Mais Que Inesperado
4 Desapontada
Eu havia passado viva pelo resto da semana, evitei Ben em todas as aulas, e surpreendentemente Stacey não passou de seus olhares comigo. O final de semana foi melhor que eu esperava, a galera do grupo de música da escola de juntou e a gente se divertiu, eu aprendi a tocar um pouco de violino, foi ótimo.
Eu ainda sentia que tudo estava muito estranho, eu não fui a casa de Ben jantar como eu costumava fazer, assistir filmes com a família dele, quando meu pai não estava em casa. Eu ainda estava me acostumando. Cheguei na escola e dei de cara com Chloe que sempre que me via vinha correndo até mim. – E ai já se decidiu? — perguntou.– Me decidi em que? – Homecoming! — falou ela balançando os braços, como se eu tivesse viajando.– Ah sim, ainda não sei. – Eu quero uma resposta, e logo! Vai ser semana que vem, eu estou completamente irritada com o atraso, mas vai valer para alguma coisa se você aceitar.– Eu vou lhe responder o mais rápido possível. — falei.– Ok, te vejo no intervalo. – Até lá. — falo.Como hoje era segunda minha primeira aula era anatomia, então me dirigi ao laboratório. Quando cheguei na sala não pude evitar de olhar para Ben, que também em olhou e desvíamos o olhar conjuntamente. Quem diria que á uma semana nós éramos melhores amigos!Eu ainda tinha outras duas aulas com ele na semana, sem falar as que eu tinha com Stacey.Sentei na minha cadeira ao lado de Bryce, que parecia estar com a cabeça no mundo da lua.Eu estalei os dedos na sua cara e ele apareceu acordar.– Oh, ei. — falou.– Planeta terra chamando Bryce. – Foi mal, e ai como foi a coisa toda com o grupo de música?– Foi inesperadamente bom.Ele assentiu, cruzando os braços.Eu e Bryce tínhamos algumas aulas juntos, essa era a unica em que eu sentava ao seu lado. A gente conversava bastante depois que a gente teve o episódio de Stacey e Ben em comum, parece que alguns ''amigos'' dele o zoavam por ele perder Stacey para Ben, ele me falou que foi ele que terminou, s Stacey inventou uma historia dizendo que foi ela, mas ele não parecia se importar.– E os seus amigos? — perguntei.– Bom, eles são mais amigos de Stacey, eu andava com eles porque meio que aconteceu depois que eu comecei a namorar ela. — ele falou. — Eles são do time do futebol, e eles sempre me quiseram lá, mas eu nunca quis entrar, acho que eles falavam comigo apenas porque namorávamos. – Nossa que bastardos! — falei. – Pode crer. – Porque não quis entrar na equipe de futebol?– Vamos se dizer que não é a minha praia. — falou.– Você sente falta? — pergunto, e ele parece por um segundo confuso. — Falta da sua vida, como era como namorava Stacey? – Não, eu me sinto estranho, mudando de rotina sabe? Mas ela e seus amigos não me fazem nenhuma falta. — disse ele colocando a caneta na boca e sorrindo. Tivemos nossa aula, dissecando alguma coisa que eu não consegui olhar por muito tempo, então basicamente Bryce fez todo o serviço pesado. Passou mais rápido do que eu esperava.– Largue a mãe de ser tão Stacey. — falou Bryce enquanto tirava o bicho da mesa.– Stacey pode ser muitas coisas não me diga que está me chamando de vadia? — perguntei com um tom sarcástico.– Não, eu quis dizer fresca. – Ata. — sorri. — Mesmo assim é uma grande ofensa para se atribuir a minha pessoa. – Não me imaginava falando isso mais eu concordo, depois de tudo o que aconteceu eu descobri quem ela realmente é.