Maika - Love.
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov Jannet:
_ E então, aqui em cima está bom? Ou precisa subir? — perguntava o idiota do Milk, pulando na escada para alcançar o teto da galeria em que estávamos.
_ Mais alto, não tem ninguém por aqui, voa logo e alcança a bosta do prego. — resmunguei, tirando a peruca que me incomodava demais.
_ Oras, eu estou tentando fazer as coisas direito, como um humano, não dá para me apoiar? — perguntava Milk, emburrado.
_ Hunf, já está quase na hora da apresentação da escola, ande rápido com isso aí. E não deixe torto. Além disso... — murmurei, pegando um martelo com a cauda, já que eu estava embaixo do palco e o martelo estava em cima. — Preciso de mais pregos. Isso aqui não está bom e este último entortou.
_ Você precisa parar de entortar os pregos, Jan... — resmungou Milk, me passando um saquinho cheio de pregos.
_ E você precisa aprender a ser você mesmo, e não tentar ser alguém que você nunca vai poder ser. — resmunguei. — Quem é mais problemático?
_ É, acho que eu não sou o melhor do mundo, mas você também é bem ruim com as mãos, hein? Você não tem patas, tem mãos, está lembrado? — resmungou Milk e eu joguei o martelo na direção dele, acertando bem na suacabeça. — Ai!
_ Mais atenção, amigo. — falei, sem conseguir conter a risada.
_ Muito engraçado, hein? AAH, DISFARÇA, DISFARÇA! — berrou Milk, desesperado.
_ Se acalma, fala baixo, imbecil. — resmunguei, me levantando, pegando a peruca e enfiando a cauda para dentro da calça.
_ Disfarçar o que? — perguntou um garoto, entrando.
_ Aaah, Jiim! — exclamou Milk, correndo até o garoto ruivo que entrar. — Você tem que me ajudar! Eu não consigo alcançar aquele prego e eu tenho pavor da escada! Por favor? — pediu, pondo um dedo nos lábios.
Ah, sim, eu tinha que me lembrar de que ele era uma fêmea e não um macho e que seu nome virou Melissa. Hunf.
_ Pode deixar que eu subo na escada para você, não se preocupe. — disse o tal Jim, pegando o martelo e subindo com o quadro na mão.
Lancei um olhar neutro para Milk, que deu uma risadinha e veio para o meu lado, sussurrando:
_ Ser mulher é muuito mais prático, fala sério?
_ Vai se achar lá na casa da mãe Joana, vai. — resmunguei, pegando outro prego e notando que a minha calça estava suja. — Hunf, tem absorvente aí?
_ Ah, tenho. Mas já? Nem está na época! — estranhou Milk.
_ É, atrasou a última vez. — resmunguei, indo para o banheiro com a bolsa do Milk... Digo, da Melissa nas mãos.
_ Ei, você fica super chique com uma bolsa nas mãos! — exclamou Milk.
_ Obrigado! Eu sabia que eu era demais, mas não precisava reafirmar! — exclamei, rindo. Eu adorava ele, apesar de tudo.
_ Ah, vai lá, seu gay! — exclamou Mi... Err... Melissa.
_ Como é que eu posso ser gay se você é quem é a garota? — perguntei, dando altas gargalhadas com a cara que ele fez.
_ Isso é golpe baixo! — exclamou Milk.
_ É, vai lá bater o prego, peito roxo! — exclamei, rindo ainda mais.
_ Cala a boca, vai! — exclamou Melissa, com os olhos vermelhos.
_ Ui, cuidado, daí a pouco tem que por lente! — exclamei.
_ Ah, valeu. Essa lente derrete rápido demais. — resmungou Milk, coçando os olhos. — Bem que estava ardendo. Vou lá no feminino. Me dá uma lente ou você não usa?
_ Eu não uso. E eu tenho que correr. — resmunguei, catando o absorvente na bolsa e correndo para o banheiro.
Aquilo chegava a ser divertido, mas até eu admitia que era uma maldição que nos enfiaram. Catei o absorvente, pus na cueca e ajeitei a cauda de um jeito que não ficava tão dolorido assim. Aproveitei e ajeitei a peruca.
Olhei meus olhos para ver se a minha pupila estava normal. Puxa, eu estava com olhos iguais aos de um gato, ferrou tudo. Corri para o banheiro feminino e entrei por baixo da porta, vendo Milk esticando as asas. Sorri e cutuquei uma delas, fazendo com que ele as encolhesse e pulasse no lugar.
_ Me dá as lentes. — murmurei, dando um leve sorriso.
_ Oras, é melhor ter olhos de gato do que olhos vermelhos! — exclamou ele. — Só tenho mais essa!
_ E você pode comprar alguma para mim? Eu te espero. — falei, nervoso.
_ Está certo, vou lá. — resmungou Milk... Digo, Melissa, pondo as lentes e saindo do banheiro.
Andei até embaixo do palco novamente, notando como a minha visão melhorava sem as lentes.
_ Ah, maldição. — resmunguei, vendo um garoto concertando o que eu concertava antes e dando meia volta para sair.
_ Aaah, venha aqui! — exclamou o garoto, me virando.
Eu só fechei os olhos.
_ Não dá, eu estou cego, esqueci minhas lentes. — falei.
_ Veja se consegue fazer algo! Por favor! Preciso que você só segure a escada, eu tenho medo! — exclamou.
_ Está certo, vire para lá. — ordenei, apontando para a parede e abrindo lentamente os olhos.
_ Ok, a escada está aqui, segure e não solte. — disse o garoto, subindo um degrau.
Eu agarrei a escada, olhando para o chão, um pouco aflito.
