Maid Café Yaoi
3 Torta De Morango
Notas iniciais
– Recapitulando! Você atende as clientes normalmente e deixe que Shun faça o Yaoi. Você apenas precisa entrar no jogo dele – Disse Okami.
Okami estava dando as últimas instruções a Kaya antes de abrimos. Ele parecia meio nervoso quanto ao primeiro dia de trabalho, mas eu estava confiante nele. Sabia que ele ia conseguir.
– Hai... – respondeu ele, ainda meio inseguro.
– Ah, Kaya! – chamei, fazendo-o olhar para mim – A partir de agora, eu vou te chamar de Katsu-chan!
Ele me olhou meio confuso, perguntando:
– P-por quê?
– Ué, temos que fingir ter um romance, não posso te chamar pelo sobrenome. – respondi como se fosse óbvio – Seu nome é Katsuo, né? Abreviei e coloquei o “Chan” só pra ficar mais fofo, hehe...
– Ah... – ele parecia constrangido – Tudo bem então, Shunsuke.
– Não! – protestei – Você deve me chamar de Shun-chan, como todo mundo.
– Hai... – respondeu
Sorri para ele e então nos preparamos para atender as clientes. Kaya... Quer dizer... Katsu-chan, estava até atendendo bem, assim como eu esperava.
Chegou uma hora em que já estávamos lotados. É, isso sempre acontece em certa hora do dia, quando a maioria das garotas estão saindo da escola e aproveitam para dar uma passada aqui.
Mas havia um problema, tinha mais um grupo de meninas querendo entrar. Todos os outros garçons estavam ocupados, então Katsu-chan teve que se encarregar disso.
– Não tem nenhuma mesa mesmo? – perguntou uma das garotas, que ainda estava na porta da loja. – Bem, vamos procurar outro lugar então.
– Esperem! – disse Katsuo – Não podemos deixar belas donzelas como vocês irem embora dessa forma. Eu tenho certeza que logo aquela mesa ali vai vagar. – ele apontou para uma mesa – Já estão terminando. E enquanto não terminam, porque as senhoritas não aguardam nesse sofá? – ele apontou para um sofá perto da porta – Ficaríamos honrados em tê-las conosco.
As garotas se entreolharam, provavelmente fascinadas pelo jeito educado como ele as tratara. Ou fascinadas pelo jeito charmoso que ele ficava naquele uniforme. Mas o importante é que elas aceitaram ficar, e logo tiveram sua mesa.
Fiquei impressionado com Katsuo. Ele conseguiu com que as clientes não fossem embora, e o jeito educado dele fora perfeito para o estilo do Maid Café Yaoi. Eu disse que ele ia conseguir!
Bom, mas só atender bem não era o suficiente para provar que ele era qualificado para trabalhar aqui. Ele tinha que fazer as garotas gritarem. Bem, isso é comigo!
Kaya estava levando uma bandeja com uma torta de morango para uma das mesas. E eu, com meu jeito fofo, fui até ele, dizendo alegremente:
– Katsu-chan! Quer ajuda?
– Ah, não precisa, obrigado – respondeu.
E com isso, ele simplesmente me deu as costas e foi embora. Pelo visto ele não entendeu que isso fazia parte do meu roteiro como Uke. Bem, mesmo assim, não saí do meu personagem e fiz carinha de abandonado.
Algumas garotas da mesa ao lado que presenciaram essa cena, fizeram “own” em um tom de pena.
– Coitadinho do Shun-chan! – disse uma delas fazendo biquinho – Ele é seu novo Seme?
– Sim... – disse eu, de cabeça baixa – Mas parece que ele não gosta muito de mim...
– Oowwnn! – disse outra delas, apertando minhas bochechas – Como assim? Quem não gostaria de uma fofura dessas?
Arg! Odeio essa apertação de bochecha! Mas isso faz parte do meu trabalho, então respirei fundo e sorri para elas, ainda sem sair do personagem. É, tenho que ser forte pra não soltar um palavrão.
Depois de ser bajulado pelas garotas, voltei ao trabalho. Eu tinha que ser mais claro com o Katsu-chan, assim ele entenderia que estava na hora de entrar no personagem.