– Nem me fale. — falei. — Eu achei que conhecia Ben. — falei com um tom mais baixo para ele não ouvir, apesar de estar sentando muito mais a frente. – Sente falta dele? — pergunta. – Eu não. — respondo. – Ta na cara que sim, você tem uma queda por ele. Eu revirei os olhos, tava tão na cara assim? – Eu tinha. — falei admitindo. – Você ainda tem, só que está magoada. Isso de certa forma me deixou irritada.– Já falei que não tenho Bryce, que saco, é tão dificíl entender?Ele levantou as mãos em redenção. – Tudo bem senhorita Cooper, vou fingir que acredito. Eu lhe dei um soco em seu braço que provavelmente doeu mais em mim do que nele, mesmo assim ele protestou.– Ei, não me bate não é minha culpa.O sinal bateu e eu me dirigi a minhas outras aulas, que hoje estavam especialmente entendiantes. Quando chegou o intervalo eu dei graças a Deus pois minha barriga estava roncando. Comi meu lanche e aproveitei para beliscar os dos meus colegas da classe de música, que me acham super engraçada, sério, eles riem da maioria das coisas que eu falo, parece aqueles programas de comédia com auditório. A verdade é que quando eu não sabia lidar muito bem com situações eu me tornava uma palhaça. Eu me diverti fazendo meus novos amigos rirem, mas quando o intervalo acabou tive que ir rapidamente pegar meus livros no armário pois minha professora de história odiava atrasos. Quando abri meu armário não tive muito tempo para pensar logo depois que a tinta azul espirrou em meu rosto e toda minha roupa.
Eu me encarei estupefata, limpando meus olhos para poder enxergar logo depois do ocorrido. As pessoas pararam ao meu redor, algumas foram respingadas e protestaram, eu achei que a tinta tinha caído de cima mas foi algum tipo de dispositivo vindo do meu armário, que também sujou todos os meus livros.Foi quando meu coração parou de bater por um segundo, eu olhei para a porta do armário e me esqueci completamente de meu cabelo e roupa.Não! Não, não, não, não!Eu tirei a foto de mamãe que estava coberta de tinta azul. Era uma foto antiga, e estava se deteriorando na moldura em meu quarto, então optei por colocá-la onde sempre pudesse vê-la, e onde tinha fluxo de ar intenso. Eu não esperava que alguém pudesse abrir meu armário, os armários dessa escola era muito bem cuidados, com cadeados e tudo mais. Mas agora a foto da minha mãe comigo, quando eu tinha dois anos se foi, e por uma brincadeira de mal gosto.Atrás da foto, eu vislumbrei a carta, que estava colada ali, metade da folha estava manchada, eu optei por não abrir para não rasgá-la. Tudo dentro de mim gritava de ódio. O ultimo presente de minha mãe, se foi. O zelador apareceu, indiguinado pela bagunça. Ele protestava enquanto as pessoas ainda estavam em minha volta, me observando. – Quem fez isso! — eu gritei, calando o zelador. Eu pude ver Stacey de longe, enrolando um cacho loiro de seu maldito cabelo enquanto sorria sarcasticamente. – Foi você, sua vadia! — gritei indo em sua direção,a maioria das pessoas saíram da minha frente para não serem sujas mas o zelador me seguro, bem a tempo do diretor chegar. – Sua vadia, eu juro que vou acabar com você! — gritei, enquanto ela ficava com sua cara de falta fingindo estar assustada se agarrando em Ben. – O que significa isso!? — perguntou o diretor, que deu seu ar da graça ao sair de sua sala.Eu me acalmei, o zelador me soltou mas eu ainda olhava para Stacey, foi ela eu tinha certeza que foi.