
– Então, Albinha. Acabe com ela, mate-a, não sei... Eu juro que não conto pra ninguém nada do que foi falado aqui. Eu... Eu paro de dar em cima do Estevão, eu falo pro Arthur que devemos nos mudar e viajarmos para bem longe, mas por favor não faça isso comigo, eu te imploro. É a Maria que você deve matar, não eu!
– Grande amiga que você é, hein! (dá uma gargalhada descontrolada, mas de repente volta a falar com frieza) Acabou o seu tempo querida, adeus!
Alba ia apertar o gatilho quando ouviu um barulho vindo dos fundos. Tomada pelo susto, se virou para ver o que era e nisso Patrícia aproveita para tentar fugir. Alba atira, mas acaba acertando um vaso de plantas. Quando Patrícia chega próximo a outra porta do quarto, percebe que Alba já estava em sua direção novamente, pronta para atirar. Ela se rende. Um estouro muito forte vem de outro lado; uma dor incessante preenche todo o seu ser. Acertam-lhe bem no peito. Ela cai, já morta.
Assustada com tudo aquilo, Alba deu meia volta e conseguiu sair dali sem ser notada, já que não queria levar a culpa de ter assassinado Patrícia. Outra pessoa atirou... Outra pessoa. Mas quem seria?
***
Leonel chorava muito. A câmera não registrou o momento em que elas correram para o outro lado, muito menos a imagem do corpo no chão, mas as cenas anteriores haviam sido muito fortes. Maria estava sem reação, não conseguia sequer falar. Mas como já estavam decididos, iriam assistir até o final. E foi o que fizeram.
***
Um silêncio perdura por alguns minutos, até que se ouve uma risada e uma voz rouca ao fundo. Uma outra pessoa que também estava completamente vestida de preto e com luvas nas mãos passa bem na frente da câmera, sem se dar conta que estava sendo filmada. De repente, a pessoa começa a ‘conversar’ com o corpo:
– Eu disse pra você se comportar, benzinho. Eu disse! Pensou que eu não seria capaz de matar? Disse que eu não mataria nem uma mosca... Ah Patrícia! (começa a chorar) Eu... Eu te amei, entende? Eu te amei! (gritando) Sua vagabunda, piranha... Você queria era o Estevão, tudo é o Estevão nessa merda! Será que eu não fui o suficiente pra você? Filha da...
Batem à porta; o assassino se assusta e coloca a arma nas mãos de Patrícia, para parecer que ela havia se suicidado. Ao se virar, seu rosto é revelado de relance.
***
Maria grita — NÃAAOOO!
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