_ Se segure um pouco, porque o pé da escada está cedendo. — resmunguei e o garoto paralisou.
Eu levantei um pouco o pé da escada e encaixei direito. Mas com essa pequena altura, eu só ouvi o grito do garoto e ele caiu em cima de mim.
_ Aii, me segura! — exclamou, me abraçando e agarrando meus cabelos.
_ Calma... — comecei e notei que a peruca estava no chão, nos meus pés. A sorte era que o garoto estava com os olhos fechados. Ele devia ser um ou dois anos mais novo que eu. — Fique com os olhos fechados que o medo passa. — falei e o garoto me fitou. Ai, ferrou tudo.
Arregalei os olhos e joguei ele na parede, pegando a peruca e enfiando minhas orelhas ali.
_ Hunf. — resmunguei, largando o garoto e pondo o resto do cabelo embaixo da peruca. — Pede para outra pessoa. Estou cego. — resmunguei, andando até a porta e indo até o banheiro, nem vi qual deles era, eu só queria me esconder.
Mas, por incrível que pareça, o garoto passou por baixo da porta correndo e me prendeu contra a parede.
_ Eu vi direito? — murmurou ele, prendendo as minhas mãos com uma mão e tirando a minha peruca com a outra.
Eu apenas o fitei. Não adiantaria nada tentar escapar, só levantaria mais suspeitas.
_ Posso saber o seu nome? — perguntei.
_ É Kiyoshi... — murmurou o garoto, recuando com a boca aberta e os olhos arregalados.
_ Ótimo, não conta para ninguém sobre isso. — falei, indo até o espelho e coçando os olhos, tentando me acalmar.
_ Está bem... Mas... É de verdade? — perguntou ele, pulando em cima de mim, fazendo com que eu caísse contra a parede e agarrando as minhas orelhas.
_ Ei, ei, me solta! — exclamei, tentando tomar cuidado para não machucar o curioso ali, tirando ele de cima de mim. Minha cauda tinha escapado. Ótimo.
Peguei ela e enrolei, voltando com ela para dentro da minha calça e pondo a peruca, ajeitando o cabelo.
_ Mas... Deixa eu ver! — exclamou o garoto, arrancando a peruca de mim e passando a mão na minha cabeça.
Não pude deixar de fechar os olhos, aquele carinho era bom... Era a primeira vez que alguém fazia isso em mim.
Ah, sim, o nome do garoto era Kiyoshi, eu não tinha uma memória muito boa, mas...
Acabei por ajoelhar e encostar a cabeça no ombro do garoto, deixando a minha cauda se enroscar no braço do garoto.
_ Aaah, você é tão bonitinho! — exclamou o tal Kiyoshi, pegando a minha cauda levemente.
_ Naah, eu não podia deixar isso acontecer... — murmurei, pondo o nariz no pescoço do garoto, que pareceu se arrepiar e se afastou um pouco.
_ Desculpe. — murmurou ele, um pouco corado.
Eu o fitei. Eu tinha que admitir, o pequeno era bonito. Ele tinha cabelos negros e lisos. Seus olhos eram azuis e ele tinha uma pele que parecia ser feita de seda. Dava vontade de lamber. Opa... Sacudi a cabeça. Aquilo não podia acontecer, eu não estava pronto para dividir o meu segredo com... Ou será que estava?
Comecei a refletir sobre aquilo, fazia um tempo que eu não pensava sobre isso. Ah é, eu estava no cio, não dava para fazer nada agora.
_ Tenho que ir. — falei, pegando a peruca. — O Milk já deve ter comprado as lentes. Até mais. Só não conte para ninguém, por favor. — murmurei, ajeitando tudo e saindo do banheiro.
_ Milk? — ouvi do meu lado e vi que o garoto me seguia.
_ É o meu melhor amigo. — falei.
_ Ele é... Igual a você ou... — começou a perguntar, mas eu já sabia o que dizer.
_ Ele é... Tipo um passaro. Tem asas. — resmunguei. — E dentes e garras, ele é todo maluco.
Kiyoshi deu uma risada e vi Milk parado, conversando com o tal Jim.
_ Vai namorar com ele? — perguntei para Milk, que fez cara feia.
_ Vai começar a me cobrar? Eu quero o dinheiro das lentes, viu? — resmungou ele, me passando uma sacola.
_ Ah vá... — resmunguei.
_ Ah vá você lá no banheiro para tirar esses olhos de gato. — murmurou Milk, pondo as mãos sobre os olhos.
_ Estpa bem, fica aqui, e cuida do moleque porque ele acabou descobrindo tudo por causa da sua demora. — resmunguei, empurrando o tal Kiyoshi, que me olhou com uma cara de interrogação. — Fica aí. Eu vou lá. — falei, indo no banheiro e pondo as lentes.
Voltei e vi que o garoto estava com a cabeça abaixada.
_ Então você é um convidado que chegou antes? Por que não me avisou? — perguntou Milk, dando batidinhas na cabeça do coitado.
_ Vem, deixa de ser imbecil, Milk. — falei, empurrando meu amigo.
_ Já falei que agora eu sou Melissa! Pare de me chamar de homem! — exclamou, irritado.
_ Ah, ta, tinha esquecido, foi mal. — falei.
_ Ei! — exclamou Kiyoshi, já do meu lado. — Vamos conversar? Eu estou curioso.
_ Ai, que preguiça. — murmurei, abaixando a cabeça.
_ Ah, vamos, vamos, não vai ser ruim, prometo! — exclamou Kiyoshi.
_ Vai indo que eu vou levar uma conversa. — falei para Milk, que riu e saiu andando. — Pode começar.
Notas finais
Beijos
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