Enquanto ele estava limpando uma mesa, cheguei devagar perto dele e o abracei por trás. Ele até se assustou um pouco, virando a cabeça para ver quem era. Quando viu que era eu, estranhou um pouco, mas ao ver minha piscada de olho, entendeu que era para entrar no personagem.
– Katsu-chan... – fiz voz manhosa – Você não me deu atenção o dia todo... Eu to carente...
As meninas que assistiam a cena se derreteram em “Own’s”. É, ninguém resiste a um Uke carente. Só Katsuo. Parece que ele era o único que não tinha me achado fofo, mas era exatamente ele que precisava me achar fofo.
Ele, vendo que todos estavam olhando, tentou entrar no jogo, se virando de frente, me abraçando e dizendo:
– Ah, desculpe, estava muito focado no trabalho.
Olhei para cima, ainda fazendo biquinho com cara de coitado. As garotas gritavam coisas como: “Kaya, da atenção para ele, coitadinho!” ou “Own, que fofo o Shun-chan! Quero apertar ele!”.
É, eu já sou acostumado com isso, mas pelo visto, ele não. Ele ficou parado, corado e sem saber o que fazer. Vendo o desespero dele, resolvi soltá-lo logo e acabar com aquela cena, voltando para o meu trabalho.
É, acho que esse era o problema. Katsuo não era um bom ator pelo fato de ser tímido. Ele era um ótimo atendente, mas ator não. Seria difícil lidar com aquilo.
Resolvi parar de pensar naquilo e direcionei meu olhar para Mizuki, que anotava o pedido de uma mesa. Reparei que sua gravata estava mal colocada. Não sei se aquilo era proposital ou ele realmente colocou errado.
De repente, Naoto se aproximou de Mizuki, com sua cara mal-humorada de sempre. Claro, era a cara de seu personagem, não do verdadeiro Naoto.
– Mizuki, onde está o... – ele parou ao olhar para a gravata dele – Arg! O que é isso? Sua gravata está toda errada!
Mizuki olhou para sua gravata e finalmente pareceu reparar que estava mal colocada. Ou fingiu reparar. Sério, eles atuam tão bem que às vezes não sei se estão fingindo ou fazendo de verdade.
– Ah, nem reparei isso – disse Mizuki naturalmente, como se não se importasse.
– Arg, francamente! – Naoto começou a desfazer o nó mal feito e refazer, dessa vez direito – Não consegue nem dar um nó de gravata sem minha ajuda? Da pra ser mais inútil?
As garotas da mesa ao lado riram. Elas sabiam que Naoto xingava Mizuki, mas que no fundo se importava com ele e gostava de cuidar dele.
Naoto terminou de fazer o nó e apertou a gravata. Mizuki sorriu, o que o fez fechar mais ainda a cara.
– O que é? – rosnou ele – Está rindo de quê?
– Nada não... – ele sorriu ainda mais – Adoro quando você cuida de mim.
Mizuki abraçou Naoto, que corou totalmente e tentou fugir do abraço, gaguejando:
– E-eu n-não... Não estou... Cuidando de você... Só estou... Éh... Você que não consegue fazer nada sozinho! – Fez cara brava.
Mizuki sorriu e deu um selinho em Naoto, fazendo as garotas gritarem e rirem. Naoto corou completamente. Realmente, não sei como ele consegue corar tanto apenas atuando. Bem... Será que ele está mesmo atuando? Ah, deixa para lá...
Fiquei com vontade de fazer as garotas gritarem também, então fui procurar Katsu-chan. O encontrei anotando um pedido em uma mesa, e como imaginava, ele estava atendendo muito bem.
– Katsu-chan, o que está fazendo? – perguntei com voz fofa, assim que me aproximei.
– Ah... Só estou atendendo essa mesa – respondeu ele como se fosse óbvio.
Arg! Ele é muito lento! Não consegue entender que tem que me dar atenção? E que temos que fingir ter um relacionamento? Bem, eu sei que é o primeiro dia dele, por isso devo ter paciência.
Mas não é por isso que vou deixar as garotas sem Yaoi. Meu papel é ser um Uke que corre atrás do seu Seme, então, ninguém melhor que eu para fingir ter um relacionamento com Kaya.
– Hm... Se precisar de alguma coisa, pode me chamar, ok? – disse eu alegremente.
