Maipetto no Neko

60 Capítulo 60 - Pantera


Notas iniciais
OIEE!!! Eu sei q eu disse q eu ia postar o capítulo semana passada mas......... pra ser sincera eu realmente esqueci o_O hahahahaha Também fiquei com muito pouco tempo, e agora arrumei um cadinho de liberdade p postar mais um cap. p v6 o/ Como eu disse antes, a história era p se encerrar no cap. 60, mas eu me empolguei tanto, q eu acredito conseguir fazer mais uns dois p v6 não morrerem de saudade tão cedo da fic ;) Aproveitem e boa leitura amores!!!

Maipetto no Neko

Capítulo 60 – Pantera

Novos sons altos alastraram-se pelo prédio e o silêncio mórbido da empresa havia sido quebrado. Aizen percebera que havia algo de estranho, momentos antes em que as luzes se apagaram deixando apenas os postes da rua acesos.

Contornou sua mesa procurando pela arma presa debaixo dela. Tateou um lado e depois outro, mas não encontrou nada. Franziu o cenho voltando-se para trás.

Gin não estava lá.

Grimmjow continuava dentro da gaiola sobre a mesa. Imóvel, ainda sem forças. Aizen pegou a haste dela mantendo seu precioso bem junto dele. Andou pela penumbra da sua sala lembrando-se do local de cada móvel. Da grande janela atrás da cadeira de veludo a luz da lua batia iluminando parcamente o ambiente. E ao chegar ao centro do cômodo Aizen viu o brilho prateado do revolver apontando em sua direção.

– Então é você.

Disse esticando um sorriso nos lábios. Não esboçava felicidade pelo o que via, mas sim admiração, pois poucas eram as pessoas que conseguiam se esconder tão bem de sua vigia, de seus olhos. Poucos eram aqueles que conseguiam contornar suas vontades. Então sim, ele estava admirado com aquela presença ali segurando tão friamente o gatilho da arma.

– Não sabia que se esgueirar pelas sombras fazia seu estilo. — brincou ele.

A boca farta atrás da arma se esticou imitando o sorriso de Aizen:

– Tem razão, não é meu estilo, é o seu.

Replicou dando um passo à frente deixando a pouca luz revelar melhor sua silhueta bem definida.

– Então, eu deveria ficar surpreso? — indagou Aizen.

– Acharia uma decepção se você ficasse; Sousuke.

Sorrindo outra vez ele apoiou as costas na mesa cruzando uma das pernas.

– Eu sabia que Gin não conseguiria fazer. — disse calmamente.

– Mas o mandou mesmo assim, não é?

– Você conhece o ditado: mantenha os amigos perto e os inimigos mais perto ainda. Senhoria Rangiku.

Os olhos claros da loira tremeram sem compreender muito bem até onde ia a esperteza de Aizen, ou seus conhecimentos.

– Oh, não fique tão surpresa. — disse – Eu sabia há muito tempo da relação de vocês dois. Você e Gin se conhecem desde pequenos, mas viviam se separando. Lares adotivos, não é mesmo?

– Você sabe bastante da minha vida.

– Tento me manter informado. — retrucou – Você entrou para a polícia: agente especial. Um título Invejável. Já Gin, continuou na encolha, fazendo trabalhos tanto honestos quanto ilegais, servindo de informante a antiga namoradinha. Mas eu realmente pensei, no início sabe? Que ele estava do meu lado.

– E agora? — indagou a mulher.

– Agora fico feliz de ser tão precavido. Não é mesmo Gin?

O nome ecoou pela sala e antes mesmo que Matsumoto pudesse o impedir, Gin emergiu das sombras portando um colchi branco.

– Sim senhor Aizen, o senhor é mesmo bastante precavido. — falou mostrando os dentes com a arma firme na mão.

– Gin, você devia estar fora do prédio! — falou a mulher começando a ficar nervosa.

– Vai acabar rápido, não se preocupe.

– Sim, isso vai.

As palavras de Aizen soavam como uma ameaça. E eram.

Da parte interna da manga de seu paletó uma pequena pistola surgiu sendo apontada na direção de Matsumoto. A mulher havia se distraído, não tinha tempo de reagir.

Gin poderia dar o tiro. Aizen estava na mira. Assim como Matsumoto estava na dele. Precisava de um disparo. Mas Aizen seria mais rápido. Ele sempre era. Jogando o corpo para o lado tudo o que pode fazer foi receber o disparo no peito, enquanto Rangiku via, atônita, Gin cair no chão diante dela – sangrando.

– Gin!

Exclamou ajoelhando-se ao lado dele. Largou a arma pressionando as dumas mãos sobre a ferida pulsando o líquido vermelho, e então ele veio. Um chute forte, uma única pancada no meio do queixo o abrindo e a deixando inconsciente sobre o corpo do homem raposa. Aizen pensou em dar o último tiro, porém achou melhor não. A pistola em seu paletó tinha apenas mais seis balas. Precisava as guardar bem. Apenas se afastou da cena puxando o celular do bolso.

– Alô? Aqui é Aizen Sousuke. Gostaria do meu helicóptero, por favor. Agora.

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– Isso foi um tiro?!

Ichigo exclamou a Renji e Rukia com a expressão séria.

– Vamos nos apressar!

Alertou a baixinha, porém todos estavam visivelmente cansados da subida. Faltavam apenas mais doze lances, doze longos lances de escada e chegariam ao seu destino.

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– Direita!

Inoue gritou enquanto Ishida lançava uma nova bombinha na direção dos guardas.

– Esquerda!

Outra explosão moderada.

– Frente, frente, FRENTE!!!

Gritou quase caindo em cima do amigo. Dois guardas estavam se aproximando, mas o quatro olhos conseguiu lançar a bombinha em cima deles. O cálculo foi preciso. Com o pavio já aceso só precisou esperar o momento certo e pronto. Ela explodia no instante certo.

– Bom trabalho Ishida-kun!

Ele sorriu com o elogio da amiga ficando sério depois.

– Ainda temos companhia.

Disse vendo o novo grupo de guardas se aproximando, dessa vez carregando os porretes em riste. Inoue procurou pelos fósforos já ascendo alguns projéteis e os jogando contra eles. Mas eles não mais se intimidavam, ainda continuavam a avançar.

– Ah! Ishida-kun e agora?! — exclamou jogando os braços para cima e correndo aleatoriamente.

– Vamos usar aquilo.

A garota parou. Seu olhar brilhava como o de uma criança com más intenções.

– Vamos... Usar mesmo Ishida-kun?!

Disse vendo a confirmação do amigo. Os guardas continuavam vindo pelo longo corredor gritando e os mandando pararem. Mas toda a coragem do grupo se desfez depois.

Das costas de Inoue Ishida pegou um grande saco preto, o armando em cima do ombro. A garota riscou o fósforo ascendendo o pavio e então o mistério de desfez. Puxando o saco para o alto Inoue revelou um pequeno foguete – grande o bastante para criar um arco-íris de fogos de artifício e pequeno demais para causar um estrago maior do que algumas queimaduras leves.

– Fogo!

