Mais além de la pareja tekila
37 Capítulo XXXVII
Notas iniciais
No capítulo anterior...
Alberto – Sim senhor. E é por isso que eu estou confessando. Quero me livrar desse peso que eu venho carregando há anos, nem que eu tenha que aprender... Na cadeia.
X – E então, Leonel? Está pronto pra ver a gravação? Não é melhor chamar a Maria?
Leonel – Eu prefiro ver primeiro. Ela está grávida e eu temo que isso faça mal a sua saúde e a da filha que espera.
X – Bom, então vamos. Vamos também, Alberto.
Leonel – Claro que Alberto também vai, eu ainda preciso mostrar algumas fotos pra que ele reconheça...
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M é x i c o
~~ Mansão dos San Román ~~
Estevão estava deitado na cama de Maria, com o travesseiro dela em seu colo. Estava muito pensativo; por mais que ela tivesse lhe tranquilizado por telefone, ele não conseguia pegar no sono. Além da saudade que estava sentindo dela, as preocupações com os problemas os quais ainda teriam que enfrentar o atormentavam:
“– Pai, eu sei que tem alguma coisa séria por trás disso, infelizmente não sei o que é, mas saiba que aconteça o que acontecer eu sempre vou estar com você...
– Obrigado filha.
– ... E com a Maria também.”
***
“- É... Ah! Você falando assim me lembra de tudo o que vivíamos, faz passar um filme na minha mente. É algo que me deixa tão feliz, mas ao mesmo tempo tão triste, por que...
Estevão a interrompe — Não amor, não, não. Não vamos falar sobre isso, ok? (segurando as mãos dela e olhando em seus olhos) Amanhã você vai para Aruba com o Leonel, vocês vão conseguir descobrir quem realmente assassinou a Patrícia e assim vamos acabar com todas as mentiras, com todos os segredos... Vamos viver unidos, em paz pelo resto dos nossos dias! (beijando uma das mãos)
– Você tem razão.”
– Meu Deus! (com os olhos marejados) Como pude deixar que essa mentira tomasse toda essa proporção? Por que eu fiz isso com o que eu mais amo na minha vida, que é a minha família? Como eu pude ser tão covarde a ponto de deixar a mãe dos meus filhos passar todo aquele tempo numa cadeia, sem ter a quem recorrer? (caiu em prantos) Meu Deus, por favor me ajude! Não só a mim, mas principalmente a Maria!
***
No mesmo instante, em Aruba, Maria suplicava pelo mesmo:
– ... Não só a mim, mas também ao Estevão, afinal ele é o homem da minha vida, o pai dos meus filhos! Apesar de ter me abandonado por vinte anos, hoje posso compreender que não foi fácil confiar, ainda mais com aquela víbo... (suspirando e interrompendo o que ia dizer) Aquela tia dele! Virgem santíssima, me ajude a ter a minha família de volta, nos dê forças...
Nesse instante Maria sente uma forte dor em seu abdômen, uma dor tão forte que a faz gemer e se contorcer, com as mãos por cima do mesmo. Ela se senta na cama e alcança o telefone com dificuldade, tentando chamar o serviço do hotel.
M é x i c o
Gabriel Ramírez havia acabado de chegar em sua terra natal. Se hospedou em um dos melhores hotéis da capital, hotel esse que ficava bem próximo às Empresas San Román. Estava descansando em seu quarto, tramando seus planos enquanto fumava seu cigarro tranquilamente:
– Finalmente voltei pra essa porcaria de lugar... (deu uma risada) Ai Estevão San Román! Estevão, Estevão... Meu amigo! (Soltou toda a fumaça que preenchia seus pulmões) Vamos fazer grandes negócios, e amanhã é o dia.
~~ Apartamento de Adriana ~~
Laura – Hmm então quer dizer que o senhor San Román te trouxe em casa... Hmm! (rindo)
Adriana não resistiu e também começou a rir; Laura brinca com ela:
– Olha como você está amiga, feito uma idiota! Também pudera, até eu com um deus grego daqueles ficaria a mais idiota de todas as mulheres.
– Ai! Como você é ridícula Laura!
– Eu? Ridícula? Ah minha querida, eu sou apenas sincera. Rolou até beijinho, nossa! Amiga eu não sabia que você era tão rápida assim, sinceramente.
Adriana faz uma careta e responde — Ahh sua engraçadinha... O beijinho não foi como você está pensando, eu apenas fui... (gaguejando) Carinhosa. E dei um beijo no rosto dele, só isso.
– Carinhosa?! Ai Adri você pensa que eu nasci ontem? Para né! De um beijinho no rosto, quando eu pensar que não você chega me contando que ele te levou num motel cinco estrelas.
Adriana dá um grito e um tapa no ombro de Laura – Mas o que é isso?! Você tá louca? Ele só foi educado comigo e eu fui simpática, carinhosa. Ele é ca-sa-do ou você se esqueceu disso?