– Senhorita Cooper, ah mas é claro! Tinha que estar envolvida em coisa do tipo, não quero saber desse linguajar nessa escola mocinha, vá se limpar e se apresente em minha sala! Eu passei entre as pessoas que desviavam de mim diretamente para o banheiro, tirei minha jaqueta de couro que estava arruinada pela tinta, pelo menos meus braços estavam limpos. Lavei meu cabelo e meu rosto, me assustei quando a porta abriu em um solavanco, era Chloe. – Ai meu deus aquela vaca, eu juro Char se você acabar com ela eu te ajudo. — disse ela. — Aqui está. — disse ela me entregando um vestido florido. – Você trás roupas para escola? — pergunto.– Nunca se sabe, coloque! — pediu.Eu tirei minhas roupas e coloquei o vestido. Chloe pegou minhas roupas sujas e levou para sabe-se lá onde, ela era uma boa amiga. Depois eu fui direto para a sala do diretor, ele me perguntou o que aconteceu e eu disse que suspeitava de Stacey, no qual ele mandou chamar também. Pelo menos ele não foi um completo idiota. Ao sair da sala dele dei de cara com Stacey, ela me olhou surpresa como que se esperasse que eu tivesse toda suja. Ela franziu o cenho. – Como você pode ser tão patética, cupcake? — perguntou sorrindo, meu sangue ferveu, mas eu sabia que começar uma briga na frente da sala do diretor só me ferraria, era exatamente isso o que ela queria. — Gostou do meu presentinho? Isso é para você aprender a não se meter na relação dos outros, por sua causa Bryce teve aquela crise existencial e terminou comigo, de certa forma estou grata, seu ex amiguinho tem muito mais a me acrescentar que ele.– Descendo tão baixo Ashley? Eu só não quebro a sua cara nojenta porque eu não vou me queimar por sua casa, eu também estou sem meu sabonete anti-bactérias pra lavar minha mão depois de encostar em você, sua vadia inescrupulosa. Ela ia falar alguma coisa.– E cala a boca, não quero ouvir mais sua voz irritante. — falei levantando a mão, ela ia falar alguma coisa mas o diretor abriu a porta e ela entrou na sala.Eu não esperei para saber o que iria acontecer, dei no pé. Quando entrei no corredor dei de cara com Ben, por um milésimo de segundo eu achei que ele estava la por mim, mais esse milésimo se dissipou quando ele perguntou:– Onde está Stacey? Eu senti uma pontada dolorosa do meu peito. – Stacey, a garota que me fez passar mais um vexame na frente de todos? Que arruinou os últimos presentes que eu recebi da minha mãe? Que está te usando?Ele revirou os olhos, mas ai pareceu cair na real.– A sua foto, nossa ela ficava no armário! — falou. — Mas você não pode culpar alguém assim Charlie, você não sabe se foi ela. Eu sorri, ele estava sendo completamente patético.