A garota gritou e o míssil seguiu girando em espirais precisas na direção dos guardas. Não havia para onde correr ou fugir e tudo o que eles puderam fazer foi esquivar-se do enorme foguete, vendo o impacto acontecer no chão a poucos metros, enquanto as luzes e as faíscas faziam um estrondoso barulho e iluminavam o térreo com algo parecido com o ano novo.

Ishida levantou-se do chão cerrando o punho e o esticando para o lado recebendo o toque da mão fechada de Inoue o cumprimentando.

E então a nova leva de seguranças enraivecidos veio, juntando-se a aqueles que podiam se levantar da poeira do foguete – ainda com os rostos chamuscados e pretos de fuligem.

– Roud dois.

Falou Ishida e os dois continuaram a correr pelo saguão da empresa.

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– Neriell-san, e então?

– Calma Chad, falta pouco!

A mulher continuava a copiar velozmente os arquivos do computador da sala de arquivos. Inúmeras contas fantasmas, casos não solucionados, porém com o pagamento efetuado, todo o tipo de suborno que poderia se imaginar escondido entre as linhas de um documento. Ela sorria a cada nova folha copiada dentro do pendrive. Já estava em oitenta por cento quando o som de passos surgiu no corredor. Chad ficou próximo à porta enquanto Neriell escondeu-se no meio de alguns armários. Dois feixes de luz apareceram pela parte debaixo da entrada e depois dentro da sala quando a porta se abriu. Ao perceber o computador ligado os dois seguranças foram até ele vendo a cópia ilegal ocorrendo, já prontos para desconectar o aparelho da tomada acabando com todo o trabalho de Neriell. Antes disso, porém, os enormes braços de Chad formaram uma sombra sobre os dois. Os guardas se viraram devagar apenas tendo tempo de dar um último grito de pavor antes de ver as enormes mãos de Chad segurarem suas cabeças batendo uma na outra e os desmaiando de imediato.

Neriell assistiu a cena perplexa, passando devagar por cima de cada um dos desmaiados guardas, tornando a se sentar na frente do computador.

– Me lembre de morrer sua amiga.

Comentou ouvindo um sutil riso do grandalhão.

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– Trigésimo andar, enfim!

Rukia exclamou arfando pesadamente. Renji acompanhava sua respiração descompassada, enquanto que Ichigo seguia em frente, suado e exausto, mas longe de vencido.

– Vamos até a sala dele! – exclamou tomando a dianteira.

– Quanto tempo Renji? — perguntou Rukia

– Quatorze minutos!

Ichigo começou a abrir todas as portas possíveis. Estavam com pouquíssimo tempo. Renji e Rukia faziam o mesmo, mas nenhum deles tinha sorte. E então uma fraca luz vindo do final do corredor despertou a atenção deles. Foram o mais depressa possível até ela empurrando a porta semiaberta e encontrando o corpo de Matsumoto estirado no chão.

– Meu deus!

Exclamou Rukia indo até ela.

– De quem é esse sangue todo? — perguntou Renji – É dela?!

– Acho que não. — comentou Rukia – Apenas o queixo está ferido, e mesmo sendo uma área sensível, nunca ia sair tanto sangue assim.

– Quem é ela? — indagou o tatuado.

– Amiga da Neriell. — respondeu Ichigo – Mas ela deveria estar morta...

– Supostamente você também. — interveio a Rukia.

Enquanto a baixinha cuidava de limpar a ferida de Matsumoto, Renji pressionou o fone chamando por Neriell.

– Ei, nós encontramos sua amiga! — falou.

– Ela está bem?!

– Sim. Inconsciente mas bem.

– E Aizen?

Renji encarou Ichigo vendo a expressão de desanimo nele. Bufou tornando a pressionar o fone:

– Nada. Ele não está aqui.

Neriell ficou em silêncio por algum tempo, pensativa, antes de tornar a falar:

– O telhado! Aizen deve fugir pelo telhado!

– Pelo telhado? Mas como? — retrucou Renji.

– Ele tem um helicóptero particular. Depressa, vão atrás dele antes que seja tarde demais!

– Um helicóptero?! Que maravilha! — desligou o aparelho voltando-se a Rukia – Ei vamos ter que ir até o telhado.

– Vá na frente com o Ichigo. Vou ficar aqui com ela e chamar uma ambulância.

– Acha mesmo que uma ambulância é uma boa ideia?

– Não podemos deixar ela aqui inconsciente sangrando. E depois, com os arquivos que a Neriell conseguiu, nós vamos conseguir explicar tudo com mais calma. Agora vai!

– Certo. Ichigo nós...

Olhando pela escuridão da sala o tatuado percebeu que ele não estava mais lá.

– Pra onde ele foi?! — indagou Renji.

Rukia estalou a língua dizendo:

– Aquele apressado! Foi só nos ouvir falando e foi na frente!

Arregalando os olhos Renji disse enquanto saía do escritório:

– Fique aqui! Eu vou chegar até ele!

Chamando os demais pela frequência do rádio, Rukia os avisou do que estava acontecendo. Tentou também pedir a Ichigo que esperasse por Renji, mas o garoto apenas a ignorou desconectando o aparelho. Aizen era dele.

Até o telhado existiam mais cinco andares. Aizen os atravessava calmamente quando ouviu as primeiras passadas rápidas ecoando. Sem pensar duas vezes apontou a arma para os degraus abaixo dando o primeiro tiro de alerta. A correria parou e ele deu-se por satisfeito tornando a subir as escadas. Mas bastou virar de costas e outra vez vieram eles, os passos, pé ante pé vindo depressa querendo o alcançar. Esperou até que a face de seu perseguidor aparecesse deixando o dedo repousado no gatilho. Tinha tudo pronto, porém, no último segundo, vacilou.

O que viu ali diante dele fora um fantasma, uma coisa que deveria estar morta, um empecilho que ele mesmo tinha dado cabo.

– Você... — sibilou ficando surpreso novamente.

– Grimmjow!

A voz veio feito um trovão. O felino encarcerado podia jurar que era um sonho. No seu estado entorpecido aquela voz, aquele timbre só podiam ser suas delírios ganhando forma. Ichigo estava morto, e ele nunca mais o veria, nunca mais ouviria a voz dele... Queria poder acreditar nessa fantasia. Sim, se entregar a ela e dormir, enfim, com a feliz ideia de ter Ichigo de volta. Seus olhos mareados começaram a se fechar procurando acalento num sono denso e definitivo. Mas então ele ouviu outra vez, acordando seu minúsculo corpo acuado. O som rouco reverberou pelo nada daquelas escadas enchendo o lugar com as lembranças de Ichigo. Grimmjow forçou-se a se entregar ao devaneio de novo. Contudo o que lhe deixou perplexo não foi pensar que uma espécie de loucura tinha se apossado enfim dele, mas sim a visão turva de Aizen, um Aizen confuso e aterrorizado, olhando para baixo, mirando a arma contra algum inimigo.

E quem seria esse inimigo tão desafiador a ponto de fazer Aizen franzir o cenho, demonstrando algo que ele nunca havia visto nas expressões dele: revolta, angústia e acima de tudo, um ódio letífico.

Forçando as pálpebras a ficarem abertas, o gato branco virou o fraco pescoço para o lado tentando enxergar através das grades quem era essa pessoa, quem desafiava Aizen?

