Depois daquele dia, veio diversos treinamentos e um mais diferente do que o outro, e assim se segue até os dias de hoje:


3 meses depois...


Viridi e Ishida estão lutando, uma luta aparente equilibrada, mas o garoto de cabelos verdes está dominando.


Viridi lança soco atrás de soco, embutido com eletricidade da mesma cor de seu cabelo. Ishida esquiva de vários ataques e avança pra uma investida. Muitas sucatas se juntam e moldam ao redor de seus braços, tornando-se dois grandes pares de luva magnética.


Ishida: Toma essa!


Ele estica um de seus braços pra trás, e com um grito determinado, joga pra frente numa velocidade surpreendente, mas Viridi cria um guarda chuva feito de eletricidade, abrindo-o pra confundir Ishida e o atirar contra uma parede com um chute direto na costela.


Ele pula direto do chão e salta como uma mola pra iniciar uma sequência de socos ferozes. Mas ele é preso no chão e Viridi também que, ao olhar pra cima, eles veem Yokawa sorrindo debochadamente.


Yokawa: Estavam se divertindo?


Ishida: Sim. Até você aparecer.


Viridi: Eu iria usar a Rede Elétrica nele, mas tudo bem... eu sei do que se trata.


Ishida: O que houve? Aconteceu algo que eu não saiba?


Yokawa levanta o garoto de cabelos grisalhos do chão, olhando-o pra ele, sério.


Yokawa: O requisito para ser transferido ao Instituto Kaenrai é treinar aqui na base por 5 meses inteiros e, bom, o Viridi completou o requisito.


Ishida: O que?! Porque não me disse antes, Viridi?


Viridi: Na época eu só queria testá-lo pra ver se tinha potencial de ser meu amigo, mas depois... eu acabei esquecendo completamente de te falar, foi mal...


Ishida: Tudo bem, estou tranquilo.


Ele tranquiliza Viridi, lembrando que a vida é imprevisível e que qualquer coisa pode acontecer.


Reika: Não vai se despedir dele? Temos que levá-lo pro Instituto.


Ishida olha pro amigo, não querendo vê-lo indo embora, olhando cabisbaixo.


Ishida: Adeus, Viridi. Nós se reencontraremos lá. Pode ter certeza disso!


Ele exclama, dando um high five com ele que ecoa pelo salão principal. Alguns Despertos olham para a cena e logo voltam suas atividades.


Viridi: É claro, amigão.


Ele fala, lágrimas contidas em seus olhos, antes de enxugar elas com o antebraço.


Ishida: Até mais.


Viridi: Até.


Ele caminha até Reika que, o acompanha e consola em direção ao carro.


Yokawa: Olha, Ishida. Sei que está sozinho agora e tudo mais... mas enquanto ele vai pra lá, porque não pensa em ficar um pouquinho mais forte até revê-lo? Você tem dois meses de treino ainda. Não precisa se apressar, entende?


Ishida: Sim, eu sei. Mas é que eu odeio despedidas. Bem, ainda não treinei hoje. Quer me guiar até a sala?


Yokawa: Claro, por que não?


O homem leva Ishida em rumo a sala de treinamento, dando tapinhas no ombro do rapaz.


...


2 meses depois, Transferência de Ishida pro Instituto.


Ele dorme tranquilamente em sua cama de espuma. O quarto está um completo bréu, exigindo que uma fresta de luz solar entrasse pela janela que, está tampada pela cortina.


De repente, a porta do quarto se abre revelando Yokawa que, abre as cortinas, deixando sol pegar na cara de Ishida, o acordando.


Ishida: O que foi? Normalmente você não me acorda.


Yokawa: Ah, é que... você será transferido hoje.


Ishida: É sério mesmo?!


Yokawa: Óbvio que é sério. Achou que eu iria brincar com uma coisa dessas??


Ishida: Nã-


Yokawa: Exatamente. Vem, vamos tomar café.


Ishida: Beleza, já tô indo!


Ele troca o seu pijama pela roupa de sempre, não acreditando que verá Viridi e além disso... O Instituto Kaenrai.


Ao caminho do refeitório, ele imagina como é esse lugar, com vários Despertos dos mais diversos poderes, mais diversos do que aqui na base Fukakukokichi.


Yokawa: Como você irá embora, eu preparei um lanche especial pra você: uma tigela de arroz com um porco empanado, ou melhor dizendo... Katsudon!


O garoto saliva ao ver o prato delicioso em sua frente. A tentação é forte demais, e em questão de segundos, ele senta na frente da comida, esfregando a palma de suas mãos, com muita fome.


Ishida: Bom Apetite!


Ele começa a devorar a carne de porco e o arroz em pouco tempo, lambuzando seu rosto com molho. Nunca fora tão feliz em sua vida.


Yokawa sorri para ele, querendo que esse momento nunca acabasse.


...


Ao terminar de comer, Ishida se espreguiça tranquilamente, satisfeito após um bom rango.


Yokawa: Vejo que gostou do meu Katsudon, fico extremamente grato, rapaz.


Ishida: Bem, antes de irmos... queria me despedir da Reika. Ela foi tão legal comigo nesse tempo de estadia aqui. Você também é legal, mas eu acho que você vai me levar, não é?


Yokawa: Na mosca!


Ambos saem do refeitório, dirigindo-se á Reika, que está instruindo uma garota Desperta, com poderes de criar múmias.


Yokawa: Yo! Reika. O rapaz quer se despedir de você!


