Notas iniciais
Etto, se você clicou em uma história sem sinopse, você é corajoso(a).
Ou louco.
Ou as duas coisas.
Boa leitura ^-^

Faz três anos que fui diagnosticada com problemas no pulmão. Não é algo que se diga: Oh!, mas também não é algo que te deixe viver uma vida normal. Não estou reclamando, afinal, poderia muito bem ter batido as botas há tempos, mas não me lembro de ser saudável. Não sei como se pode respirar naturalmente, sem ajuda de aparelhos.

Era muito difícil antigamente, e algumas vezes me pego pensando que ainda é, mas logo afasto a ideia. O ponto é que, mesmo estando morrendo dia após dia, eu não me importo. Se morrer, tudo ficará bem, talvez até melhor para meu pai.

Posso encontrar minha mãe depois de tanto tempo. Só esse pensamento me deixa feliz.

Eu a encontro enquanto escrevo. Amo escrever estórias sobre, acredite se quiser, magia e tudo mais. Sempre me encantei por magia, e desejo que exista em algum lugar, e que, antes de morrer possa encontrá-la. Acho que morrerei logo. Eu só sinto isso.

Mas não me abala, pelo contrário, me dá forças.

E finalmente, poderei frequentar o ensino médio. Sempre estudei em casa, e depois do diagnóstico do câncer, se tornou ainda mais difícil fazer coisas que pessoas normais e saudáveis fazem como estudar na escola. Sei que estou perto da luz, e meu pai também sabe, pois ele deixou.

Acabei de entrar na escola, e estou rodeada de pessoas que nunca vi na vida.

Estou em pânico.

São tantos, aglomerados ao meu redor, impossibilitando a minha não tão boa visão. Eles olham para frente, mas tenho minhas duvidas quanto a estarem vendo alguma coisa.

Alguém me derruba. Escuto um murmuro de desculpas, mas ninguém pensa em me ajudar a levantar. Tento me levantar, em vão, e quando vou tentar pela segunda vez, alguém me estende a mão.

- Quer ajuda? – pergunta. Assinto e seguro sua mão. Não preciso fazer força, pois a pessoa me levanta como se eu não pesasse mais que uma pena.

De pé, olho finalmente para meu salvador. Ele tem cabelos castanhos e uma pele morena clara. Mesmo usando uniforme, está com um chapéu meio sujo. Meio bonito eu diria.

- Tome mais cuidado, senhorita. – diz. Fico vermelha de vergonha. Sim, sou um belo desastre.

- O... o... obrigada! – falo baixinho. Sinto-me cansada e procuro algum lugar para sentar.

- O que está procurando? – pergunta. Não me leve a mal, eu não tenho problemas em, sabe, estar morrendo e tudo o mais, mas sinto medo de falar para as pessoas, com medo que me tratem diferente só porque estou com quase um pulmão.

— Um banco. – falo. Ele dá um sorriso.

- Hum, estou vendo que é novata. Quer companhia para achar sua sala? – pergunta. Assinto agradecida. Não me lembro de qual fora a última vez que alguém me tratou bem, antes de saber da minha condição.

Leva-me por um vasto corredor. Não há quase ninguém andando por lá. Estou atrasada. E atrasei o garoto mais gentil que conheci.

O menino me pergunta qual minha aula e respondo que é japonês. Ele sorri e me conta um pouco sobre todos os professores. Fico cada vez mais agradecida, e me esforço para prestar atenção.

Paramos em uma porta e ele bate de leve.

- Está entregue senhorita. – diz.

- Obrigada! – falo, aliviada.

- Não precisa me agradecer toda vez que faço algo. – repreende-me. – A propósito, meu nome é Alzack, sou do segundo ano. Qualquer coisa é só chamar.

Fico feliz e sorrio abertamente.

- Meu nome é Lucy Heartfilia.

Ele sorri e sai.

A porta se abre no mesmo instante.

Um senhor baixinho, que mais parece um anão, me olha de cara fechada. Dou um sorriso amarelo.

- Está atrasada. – diz ele.

“Isso é meio óbvio não é?” penso.

- Sim, eu tive uns probleminhas e – começo, mas ele ergue a mão.

- Pode se sentar ali, na última cadeira da fila ao lado da janela. – ordene e volta a explicar algo como se nada houvesse acontecido.

Obedeço e vou para meu lugar de cabeça baixa. Coloco meus materiais na mesa e olho pela janela. Não conseguia me concentrar. Penso no que as pessoas da minha turma se perguntam sobre mim, sobre os meus motivos, ou mesmo se elas me viram passar. Provavelmente não prestaram atenção. Espero que não.

Lá fora, o céu está de um azul tão bonito que fico encantada. As árvores balançam, em uma dança ensaiada. Desejo ficar lá. Deitar na grama, que é tão verde, debaixo de uma imensa árvore, e observar sua dança coreografada de cima.