As íris se arregalaram no instante em que a imagem distorcida ganhou feitio. Ali parado, apoiando uma das mãos na escada estava uma sombra, uma memória sua, que ele jurava ser apenas fruto da imaginação cansada. E se fosse assim não havia motivos para o alarde de Aizen, contudo, ele se decompusera. E esse fora o sinal, a deixa que precisava para afastar todas as mentiras, toda a enganação de Aizen para cima dele. Grimmjow precisava dominar seus medos, sua revolta e por no lugar os pensamentos, pois aquele ali, diante dele, era Ichigo! Vivo! Por Deus! Ele tinha vindo atrás dele!

Reagir, vamos, ele precisava reagir! Movam-se músculos! Mova-se corpo miserável ao qual estava preso! Mova-se e vá até ele! Vá até Ichigo!

Nessa fração de segundo em que todas essas suposições e palavras corriam na mente de Grimmjow Aizen estalou a língua tornando a apontar a arma na direção do garoto. Arregalando os olhos felinos, o gato se balançou na gaiola juntando todas as forças ainda restantes. O movimento repentino atrapalhou Aizen – outra vez. O tiro parou na parede ao lado da cabeça de Ichigo o forçando a recuar.

Bufando, Aizen tornou a fazer a subida dessa vez acelerado, pois estava ouvindo o som da hélice do helicóptero chegando.

Depois de certificar sua segurança, Ichigo voltou a subir as escadas, sem deixar de se preocupar com os possíveis atentados à sua vida. Ouviu o som alto de uma porta pesada batendo e então teve certeza de que Aizen tinha chegado ao telhado. Correu mais depressa ainda obrigando as pernas a fazerem esforço redobrado, e então, quase sem fôlego, empurrou a porta dando um forte impulso. Abriu os braços no movimento, ouvindo os tiros, repetidos, um atrás do outro, batendo contra seu peito, acertando em cheio os pulmões, coração e abdômen.

O ruivo arregalou os olhos. Caiu de joelhos no chão vendo à pequena distancia que o separava de Aizen. Perto, estava tão perto dele!

A gaiola se agitou outra vez nas mãos dele. Aizen tentava controlar a ira de Grimmjow, porém o felino estava ensandecido. De novo não, não, não e não! Ele não podia ter feito isso de novo! Não outra vez! Quatro, quatro tiros! Ichigo fora atingido às quatro vezes! E estava caído! Tinha sido levado ao chão! Aquilo não podia estar acontecendo! Era um pesadelo! Um pesadelo! Saber que ele estava bem para apenas o perder de novo?!

O som alto do helicóptero fez com que Aizen desse às costas ao corpo inerte do ruivo. Guardou o revolver de volta na manga do paletó andando na direção do embarque apenas aguardando a grande máquina de metal pousar e o levar a sua nova vitória. Mesmo com estes ardis, mesmo com as falsas certezas ele havia sido o vitorioso. Sorriu ajeitando a gravata, e foi quando o peso de algo batendo contra suas costas o levou ao chão.

A gaiola saltou quicando no piso acinzentando do telhado e quando Aizen esticava o braço para tentar recuperá-la sentiu um soco empurrando sua face para o lado. Momentaneamente desnorteado agarrou a blusa do seu agressor o empurrando de cima dele enquanto ia ficando de pé.

Ichigo o encarava com os botões da camiseta aberta mostrando um colete à prova de balas.

– Não vou cair no seu truque sujo duas vezes seguidas, Aizen!

Gritou ao terminar de remover o colete – pois estava pesado — fazendo com que Aizen o encarasse. Ele soltou uma alta gargalhada ajeitando o cabelo para trás dizendo, ainda com os lábios esticados:

– Você é mesmo um rapaz interessante, Kurozaki Ichigo! Se eu soubesse da sua persistência teria feito outras coisas muito interessantes com você.

A insinuação deixou o ruivo com nojo do homem. Nunca mais queria ser tocado por outra pessoa que não fosse Grimmjow, e nem ele queria tocar em outras. A não ser nesse caso especial em que queria arrebentar a cara de Aizen.

Da porta do telhado os dois ouviam altas batidas e a voz familiar de Renji do outro lado os chamando. Estava travada e ele não conseguia a abrir mesmo batendo contra ela com toda sua força.

– Somos só nós dois. — falou Ichigo.

– Perfeito.

Sibilou movendo os lábios junto do sorriso que adornava sua face quase sempre. Ichigo o encarou sem esboçar nenhuma reação, mantendo no rosto o olhar de ódio que tinha daquele homem. E nessa breve troca de gestos e afronte, a respiração dos dois parecia ritmada nos mesmos segundos. Um vento gelado cortava a noite e no topo daquele prédio escuro, no meio daquele blackout, esses dois homens que podiam observar os quatro cantos da cidade de cima daquele telhado, sabiam que antes do sol raiar só um deles sairia dali.

Um novo vento ergueu-se e indo para cima do homem engravatado o ruivo preparou um soco certeiro. Isso se Aizen não tivesse esquivado lhe retribuindo a ação com um chute na barriga. Tossiu indo para trás se defendendo de outros dois golpes como pode, mas a potência dos socos marcava sua pele com manchas vermelhas quase que de imediato.

– O que foi? — perguntou Aizen dando novos socos — Achou mesmo que seria assim tão fácil?

Ele se preparou numa posição de luta pondo um dos pés para frente enquanto o restante do corpo protegia-se num bloqueio, uma posição que Ichigo conhecia bem. Esse desgraçado parecia um demônio, com tantas artimanhas e truques, e ainda mais essa!

Bufando, Ichigo se concentrou tornando a golpeá-lo, mas toda vez que tentava sentia o soco atravessar o ar ou ser parado por Aizen, enquanto ele recebia a maioria dos golpes certeiros, atingindo seu peito, costelas, e barriga, o deixando com náuseas e falta de ar.

Grimmjow estava tonto. A brusca queda e o reboliço da gaiola o fizeram bater em todos os cantos delas conforme caía, e seu corpo debilitado não teve tempo de se acostumar com a repentina movimentação. Só notou a grade entreaberta minutos depois de se recuperar da tontura. Ouvia sons de batidas, um helicóptero ao fundo, os risos de Aizen e a voz de Ichigo, praguejando. Sacudindo a cabeça o felino se esgueirou pela pequena fresta, sua única chance de liberdade, saindo devagar da prisão, ficando finalmente livre para assistir Aizen chutar e socar Ichigo.

Sua raiva foi instantânea. Esquecendo-se do cansaço e da dor o pequeno animal correu pelo telhado indo na direção dos dois.

Ichigo tentava como podia evitar os golpes de Aizen. Conseguia o fazer da maioria, porém os poucos o acertando causavam um estrago imenso. Em primeiro lugar porque ainda estava se recuperando do tiro abaixo do seu ombro – onde Aizen gostava bastante de mirar. E em segundo porque Aizen era forte, não apenas fisicamente, mas sua técnica era impressionante! Seus braços doíam, as pernas ardiam e seu ombro começava a sangrar outra vez tendo os pontos cedendo ao serem atingidos. Mas o ruivo sabia, só tinha de ter uma brecha, e conseguiria provocar o mesmo estrago nele.