Ele assentiu com a cabeça, então voltou a atender a mesa. Ameacei ir embora, mas para a surpresa de todos, voltei e dei um rápido beijinho na bochecha dele.
As clientes daquela mesa gritaram. Era isso que eu queria ouvir! Já Katsuo, arregalou os olhos e corou totalmente. É, ele não esperava por isso.
Dei uma risadinha fofa e fui embora, deixando que ele voltasse a fazer seu trabalho. Fiquei o observando enquanto ele ajeitava os óculos que escorregavam pelo nariz e limpava a garganta, tentando recuperar a pose de cavalheiro.
Bem, e assim se passou o resto do dia. Combinamos que assim que fechássemos, teríamos uma reunião para todos comentarem como foi o desempenho de Kaya.
Nós cinco nos sentamos em uma mesa, e Katsuo parecia bem nervoso.
– Kaya... Bem... – Okami começou a falar.
– Eu sei. – Ele a interrompeu – Eu fui mal, me perdoem...
– Eu não ia dizer nada disso. – Okami riu – Você foi bem, na verdade. Atendeu perfeitamente todos os clientes...
Ele sorriu, mas o sorriso logo se desfez do seu rosto quando Okami disse:
– Mas... O problema é que na parte do Yaoi... Você foi péssimo.
– Foi só o primeiro dia dele. – resolvi defendê-lo – Ele foi ótimo para um primeiro dia.
– Eu sei – disse Okami – Por isso mesmo vou investir nele. Kaya – ela se virou para ele – Você não é lá um ótimo ator, mas é um ótimo atendente. Somos um Maid Café Yaoi. Na parte do Maid Café você acertou, agora vamos te treinar para a parte do Yaoi – ela sorriu maliciosamente.
– B-bem... – Katsuo pareceu até meio assustado – É que eu não sou acostumado com esse tipo de coisa. Tipo... Ele chega de repente e...
– É pra isso que vamos te treinar – comentou Naoto.
Mizuki pagou nos pulsos de Kaya e o levantou. O resto se levantou logo em seguida. Okami colocou eu e ele de frente um para o outro e começou a falar:
– Preste atenção. O Shun é quem toma a iniciativa, mas você tem que retribuir também. Você só não sabe como, né?
Ele assentiu, então Okami começou com as instruções:
– Quando o Shun se aproximar de você, faça algum carinho nele.
– C-carinho? – ele perguntou, confuso.
– Sim, por exemplo... – continuou ela – Toque o rosto dele com as costas dos dedos, e vá descendo bem devagar, alisando-o com carinho.
Katsuo, meio tímido, obedeceu, tocando meu rosto e alisando-o de leve. Entrando no personagem também, fechei os olhos e dei um sorriso sutil.
– Isso... – continuou Okami – Agora desça a mão até o queixo dele e levante a cabeça dele, para que seus olhares se encontrem.
Novamente, obedecemos cada palavra. Naoto e Mizuki só observavam. Ela então continuou:
– Agora, Kaya, aproxime-se dele bem devagar, sem desfazer a conexão de olhares.
Ele engoliu a seco e foi se aproximando devagar. Meus olhos verdes olhavam profundamente em seus olhos cinza, e percebi que isso o deixava nervoso.
– Relaxe – disse Okami percebendo a tensão – Vocês não precisam se beijar. Sei que não são tão íntimos assim, mas para não quebrar o clima, dê um beijinho na testa dele, bem devagar. – ela falava e nós obedecíamos – Agora, Kaya, coloque a mão na cintura dele de leve e aproximem seus corpos para um abraço terno...
Assim nós fizemos. Eu fazia aquilo naturalmente, pois sabia que era apenas trabalho, atuação, mas Katsuo parecia nervoso. Eu entendo, ele não era acostumado com isso.
– Agora – continuou com as instruções – Vão se afastando bem devagar, passando as mãos pelos braços um do outro, como se não quisessem se separar.
Obedecemos, finalizando aquele treinamento.
– Ain! – Okami deu um gritinho – Que fofos, gente! Façam isso amanhã que as garotas vão pirar!
Nós rimos da reação de Okami. Apesar dela ser gerente, ainda é Fujoshi. Bem, o importante é que agora estamos prontos!
E assim se passou mais um dia, no Maid Café Yaoi.
Fale com o autor