Ela olha pro seu namorado e depois para Ishida, que chega com o braço estendido, para um aperto de mão.


Reika: Gentileza a sua querer se despedir de mim, espero que fiquem bem lá. Você e o Viridi.


Ishida: Você é legal com todos aqui. Também merece uma despedida minha.


Ele sorri determinadamente, apertando a mão dela.


Reika: Um dia vem visitar a gente, Ishida!


Yokawa: Você sabe que ele TALVEZ nunca mais volte pra cá, né?


Reika: Eu sei. Mas vai que ele vem, não é? Nunca se tem certeza sobre nada.


Yokawa: Ah é, esqueci que vou te levar de carro. Até daqui a pouco, Reika!


Reika: Até, querido!


Ele entra no carro novo que comprou pra Reika e toma um susto que, Ishida já estava no banco de trás.


Yokawa: Que susto moleque! Não se faz isso não.


Ishida: Foi mal... pensei que já tinha me visto aqui atrás.


Ele fala, corando de nervoso, voltando ao normal após perceber os movimentos do carro começando a se locomover em direção á...


...


Estação de Trem Nichibotsu.


Yokawa estaciona seu carro entre duas árvores, saindo dele com um ar de alívio. Sentindo a brisa do vento e o sol quente na pele.


Ishida: Porque estamos no meio do mato?


Yokawa: É porque pra ter acesso ao Instituto é através daquilo ali...


Ele aponta para uma estação de trem antiga, muito antiga.


Ishida: Tem certeza que é ali mesmo? Parece abandonado.


Yokawa: é a mesma coisa da nossa base, lixo por fora...


Ele entra na estação, abrindo os braços como se quisesse demonstrar surpresa.


Yokawa: E luxo por dentro!


Ishida vê um interior moderno e rústico, com painéis para o Instituto em vários horários diferentes, o deles provavelmente seria as da 10h30.


Ishida: Ok. Vou parar de julgar pelas aparências, e dessa vez pra sempre.


Yokawa se senta num banco de madeira, dando tapinhas nele pra convidá-lo a se sentar ao seu lado. Ishida faz o que ele pede, olhando pros trilhos a sua frente entre colunas brancas de concreto. O som dos passarinhos e insetos da floresta preenche o silêncio desconfortável por ali.


Ishida observa o mato e as árvores ao redor enquanto respira o ar puro do local, até que Yokawa puxa assunto:


Yokawa: Posso confessar uma coisa pra você, rapaz?


Ishida: Uh, sim, claro.


Yokawa: Bem... você sente que, o tempo que você passa com as pessoas que você gosta passa mais rápido do que com as que você odeia?


Ishida: Sim, e é um fato.


Yokawa: Você e o Viridi. São os mais especiais pra mim e a Reika. E não é pelo fato de serem os mais promissores que já vimos passar lá na base. Mas é que sinto que vocês dois... poderiam mudar o destino, sabe, quando algo ou alguma coisa acontecer.


Ele fala, sentindo a brisa leviana do vento em seus cabelos presos, antes de voltar a falar.


Yokawa: Vou sentir falta de você, moleque.


Seus lábios trêmulos, mas mascarando-os pra não parecer frágil diante do garoto. Invés disso, ele o abraça fortemente, não querendo largar.


Ishida: Uh, Yokawa... você está me sufocando...


Yokawa: Ah, minhas sinceras desculpas.


Ele desfaz o abraço, olhando pro horizonte azulado, sorrindo gentilmente.


...


Subitamente, uma chaminé de fumaça aparece nos trilhos distantes, se aproximando cada vez a cada momento. A clássica lataria vermelha se destaca entre o ambiente verde que os cerca. O trem para na frente deles, abrindo a porta para entrar.


Yokawa: Moleque, chegou a hora de nos despedimos. Passamos tantos momentos juntos, desde aquele dia do hospital até o nosso treinamento contra o Monstro de Sangue.


Ishida: Bom, parece que não nos veremos tão cedo... não me arrependo de ter lutado ao seu lado contra aquele Arauto careca e o monstro. Obrigado por ter me salvado no hospital. Se não fosse você, já teria sido capturado.


Ambos se abraçam mais uma vez antes de um deles, Ishida, entrar no trem que logo revelara um interior igual a da estação.


Ishida: Tchau, Yokawa!


Yokawa: Até mais, moleque! Diz pro Viridi que eu e a Reika mandamos abraços!


Ele exclama, vendo o trem vermelho adentrar a floresta, com os lábios trêmulos.


...


Instituto Kaenrai, 11h45


Ishida sai do trem após uma longa viagem, botando o pé na frente do enorme edifício no topo de uma colina, vendo uma cadeia de montanhas ao fundo.


O sol está torando e Ishida se apressa para chegar na frente do grande portão preto, com dois orbes feitos de pedra ao lado, que deve significar alguma coisa.


O edifício possui uma aparência de escola japonesa branca, mas Ishida sente que, muitas lembranças serão construídas a partir daqui.


???: Ah, olá! Você é o novo Desperto? Uh, Ishida Kaneko?


Ishida: Sou esse mesmo.


???: Então... seja bem vindo ao Instituto Kaenrai!


Um homem gordinho de óculos redondos e terno abre os portões, sorrindo calorosamente.


???: Pode ir, meu bom rapaz.


Ishida: V-valeu!


Ele fala com pouco de ansiedade, mas seu olhar diz que está pronto pro que vier.


...


Continua...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.