Pensou no que poderia fazer. Talvez enganá-lo com uma troca de pés? Mas não, ele seria muito estúpido se caísse numa jogada tão velha. O que Ichigo precisava fazer era ir pra cima dele com tudo o que tinha. Segurando a respiração o ruivo concentrou os golpes acelerando seus braços. Ordenava a cada articulação, cada membro, que se estendesse até Aizen e o atingisse.

Contudo, ao invés disso, a vitória lhe escapava pelos dedos feito vento. O soco pairou no ar enquanto via seu cotovelo ser envolto pela mão de Aizen, que o girou rapidamente para o outro lado estalando seu osso. Ichigo gritou querendo aproveitar a proximidade deles para lhe dar um chute, e novamente frustrou-se. A perna no meio do ar foi levada para trás junto de seu corpo ao receber o potente chute no peito. Cambaleou querendo manter-se de pé, porém a falta de oxigênio era imensa. Parecia que haviam lhe arrancado dos pulmões deixando apenas uma sacola velha e desgastada que não se enchia.

Cuspiu sangue sentindo o ferimento do ombro queimar com o líquido carmesim jorrando depressa. Seu cérebro mandava a adrenalina correr em suas veias, mas ainda assim ele acreditava que não teria chance alguma contra Aizen.

Tudo doía até mesmo seus ossos pareciam cansados, feito vidro rachando, com vontade de cair e espatifar-se, acabando com todas as suas esperanças. Pensava em Grimmjow, no que fizera passar por sua causa, por sua estupidez ao confiar em Aizen quando sabia que devia ter contado tudo a ele. Queria tanto livrar Grimmjow de seus problemas que acabara criando um maior ainda. Reconhecia seu erro, reconhecia sua mais terrível falha, contudo, não deixaria tudo acabar assim. Ia fazer Aizen pagar.

Foi então que seus olhos enxergaram o gato branco saltando na direção de Aizen, chegando perto o bastante de seu rosto para lhe dar um arranhão. A surpresa fez com que ele esticasse o braço para o lado jogando Grimmjow longe. A abertura estava feita.

Um soco, dois socos, três, quatro! Tal como os tiros de Aizen, Ichigo o atingiu nos mesmo pontos, fazendo os pés dele recuarem. O vento forte causado pelo helicóptero pesava a vista, no entanto Ichigo continuou, lançando socos e até mesmo chutes, sem dar tempo, sem dar espaço a uma nova chance de Aizen triunfar, ficando satisfeito apenas quando viu o homem cair de joelhos dando uma cuspida de sangue no chão. Ele mal se movia com ambas as mãos segurando a barriga, querendo evitar um vômito. Respirando acelerado, o ruivo voltou suas preocupações à Grimmjow. Ele havia sido arremessado com bastante força.

Indo até ele Ichigo se abaixou apanhando o pequeno corpo do felino e o ajeitando entre os braços. Estava com uma leve abertura avermelhada acima dos olhos, mas nada muito sério.

– Grimmjow...

Balbuciou o garoto com a voz trêmula, acariciando os pelos do gato na altura da frágil orelha. Abrindo devagar os olhos azulados, ele mal podia acreditar naquilo: o rosto de Ichigo, tão perto, tão real. Estava vivo, vivo e ao seu lado outra vez! Queria o tocar, o abraçar, o envolver! E quando sabia ser impossível fazer isso no seu estado atual, esticou a língua felina para fora lambendo a ponta do nariz do garoto. Ele riu abraçando-o com mais força ainda. Nisso o brilho multicor da joia ainda atrelada à Grimmjow chamou sua atenção. Envergando as sobrancelhas numa feição séria ele puxou a fivela da correia retirando a esfera colorida de perto dele. O alívio no pescoço do animal foi instantâneo.

– Vamos embora agora, okay Grimmjow?

Disse preparando-se para se levantar. Os sentidos falharam no mesmo instante. O rosto ardeu e sua cabeça foi para trás, porém, ele não soltou Grimmjow, pelo contrário: o protegeu contra seu peito evitando que os novos golpes de Aizen os atingissem. Ele veio ensandecido, aparentemente recuperado dos ataques de Ichigo e com força o bastante para lhe causar uma grande tontura. O ruivo deitou no chão escorado numa posição fetal mantendo Grimmjow dentro do espaço seguro de seus braços, enquanto as costelas e as costas eram massacradas pela ponta do sapato de Aizen.

O felino grunhiu amedrontado ao ver as expressões de aflição do ruivo, sabendo que era por sua causa que ele estava sofrendo assim. Tentou se desvencilhar do abraço de Ichigo, no entanto o garoto não o permitiu, não deixaria que Aizen o pegasse outra vez! Receberia quantos chutes fossem precisos, sangraria, quebraria todos os ossos do corpo, mas jamais abandonaria Grimmjow novamente.

– Reaja! — Aizen gritou com outro chute – Você queria o meu pior, aqui está!

Exclamou golpeando-o de novo e de novo. Nisso, respirando fundo, Aizen afastou-se alguns passos do ruivo ouvindo a tosse rouca dele seguida das salivadas de sangue. Ah sim, ele havia danificado o garoto. Ele não ia conseguir se levantar por um bom tempo. O helicóptero chegou perto o bastante para iluminar o telhado escuro. Aizen tratou de jogar os cabelos para trás tornando a compostura anterior ao alinhar o terno. Sentiu o canto da boca seco limpando resquícios de sangue dali. E então sorriu.

– Sinceramente Kurozaki Ichigo eu não esperava ter tanto trabalho por causa de um ser inútil como você. — disse prendendo a gravata – Mas devo admitir, foi divertido. Eu precisava desse último empasse antes de conseguir meu trono. Isso soa quase como um épico! Não acha?

Em resposta Aizen escutou uma nova tosse vinda do ruivo vendo-o agora se arrastar vagarosamente para longe dele. Enxergou o pelo branco do gato por entre os dedos do garoto e então desceu o corpo, enfiando a mão em seus cabelos laranja os puxando. A cabeça foi obrigada a ir para trás. Ichigo cerrou os olhos com a nova dor, tornando a apertar Grimmjow contra seu peito.

– Vamos, já chega desse joguinho. Solte este animal agora, e talvez eu pense em te matar rápido.

– N-nunca! — gaguejou com as forças que tinha.

Ele puxou mais ainda os cabelos e o ruivo urrou de dor. O gato rosnou mirando Aizen com uma raiva sem igual. Em retorno viu os dentes largos daquele maldito homem.

– Você realmente é uma pessoa interessante, Kurozaki. Fico excitado só de pensar o quanto você aguentaria sofrer em prol deste animal aí...

Aproximando a boca do ouvido do ruivo ele tornou a falar passando de leve os lábios por ali:

– Sabe, posso até mesmo pensar em te deixar vivo... – sua língua saiu lambendo o lóbulo do garoto – Posso te fazer o meu próximo brinquedinho...

Pavor. Um calafrio percorreu a espinha de Ichigo. Não conseguia nem ao menos conceber essa ideia; de Aizen o usando das maneiras que quisesse, o torturando como fizera. Precisa sair dali, imediatamente! Contudo, se fugisse no seu estado deplorável, correria o risco de perder Grimmjow, pois tinha certeza que suas energias estavam o abandonando a cada segundo. Mas se ficasse... Se ficasse os dois seriam subjugados por esse maldito homem.

