"Is this real?"
Meu nome é Alícia, tenho 15 anos como muitos de vocês, durante três anos estudei numa escola onde sofri muito bullying. Eu me sentia sozinha no meio de toda aquela gente, mesmo com meu único amigo, o Kyle, um americano que também sofria bullying por ser judeu e os outros acharem esquisito.
Foi quando recebi a melhor notícia de minha vida, pensei até se seria real de verdade. Eu finalmente iria mudar de escola, iria para o Colégio Interviva. O bullying finalmente me deixaria, finalmente encontraria novas pessoas, as quais poderiam me fazer feliz.
Passei minhas férias em uma praia, relaxando a cabeça e imaginando como seria minha nova escola, mal podia acreditar que finalmente estou livre daquelas pessoas ruins. Foram férias bem relaxantes, me senti descansada e naquele dia 1 de fevereiro, começavam minhas aulas.
Pelo que vi nos documentos escolares, eu estaria no 9º ano M-2, numa sala com 32 alunos. Quem seriam cada um deles? Que novas pessoas eu conheceria naqueles novos caminhos?

Eu tenho um diário, nele, escrevo tudo que penso e sinto. E posso dizer que comecei a escrever muito bem no dia 1 de fevereiro. Minha ansiedade era tanta, que me acordei as 5 para ir para a escola. Interviva ficava a 10 minutos de minha casa e eu podia ir a pé.
Levantei, tomei um bom banho, afinal, queria estar bem arrumada no primeiro dia, vai que alguém se interessa por mim? Ná... nunca tive muita auto-estima, mas desta vez, eu parecia ter. Como raramente acontecia. O uniforme da escola era branco com listras azuis no ombro e de fato, era bonito. Passei aquele perfume importado que ganhara do Tio Luigi em meu aniversário, 14 de janeiro.
Nem contei para vocês, mas não moro com meus pais. Os mesmos moram na Noruega, foram lá para trabalhar e não poderiam me levar. Fiquei muito triste e esse é um dos motivos de minha baixa auto-estima, ainda bem que meu saudoso tio, Luigi Mollinari, decidiu cuidar de mim, e a mulher com quem se casou, é muito boa, seu nome é Maria Paula.
Tia Maria Paula me ama como uma mãe de verdade, se não fosse por ela, talvez já tivesse feito besteira muitas vezes como quando perdi a Carol. Um dia falo para vocês dela, ela foi uma pessoa que amei muito, mas que me maltratou demais no final de nosso relacionamento, dizendo até que eu deveria morrer.
Claro que meus tios não sabem que sou bissexual, eles talvez não aceitassem, como ninguém do mundo adulto aceita normalmente. Desde pequena me sinto diferente das outras pessoas, de fato não me encaixo muito bem em vários lugares.