– Bom, qualquer dúvida que eu tinha desapareceu quando ela me confessou na frente da sala do diretor. E não me chame de Charlie, quem me chamava de Charlie era meu melhor amigo de infância, que eu confiava e que eu pensei confiar em mim, que sabe de tudo sobre a minha vida, que me conhece, e mesmo assim preferiu acreditar em uma garota que sempre o desprezou, mas não se engane Benjamin, você provavelmente não foi, não vai ser e não será minha maior decepção. — disse lhe dando duas palminhas no peito, dizer aquelas palavras estavam me cortando por dentro. — Eu não sei quem esse Ben é, mas se tiver algum resquício do antigo Ben em algum lugar ai dentro, uma hora você cairá na real, e tudo o que eu te peço é que não me procure, porque não vai adiantar, não vou lhe perdoar, não quero mais saber de você, nunca mais. Então eu continuei andando pelo corredor. Eu já havia sentindo uma dor insuportável, a dor da perda. Minha mãe morreu a quatro anos, e desde então eu não havia chorado, não porque não queria, mas porque achava tudo um motivo muito banal para se chorar, nada era tão dolorido quando a dor de nunca mais poder ver ela.Mas agora, sentada no banco do lado de fora da escola, depois de ter perdido minhas ultimas aulas novamente e segurando a foto e a carta arruinada de minha mãe, eu odiei Ben, odiei mais que Stacey. Eu sei que ele sabe que foi Stacey, eu sei que ele sabe o quão importante as coisas de minha mãe foram pra mim, mas ele nunca, em nenhum momento veio até mim. Agora mesmo ele permanecia lá, acovardado, esperando por ela. Ela era entendível ser uma completa idiota, mas ele era alguém que eu confiava, que eu amava.E agora eu chorava, descontroladamente e sem pausas, soluçando tanto que sentia que iria perder o fôlego. Segurando as coisas de minha mãe forte próximo ao meu coração, pensando que por algum motivo divino isso mandaria a dor embora. Se ela estivesse aqui ela saberia como me guiar através de toda esse loucura. – Ei o que está acontecendo? — ouvi uma voz, mas ignorei.– Sai daqui, me deixe em paz! — pedi ainda chorando. Bryce me levantou do chão, eu não sabia que tinha caído no chão, me sentou na cadeira e segurou meus ombros para que olhasse em sua direção, eu permanecia chorando.– Está chorando por aquela brincadeira ridícula de Stacey? Ela já fez pior, achei que fosse mais forte.– E-ela, arrui-no-nou... — falei gaguejando.– O que? — perguntou confuso, agora ele colocou as mãos em meu rosto. — Olha pra mim Charlotte, respira e me fala o que aconteceu.– E-eu o-odeio o Ben! — gritei. – O que ele fez? — disse ele ainda parecendo muito confuso. — Espera um pouco eu já volto. Eu fiquei lá no banco chorando e tentando me acalmar depois de minha cena patética, Bryce voltou com um copo de água. – Agora tome e pare de chorar como uma menininha. Eu tomei a água, a dor ainda estava la e eu ainda tinha muita energia para chorar, as lágrimas ainda desciam pele meus olhos encharcados mas pelo menos eu não estava soluçando. – Isso era, a unica foto que eu tinha com a minha mãe e a carta que ela me deixou antes de morrer. — falei. Ele me olhou e pareceu ficar em choque. – Não acredito nisso. — disse ele coçando os olhos parecendo frustado. — Como é que Stacey pode ser tão estúpida?– Ben não acreditou em mim, eu o conheço praticamente minha vida toda, ele foi no velório da minha mãe, e ele ficou do lado dela. – Ele é um bastardo inútil. — falou Bryce agora num tom irritado. Eu sequei meus olhos com a minha mão. – Eu não choro assim desde a morte dela. — falei meio que sorrindo da minha desgraça. Bryce se levantou num solavanco parecendo irritado. – Ok, vem. — disse ele me puxando pelo braço.–Oque? onde? — perguntei sendo arrastada por ele. – Vamos dar uma volta. — disse ele tirando uma chave da jaqueta de couro.