– O que me diz Kurozaki...

Puxando ainda mais o cabelo de Ichigo, Aizen percorreu a língua por seu maxilar sentindo o sabor de ferro do sangue ali.

– Prometo, que se você for bonzinho, te deixarei ter uma bela recompensa...

A boca sorridente aproximou-se do pescoço o mordendo. Grimmjow assistia a cena sem acreditar. Perplexo, nem mesmo o rosnado saía. Suas garras arranhavam os braços de Ichigo procurando sair de seu aperto, querendo destroçar Aizen, porém o garoto jamais o deixaria se arriscar. Era uma tortura, ver o ruivo ferido, sendo abusado por Aizen outra vez... Iria mata-lo, puxar seus braços devagar os desgrudando do corpo. Os olhos de Grimmjow tremiam em puro ódio imaginando a cabeça de Aizen pairando no ar, distante do corpo, sem aquele sorriso desprezível no rosto.

Ichigo, igualmente, sentia nojo daquele toque e mais ainda por ter de permiti-lo, do contrário deixaria Grimmjow revelado. Usava suas forças restantes para mantê-lo nesse casulo protetor, longe de Aizen, longe do que ele sabia ser o terror em pessoa.

Terminando de se deleitar com a cútis branca – e maculada – do pescoço do garoto, Aizen subiu a boca até a dele dizendo próximo a sua face:

– Posso fazer muito mais do que Grimmjow; isso eu garanto.

Os olhos do ruivo de abriram com o susto e o desconforto de ter as melenas repuxadas. Enquanto isso, ele deslizava a outra mão sobre as costas de Ichigo, sentindo nos locais onde havia o atingindo, apertando os dedos sobre aquelas feridas abertas, ouvindo os urros de dor do garoto. As costelas queimaram ao toque cruel de Aizen. Ichigo sentia seu vigor o abandonar cada vez que um ponto dolorido era pressionado, deixando seu corpo à disposição dele; sendo compelido a permitir essa invasão.

Os lábios foram envoltos pelos de Aizen, e ele depositou um pesado e duro beijo sobre eles, forçando a entrada da língua na boca. Os pulmões de Ichigo se esvaziaram, e ele não conseguia respirar. Puxou Grimmjow ainda mais para si, sentindo medo pela primeira vez quando Aizen continuou a macular os machucados de seu corpo, mas dessa vez desceu até o meio de suas pernas.

Soltando sua boca num estalo, o ruivo puxou o ar que conseguiu antes de se contorcer na tentativa fracassada de resistir o toque de Aizen. Ele por sua vez arrastou os dedos por sua calça pondo-os na barra do tecido na parte de trás. Puxou o jeans pressionando a mão em cima do ponto sensível do garoto, vendo as expressões de raiva nele misturarem-se com a sensação de agonia e desespero. Aizen sorriu deleitando-se com isso.

– Ah! Lembro-me muito bem disso.

Sussurrou tornando a por a boca sobre a do garoto, ouvindo os gemidos de terror escapando abafados dele. Depois, em meio aos crepitar do sinistro beijo, tornou a falar:

– Eu ainda lembro como você se remexeu naquele dia ao tocá-lo aqui. – tornando a mover seus dedos ele sentiu o reboliço de Ichigo — Ah! Eu devia ter feito muito mais antes de te dar aquele tiro!

Rindo, Aizen deixou um dos dedos entrarem em Ichigo, e ele por sua vez gritou querendo ir embora dali, querendo socar Aizen pelo o que fazia com ele. Não, não queria aquilo! Não podia ser assim! Ele detestava esse contato frio, esse toque apavorante tentando o dominar! “Grimmjow”! Berrou em sua mente em busca do acalento das lembranças dele. Mas não, ele não podia se entregar assim! Estava saturado daquilo! Quem deveria proteger a Grimmjow era ele! Sim, dessa vez não podia se dar por vencido com tão pouco! Não estando tão perto!

– O que acha Kurozaki? – o home tornou a falar segurando firmemente seu cabelo – Posso ser uma pessoa razoável, até sou capaz de esquecer nossas desavenças.

Aizen achegou a boca próxima a do ruivo outra vez. Esticou os lábios em meio ao beijo, pois sentia menos resistência do garoto, mas então recuou erguendo-se, pondo a mão em cima da boca. A língua ardia, enquanto um filete de seu sangue escorria por entre os dedos. A mordida havia deixado a carne inchada e dolorida.

– Não... Toque mais em mim...

A voz rouca de Ichigo misturou-se ao seu olhar de fúria, deixando Aizen paralisado por alguns instantes. Porém o ruivo sabia que muito ainda podia acontecer. Prevendo o novo golpe, espremeu Grimmjow entre os braços ouvindo a explosão do eco na barriga com o novo chute. O estômago revirou e Ichigo quase perdeu os sentidos, podendo ver Aizen se ajeitando na sua compostura reservada.

Limpando o canto da boca, falou terminando de por os fios do cabelo castanho para trás:

– Pois bem vamos terminar isso de uma vez.

Aizen puxou de dentro do bolso uma pequena bainha negra e uma lâmina reluzente repousou sobre a palma de sua mão.

– Não gosto de utilizar métodos brutos, mas já que não tenho outra escolha.

Ichigo arrastou os joelhos para trás querendo se aproximar da porta onde Renji ainda batia, porém seus movimentos pareciam levar décadas para acontecer. Toda a extensão de seu corpo latejava, e sem poder usar os braços, ficava exposto às vontades de Aizen.

Seu coração pulsou acelerado. Grimmjow sentia com a orelha recostada sobre o garoto. Ele sofria, sofria muito por vê-lo naquele estado, por se sentir totalmente desamparado e incapaz. Se pudesse, se tivesse forças afastaria Aizen dele!

A mão de Ichigo se esticou numa tentativa de puxar a maçaneta da porta, no entanto teve o cotovelo chutado por Aizen e em seguida o sapato repousou com força sobre sua mão a prendendo contra a porta. Ouviu um estalo e sabia que algo ali havia sido quebrado. Ichigo abriu a boca num grito sofrido querendo puxar os dedos dali, mas era incapaz disso.

E então Aizen sorriu um sorriso de vitória, sabendo que depois daquela noite nada estaria em seu caminho. Sim, em breve teria seu trono por definitivo. Depois bastava declarar à imprensa a insanidade de Ichigo por ter perdido o paradeiro de Grimmjow e tudo estaria certo, tudo ocorreria ainda dentro do planejado. Os dentes continuavam exibidos frente ao olhar fixo de Ichigo, mostrando ao garoto o terror que podia causar àqueles que entravam em seu caminho.

Mas o sorriso veio cedo demais.

A ventania do helicóptero ergueu uma leve camada de poeira sobre os três. Aizen virou o rosto rapidamente indo um passo atrás soltando a mão de Ichigo, e o que pensou ser o fim de seus problemas acabou se tornando o pior deles.