– Mas é claro que não! Aí é que tá: tudo o que é proibido, com certeza é mais gostoso. E você não disse que a songa-monga da mulher dele foi viajar?
– Sim, foi. Mas aquele homem não para de pensar nela! Aff, eu não sei o que essa Maria fez que enfeitiçou o Estevão...
Laura começa a dar gargalhadas do jeito que Adriana estava falando.
Adriana continua – ... Mas é, menina! Você tinha que ver a cara de bobo dele quando estávamos no carro! Eu pedi pra ele aumentar o volume do rádio porque estava tocando uma música da Pausini que eu AMO, aí do nada ele começou a suspirar e falar que aquela música era deles dois.
– O quê? Mentira que ele fez isso! E você ficou como? (Rindo muito; Adriana faz uma cara sem graça) Tá, nem precisa responder: ficou com a cara no chão. Até eu ficaria! Mas que... Que ridículo!
– Naquele momento me deu uma vontade de sair do carro e vir correndo debaixo de chuva mesmo. (Falando com expressão triste)
– Ah meu bebê, não fica assim. (dá um abraço em Adriana) Não é por causa disso que você vai desistir do seu deus Estevão não, né? Hm?!
– Eu não quero ele! Mas o que você está falando, Laura? (bancando a confusa)
– Filha, para por favor. Eu já te disse que não nasci ontem! O que custa você admitir que está super a fim do coroa? Te dou a maior força pra investir nele e dane-se Maria! Eu duvido que ele já não tenha traído essa mulher com várias e você não seria a primeira e nem a última. Esse é o problema! (riu mais uma vez) O ruim é que você está apaixonada por ele e...
– Eu não estou apaixonada! De onde você tirou isso?
Laura a encara em silêncio, com uma expressão debochada.
Adriana confessa — Tá, eu tenho sim uma atração por ele...
– E quem não já sabia?
– É... (sem graça) Teve uma vez que senti ele tão próximo de mim que deu uma vontade de beijar aquela boca.
Laura deu um grito – Viu?! Eu sabiaaaaaa!
– Aí, tá vendo? Tá vendo por que é que eu não gosto de contar as coisas pra você?
– Ah, tá bom amor! Só uma atração, só isso. E tem que ser só isso mesmo amiga, porque senão... Já sabe. (piscou)
Adriana ficou bem pensativa com aquilo que Laura acabara de dizer.
A r u b a
~~ Hotel: sala de vídeo ~~
X – Está pronto?
Leonel – Sempre. Agora mais que nunca!
X – Pode colocar. (Acenando para um dos rapazes que trabalhavam naquela sala)
***
O vídeo mostra o momento em que uma pessoa que estava completamente vestida de preto adentra o corredor e toca a campainha do quarto de Patrícia. A mesma atende a porta e rapidamente o(a) suposto(a) assassino(a) entra.
***
Leonel – É só isso?! (irritado) Essa fita só mostra isso? Como eu vou saber de alguma coisa se nessa merda de vídeo não aparece praticamente nada?!
X – Calma!
Alberto – Essa... Essa é a fita das câmeras do hotel. Mas eu tenho outra, a da câmera da Patrícia.
Leonel – O QUÊ?! (Leonel fica enfurecido e tenta agredir Alberto)
X – Parem! Mas que coisa! Desse jeito não vai dar pra te mostrar o resto, caramba!
Leonel – Vocês estão tentando me enrolar... Eu... (andando de um lado para o outro) Vocês estão tentando me enrolar?! (muito nervoso)
Alberto – Mas é claro que não! Toma, (entregando a fita nas mãos de Leonel) tá aqui a outra. Essa é a fita que a sua própria mãe deixou gravando, acho que ela já estava prevendo que algo ruim ia acontecer com ela e deixou pra que se a pessoa fizesse algo, tivéssemos provas para incriminá-la, e aí temos. A maior prova, a mais fiel, não tem erro.
Leonel – Então essa... Mostra a minha mãe... Morrendo?!
X – Mostra. Mostra tudo. Desde o momento em que a pessoa chegou, como você viu no vídeo das câmeras do corredor, até o momento em que a Maria chega, pega na arma e... O resto você sabe!
Leonel segura o choro e ordena, com tom frio e autoritário – Coloca logo esse vídeo!
Alberto estava morrendo de medo, mas agora não tinha mais outra saída.
***
[07.02.1985 22h34]
Patrícia estava terminando de se arrumar; retocou o batom, deu uma ajeitada no cabelo e olhou para a câmera.
– Seja o que Deus quiser! (deu um suspiro) Mas se eu não tiver escapatória, você também não terá. Melhor prova que essa não há. (sorriu)
A campainha toca...
Patrícia abre a porta e grita, surpresa – Você?! O que você quer aqui?!
Xx tira o capuz preto da capa que estava usando e responde – Surpresa em me ver a essa hora, querida? Por quê? Por acaso estava esperando alguém?
– Mas... Mas é claro que não. (dissimulando) Me diz logo, pra que veio?