– Na sua moto? -perguntei assustada. – Sim. – Se meu pai ficar sabendo ele me mata.– Bom então que ótimo que seu pai não vai ficar sabendo.Eu revirei os olhos hesitando.– Eu não sei...Eu olho para sua moto incrível, eu adoro motocicletas. Mas meu pai nunca me deixaria ter uma alegando que é muito perigoso, até hoje nem minha carta de motorista de carro eu tirei. – Vamos lá eu posso ver seus olhos brilhando você está louquinha para dar uma volta.Eu sorri.– Ok vamos. Ele me deu um capacete, e eu subi na garupa. Fiquei um pouco constrangida, mas segurei em seus ombros.– Eu vou pegar a estrada, coloque as mãos na minha cintura e segure firme. — gritou ele, sobre o barulho do vento, meu constrangimento se dissipou quando ele aumentou a velocidade e eu segurei nele com medo de cair. – Não me aperte tanto eu sei que sou irresistível mas assim não consigo respirar. — falou, e eu afrouxei o aperto só um pouco, revirando os olhos. — E não revire os olhos pra mim, você sabe que é verdade. – E como é que sabe que eu revirei os olhos? — perguntei, também gritando sobre o vento.– As motos vem com um dispositivo bem útil chamado retrovisores. — disse ele, então vislumbrei os retrovisores e ele sorriu com seus dentes brancos para o espelho como se fosse um modelo.– Convencido. — falei.E a gente voou pela estrada, tanto que eu vi que o tempo havia passado e eu nem percebi. O passei realmente serviu para espairecer, eu senti que todos meus problemas estavam para trás, muito atrás para me importar.Até que cai na real. – Bryce, é tarde preciso voltar pra casa. — falei.– As suas ordens madame. — respondeu.Enquanto pegávamos o caminho de volta para casa meu telefone tocou, era meu pai.– Oi pai. — falei receosa. – Sete e meia, onde você está Charlotte? — perguntou.– Estou chegando. — respondi.– Espero que esteja. — falou, desligando.Fechei os olhos com força, como fechar um dia onde a sua pior inimiga te faz passar vergonha e arruína alguma coisa que ama, e seu ex melhor amigo te ''trai'' ficando do lado dela? Claro, com uma bronca de seu pai! Bem-vindos á minha vida!Depois de orientar Bryce ele parou em minha porta, sua eficiência me ajudou pois cheguei em cinco minutos depois da ligação. Tirei meu capacete e vi a porta sendo aberta. Sério pai? Não dava pra esperar lá dentro? – Acho que está encrencada. — falou Bryce sorrindo, e desceu de sua moto. – O que está fazendo? — perguntei.– Seu pai está na porta da sua casa e acabou de ver eu te deixar aqui, você me falou que se ele te visse de moto ele te mataria, ach que ele vai ficar com uma má impressão se eu dar no pé assim sem mais nem menosEu fiquei consternada. De certa forma o que ele disse fazia sentido, a situação só se complicaria se meu pai pensasse que eu estava me tornando uma rebelde.Fomos em direção ao meu pai que estava na porta, e fuzilava Bryce com os olhos, até me assustou.– Isso é hora de chegar Charlotte? — pergunta ele desviando o olhar pela primeira vez de Bryce para mim.– Pai eu não sabia que estava em casa. — me arrependi logo depois de falar, não foi uma boa resposta. – Ah não, porque se eu ainda chegasse mais tarde eu não saberia que estava por ai na garupa de uma moto? — falou ele em um tom calmo, não gostava de meu pai com esse tom, preferia ouvi-lo gritar. – Éér... Senhor Cooper, me desculpe eu levei Charlotte para dar uma volta. Meu pai olhou para Bryce com um olhar frio, não queria estar na pele dele. – Eu não me lembro de ter me referido a você ainda garoto. — falou meu pai, nossa agora ele estava sendo realmente rude. – Entre pra dentro Charlotte. Eu olhei para Bryce.– Mas pai...– Entre! — pediu. Eu nem pensei duas vezes antes de entrar. Eu achei que ele iria fechar a porta na cara do Bryce mas ele parecia falar alguma coisa com ele. Eu ouvia uma palavra ou outra as vezes formulando uma frase. Quando eu ouvi o nome de Ben eu gelei, que diabos Bryce estava falando. Meu pai não fechou a porta na cara de Bryce, era um bom sinal. Ele me vislumbrou e seu olhar parecia mais calmo. – Sente-se! — pediu, e eu o fiz na mesma hora. — Deixe-me ver. — falou estendendo a mão.Eu fiquei confusa.