Ichigo continuava jogado buscando apoiar os braços no chão para se levantar outra vez. Doía, todo seu corpo doía, e ele pensava quantas costelas estavam inteiras. Ao abrir os olhos sofridos, sentiu a visão ser embaçada com uma luz colorida os atingindo. A joia estava ali jogada no piso asfaltado do terraço, tão próxima dele quanto Grimmjow, ainda presa a coleira vermelha, reluzindo seu esplendor. Respirando fundo, o ruivo sentiu os pulmões arderem, e esse ardor o encheu de forças, como se fosse um fogo reascendendo, tornando a queimar densamente. Puxou o braço para fora do abraço com Grimmjow e cerrou o punho com sua mão ainda inteira em volta da esfera Apertou com toda sua vontade, pensando em tudo que aquele miserável objeto fez os dois passarem, deixando as imagens de Aizen o aprisionando, das torturas feitas à Grimmjow, permitiu esse terror em sua mente, emergindo dessa raiva o restante de suas forças.

Queria destruir aquilo, queria acabar com o sofrimento de Grimmjow! E então continuou a apertar sentindo a corrente de metal da coleira bater contra a superfície da pedra a arranhando. O crack partiu uma linha desigual pela extensão da esfera mantendo Ichigo focado no seu objetivo. Pressionou ainda mais os dedos criando uma primeira rachadura. Rangeu os dentes repetindo o movimento outra, e mais outra vez, até ouvir um estalo, e por fim ver a pérola colorida de espatifar em um minúsculo pó colorido.

No mesmo instante Grimmjow sentiu o corpo ser envolto por uma nova potência, como se no meio daquela poeira dominasse sua própria vontade.

Ah sim, ele só precisava disso: força! Uma força que ele possuía se tivesse braços e pernas ao invés de patas. Ao menos se as suas garras fossem maiores. Ah! Como queria externar essa vontade, esse desejo, tornando-se uma fera se fosse preciso, capaz de deter Aizen, capaz de proteger Ichigo!

Seu miúdo corpo estremeceu buscando dentro de si o poder do qual precisava, o acanhado milagre que salvaria o garoto e colocaria em prática sua tão aguardada vingança. Se ao menos esse corpo fosse do tamanho da sua ambição, do tamanho de sua alma ferina, então talvez ele conseguisse.

E aquela cólera, o ódio aumentado pela visão da lâmina afiada destinada a matar Ichigo tornou esse desejo uma certeza. Seu pescoço estava livre da influência de Aizen. A esfera que o prendia havia sido destruída. Bastava apenas querer, ah, e como Grimmjow queria!

Ichigo, então, sentiu seus braços expandirem conforme o peso de Grimmjow majorava. Em poucos instantes não mais conseguia segurar um minúsculo gato indefeso em seus braços, arregalando os olhos, tamanha foi a sua surpresa. Aizen, tão próximo, já pronto para o golpe derradeiro; mesmo ele com toda a sua astúcia, jamais conseguiria antever aquilo.

Porque ele estava agora deitado no chão frígido com a fera em cima dele rosnando; um ser que exalava o aroma da morte, repleto de ódio para com aquele que havia o desafiado, que o havia ferido e acima de tudo: que ferira Ichigo. Aquele era o poder de Grimmjow, externado na mais perfeita imagem de uma besta; com pelos longos e brancos da cor da lua, olhos azuis transbordando fúria, e um tamanho descomunal, assemelhando-o a um gigante felino – a uma pantera.

Diante daqueles olhos Aizen não mais conseguia raciocinar. A fina linha negra no meio dos globos manteve-se firme o encarando, como se pudesse enxergar através dele. Tentava se livrar do gigante felino, mas o peso de Grimmjow, agora transformado, era grande demais. Não se movia e nada fazia a não ser sentir os músculos serem perfurados pelos dentes da fera ao abocanhar-lhe o ombro. Urrou um desesperado grito de dor voltando sua atenção ao helicóptero, sua única escapatória. Erguendo as pernas Aizen conseguiu afastar Grimmjow chutando-lhe o meio do peito, tendo a carne da ferida puxada junto com o focinho da fera, criando um buraco em seu ombro direito. Quase desmaiou devido ao ferimento, ao sangue escorrendo e principalmente a dor. O braço ficou pendurado ao lado do corpo, sem movimentos, sem nervos para deixá-lo no lugar. E então sua corrida começava. Quem ganharia? Suas duas pernas humanas ou as quatro patas ágeis de Grimmjow?

Tinha de dar tempo, subir no helicóptero e fugir dali, preparar-se para um novo dia, calcular as novas possibilidades, curar-se da derrota. Ah! A maldita e amarga derrota! Como ia adivinhar que Grimmjow era capaz daquilo? Como pôde se descuidar nesse ponto! Praguejando mentalmente, Aizen dispôs-se a correr como nunca, apenas buscando a entrada do helicóptero estacionado há menos de um metro do chão. Segurava a ferida aberta no ombro quase alcançando seu objetivo, sabendo que sairia daquele maldito telhado.

Sentiu as pernas falharem, porém. Um soco. Caiu apoiando o braço ainda bom sem dar-se por vencido. Ouviu uma respiração ofegante atrás dele e um par de pés cambaleante. Ichigo, que caía novamente de joelhos já desprovido de qualquer sustento no corpo. Tinha ido até Aizen usando o restante de suas energias para impedi-lo bem a tempo, sem lhe dar chance de revidar, pois a pantera vinha correndo ligeira saltando em cima dele. Não havia nenhum lugar para onde ir. Grimmjow arremessou os dois para fora do telhado, caindo em direção ao concreto da rua.

– Grimmjow!

Gritou Ichigo, mas os dois já estavam muito longe.

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Os carros da imprensa já estavam alinhados filmando ao vivo os acontecimentos da noite. Contudo sabiam apenas da estranha queda de energia na empresa, focando suas atenções no misterioso aparecimento do helicóptero no telhado do prédio. O som alto das hélices abafava qualquer outro ruído, inclusive o que muitos acharam terem sido barulho de tiro.

Foi quando ele veio. Um som alto e contínuo aumentando cada vez mais chamando a atenção das câmeras. As lentes viravam de um lado ao outro procurando a fonte do barulho, sem sucesso, pois a escuridão os deixava desnorteados. Finalmente um deles o viu apontando e chamando os demais para rodar a filmagem naquela direção.

Ele caía depressa tendo o vento passando por seu corpo já inerte, como se o atravessasse feito um líquido. Aizen continuava com a face voltada para cima observando com as íris trêmulas o olhar de Ichigo o acompanhando na queda. Grimmjow viera com tanta força e raiva que ele nem teve tempo de se esquivar. Os dois haviam acabado com todas as suas chances; esse garoto e Grimmjow... E ainda por cima teve de ficar ali encarando a cabeça de Ichigo o mirando do topo do telhado, vendo-o cair feito um pesado pedaço de nada. Porque era assim que se sentia nesses últimos segundos: um nada.

A sorte que ele tanto ansiou conquistar tinha o abandonado no momento em que Ichigo removeu aquela coleira, quando ele não notou o instante em que ela se espatifou. Se tivesse outra chance, se pudesse mudar aquilo tudo, ele mudaria. Não deixaria pontas soltas, acabaria com qualquer um em seu caminho sem pestanejar. Mas o capricho, a sensação de glória sobre o vencido e o orgulho, falaram mais alto dentro dele, tão alto que ele nem prestou atenção até ser tarde demais.