Balanço a cabeça, em ritmo a dança das árvores. Penso em uma música, e em seguida em algum poema. Sinto vontade de escrevê-lo. Pego meu caderno, e abro na última página. Começo então. Enquanto a aula passa, sem que ninguém me note lá no fundo, escrevo rapidamente. Pensando bem, faço tudo rapidamente. Quando termino penso em um título suficientemente bom o bastante, afinal, o que atrai quase sempre é o título, não é mesmo?

“Sintonia das folhas” escrevo no alto da folha. Fecho meu caderno com um sorriso. “Mamãe, será que você acharia bom?” me pergunto.

De repente sinto que estou sendo observada. Ergo os olhos para cima e não vejo ninguém. Abaixo-os e meu sensei me olha de braços cruzados, com uma cara de decepção.

- Senhorita Heartifilia, será que poderia explicar a esse velho o que é mais importante do que uma aula de japonês? – pergunta.

“Muitas coisas” penso.

Apenas o olho.

- Me desculpe. – peço.

- Vamos, leia o que passou o tempo todo escrevendo. Aposto que foi uma carta para seus namorados. – disse o professor com um sorrisinho. Algumas pessoas riram baixo. Sorri também. Até que aquele velho não era de todo um mal.

- Não, eu nem tenho namorado. – falei, gesticulando com as mãos negando.

- Ora, nem por isso deixa de ser menos interessante.

Começo a ficar vermelha, intensamente vermelha. Quando vejo que não há saída, suspiro e pego meu caderno novamente. Abro na última página e minhas mãos estão tremendo. Nunca li nada que escrevi para alguém. A primeira vez é aterrorizante.

- Si-si-sintonia – gaguejo, mas sou interrompida por um estrondo. Todos olham em direção a porta, que foi aberta por um estrondo.

- Está maluco olhos-mortos? – grita um garoto de cabelos rosa para um garoto de cabelo azul-escuro. – Como ousa interromper minha entrada?

O garoto de cabelo escuro sorri de braços cruzados. Ele está sem a camisa de uniforme, e me sinto vermelha de vergonha alheia. Uma garota de cabelos azul escuro, a algumas cadeiras afastadas de mim, segura o rosto com um olhar sonhador para o garoto de cabelo azul-escuro.

- Seu foguinho de merda, ninguém vai reparar em você se você estiver comigo. – retrucou. Quase pude ver brilho irradiando daquele narcisista assumido.

- Você é muito irritante, seu pervertido! – berrou o garoto de cabelos rosa.

- Cabeça de passarinho!

- Desgraçado falso!

- Você está fedendo.

- Olhos Mortos!

- Olhos Puxados!

Nesse momento os dois começaram a se socar. Muitas pessoas desviaram o olhar, como que acostumadas com isso.

Uma garota ruiva, sentada na primeira carteira, se levantou.

- Será que vocês vão parar? – perguntou nela. Fiquei com medo da ruiva. Ela era assustadora.

- Foi ele que me provocou! – argumentou o rosado.

- Quando foi que te provoquei? – retrucou o outro. Eles voltaram a se encarar. A garota então deu um soco em cada um dos dois, que pararam e se sentaram.

Meu queixo estava caído e estava tão surpresa que não sabia como voltaria ao normal.

- Obrigado Erza-chan! – disse o professor.

- Mestre. – falou a garota se sentando.

“Terrivelmente assustadora” – pensei.

O sino tocou e levantei. Havia escapado do poema. Lucy 1X Sensei 0!

Dei um jeito de andar apressadamente, e acabei sendo a primeira da sala.

-Hey! – gritou alguém.

Fechei os olhos e mordi os lábios. Iria me dar mal no meu primeiro dia de aula. Há pessoa mais azarada que eu?

Virei lentamente e me deparei com o garoto de cabelo rosa. Ele segurava algo e notei que era meu caderno.

- Você esqueceu isso. – disse. Assenti.

- Obrigada! – falei. Só queria ir o mais rápido o possível para a próxima sala, torcendo para não ser tão ruim quanto à primeira.

- De nada. – disse ele. Fiquei aguardando um pouco mais. – Eu nunca te vi por aqui, todos aqui estudam comigo faz tempo, mas você é nova.

- Hum... É meio óbvio não? – perguntei.

Ele deu as costas e começou a andar.

- Ei! – gritei. – Qual seu nome?

O garoto se virou.

- Natsu Igneel. – e voltou a andar.

Ele nem ao menos perguntou meu nome. Parecia um garoto, qual a palavra? Exótico!

“Hum... Natsu.” – pensei, tentando achar minha sala, onde ficaria a próxima aula.

Notas finais
Então, o que acharam?