– Ver o que? — perguntei.Ele me olhou, e em seu olhar eu percebi. Maldito Bryce, ele havia contado! Vacilante eu entreguei a foto que estava com a carta, a mancha azul permanecia la, agora totalmente seca. O nó na garganta havia voltado, será que ele está decepcionado? Ele abriu a carta e estava tudo arruinado, eu fechei os olhos com força. Não!– M-me desculpe pai. — falei sem conseguir mais aguentar. As lágrimas saiam de meus olhos espontaneamente. — E-eu não queria, eu deixei lá, m-más eu não sabia que isso iria acontecer! — falei. — Foi ela, aquela... ela jogou tinta em mim! Ela arruinou tudo! — solucei. Quando fui perceber estava nos braços de meu pai chorando como uma criança. Quando minha mãe morreu meu luto e de meu pai foram separados, até no velório, nós preferimos permanecer distantes, mas agora eu estava feliz que eu tinha ele. – Desculpe pai, eu não queria te decepcionar. — falei. – Não, não, não. — disse ele acariciando minha cabeça. — Você não me decepcionou, você nunca me decepciona, você é a minha princesinha e sempre será, eu te amo Charlotte. — disse ele, agora segurava meu rosto com as duas mãos.– O mais importante que sua mãe lhe deu ninguém pode tirar, isso são coisas materiais. — disse ele segurando a carta e a foto. — Tenho certeza que sabe de trás pra frente o que estava escrito naquela carta, e sua mãe, juntamente com suas palavras, nunca poderá ser apagada de sua mente. – Eu achei que você ia ficar irritado. — falei. – Bom eu estou, não gostei de ter ver na garupa da moto de um garoto desconhecido. — falou, e eu bufei revirando os olhos. — Ele me disse que estuda na sua escola, isso é verdade?– Mas é claro pai! — falei, onde mais eu o teria conhecido?– Ele parece mais velho, não a quero envolvida com caras mais velhos. Eu fiquei quieta mas meu olhar falava tudo.– Ele é mais velho? — perguntou meu pai. – Bom, eu sei que ele reprovou um ano. Meu pai respirou fundo. – E Ben? — perguntou. — O que aconteceu com ele?Não tive problemas em contar tudo o que aconteceu com meu pai. Não queria Ben com aquela cara de tacho dele fingindo que estava tudo bem entre nós.– Decepcionante. — falou meu pai. — Pensei que o garoto era inteligente.– Pois é, também, mas eu vou superar. – Está superando muito mal, não quero você em garupas de motos. – Tudo bem, pai. — falei subindo as escadas desanimada. – E vai jantar. Eu parei nas escadas. – Eu comi com o Bryce, a gente passou na lanchonete.Meu pai revirou os olhos. Eu nunca vi meu pai revirar os olhos. – Comeu com o Bryce, ok, vá dormir. Eu sorri. – Você está com ciúmes? Ele me vislumbrou.– Eu sou o seu pai, se eu quiser eu posso estar irritado com um garoto mais velho trazendo minha filinha pra casa em uma moto, e levando ela pra comer nos lugares. Não quero você comendo porcarias já falei.– Aiii pai, admita que está com ciúmes! Não se preocupe, não vou te abandonar seu chorão. — falei brincando. Ele me olhou, seu olhar transparecia alguma coisa. Até que ele se levantou e saiu correndo atrás de mim. Eu tentei correr mas ele me pegou nos ombros.– Me solta pai. — falei gargalhando.– Espaço nave 7 chamando terra. — papai falou imitando um robô, a não essa brincadeira não. Eu amava brincar disso quando era criança. — Direção, senhora? — perguntou meu pai.Eu bufei, não ia entrar na brincadeira.– Direção, senhora? — perguntou meu pai gritando, e ainda parado.Então eu cedi.– Camaaaaa! — gritei. E ele saiu correndo até meu quarto me derrubando na cama violentamente, como eu adorava quando ele fazia isso, por um momento me senti uma criança novamente, brincando de espaço nave com meu pai enquanto minha mãe ria das nossas traquinagens. – Boa noite, terráquea. — falou meu pai saindo do meu quarto. – Boa noite, pai. — falei. E depois de alguns minutos encarando o teto, eu cai no sono.
Fale com o autor