E seu último pensamento misturou-se com o som do metal do carro entranhando-se na sua carcaça quando esta atingiu o capô dele. O teto do veículo envergou para o alto engolindo Aizen dentro dele, quebrando vidros e criando estilhaços afiados o bastante para lhe perfurar por inteiro. Não havia mais nenhum pedaço no lugar, e o rosto havia ficado reprimido num conglomerado de cortes e carne escapando pelos lados. A boca aberta engasgava com a própria saliva, soluçando, fazendo o peito sepultar ainda mais sobre as pontiagudas estacas de vidro. A tonalidade viva do vermelho sangue escorreu pelos cantos do veículo contornando os amassados pretos com sua cor rubra. Os faróis ascenderam piscando depressa com o barulho do alarme tocando enquanto as mãos de Aizen tremiam nos últimos espasmos, e os olhos, as esferas castanhas miravam o céu da noite lhe escapando da visão turva, o emergindo num absoluto vazio, desmoronando o seu império.

Estava acabado.

Os gritos dos repórteres foram unânimes. As câmeras capturaram tudo fazendo com que os jornais mostrassem os mínimos detalhes do fim de Aizen.

No entanto, o que muitos ali pensavam ter acabado apenas mostrou-se ser um mistério ainda maior. A luz forte do helicóptero se afastava do prédio, mas era possível ver junto dela, a poucos andares próximo ao telhado onde Aizen despencara uma figura corpulenta de um animal olhando fixamente para o homem que jazia sobre o carro. A fera o admirava, e seus globos azuis penetrantes deixaram a todos atônitos, pois era como se aquele animal esperasse pela morte de Aizen. E quando ela enfim veio, a pantera virou as costas entrando pela janela ainda aberta do prédio, desaparecendo da vista de todos.

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O ruivo correu caindo de joelhos próximo ao local da queda dos dois. Apoiou as mãos na borda do telhado olhando para baixo, aflito à procura de Grimmjow, mas a noite estava escura, e ele mal tinha condições de estar desperto ainda. Tudo o que pode assistir fora os últimos instantes de Aizen o encarando com os olhos frios conforme caía os trinta e seis andares em direção a um dos carros estacionados na frente do prédio. Bastaram poucos segundos e ele havia chegado ao seu destino ao entrar com seu peso dentro do veículo. Virando o rosto Ichigo buscou por ar tornando a procurar por Grimmjow. Depois, respirou aliviado ao vê-lo ainda na forma daquela pantera pulando para dentro do prédio através do andaime onde aterrissara.

Chamou-o outra vez ouvindo o barulho da porta do telhado se abrir. Renji, por fim, adiantou-se ao seu lado o ajudando a se levantar.

– Ichigo! O que aconteceu?! — indagou confuso conforme colocava o ruivo apoiado em seu ombro.

– Grimmjow... E Aizen... Eles caíram.

– Lá embaixo?!

Exclamou ficando preocupado, no entanto Ichigo balançou a cabeça tornando seus pensamentos concisos outra vez.

– Não, eles não foram tão longe... Ao menos não o Grimmjow. — disse convicto.

– Para onde então?

– Vamos descer alguns andares, e logo descobriremos.

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A confusão na rua ao redor de Aizen era tanta que Neriell e Chad nem precisaram se preocupar com o anonimato. Conseguiram sair rapidamente sem serem vistos encontrando Ishida e Inoue os aguardando próximo à van.

– Como foram? — perguntou Orihime.

– Tudo certo! — respondeu Neriell – Já podemos nos mandar daqui.

– E os outros? — indagou o quatro olhos.

– Vou usar o rádio. Mas não se preocupem, com todo esse estardalhaço vai ser fácil sair daqui.

– O que está acontecendo? — perguntou Chad.

Inoue, Ishida e até mesmo Byakuya, quieto num canto da van se entreolharam, e então Ishida tomou a frente sendo direto.

– Aizen morreu.

O espanto na expressão de Neriell e Chad foi instantâneo. Eles nem mesmo conseguiam formular uma frase, gaguejando e perguntando como acontecera.

– Foi a poucos minutos – continuou Ishida – ele simplesmente caiu do telhado e bateu em cima de um carro.

– No telhado... — repetiu Neriell – Ichigo estava indo para lá...

– Não acredito que o Kurozaki-kun tenha feito uma coisa dessas! — exclamou Inoue.

– Eu também. Não. — completou Ishida.

– De qualquer forma, nós só vamos saber quando ele nos contar. Vou fazer a chamada.

– Neriell apertou o botão e logo ouviu a voz de Rukia em resposta:

– Onde vocês estão? – perguntou a morena.

– Na van. Venha até aqui, mas tenha cuidado.

– Okay. Estou com sua amiga, ela já acordou.

– Perfeito!

Pouco tempo depois uma ambulância chegava ao local atendendo a chamada de uma pessoa ferida, no entanto ao verem o corpo de Aizen trataram de se dirigir a ele de imediato. Checaram o pulso apenas por fazer parte do procedimento, afinal pelo estado deplorável dele já sabiam que não havia mais vida nele. No mesmo instante duas viaturas da polícia estacionaram com os agentes descendo apressados cercando a área. Pediram pelos bombeiros antes de mais nada, começando a delimitar o espaço da imprensa ali.

As perguntas começaram a serem feitas e foi quando Matsumoto surgiu segurando um pano ensanguentado no queixo. Os colegas a reconheceram indo ao seu auxílio, mas a loira os dispensou indo até Aizen.

– Este caso já está praticamente encerrado! Vamos à delegacia.– falou a mulher.

– Como pode ter tanta certeza disso?! — perguntou um dos policias incrédulos.

– Porque eu estava cuidado do caso. Fui eu quem chamei a ambulância quando fui atacada por Aizen.

– Ele te atacou?!

– Surto psicótico. — respondeu de imediato – Ele estava alterado e acabou se matando.

Aquilo parecia ser fantástico demais, mas quem eram eles para questionar as palavras de um agente especial? Os policiais apenas terminaram de isolar a área aguardando a chegada dos bombeiros e dos legistas.

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Dentro do prédio Ichigo e Renji continuavam suas buscas. Apoiando todo seu peso sobre tatuado os dois foram descendo devagar as escadas e Ichigo tentava se lembrar aonde tinha visto Grimmjow. Quatro ou cinco andares abaixo, ele não sabia ao certo, mas forçava a memória para isso.

– Vamos nos separar. — sugeriu o ruivo.

– Você mal se aguenta de pé! — replicou Renji.

– Já estou melhor. Vamos, o pior já passou só precisamos encontrar ele depressa.

Relutante Renji o fez tratando de avisar à Rukia pela frequência o que estava acontecendo. A baixinha concordou pedindo que seu irmão lhes desse mais algum tempo.

– Certo, mas diga para eles se apressarem. — falou ríspido, pois Byakuya achava que já estavam abusando da sorte.

O circulo de repórteres apenas aumentava ao redor de Aizen, todos querendo um close-up da terrível cena.

