Maguneto
1 Ressonância
Numa pequena casa no interior do Japão, Ishida, 15 anos, volta da escola e se joga no quarto, grudado no celular — seu único refúgio contra o tédio.
De repente, três batidas firmes na porta.
— Ishida! Café da manhã! Vamos cedo pra consulta. — A mãe chama do lado de fora.
— Tô indo, mãe! — Ele resmunga e se arrasta da cama no escuro.
Abrindo a cortina, o sol ilumina o dia lindo lá fora, uma promessa silenciosa de algo que vai mudar.
Na cozinha, o cheiro do frango empanado aquece até a alma. Sobre a mesa, torradas crocantes e café fresquinho.
— Aproveita bem, logo vai pro banho e a consulta, hein? — A mãe alerta.
— Tá bom — Ishida responde, mancando pra mesa.
Depois do café, o chuveiro é o próximo passo. Água quente que tenta lavar o sono e a ansiedade juntos.
Pronto, veste camiseta larga bege, calças cargo pretas e tênis. Roupa de quem quer passar despercebido, mas sabe que hoje não será um dia comum.
— Vamos! Se atrasar, já era. — A mãe apressa.
No carro, a paisagem rural dá lugar aos prédios imponentes da cidade grande. O ar muda, cheio do barulho e das promessas da selva urbana.
No hospital, a rotina é um peso. Fichas, esperas, olhares cansados.
— Filho, não precisa ficar nervoso. Esse exame já é velho conhecido. — Ela tenta animar.
— Não é nervosismo. Eu só odeio ficar parado naquela máquina... — Ishida admite.
— Pois é o único jeito, e vim contigo, então bola pra frente. — A mãe sentencia.
O médico surge, chamando-os com um sorriso forçado.
— Antes de tudo, Ishida...
— Já sei, tira tudo que é metal. Poupem o papo. — Ishida corta, sem paciência.
— Menino, tenha respeito! — A mãe quase rosna.
— Relaxe senhora, esses jovens hoje... cheios de atitude e birra. — O médico ri, mas o olhar é sério.
Na sala de exame, a máquina de ressonância brilha com LEDs azuis. Parece saída de um filme futurista, mas para Ishida é só mais uma prisão.
Deitado na maca, cercado pela luz fria, o tempo se estica torturante.
— Vai levar uns 30 a 40 minutos. Pense em qualquer coisa, exceto se mexer. — O aviso é tão seco quanto a sala.
Ishida fecha os olhos, tenta dormir. Pensa no frango, na aula, no tédio infinito.
Mas a máquina começa a falhar, os ruídos ficam insanos, a luz titila estranha. O ar se comprime, a porta gruda com força magnética.
O coração explode no peito; algo está errado.
Sua pele começa a se arrepiar. De repente, sente o corpo se elevar, lento, contra a vontade.
Mil pensamentos travam na mente, até que tudo desfalece.
...
Horas depois, o médico retorna e encontra Ishida de pé, usando luvas feitas de objetos metálicos estranhos: tesouras, maçaneta, barras de ferro.
— Essa foi a ressonância mais insana que já tive. — Ishida sorri, misto de medo e excitação.
— Garoto, você precisa fugir daqui. Agora! — O médico agarra seu braço, puxando-o pelos corredores silenciosos.
— Fugir? Mas eu... — Ishida tenta entender o que está acontecendo.
O pânico é real, o perigo, iminente.
Continua...
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