– Calma! (entrando no quarto e fechando a porta) Está com medo? (deu uma risada) Ai Patrícia, Patrícia... Mas como você é tonta!
– Eu? Tonta? Não vem com essa pose e esse tom de voz pra cima de mim. (Olhando a pessoa de cima a baixo) E ainda por cima vem com essa roupa... Você não é de se vestir assim, “Xx”!
(...)
***
Leonel – Para, para! (perplexo)
X pausa o vídeo e pergunta – Reconhece a pessoa do vídeo?
Alberto – Melhor continuar vendo...
Leonel – Mas é claro que reconheço! (sem reação) Eu não acredito que... Não, não pode ter sido! Como foi capaz?
Alberto – É melhor você assistir até o final.
Leonel – Meu Deus, o que a Maria vai pensar? Nossa... Eu... Não acredito!
X – Vou continuar o vídeo.
Leonel – Sim, continua! (com lágrimas nos olhos)
Um assistente do hotel bate à porta:
X – O que foi?
Xxx – Vim para avisar que a senhora Maria Fernandez está na emergência, parece que passou mal e precisou ser medicada.
Leonel – Nossa... Maria! Me deem logo essa fita!
Alberto – Não, não! Você só pode ver a fita em nossa presença, eu não posso te dar assim.
Leonel puxa Alberto pela camisa e grita para o outro funcionário da sala de vídeo – Tira logo a merda dessa fita! Isso é algo meu, é da minha família! Acabou, desgraçado! Você vai pagar por todo esse tempo em silêncio!
X tenta apartá-los mais uma vez – Nada disso Leonel! Essa fita vai ficar comigo! (puxando a fita da mão do rapaz) E solte o Alberto, por favor.
Alberto – Mas... Ele vai acabar comigo, vai me denunciar e eu não queria que as coisas ficassem assim pra mim.
Leonel – Você é um cínico, né? Como você quer que as coisas fiquem pra você depois de ter encoberto um assassino por vinte anos? Eu preciso e devo ter essa fita em meu poder, é direito meu!
X – Essa fita vai ficar comigo, porque do jeito que você está, de cabeça quente, pode acabar fazendo besteira. Amanhã continuamos assistindo e se a Maria estiver melhor...
Leonel – Maria! Eu preciso vê-la! Amanhã então, sem falta. E você... (olhando para Alberto) Não pense que vai escapar assim tão fácil.
(...)
~ Emergência~
Leonel – Maria, o que houve? Está melhor?
Maria – Sim... Senti umas dores muito fortes na barriga, mas graças a Deus não foi nada grave.
Enfermeira – Não precisa se preocupar senhora, a medicação não fará mal ao seu bebê.
Maria – Obrigada. (sorri)
Leonel – Nossa, que susto! Sabia que não seria bom você vir, Maria.
Maria – Não, nada disso. Eu precisava vir! E por falar nisso, você já descobriu alguma coisa? Já conseguiu conversar com o tal Alberto?
– Sim... (fala com um tom apreensivo).
M é x i c o
~~ Apartamento de Adriana ~~
Adriana não conseguia parar de pensar em Estevão:
“Estevão tocou em seu braço – Não! Deixa que eu abro pra você. – Adriana deu um sorriso indiscreto.
Adriana – Então, até segunda senhor. (deu um beijo no rosto dele)”
– Estevão... Por que eu não consigo tirar você dos meus pensamentos? Será que vale a pena insistir, como a Laura diz? – Adriana diz consigo mesma, enquanto se senta na cama.
De repente ela se recorda de um momento bem peculiar na empresa; sentiu sua boca secar e um calor invadia seu corpo só em rever a cena em sua mente:
“ Maria dá mordidas nos lábios de Estevão enquanto lhe acaricia os cabelos. Entre os beijos, Estevão fala, com sua voz rouca e varonil:
– Estou louco pra terminar de realizar nossas fantasias lá na sala...
Maria responde enquanto tentava se soltar e ao mesmo tempo o agarrava – Controle-se meu amor, alguém pode nos ver, estamos no corredor. (riu)
– E quem manda nesta empresa mesmo? Hein?
Os dois sorriam enquanto se beijavam calorosamente.
Depois de tanto observá-los e de imaginar-se no lugar de Maria, Adriana os interrompe, pigarreando para que eles percebessem sua presença.
Estevão se assusta – Adriana, o que faz aqui?
Maria a encara com um olhar fulminante.”
– Meu Deus, por que eu estou lembrando disso? (suspirando) Ah... Que vontade de provar aqueles lábios daquele jeito, de sentir aquelas mãos passearem pelo meu corpo daquela forma...
[Adriana fecha os olhos; as imagens começam a voltar em sua mente]
Ela continua dizendo — ... Aquele sorriso... (passa a mão na cabeça, joga os cabelos para trás e abre os olhos) Ah! Preciso tomar um suco de maracujá bem gelado, assistir um filme... Preciso esquecer esse homem!!!
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