Matsumoto dava detalhes elaborados sobre a então crise psicótico de Aizen, culpando em parte o grande assédio da imprensa, mas nem mesmo isso abalou a insistência deles. Quando por fim ela acreditou ter se livrado da maioria das dúvidas, dispensou os comentários indo tratar de seus ferimentos. Ao sentar-se na ambulância a loira mirava o prédio com uma sensação de nostalgia ao se lembrar de Gin. Ele sempre esteve por perto, mesmo na encolha. Já sabia do seu envolvimento com Aizen desde o primeiro dia dele como assistente pessoal na empresa. Acompanhou em silêncio seus movimentos sem entender muito bem o que se passava. As poucas vezes que se encontraram depois disso foram apenas discussões e mais discussões, sobro como ele precisava tomar rumo na vida. Mas não adiantava. Ele era mesmo como uma raposa, esguia e astuta. Sua missão, requisitada diretamente por Neriell e suas suspeitas de Aizen dera uma desculpa para se aproximar dele, porém jamais esperava ter de acabar com uma sentença de morte. Aizen havia dado à ordem, e seu fiel cachorrinho tinha de executá-la. Claro, ele não o fez. Não poderia, mesmo que quisesse. Ao invés disso encobriu seu rastro, a deixando fora dos holofotes de Aizen. Retornar hoje foi a carta na manga de Neriell – outra pessoa que ele jamais esperava ver viva, e agora nem poderia. Mas o pior de tudo foi ver Gin se sacrificando de novo por ele. Tantas vezes ele já a salvara. Como podia ficar com raiva desse homem misterioso? Tudo o que podia fazer era rezar para que sobrevivesse.

Sorrindo consigo mesma Matsumoto afastou estes pensamentos, afinal, era Gin, a pessoa mais estranha de sua vida em quem pensava. E ela sabia, no momento que despertou sozinha na sala nos braços de Rukia, que ele estava bem.

Volte logo, seu idiota.” Pensou quando o enfermeiro terminou de ajeitar o curativo em seu queixo.

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Renji em um andar, Ichigo em outro. Há meia hora ditada por Byakuya ao entrarem na empresa dobrara de tempo, fazendo o moreno quase perder os cabelos. Contudo eles precisavam achar Grimmjow, sabiam disso.

Infelizmente, o tatuado nada conseguiu tratando de descer ao encontro de Ichigo, torcendo pela sorte do ruivo.

Distante das indagações de Renji, Ichigo caminhava apoiado nas paredes dos corredores do andar. Sua ferida no peito ainda sangrava, a mão quebrada latejava, todo o restante do corpo doía muito, quase o fazendo perder os sentidos, mas ele sabia que precisava continuar, por Grimmjow.

Chamou por seu nome algumas vezes torcendo para não ver nenhum guarda ali e de fato parecia que apenas ele perambulava pelo vazio prédio. O barulho do lado de fora continuava alto e irritante, dando-lhe um pouco mais de tempo, mas até mesmo isso estava se esgotando. O fone de ouvido já estava de volta na orelha, e a cada segundo ouvia a voz de Rukia o chamando, dizendo que queria ajudar. E ele ao mesmo tempo negava. Quanto menos pessoas ali dentro, melhor.

– Rukia, eu já estou indo! — bufou sem paciência.

– Meu irmão não pode segurar por mais tempo. — replicou – Quando as luzes voltarem, as câmeras de segurança vão ligar e você vai ser pego aí dentro. Em cima de quem você acha que vai cair a culpa, hein?

Parando diante de uma das salas Ichigo buscou fôlego, cansado da caminhada, cansado dos ferimentos e mais ainda das reclamações de Rukia. Ele sabia muito bem daquilo tudo, mas simplesmente não podia deixar Grimmjow ali! Ia o encontrar custasse o que custar.

– Já entendi Rukia! — respondeu cortando a fala dela — Eu estou indo o mais rápido que posso! Se você soubesse o quanto eu apanhei você...

Um engasgo veio na garganta do ruivo o deixando sem voz. A morena o chamou algumas vezes preocupando-se, e então ela ouviu o grito de alívio vindo do garoto, sua alegria por finalmente ter encontrado o que queria.

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– Grimmjow!

O ruivo berrou do outro lado da linha, e Rukia apenas sorriu consigo mesma desligando o rádio.

– O que foi? — perguntou Inoue.

– Nada. Apenas quis dar privacidade a eles.

Respondeu olhando para cima na direção do prédio.

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Trocando uma perna pela outra Ichigo correu para onde avistou Grimmjow. Ele estava jogado no chão de uma das salas, completamente livre de sua forma animal, desnudo, com os olhos fechados. Ao aproximar-se dele o ruivo pôs a mão em seu peito sentindo sua respiração e ficando aliviado. Depois retirou sua blusa a jogando em cima da cintura dele.

– Grimmjow...

O chamou acalentando sua cabeça em seu colo passando os dedos de leve em seus cabelos. Ele dormia, como se já não tivesse mais forças. Estava um pouco magro, mas nada que uma boa semana da comida de Yuzu não resolvesse.

Já ia ligar de volta para Rukia quando sentiu a mão quente tocando de leve seu rosto.

– Ichigo...

Balbuciou ainda fraco, querendo saber se aquilo se tratava de uma ilusão ou se estava na realidade, se aquele era mesmo o rosto de Ichigo.

– Estou aqui – respondeu – Eu cheguei Grimmjow, vai ficar tudo bem, pode descansar..

Num sorriso fraco, Grimmjow obedeceu a ordem do garoto tornando a fechar os olhos. Fosse um sonho ou fosse verdade, bastava para ele saber que estava envolto pelo calor de Ichigo. Os dois ficaram ali por poucos instantes, tendo a ajuda de Renji para remover Grimmjow do prédio. Ao chegarem ao lado de todos na van – e o estado acabado de Ichigo ficar à mostra — Inoue e Rukia correram até ele o ajudando a se sentar no banco, visto que Renji carregava Grimmjow sozinho. Os dois se acomodaram no carro e Ulquiorra saiu o mais depressa possível daquele circo antes que as câmeras os encontrassem.

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Na manhã seguinte o grande furo de reportagem ao redor da empresa era o único assunto sendo televisionado. Muitos tinham assistido os acontecimentos ao vivo, mas ainda assim a notícia aparecia repetidas vezes na televisão. O que havia frustrado muitos dos repórteres fora o misterioso corte de sinal recebido logo após à queda de Aizen do prédio. Ninguém havia visto a presença da estranha pantera nos andaimes do prédio, sendo sua aparição atribuída a um surto coletivo, pois as imagens de Aizen espatifando-se contra o carro causaram um grande choque aqueles que estavam na rua.

No entanto era difícil para a autópsia dos peritos na delegacia explicarem as marcas de dentes características de um grande carnívoro no ombro de Aizen. Oh bem, Matsumoto havia dado cabo da maioria das perguntas, então bastava deixar a poeira abaixar e tudo se resolveria por si só.

Continua

Notas finais
TCHARAM! Enfim, o mal perdeu! hahaahah eu sei foi meio clichê, mas fazer oq, eu gosto de clichês românticos! uahauhauha No próximo capítulo: o reencontro! hahahahahahahaha Beijos amores, até o prox. cap.!!!